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CPAD Jovens – 4º Trimestre de 2017 – 19/11/2017 – Lição 8: A resposta cristã para a violência urbana

16/11/2017

Este post é assinado por: Rafael Cruz

Texto do dia 

  • “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.”
    (
    Gênesis 6.11)

Texto bíblico 

  • Lucas 10.30-37
    30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

    31 E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
    32 E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
    33 Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
    34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
    35 E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.
    36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
    37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira.

INTRODUÇÃO

 Quando falamos em violência urbana, podemos tentar imaginar que é algo novo ou recente (30, 40 anos atrás). Mas como vimos na leitura oficial da nossa lição é algo que já existe a muito tempo no meio da sociedade.

Podemos caracterizar a violência urbana como uma desobediência a lei, desrespeito aos bens públicos e um atentado a vida no meio das cidades. As grandes causas para esse tipo de violência são o desemprego ou a oferta de emprego de baixa qualidade, a segregação, ausência de políticas para oferta de bens e serviços para a população, infraestrutura precária e exclusão socioeconômica.

Como visto na passagem do bom samaritano, a violência urbana não é um fenômeno novo e sempre esteve ligada à oferta insuficiente da garantia de direitos e cumprimento de deveres de maneira igualitária.

Benedetto Croce já disse: ‘A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora’. Violência deriva do latim violentia (que por sua vez o amplo, é qualquer comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente. Ela faz chorar, sofrer, irar-se e, até mesmo, revoltar-se. Tudo isso é humano e legítimo. Não há nada de demoníaco ou patológico nessas reações.

Com isso podemos resumir que a violência urbana consiste em um tipo de violação da lei penal. Consiste na prática de crimes diversos contra pessoas (assassinatos, roubos e sequestros), e contra o patrimônio público, influenciando de forma negativa o convívio entre as pessoas e a qualidade de vida.

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  • Despedaça, Senhor, e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade. Salmos 55:9 

I – PERSPECTIVA BÍBLICA SOBRE A VIOLÊNCIA

1. A violência na Bíblia

Falando em violência, precisamos entender a luz da palavra de Deus esse conceito. A violência nada mais é que um dos resultados da entrada do pecado na humanidade. O pecado não só corrompeu o homem em si, mas com suas atitudes, corrompe também o meio onde vive. A primeira consequência do pecado é a violência. Em meio à rivalidade, Caim mata Abel protagonizando o primeiro homicídio da história. Estava inaugurada a violência sobre a face da terra.

O ato de Caim revela a natureza da humanidade que, agora arruinada pelo pecado, comete violência sobre violência. Sua disposição para o mal é evidenciada em Lameque que, além de matar dois homens, louva os próprios crimes.

  • Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai, mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e um mancebo por me pisar. Gênesis 4:23

A bíblia é clara em nos dizer que Deus após ver que sua criação tinha se corrompido com o pecado, teve grande tristeza (antropopatia).

  • Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Gênesis 6:6

O antropólogo francês, René Gerard, famoso pelo seu livro: A violência e o Sagrado, publicado pela primeira vez em 1972, afirma que ‘a violência está na base da sociedade e da cultura, sob a forma dissimulada do bode expiatório. Cada um deseja o que o outro deseja, o que desencadeia uma rivalidade constante e ameaçadora, que se identifica com o sagrado, potência sobrenatural opressora, externa ao ser humano, verso o qual a humanidade tem sempre um sentimento de atração e repulsa ao mesmo tempo.’

A violência na mente é tão dolorosa como a violência pelas mãos. Levítico 19:17 diz: “Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.”

Desde que o primeiro casal pecou, a violência impera sobre a Terra através da maldade humana, mas a oração e a paciência superam a violência e a raiva em qualquer dia.

  • Não tenhas inveja do homem violento, nem escolhas nenhum de seus caminhos. Provérbios 3:31

2. A geração do dilúvio

  • Então disse Deus a Noé: O fim de toda carne é chegado perante mim; porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente com a terra.
    Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora. Gênesis 6:13,14

 

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Quando Deus olhou para o homem e percebeu que o homem havia se corrompido, conforme se lê no texto, Ele teve que tomar uma decisão para restaurar o homem ao ponto que ele desejava, pois a corrupção da humanidade tornou-se tão pecaminosa que Deus não conseguia nem aceitar mais o homem. O Senhor mesmo afirma que o fim de toda carne viria perante Sua face, pois a terra estava cheia de violência. Isso representa a própria revelação da obra de Deus em Cristo Jesus. Quando Paulo mostra isso, ele nos diz que: Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus Romanos 3.23.

