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Betel Adultos – 4º Trimestre de 2018 – 25-11-2018 – Lição 8: O povo é impactado pela Palavra de Deus

21/11/2018

Esse post é assinado por Cláudio Roberto de Souza

TEXTO ÁUREO

2 Timóteo 3:16
16 Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Neemias 8:1-3
​1 E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha ordenado a Israel.

2 E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como de mulheres e de todos os sábios para ouvirem, no primeiro dia do sétimo mês.
3 E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei. (ARC)

OBJETIVOS DA LIÇÃO

  • Ratificar a infalibilidade da Bíblia como a Palavra de Deus;
  • Reafirmar a importância de o cristão ter uma conduta vigilante;
  • Apontar o testemunho como um dos marcos da Igreja enquanto peregrina neste mundo.

INTRODUÇÃO

Paz seja convosco!

Alguns estudiosos afirmam que o relacionamento entre Deus e o povo de Israel se tornou oficial no Sinai. Lá o Senhor deu a Lei a Moisés e a nação recém-formada de Israel.

Ela é um importante tratado espiritual que traz, acima de tudo, ensino sobre o nosso relacionamento com Deus e com o nosso semelhante.

Nos dias de Neemias, a Lei trouxe renovação espiritual ao povo de Deus. Esdras, o escriba, exerceu destacado papel na ocasião, pois ele leu, ensinou e interpretou a Lei divina, trazendo elucidação, conhecimento, bem como grande alegria aos que a ouviam.

A Bíblia ainda hoje, não exerce somente fascínio para quem a lê, mas também promove crescimento e renovação espiritual!

1 – MOBILIZAÇÃO PARA A PALAVRA DE DEUS

Até este ponto da história o povo de Deus havia retornado do cativeiro para a sua terra pátria, e enfrentou muitos desafios sob o clima tenso da perseguição dos opositores.

Neste ambiente custoso e trabalhoso, Neemias conseguiu reunir o povo em prol de um bem comum – reconstruir os muros e as portas de Jerusalém. Ele também regulou o desequilíbrio que havia entre as camadas sociais, acabando com a exploração dos ricos sob os mais pobres, trouxe uma nova expectativa econômica para Jerusalém e a região de Judá, bem como estabilizou o território como um todo.

Um observador superficial diria que tudo estava perfeito e concluso, porém o homem espiritual sempre atenta para aquilo que considera primordial para que a obra de Deus se torne excelente.

Contemplar a beleza da cidade com os muros e portas restabelecidos, ver a harmonia entre os habitantes de Jerusalém predominar quase em sua totalidade não eram suficientes para satisfazer o coração daquele que prima pela Palavra de Deus e faz dela o seu escudo, a sua bandeira e sua regra de fé.

Neemias entendeu que o povo precisava regressar a Palavra, conhecer a Palavra e viver a Palavra.

1.1 – Uma ordem dada por Deus

O escritor francês Victor Hugo disse há mais de um século: “A Inglaterra tem dois livros, a Bíblia e Shakespeare. A Inglaterra criou Shakespeare, mas a Bíblia criou a Inglaterra”. Os historiadores confirmam essa ideia ao afirmar que, de fato, a Inglaterra elisabetana era um país com um livro só: a Bíblia.

É controverso dizer que a Bíblia está “criando” alguma nação hoje em dia, mas uma coisa é certa: as Escrituras ajudaram a “criar” a nação de Israel. Os israelitas são um “povo do Livro” como nenhuma outra nação já foi, e o Israel antigo é um exemplo a ser seguido pela Igreja de hoje.

Desde o Sinai, Israel passou a dar importância a Lei do Senhor (Êx 13.9). A meditação diária no Livro Sacro Santo de Deus é o segredo da vitória dos seus piedosos servos (Js 1.8).

Josué, o sucessor de Moisés e que tinha a responsabilidade de fazer o povo herdar a terra da promessa, só conseguiu obter sucesso em sua empreitada porque ouviu e obedeceu a instrução divina de sempre estar atento e observando a Lei do Senhor (Js 1.7-8).

Houve uma época que pela desobediência e desapego a esta Lei, o Livro se perdeu (2Cr 34.15), mas ao ser encontrado e lido, trouxe grandes transformações espirituais ao povo (2Cr 34.18-19).

Quando o povo de Deus deixa de amar, de ler e de obedecer à Palavra de Deus, perde as bênçãos do Senhor. Se queremos ser árvores que dão frutos, precisamos nos deleitar na Palavra de Deus (Sl 1:2, 3) e deixá-la sempre próxima de nós (Sl 119.97).

Isso explica por que Neemias convocou um “congresso bíblico” e convidou o escriba Esdras a ser o preletor. Os muros estavam prontos e as portas estavam assentadas. As necessidades materiais da cidade haviam sido supridas, e era hora de se concentrar nas necessidades espirituais do povo de Jerusalém.

Warren W. Wiersbe cita que os capítulos 8 a 13 de Neemias relatam esse ministério espiritual da Palavra:

1 – A instrução do povo (cap. 8);

2 – A confissão dos pecados (cap. 9);

3 – A consagração dos muros (caps. 10 – 12)

4 – E a purificação da comunhão (cap. 13).

