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CPAD Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 11/06/2017 – Lição 11: Maria, mãe de Jesus – Uma serva humilde

04/06/2017

Este post é assinado por: Pastor Eliel Goulart

Texto Áureo

“Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.” – Lucas 1.38

Verdade Prática

     Maria, mãe de Jesus, nos deixou um exemplo elevado de humildade e submissão à vontade de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Lucas 1.46 a 49
46 Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,
47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
48 porque atentou na humildade de sua serva; pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
49 Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e Santo é o seu nome.

INTRODUÇÃO
Comentário do Blog

Esta lição 11 tem como tema Maria, mãe de Jesus – uma serva humilde. Nas lições anteriores, foi destacado em cada uma, que as personagens bíblicas estudadas tinham como marca, um caráter humilde.

Também de Maria, mãe de Jesus, se destaca o caráter humilde e o caráter submisso.

Antes, porém, quero exaltar a pessoa bendita do Senhor Jesus. Não há ninguém mais humilde do que o nosso amado Senhor Jesus.

Lucas 22.27 – “Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve.

Nesta introdução, recomendo a leitura do livro “Humildade, a beleza da santidade”, de Andrew Murray.

Entre nós, cristãos evangélicos, Maria é de alta estima, e repetimos o que a Bíblia diz de ser ela bem-aventurada entre as mulheres. Nós a estimamos pelo que ela é: serva de Deus.

Há dois extremos reprováveis entre os evangélicos: ou banaliza a pessoa de Maria ou exageram em atacar o que ela não é, ofendendo aos católicos romanos.

Jesus Cristo, o Verbo encarnado, nasceu de Maria, que se submeteu a esta missão tão importante e única na história.

João 1.14 – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

Nós nos tornamos filhos de Deus, porque Deus se tornou homem. É admirável ver a glória que se tornou carne.

Carne – grego sarx, ( Strong ) é usado aqui sem a implicação de natureza caída, apesar de ser uma palavra geralmente usada na Bíblia em sentido negativo. Mas, quando se usa para referir-se ao Senhor Jesus, é na acepção positiva, na natureza sem pecado de nosso Senhor Jesus, mas designando a condição de limitações do homem e de mortalidade do homem.

Comentário de Lange´s: “De todas as palavras que expressam a natureza humana, João selecionou as mais vis e mais desprezíveis, isto é, a ´carne´, palavra esta que, no Velho Testamento, denota a porção mais inferior, perecedora, corruptível do homem. Porém, nem mesmo o ´Logos´ desprezou a ´carne´, e por isso ele se tornou homem no sentido mais absoluto do termo.”

Verbo – grego logos, a Palavra ( Strong ), significando ´palavra´ que expressa uma ideia, no sentido amplo de ´ideia expressa por palavras´. Myer Pearlman escreve: “Como é Deus? Deus é a igual a Jesus. A ideia que Deus faz de si mesmo está expressa em Jesus Cristo.”

A antiguíssima edição Almeida de 1681, traduziu assim: “E a Palavra se encarnou, e habitou entre nós…” – João 1.14.

Isaías 9.6 – “Porque um menino nos nasceu, – natureza terrena – um filho se nos deu,” – natureza celestial – ( – anotações nossas – )

Verdadeiramente Deus, e verdadeiramente homem.

