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CPAD Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 16/04/2017 – Lição 3: Melquisedeque, o Rei da justiça

11/04/2017

Este post é assinado por: Pastor Eliel Goulart 

TEXTO ÁUREO

“Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.” – Hebreus 7.17

VERDADE PRÁTICA

     O sacerdócio de Cristo é superior a todos os sacerdócios, pois Ele é o Sumo Sacerdote perfeito e eterno.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gênesis 14. 18 a 20
18 E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo.
19 E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;
20 e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo.

Hebreus 7.1 a 7 e 17
1 Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;
2 a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz;
3 sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
4 Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.
5 E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham descendido de Abraão.
6 Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles tomou dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas.
7 Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior.
17 Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque. 

INTRODUÇÃO
Comentário do Blog

Melquisedeque é personagem misteriosa.

Nós não sabemos de onde veio e para onde foi, conhecemos somente seu ministério abençoado. Um exemplo para nós, servos de Deus.

Ele é um modelo de Cristo e dos crentes.

No Novo Testamento a igreja é o Israel de Deus – Gálatas 6.16.

No Antigo Testamento, parece-nos que o propósito de Deus é o de não haver diferença entre os israelitas. Todos poderiam ser reis – senhores sobre si mesmos – e sacerdotes – em direito igual de poder se aproximar de Deus sem intermediário, através da oração.  

Êxodo 19.6 – “E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo.”

Estes privilégios são declarados novamente no Novo Testamento.

Apocalipse 1.6 – “E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!”

Em 1 Pedro 2.9 inverter-se a ordem – “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real.”

Cada crente une em si mesmo os atributos de um rei e de um sacerdote.

Relembrando os ensinos antigos: como sacerdote, o crente leva as pessoas a Cristo. Como rei, traz Cristo às pessoas.

Com estes atributos compartilhamos três bênçãos:

1 – A bênção da separação deste mundo;
2 – A bênção da consagração ao serviço do Senhor;
3 – A bênção do privilégio de aproximar-se do Senhor.

I – QUEM ERA MELQUISEDEQUE

1 – Um personagem misterioso
Comentário do Blog

Primeiro, permita-me registrar que a palavra ´personagem´ evoluiu de feminino para substantivo de dois gêneros. Hoje, tanto podemos escrever ou falar ´a personagem´ quanto ´o personagem´. As palavras são dinâmicas.

Há tentativas de tradições de pouco valor que mencionam Salém como a Salim de João 3.23 –Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim…”

Ellicott afirma em seu comentário expositivo que esta Salim está no território da tribo de Efraim, portanto, muito distante dos dramas narrados em Gênesis capítulo 14.

É certo que Salém era realmente a atual Jerusalém – Salmo 76.2 – “E em Salém está o seu tabernáculo, e a sua morada, em Sião.”

Strong ensina-nos que seu nome transliterado é Malki-tsedeq“meu rei é justo”. Ou ´rei de justiça´ como muito bem menciona o comentário da lição. `Malki´ é ´justiça´.

2 – Onde ele aparece na Bíblia
Comentário do Blog

Ele aparece na Bíblia após a expedição de Abraão e seus 318 criados – Gênesis 14.13 e 14 – e seus confederados, ou seja, aliados na guerra contra os liderados por Quedorlaomer, rei de Elão – Gênesis 14.1.

Haviam duas famílias hebraicas entre todos os demais gentios – a família de Abraão e a do patriarca Ló. Portanto, neste capítulo 14, vemos a soberania de Deus numa guerra internacional, que viria a afetar Seu povo.

Cinco reis foram derrotados por quatro reis.

Ló, o sobrinho de Abraão, se separara deste em Gênesis 13.11. Não é bênção a geração nova se separar da geração antiga. Em Números 13.23 lemos que “cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas, o qual trouxeram dois homens sobre uma verga…” – ilustro aqui duas gerações, um homem da frente e outro homem de trás, ambos carregando um cacho de uvas, precioso e delicado. Ambos devam ´carregar´ os valores, os princípios e a doutrina bíblica e conservadora de uma geração para outra. Se a geração nova despreza a que está na frente em maturidade e experiência, perde tanto a direção quanto a proteção. Parafraseando Eclesiastes 1.4 – “Uma geração vai, e outra geração vem” combinada com I Pedro 1.25 – “Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.”

Deus é soberano neste capítulo 14, da narrativa da guerra e captura de Ló e sua família. Gênesis 14.13 – “Então, veio um que escapara e o contou a Abrão, o hebreu”. A cidade de Sodoma fora tomada na guerra e um escapa para contar isso a Abraão. Soberania de Deus!

Hoje, na vida da igreja, muito nos dói quando um irmão é capturado pelo inimigo de nossas almas. Capturado pelo desânimo, pela fraqueza, pela tristeza, pelo mundanismo ou até pelas carências materiais. Não podemos suportar tal afronta. E nossa decisão deva ser como a do crente Abraão: levantar-se em favor do irmão. Hoje, isso se faz em ação de ajuda prática e pela prática da oração, em intercessão. Romanos 15.30 – “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus”.