Paulo caracteriza nossa geração como sendo exatamente a geração de Noé. Vamos ler o texto ainda em Romanos capitulo 3, a partir do verso 10:

  • Como está escrito: Não há justo, nem sequer um.
    Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.
    Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
    A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios;
    a sua boca está cheia de maldição e amargura.
    Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
    Nos seus caminhos há destruição e miséria;
    e não conheceram o caminho da paz.
    Não há temor de Deus diante dos seus olhos.
    Romanos 3:10-18

Do mesmo modo que Paulo conclui que o homem está separado da glória de Deus, isto é, distante de participar da divindade e de sua natureza, conclui-se que a geração de Noé estava separada da glória de Deus. Deus precisava recriar a humanidade.

A ideia central é que essa geração corrupta e pecaminosa precisa ser recriada. É aí que entra quando Jesus diz a Nicodemos: Necessário é nascer de novo. Hoje, para que possamos retornar ao estado original de relacionamento com Deus, o próprio Senhor nos providenciou sua arca: Jesus, o Cordeiro de Deus.

Vivemos dias semelhantes aos de Noé. Por isso, a Igreja de Cristo, como sal da terra e luz do mundo, deve postar-se como a voz profética de Deus contra todos os tipos de violência.

3 Violência ao longo da Bíblia

Muitos críticos podem dizer que a Bíblia é um livro sanguinário, violento, cheio de guerras e coisas ruins. O que devemos compreender é que são fatos narrados para entendermos e analisarmos as consequências do pecado na humanidade, não é para termos as mesmas atitudes.

Deus de maneira alguma faz apologia à violência na Bíblia, mas pelo contrário, em seus 10 mandamentos, 2 (dois) deles designam justamente o âmbito do relacionamento entre as pessoas de forma comum: Não matarás e não roubarás (Êxodo 20.13,15). Um adendo quanto ao versículo em Êxodo 20:13 que tinha sido incorretamente traduzido como “não matarás”, mas significa, literalmente, “não assassinarás“. Deus tem permitido guerras justas em toda a história do Seu povo.

A violência na Bíblia ocorre, mas temos de reconhecer a diferença entre o julgamento santo sobre o pecado e as nossas próprias vinganças pessoais contra aqueles de quem não gostamos, que é o resultado inevitável do orgulho (Salmo 73:6). 

II – O PODER PÚBLICO E A VIOLÊNCIA URBANA

1. “Nínives” da atualidade

  • Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Jonas 1:2

Entre 2011 e 2015, a violência no Brasil matou mais pessoas que a Guerra da Síria, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Entre janeiro de 2011 e dezembro de 2015, o Brasil teve um total de 278.839 assassinatos, o que, de grosso modo, leva a uma média mensal de 4.647,3 vítimas. Já na Síria, entre março de 2011 e novembro de 2015, a guerra causou 256.124 mortes, segundo estimativa da Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados.

Recentemente foi divulgado o Atlas da Violência de 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Esse Atlas revela que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência.

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Taxa de homicídios nos municípios brasileiros, 2005 e 2015 

Com números tão assustadores assim, parece que ‘Nínive’ é aqui!

  • Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem.
    Marcos 7:21-23

1. O Estado e a sua função de punir o mal

Deus deu autoridade para o estado no intuito de punir o mal e castigar os malfeitores. Isso é bíblico e podemos ler em 1 Pedro:

  • Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior;
    Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem.
    Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos;
    Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.
    Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei.
    1 Pedro 2:13-17

O governo deve exercer seu papel como representante divino e prescrever leis que reprimam o pecado do homem, não como a igreja o faz, mas na questão moral. Quando o estado deixa de conter o pecado e passa a promove-lo, ele está pecando contra Deus desobedecendo-o e desonrando o papel que lhe fora incumbido.

Hebden Taylor diz: “O estado existe em função da pecaminosidade humana, de tal forma que, com o seu poder de coerção, é uma instituição característica da graça comum, temporal e preservativa, de Deus. A visão católico-romana, que fundamenta o estado na esfera do natural, não faz justiça ao fato do pecado. Tanto no Antigo, como no Novo Testamento, o poder organizado da espada é relacionado de modo enfático com a queda do homem (Romanos 13.1-5; 1 Pedro 2.13; Apocalipse 13.10; 1 Samuel 12.17-25; 24.7,11; 26.9-11; 2 Samuel 1.14-16).”