  • Como homem, Ele sentiu fome. Como Deus, Ele é o Pão da vida – João 6.48.
  • Como homem, Ele sentiu sede. Como Deus, Ele disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” – João 7.37.
  • Como homem, Ele dormiu no barco. Como Deus, Ele repreendeu ao vento e disse ao mar: “Cala-te, aquieta-te.” – Marcos 4.39.
  • Como homem, Ele se cansou. Como Deus, Ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados… eu vos aliviarei… e encontrareis descanso para a vossa alma.” – Mateus 11.28 e 29.
  • Como homem, Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Como Deus, Ele prometeu: “Na casa de meu Pai há muitas moradas… vou preparar-vos lugar.” – João 14.2.
  • Como homem, Ele sentiu dores. Como Deus, “as nossas dores levou sobre si” – Isaías 53.4 e I Pedro 2.24.
  • Como homem, Ele foi preso. Como Deus, Ele se entregou. Gálatas 1.4 – “O qual se entregou a si mesmo…”
  • Como homem, Ele recebeu a coroa de espinhos. Como Deus, Ele nos dará a coroa da justiça – II Timóteo 4.8.
  • Como homem, Ele foi morto na cruz. Como Deus, Ele deu a Sua vida. I João 3.16 – “Ele deu a sua vida por nós” e João 10.18 – “Ninguém tira a minha vida de mim; pelo contrário – eu, espontaneamente, a dou.”
  • Como homem, Ele foi sepultado. Como Deus, a morte não o pode reter. Apocalipse 1.17 e 18.

“E habitou entre nós” – grego skénoó, tenda, tabernáculo ( Strong ). Êxodo 25.8 e 9 – “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles. Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo…” – Êxodo 40.34 – “Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo”. Esta é a referência de João ao usar a palavra grega que significa ´tenda´.

Parafraseando: “E a Palavra ( a expressão de Deus, a ideia que Deus faz de Si mesmo – Myer Pearlman )  se fez carne, e tabernaculou entre nós…”

Como bem descreveu Champlin: “Ele participou de nossas misérias, para que pudéssemos participar de sua luz – João 1.9 e Colossenses 1.13. Ele assumiu a nossa natureza para que, por nossa vez, pudéssemos assumir a sua natureza – Filipenses 2.7 e Colossenses 2.9 e 10. Ele experimentou as nossas limitações, para que pudéssemos participar de sua vida eterna – Romanos 8.3 e Hebreus 2.9.”

Faço, nos comentários da INTRODUÇÃO, esta exaltação da Pessoa bendita do Senhor Jesus, e então mencionar a importância de Maria em ser escolhida para tão sublime missão: a de ser mãe de Jesus!

Aprendamos as lições com seu caráter humilde e de submissão.

1 – MARIA, A MÃE DE JESUS

1. Quem era Maria
Comentário do Blog

Mencionam-se seis Marias na Bíblia:

1ª – Maria, escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus;

2ª – Maria de Betânia, irmã de Lázaro e Marta;

3ª – Maria Madalena, “da qual saíram sete demônios” – Lucas 8.2;

4ª – Maria, mulher de Cleopas – Mateus 28.1 e João 19.25;

5ª – Maria, mãe de João Marcos – Atos 12.12;

6ª – Maria, citada em Romanos 16.6 – “Que trabalhou muito por nós”, segundo Paulo.

Maria, é nome próprio feminino, derivado do hebraico Miriã. ( Strong ).

O significado é curioso: obstinada, rebelde. ( Léxico Grego de Thayer ). No caso, eis um significado de nome que em nada combina com o caráter de Maria, mãe de Jesus.

Em Mateus 1.1 a 17 é-nos dada a genealogia de Jesus.

Mateus apresenta Jesus como o Rei. O interesse de Mateus era o de provar Sua realeza.  Por isso, demonstra sua ascendência real através da linhagem de Maria, que era descendente do rei Davi.

Marcos apresenta Jesus como o Servo do Senhor. Não há genealogia. Ninguém se importa pela genealogia de um servo – grego doulos – literalmente, escravo ( Strong ).

Lucas apresenta a Jesus como o Homem perfeito. Quer destacar a humanidade de Jesus. Por isso, dá-nos a genealogia de Jesus, o Filho do Homem, até Adão, o primeiro homem.

João apresenta a Jesus como Deus. Não se registra genealogia. Deus não tem princípio e nem fim. Tanto é que João começa seu Evangelho desde os chamados tempos eternos – João 1.1 – “No princípio era o Verbo…”

Há o princípio da criação – Gênesis 1.1. E há o princípio da revelação – João 1.1.