“Orando em todo tempo (kairós – tempo da oportunidade) com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos” – Efésios 6.18.

Após a vitória contra os quatro reis, Abraão voltou trazendo consigo a Ló.

Após este drama é que aparece Melquisedeque.

3 – Características de Melquisedeque
Comentários do Blog

a) Ele era rei de Salém

” E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho…” – Gênesis 14.18.

Sobre Salém já comentamos acima.

Pão e vinho – Há quem veja aqui símbolos da Ceia do Senhor, mostrando um princípio da doutrina da expiação – Gálatas 3.8 – “Ora, tendo as Escrituras previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o Evangelho a Abraão…” Leia Lucas 22.19 e 20.

Havemos de concordar que aqui há um esboço da obra expiatória de Cristo, o antítipo. Pão e vinho tornam-se uma unidade de tipos e antítipos. Pão e vinho são tão comuns a nós. E o Senhor Jesus os usa como emblemas da graça e da salvação. João 6.56 – “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.” João 6. 51 – “Eu sou o pão vivo que desceu do céu…”  – João 6.55 – “…e o meu sangue verdadeiramente é bebida”.

b) Ele era “sacerdote do Deus Altíssimo”
El Elyon.

Sacerdote – kohen – a tarefa de um sacerdote era a de oferecer sacrifício e interceder. Era um mediador entre Deus e os homens.

Desde Abel já se cultuava a Deus, com Sete “se começou a invocar o nome do Senhor” – Gênesis 4.26 e prosseguiu com Enoque, que andou com Deus – Gênesis 5.22. São as revelações iniciais no livro de Gênesis de homens que se aproximaram de Deus.

Melquisedeque, sem dúvidas, foi um tipo de Cristo como o Sumo Sacerdote – Hebreus 9.11 – “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros…”

Salmo 110.4 revela-nos que Cristo é o Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, que é anterior à de Arão.

O sacerdócio de Arão tratava com o pecado. O aspecto negativo. Melquisedeque celebrou a vitória. Aspecto positivo.

c) Ele abençoou Abrão

“E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos” – Gênesis 14.19 e 20a.

Ao longo de toda a Bíblia, temos revelação progressiva do Senhor através de Seus nomes.

Dois reis vieram a Abraão. O rei de Salém e o rei de Sodoma. O primeiro com comunhão, benção e adoração a Deus. E revelando mais de Deus a Abraão – Deus Altíssimo, Possuidor dos céus e da terra. O segundo, o rei de Sodoma, vem com a proposta – Gênesis 14.21 – “E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as almas e a fazenda toma para ti”. O rei de Sodoma tipifica a Satanás com suas propostas: “Dá-me as almas e fica com o que saquear desse mundo, cuida de seus bens materiais como seu primeiro valor”. Não sejamos como Ló, que mesmo após liberto, volta a Sodoma. Sejamos como o crente Abraão, que recusa a proposta de negócio do rei de Sodoma, tipo de Satanás, e lhe responde: “Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra.”  – Abraão declara nessa recusa que aprendeu mais do Senhor: Ele é Altíssimo. Soberano. Depende Dele que é o Possuidor dos céus e da terra. Não depende dos bens deste mundo, nem quer as dádivas do rei de Sodoma. Escolheu a Deus. Sua dádiva, sua riqueza era o Senhor, Possuidor dos céus e da terra. Dele dependemos. 

d) Abrão deu o dízimo a Melquisedeque

“E deu-lhe o dízimo de tudo” – Gênesis 14.20b.

Primeira menção ao dízimo.

Hernandes Dias Lopes bem exorta: “O dízimo foi observado antes da Lei, durante a Lei, nos livros históricos, poéticos, proféticos, bem como, no Novo Testamento. Sempre que o povo de Deus enfraqueceu na fé e se afastou da verdade, reteve os dízimos e sonegou as ofertas”.

Ao dizimar, Abraão reconheceu que tudo que somos, é de Deus.

Dízimo é um privilégio dos que creem, como creu Abraão.

Dízimo é um privilégio dos que tem fé, como por fé andou o pai dos crentes, Abraão. Gálatas 3.7 e 9 – “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão”.

II – LIÇÕES DO CARÁTER DE MELQUISEDEQUE

1 – Um caráter justo
Comentário do Blog

Seu nome é identificado em Hebreus 7.2 com o seu caráter – rei de justiça e rei de paz.

E nosso caráter se revela e se expressa pelas nossas ações e reações.

Já antes comentamos – Lição 1 – que justo é aquele que faz o que Deus manda. Que age segundo os mandamentos do Senhor, revelados na Sua Palavra.