O governo deve garantir “que não se perturbe o sossego público; que cada um possua o que é propriamente seu; que os homens mantenham entre si transações justas; que se cultive honestidade e modéstia entre eles; enfim, que entre os cristãos subsista a expressão pública da religião, seja a humanidade firmemente estabelecida entre os homens” (João Calvino).

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2. O papel do Poder Público

Um texto muito claro que nos fala sobre o papel do poder público se encontra em Romanos 13.

  • Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela.
    Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.
    Romanos 13:3,4

Sobre esse versículo, Kuyper diz que esta espada tem um triplo significado. É, primeiro, a espada da justiça para distribuir a punição física ao criminoso. É, em segundo lugar, a espada da guerra para defender a honra, os direitos e os interesses do Estado contra seus inimigos. E, em terceiro lugar, é a espada da ordem para frustrar em seu próprio país toda rebelião violenta.

Além disso a Constituição brasileira estabelece no artigo 144 que ‘a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio’, ou seja, é dever do Estado preservar a ordem e garantir a segurança pública.

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III – A IGREJA EM UMA SOCIEDADE VIOLENTA

1. Utilizando as ferramentas de Deus

Nós como seguidores de Cristo, de que maneira podemos contribuir para a diminuição desse alto índice de criminalidade que assola o nosso país? De várias maneiras. Através da palavra de Deus podemos transmitir conceitos morais, éticos, de justiça e ordem para levar até a sociedade uma solução a essa situação caótica que vivemos.

Deus sempre estabeleceu regras para nós, isso vem desde o jardim do Éden.

  • E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente,
    Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
    Gênesis 2:16,17

Nesses dois versículos podemos ver que Deus instituiu: direitos, restrições e punições ao homem:

  • “De toda a árvore do jardim comerás livremente”: Deus instituiu aqui direito ao homem de poder comer livremente por todo o jardim;
  • “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás”: Aqui Deus instituiu a restrição; poderia comer de tudo, menos da árvore do bem e do mal;
  • “Porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”: Por fim, Deus instituiu a punição ao homem: Pode comer de tudo, menos ‘daquela’ árvore, e se você comer, vai morrer.

Essa instituição de regras e ordem aconteceu também com o povo de Israel quando saíram do Egito. O povo já estava ali há mais de 400 anos, não sabiam o que era viver em liberdade. Para que não houvesse uma sociedade bagunçada, Deus dá os 10 mandamentos demonstrando ali conceitos éticos, cívicos e cerimoniais para que se estabelecesse uma ordem no meio do povo. Os 10 mandamentos então serviam para organizar a vida em comunidade.

A Igreja e os cristãos têm o papel do testemunho dos valores que fundamentam a ética cristã. Testemunhar os valores cristãos. A Igreja deve ajudar na organização das pessoas, tem essa obrigação. A Igreja tem princípios éticos e morais, que devem ser testemunhados. Testemunho não apenas no anúncio dos valores do Reino, mas na maneira de viver, na maneira de estabelecer diálogos na sociedade.

Algumas atitudes, como igreja, podemos tomar para que a violência diminua:

  • Oração: O salmista nos alerta para a responsabilidade de orarmos frente às questões dos conflitos da cidade: “Orai pela paz de Jerusalém…” (Salmos 122:6). Esse é um papel que só a Igreja pode exercer, porque é a única instituição consciente do poder de Deus para mudar as circunstâncias.
  • Pregação da palavra de Deus: Como disse o Senhor a Jonas: “Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim” (Jonas.1:2). Nestes tempos precisamos ser profetas e isso significa uma ação de proclamação e confrontação. Justiça social só não basta.
  • Curar a sociedade: Jesus tem poder para curar as enfermidades conjunturais e sociais da cidade (Lucas. 10:8-9). Nossa ação na cidade precisa se fundamentar nesse poder curador, no poder de produzir movimentos que ofereçam incentivo à vida, que ofereçam estruturas novas, alternativas e oportunidades para que a vida aconteça, rompendo toda indiferença, desigualdade, injustiça – Isso é o reino de Deus.

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Referências

Seguidores de Cristo – Testemunhando numa Sociedade em Ruínas – Valmir Nascimento, CPAD, Rio de Janeiro

https://www.bibliaonline.com.br/acf

g1.globo.com

Por Rafael Cruz


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