Mateus 1.1 – citado na Lição 11 – Tópico I – 1: “Livro da geração ( gênese – gr.) de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão.”

O filho de Davi foi Salomão, é visto aqui como tipo de Cristo:

1 – Herdeiro do Reino – Jeremias 23.5 – “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juízo e a justiça na terra.” Lucas 1.32 e 33 – “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.”

2 – Sabedoria – Mateus 12.42 – “A Rainha do Sul se levantará no Dia do Juízo com esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é mais do que Salomão. I Coríntios 1.30 – “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria…

3 – Edificou o templo ao nome de Deus – II Samuel 7.13 –Este edificará uma casa ao meu nome…” E Cristo edificou o templo de Deus – a igreja. Mateus 16.18 –  “…e sobre esta pedra edificarei a minha igreja…”

2. Suas qualidades e seu caráter
Comentário do Blog

Deus escolheu a Maria porque Ele é o Senhor. Operou na vida dela o atributo divino da Soberania. Daniel 4.35 – “…e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?” O Seu direito de soberania se explica por:

1 – Sua superioridade sobre todos e todas as coisas;

2 – Sua posse absoluta sobre todos e todas as coisas;

3 – E a dependência Dele que todos e de todas as coisas tem para continuarem a existir.

D. S. Clarke observa: “Se fosse para escolher, qual seria preferível – ser governado pelo fatalismo cego, pela sorte caprichosa, pela lei natural irrevogável, pelo ´eu´ pervertido e de curta visão, ou ser governador por um Deus sábio, santo, amoroso e poderoso? Quem rejeita a soberania de Deus, pode ser governado dentre o que sobra.”

Deus escolheu a Maria por Seu direito absoluto de governar e dispor como Lhe apraz.

a ) Ela era virgem

Lucas 1.26 a 27 – “E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.”

No sexto mês contado a partir da informação de Lucas 1.24, portanto, depois da visão de Zacarias, depois de Isabel ter concebido, indicando que João Batista é seis meses mais velho do que Jesus.

O anjo Gabriel, seis meses antes anunciara o nascimento de João Batista. O mesmo que há quinhentos anos antes, também relatou ao profeta Daniel o tempo exato da vinda do Messias.

Há eruditos comentaristas que anotam que Maria contava entre 15 a 17 anos de idade.

Nazaré, cumprindo-se a profecia de Isaías 9.1 e 2, Galileia dos gentios, uma das quatro divisões romanas da Palestina. O historiador Flávio Josefo descreve a Galileia como abundante em árvores e pastagens, com 204 cidades, e a menor tinha 15 mil habitantes, sendo seu povo forte e guerreiro. Nazaré é da tribo de Zebulon. Significa ´um ramo verde´ ( Ellicott ). E era cidade tão desprezível na avaliação dos judeus. Natanael perguntou: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” – João 1.46. E a soberania de Deus ali operou, enviando o anjo Gabriel, e sendo lugar de residência de Maria.

A profecia era de que Cristo nasceria milagrosamente. Isaías 7.14: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel ( nome profético ).”  ´Virgem´ aqui, no original, é almâh. Denotando uma menina virgem em idade de se casar. Esta palavra consta sete vezes no Antigo Testamento, e é aplicada também para Rebeca – Gênesis 24.43 -, e a Miriã, irmã de Moisés – Êxodo 2.8. A igreja em todas as eras sempre considerou este versículo como previsão explícita da concepção divina, milagrosa e santa do Senhor Jesus.

Mateus 1.18 explica claramente: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo.” Repetindo: concepção divina, milagrosa e santa. E José não a conheceu até que nascesse o bendito Senhor Jesus.

A respeito da doutrina católica romana da virgindade perpétua de Maria, esta não se sustenta quando confrontada com as Escrituras. Mateus 1.25 – “E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus.”

Filho primogênito de Maria e Unigênito de Deus.