Até porque, sendo Melquisedeque tipo de Cristo – tipo imperfeito, claro, como todo tipo o é – é com facilidade que se concorda que este é justo. “Jesus Cristo, o Justo” – Iª João 2.1.

De nós mesmos não somos justos. Estamos desqualificados. Mas, nós nos apropriamos da justiça de Cristo pela fé. IIª Coríntios 5.21 – “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Por Cristo e em Cristo, estamos em excelente posição, ou seja, na posição de justos.

2 – Um caráter pacífico
Comentário do Blog

Espera-se do seguidor de Cristo que tenha caráter pacífico.

Mateus 5. 9 – “Bem aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.”

Não são bem-aventurados os que não conflitam. Viver sem conflitar é praticamente impossível. Bem-aventurados são os que, havendo conflito, trabalham pela paz.

Gênesis 13.8 – “E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti…se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda”.

2ª Timóteo 2.24 – “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos…”

Romanos 12.18 – “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens”.

A Bíblia é o melhor comentário de si mesma.

III – SEGUNDO A ORDEM DE MELQUISEDEQUE

1 – Um novo sacerdócio
Comentário do Blog

I Pedro 2.9 – “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real (…) para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

Nós somos enviados do Senhor Jesus – o único que tem os três ofícios, quais sejam, o de rei, sacerdote e profeta – para testemunhar Dele, anunciando o Evangelho em Seu nome – “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” – João 20.21. Pelo Seu ministério de Sacerdote tão perfeito, somos nomeados sacerdócio real. Como sacerdote, levamos as pessoas a Deus. Como reis, levamos Deus as pessoas. Eis uma expressão muito singela e antiga entre os pregadores.

Com o sacerdócio real a Igreja age como comunidade missionária.

2 – Jesus Cristo, o sacerdócio perfeito
Comentário do Blog

A profecia do rei Davi em Salmo 110.4 – “Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.”

Zacarias 6.13 – “Ele mesmo edificará o templo do Senhor, e levará a glória, e assentar-se-á, e dominará no seu trono, e será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá entre eles ambos”.

Cristo é um sacerdote no trono. O sumo sacerdote segundo a ordem de Arão, nos ajuda a entender seus ofícios. Oficiava como representante dos homens, entrando diante de Deus para oferecer o sangue da expiação. Levítico 16 descreve o Dia da Expiação. No décimo dia do sétimo mês de cada ano, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos do tabernáculo, fazendo expiação pelos seus próprios pecados e pelos do povo em geral. Referindo-se a Cristo, escreveu o escritor aos Hebreus 2.17 – “Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo”. E é nos termos do Dia da Expiação que o escritor aos Hebreus explica a obra sacerdotal do Senhor Jesus. Não é aqui o propósito de detalhar a superioridade do sacerdócio de Cristo. Basta-nos, para esta aula, adorar ao Senhor pelo sacerdócio perfeito, que nos disponibiliza a bênção e o privilégio de entrar e habitar na presença de Deus no céu, pelo sangue de Jesus Cristo – Hebreus 10. 19 a 22 – “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé (…)”

3 – A ordem de Melquisedeque
Comentário do Blog

Baseado no sacerdócio levítico o povo recebeu a Lei. Jesus nasceu em Belém de Judá, portanto, da tribo de Judá e descendente de Davi. Porém, Deus escolheu os descendentes de Levi para serem sacerdotes. Segundo a Lei de Moisés, Jesus não poderia ser sacerdote. Não era da tribo escolhida para tal. O escritor aos Hebreus nos ensina que o Senhor Jesus é sacerdote por ordem diferente. Não segundo a ordem de Arão. Mas, segundo a ordem de Melquisedeque – Hebreus 5.6 e 10 e Hebreus 6.20. A perfeição de Cristo não é mediante o sacerdócio de Arão. Melquisedeque era tanto rei quanto sacerdote, ao mesmo tempo, e isso seria impossível sob a Lei de Moisés. Zacarias 6.13 nos revela que Jesus Cristo é tanto rei quanto sacerdote. A Lei de Moisés sustentada pelos ofícios do sacerdócio levítico, foi anulada quando o sacerdócio foi mudado. Hebreus 7.12, já mencionado acima.

Enfim, “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” – Hebreus 7.25.

CONCLUSÃO
Comentário do Blog

Melquisedeque aparece e desaparece da história, e ambos de repente. Não é o homem Melquisedeque que não tem família ou linhagem. Não se registra isso dele. Então a visão geral dada sobre ele em Gênesis, é que faz com que o escritor aos Hebreus o designe como “sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem início de dias e nem fim de vida”. Ele teve fim por morte. Apenas, não se registra data disso.

Cristo também passou pela agonia da morte, mas ao terceiro dia ressuscitou. “Tu és sacerdote eternamente”! Amém.

No mais, Deus proverá!

Pastor Eliel Goulart


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