Antes do nascimento do Senhor Jesus, José e Maria não se conheceram, não tiveram intimidade. Após, sim, tiveram prosseguimento de uma vida de marido e mulher, no ambiente sagrado do casamento. Mateus 13.55 e 56 – “Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs?” Os argumentos desta absurda má doutrina da virgindade perpétua de Maria, são insustentáveis e frágeis. Para contrapor-se a estes versículos tão explícitos, a Igreja Católica somente divulga que os tais não designam outros filhos de Maria, mas que eram filhos de outra Maria, discípula de Jesus. Sem fundamento bíblico, etimológico e histórico. Apenas dizem que esta é a ´outra Maria´ de Mateus 28.1. Numa expressão popular, argumento ´sem pé nem cabeça´.

b ) Ela era agraciada

Lucas 1.28a – “E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada…”

Por primeiro, esta saudação não dá margem a qualquer pretensão de adorar a Maria.

Almeida Revista e Atualizada – ARA – “Alegra-te, muito favorecida!”

Por segundo, a saudação ´Salve´ é semelhante a “Alegria seja contigo”, implicando favorecimento e expressando alegria em conhecê-la.  Altamente favorecida, porque por muitos anos a nação de Israel desejava a vinda do Messias. Estar na linhagem piedosa da qual nasceria o Redentor é grande e suficiente honra. E dar à luz o Salvador do mundo, é ilustríssima honra a esta humilde e pobre mulher residente em Nazaré.

É favor livremente concedido. A origem da palavra é charis, significando ´dotar de graça, altamente favorecido´ ( Thayer ).

Merril C. Tenney comenta que a palavra ´favorecida´, “refere-se a quem é o recipiente da graça e não a fonte da mesma.”

A graça é o amor em expressão. De si mesma, Maria não era digna. Apesar de suas inegáveis qualidades, de si mesma, não havia nela merecimento próprio. Ela também tinha a necessidade de salvação. E de si mesma, não teria como resolver o problema do pecado. O amor em ação é graça. E graça é o ato de amor para com o necessitado. Quando o amor flui no mesmo nível ele é singelamente amor. Quando flui para baixo, para o necessitado, então é graça. A grande missão de Maria lhe foi concedida por graça e soberania de Deus.

c ) Tinha a presença do Senhor

Lucas 1.28 – “…o Senhor é contigo…”

A saudação do anjo Gabriel implica dizer que as bênçãos do Senhor possam descer e descansar sobre ela. Eruditos comentaristas propõem que a melhor tradução não está a dizer ´é contigo´, mas “O Senhor seja contigo”. A graça de Deus se manifesta em sua vida, e mais ainda, diz o anjo, preparando-a para receber a revelação do mistério: o Senhor está contigo! Depois da graça, a bondade. Salmo 103.4 – “…e te coroa de bondade…”. A graça é do maior para o menor.  Bondade é estar com o menor.

A presença de Deus é o melhor de tudo em nossa vida!

Agostinho registrou profunda frase: “Jó perdera tudo o que tinha, mas não perdera Aquele que lhe dera tudo.” Aleluia! Perca-se tudo, mas não se perca a presença de Deus!

O metodista Henry R. Burton traz-nos esta ilustração, ao comentar este versículo especificamente:

“Como é importante ter Deus conosco em todos os lugares!

O falecido John Wesley, depois de uma longa vida de trabalho e utilidade, concluiu sua missão em perfeita paz e santo triunfo. Pouco tempo antes de sua partida, quando uma pessoa entrou em seu quarto. John Wesley tentou falar com ele, mas não conseguiu. Encontrava com seu amigo e não podia falar com ele… Então, parou um pouco e, com toda a sua força restante, gritou: “O melhor de tudo é que Deus está conosco”. Levantando a voz fraca e o braço agonizante em sinal de vitória, repetiu: ´O melhor de tudo é que Deus está conosco!’

Paulo, preso e desamparado por todos, contudo gozava da presença de Deus: “…todos me desampararam…, Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me…” – II Timóteo 4.16 e 17.

E quantos de nós, crentes no Senhor, exclamamos Romanos 8.31 com muita confiança: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

d ) Ela era bendita entre as mulheres

Bendita entre as mulheres e não acima delas. É insensatez transformar uma saudação numa oração, como fazem até hoje entre os que idolatram a Maria. E usam esta expressão para quaisquer ocasiões, sendo que o anjo a usou por uma só tão especial.

“Bendita”, qual seja, abençoada. Com o significado de conferir benefícios. É a mesma palavra usada em Efésios 1.3, quando o nosso Deus está abençoando.

Maria vivia numa cidade insignificante e desprezada. Era pobre, em termos materiais. Não tinha posição social influente. E foi objeto da bênção de Deus! Nada em Maria demonstra que ela fosse descontente com estas circunstâncias de sua vida. E o Senhor confirmou isso na saudação do anjo: “Bendita és tu entre as mulheres.”

O descontente vê somente o que não tem. E torna-se ingrato pelo que tem. Certamente Maria não tinha tudo o que queria, mas estava inconscientemente ( bendita inconsciência! ) grata e pura por e em tudo o que tinha. Salmo 103.2 – “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios”. Certamente, ao nos lembrarmos dos benefícios do passado, seremos fortalecidos em agradecermos e confiarmos que o mesmo Deus que nos beneficiou no passado, está conosco hoje. E somos abençoados!

O coro do Hino 564, da nossa querida Harpa Cristã:

“Conta as bênçãos! Dize quantas são,
Recebidas da divina mão,
Vem dizê-las, todas duma vez,
E verás, surpreso, quanto Deus já fez!”

II – A ELEVADA MISSÃO DE MARIA

1. Deus a escolheu para ser a mãe do Salvador
Comentário do Blog

Lucas 1.30 e 31 – “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, e eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus”.

A Vulgata comete erro de interpretação ao traduzir para ´cheia de graça´. Erro que muito serviu e foi explorado pela Igreja Católica, afim de incentivar orações a Maria.

“Achaste graça diante de Deus” – ou seja, achou favor, uma ampla bondade amorosa de Deus operando em sua vida, especialmente de um maior para com um menor ( Léxico Grego de Thayer ).  O Comentário de Ellicott até recomenda usar-se ´favor´, apesar de que noutras passagens bíblicas usa-se mesmo ´graça´ para o mesmo vocábulo grego, porém, diante do tecnicismo da teologia ter associada esta palavra grega a conceitos tão específicos, ele recomenda o uso de outra acepção deste mesmo termo grego, qual seja, ´favor´.

“O nome de Jesus” – alguém escreveu que o nome de Jesus é mel na boca, melodia no ouvido e alegria no coração. Este nome veio do céu, porque um anjo o trouxe. Então, foi divinamente ordenado. Josué na forma hebraica. Jesus na forma grega.

Um velho pregador dizia: “No nome de ´Deus´ há majestade implícita; no nome ´Jeová´ há um Ser independente; em ´Cristo´ há unção; em ´Emanuel´ há afinidade; há intercessão em `Mediador´ e ajuda em ´Advogado´, mas não há SALVAÇÃO em nenhum outro nome sob o céu senão o nome de ´JESUS´.”

Este nome fala de:

1 – Um trabalho passado;

2 – Um ganho presente;

3 – Uma glória futura.

2. O anúncio de que seria a mãe do Salvador
Comentário do Blog

Lucas 1.34 – “E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?”

Aqui não é questão de dúvida contra a fé, e nem é uma linguagem de desconfiança, como agiu Zacarias no anúncio do nascimento de João Batista. Ela está perplexa e pergunta do ´modo´. O sacerdote Zacarias não mostrou fé comparável a de Maria, mesmo tendo ele ótima posição, estando num lugar santo e Maria estando num lugarejo desprezado e em atividade cotidianas e domésticas.

Necessário lembrar que a lei judaica punia severamente a mulher desposada – noiva – que engravidasse antes de coabitar com seu marido.

O anjo bem entendeu sua pergunta.

Lucas 1.35 – “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.”

O nascimento de Jesus foi milagroso. Pelo poder do Espírito Santo, em oposição a força da carne. Santo em separação a corrupção da carne. Ele é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus.” – Hebreus 7. 26.

3. Maria, mulher e mãe
Comentário do Blog

Maria está listada entre as grandes mães do Novo Testamento.

E sua vida ilustra bem uma maternidade de fé e de graça. Ela é tão jovenzinha, numa concepção que é dita por Paulo como sendo ´mistério´, e já conflitando com o que a sociedade daquela época reconhecia como alto padrão. Sofre o risco de ser abandonada, e quando já no tempo de dar à luz, isso acontece num lugar de condições insuficientes. E, apesar de tantos obstáculos, ela cria e cuida de Jesus pelos preceitos da Lei – Lucas 2.21 – quando o leva para ser circuncidado, apresenta-O no templo conforme a Lei – Lucas 2.22 e 23 – e nós a vemos com Ele na festa da Páscoa, em Jerusalém – Lucas 2.40 e 41.

Maria Cecília Magalhães Duprat escreveu o Salmo da Mãe, do qual descrevo poucos versos:

” Bem-aventurada a mãe que confia no Senhor;
que se compraz na observância da lei divina.
Retos serão seus filhos,
Ela se alegrará com a sua posteridade.”

III – O SEU PAPEL NO PLANO DA SALVAÇÃO

1. Maria deu à luz “a semente da mulher.”
Comentário do Blog

Gênesis 3.15 – “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

Este versículo é o primeiro sinal, a primeira evidência do ´protoevangelho´. Ou seja, a primeira comunicação de salvação de Deus para com os homens. ´Proto´ – primeiro, início – ´Evangelho´- boas notícias, boas novas.

E é através de sentença pronunciada contra o inimigo, que se comunica o protoevangelho. Colossenses 2.15 – “E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” – ARA.

Que a serpente está representando a Satanás, é-nos esclarecido no Novo Testamento – Romanos 16.20 – “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém!” – Apocalipse 12.9 – “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás…”

O dr. Harold L. Willmington propõe que, “teologicamente, o versículo 15 poderia ser assim traduzido: ´E haverá ódio profundo entre Satanás e Cristo. Então, Cristo esmagará a cabeça de Satanás, ainda que, para tanto, sofra um ferimento no calcanhar. ´”

“Semente da mulher”, significando sua descendência, sua prole e tem o sentido coletivo ( Léxico de Brown-Driver-Brigss). ´Semente´ pode se referir a um indivíduo também em outros versículos do Antigo Testamento, por exemplo, em Gênesis 4.25, I Samuel 1.11 ( Derek Kidner ).

C. H. Spurgeon pregou em Gênesis 3.15, numa manhã de domingo, do dia 26 de novembro de 1876, e a certa altura ele disse:
“Sois parceiros com a grande ´semente da mulher´. Sois confederados com Cristo. Não se deve pensar que o diabo se importa muito com você. A batalha dele é contra Cristo em você. Quando você estava sem Cristo no mundo e andando em pecados, seus parentes e colegas de trabalho, não se sentiam tristes contra você. Eles preferiam juntar-se a você. Mas, hoje, a semente da serpente odeia Cristo em você! Se Cristo está em você, nada lhe desanimará. Com Cristo em você, então vencerá o mundo, a carne e o diabo pela fé.”

2. Maria não é redentora
Comentário do Blog

I Coríntios 4.6 – “…aprendais a não ir além do que está escrito…”

A Bíblia nos ensina que Cristo é o Redentor – Isaías 59.20 – “E virá um Redentor a Sião e aos que se desviarem da transgressão em Jacó, diz o Senhor.” Não há, em toda a Bíblia, menção a redentora ou co-redentora.

Maria reconhece sua necessidade de um salvador – Lucas 1.46 e 47 – “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.” Ela chama a Deus de ´meu Salvador´. Ele salva do pecado e da condenação eterna. Ele redimiu a alma de Maria, e lhe concedeu a vida eterna. Ele era o Salvador de Maria. Ela se alegrou por dois fatos: pela Sua salvação e pela Sua misericórdia em escolhe-la para ser a mãe de Jesus.

Com esta singela oração, Maria se igualou a todos nós, que juntamente com ela, necessitamos de um Salvador.

Maria nunca aparece nas Epístolas apostólicas. Mencionam-se dezenas de outras mulheres piedosas, mas a última menção a Maria, nas Escrituras, está em Atos 1.14 – “Todos estes perseveravam unanimente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos.”

Maria é citada tão somente nos fatos históricos dos Evangelhos. Nunca é citada nos escritos doutrinários do Novo Testamento.

Salmo 3.8 – “A salvação vem do Senhor.”

3. Maria não é mediadora
Comentário do Blog

É lamentável em todos os aspectos que a adoração entre os católicos romanos, enfatiza e dá primazia a Maria.

Hebreus 12.24 – “E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança…”

A tradição e doutrina católica romana elege Maria como advogada, auxiliadora, ajudadora.

Contestamos cada afirmação, fundamentando-nos na Bíblia:

I João 2.1 – “…E, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo.”

Hebreus 13.6 – “…o Senhor é o meu auxílio…”

Salmo 54.4 – “Eis que Deus é o meu ajudador

a ) Assunção de Maria

Esta expressão ´assunção de Maria´, quer dizer que ela subiu ao Céu em corpo e alma, levada pelo seu filho. Não há nenhuma fundamentação bíblica. Maria morreu, foi sepultada. Está aguardando a ressurreição, quando do arrebatamento da igreja, na primeira fase da vinda do Senhor Jesus. São incontáveis para nós os santos que estão no Paraíso. E Maria está contada entre eles.

João 3.13 – “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.”

b ) Intercessão de Maria

Afirmar isso é estar em total desacordo com as Escrituras:

Mateus 11.28 – “Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”

Salmo 50.15 – “E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.”

Salmo 55.22 – “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado.”

Mateus 6.9 – “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.”

O único autorizado por Deus a interceder pelos pecadores, o único nomeado por Deus para executar a obra de expiação a favor dos pecados dos homens na Sua morte na cruz, e o único capacitado por Deus a prover as bênçãos da redenção a todos os homens, é o nosso bendito Senhor Jesus. I Timóteo 2.5 – “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem.”

c ) Suprema autoridade de Maria!

Esta falsa doutrina papista é tão ofensiva a Deus, que basta um versículo das Escrituras para fulminá-la:

Mateus 28.18 – “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” – ARA.

Nada no céu e na terra está excluído nesta declaração categórica.

As palavras poder e autoridade, em nosso idioma, às vezes, tem classificação hierárquica. Em Cristo, as duas palavras são completas em suas acepções.

Ele tem capacidade para agir ( poder ) e capacidade para garantir sua atuação ( autoridade ). Este poder e autoridade tem jurisdição universal. Esta autoridade é inerente a Ele mesmo.

CONCLUSÃO
Comentário do Blog

Em Maria, vemos fé perfeita, humildade e submissão. Calma como águas profundas, e meditativa. Diante do anúncio do anjo, Sara riu da estranheza dessa saudação além de tudo o que ela procurava.  Mas, Maria é composta e reflexiva, como uma que não duvidava em nada do poder e da bondade de Deus. Zacarias duvidou, e por um sinal foi corrigido. Maria não duvidou, e por um sinal foi fortalecida.

Contudo, mesmo diante de tão elevado caráter de humildade e submissão: “Ao Senhor teu Deus, adorarás e só a ele servirás.” – Mateus 4.10.

No mais, Deus proverá!

Pastor Eliel Goulart


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