É importante observar que Esdras e Neemias colocaram a Palavra de Deus em primeiro lugar na vida da cidade. O que ocorreu em Jerusalém dali em diante foi resultado da resposta do povo às Escrituras.

A principal incumbência da igreja e do ministro cristão é pregar a Palavra de Deus, disse o Dr. D. Martyn Lloyd-Jones. “Os períodos e eras de decadência na história da Igreja sempre corresponderam às épocas em que a pregação entrara em declínio” (Pregação e Pregadores).

O Espírito de Deus usa a Palavra de Deus para reavivar o coração do povo de Deus. A fim de que o Senhor trabalhe em seu povo e por intermédio dEle, é preciso que responda de modo favorável à sua Palavra.

Este capítulo descreve três respostas básicas:

1 – Compreender a Palavra (Ne 8:1-8);

2 – Regozijar-se na Palavra (Ne 8.9-12) e;

3 – Obedecer à Palavra (Ne 8.13-18).

Isso corresponde a pessoa em sua totalidade:

  • mente (compreensão);
  • coração (regozijo) e;
  • vontade (obediência).

Deve ser cativada pela verdade de Deus que é revelada por sua Palavra. Conhecê-la é nossa obrigação (Dt 27.1)

Qual o valor que damos a Palavra de Deus?

1.2 – Vivendo na Terra Prometida

Deus não esquece ou anula a sua aliança feita conosco. Mesmo o povo tendo pecado terrivelmente e mesmo tendo sido lançados a vara disciplinadora dos povos inimigos que os escravizara, havia um pacto firmado e estabelecido por aquele que é fiel e não se arrepende (Nm 23.19).

O povo judeu havia passado por longos anos em cativeiro babilônico e agora estava sob o domínio Pérsia, porém, mesmo sob tal circunstância, estavam de volta ao lar e tinham liberdade concedida pelo imperador Persa de cultuarem a Deus dentro dos ritos cerimoniais estabelecidos pela Lei e principalmente tinham permissão de a observarem em seus pormenores.

O povo da promessa, a propriedade peculiar de Deus, o reino sacerdotal e o povo santo estavam novamente fincados na Terra Prometida (Êx 19.5-6).

Esdras 3:1
​1 Chegando, pois, o sétimo mês e estando os filhos de Israel já nas cidades, se ajuntou o povo, como um só homem, em Jerusalém. (ARC)

Após cerca de oitenta anos desde a primeira subida de Zorobabel a Jerusalém, Esdras que era sacerdote e hábil escriba da lei, faz a Segunda incursão, levando consigo a tarefa de estabelecer as novas bases do judaísmo, reforçando o princípio de obediência a Lei de Deus, haja visto que a situação dos irmãos de Jerusalém não era nada boa.

Deve-se observar que aqueles que retomavam tinham as devidas prioridades. Mais importante que construir o Templo era restabelecer a verdadeira adoração a Deus, representada pela edificação do altar.

A resposta ao medo que sentiam dos povos das terras (ainda no tempo de Esdras) não era em termos de armas ou de fortalezas, mas sim em colocar Deus em primeiro lugar; construir de novo o seu altar até mesmo antes de providenciar casas para as suas famílias era primordial!

O teólogo escocês Robert Moffat diz que o texto “Firmaram o altar sobre as suas bases” de (Ed 3.2) significa “colocaram o altar no seu lugar”.

Com relação ao sétimo mês (Ed 3.1,6), o mês de Tisri (outubro), mencionado como o período em que teve início essa reconstrução, afirma um comentarista: Era um dos meses mais sagrados do ano, porque nele se realizava:

1 – No primeiro dia, a Festa das Trombetas (Nm 29.1)

O soprar das trombetas anunciava a abertura deste mês especial. Os israelitas associavam o som da trombeta com a teofania (manifestação visível de Deus) no monte Sinai (Êx 19.16-19). Os sacerdotes também haviam feito soar as trombetas pouco antes da destruição de Jericó (Js 6.16).

Além disso, as trombetas eram usadas regularmente em Israel nas manobras militares (2Sm 2.28). Assim, o soprar de trombetas no início do sétimo mês acrescentava solenidade a essa estação sagrada.

Nesta festa, o povo de Israel lembrava as misericórdias que recebera de Deus, mediante a aliança, que ao ser obedecida, os sustentariam mais um ano!

2 – No décimo dia, a grande Festa da Expiação (Nm 29.7; Lv 16.29)

Este dia como enuncia o nome, dizia respeito exclusivamente à expiação dos pecados do povo. Essa cerimônia acontecia no dia 10 do sétimo mês (Tisri). O sumo sacerdote fazia a expiação primeiramente por si mesmo e por sua família e depois por todo o povo.

O fato de essa festa acontecer no encerramento do ano agrícola, simbolizava o ajuste de contas final diante de Deus (Lv 23.27-29)!

Mackintosh afirma que escatologicamente, depois do toque das trombetas segue-se um intervalo de oito dias, e então temos o dia da expiação, com o qual estas coisas estão relacionadas, isto é, aflição da alma, expiação do pecado, e descanso do labor.

3 – No décimo quinto dia a Festa dos Tabernáculos (Lv 23.3436,39- 44; Nm 29.12-38)

Esta festa é também conhecida como a Festa das Cabanas ou Sucote! Era celebrada cinco dias depois do Dia da Expiação (Nm 29.12-40). O povo acampava em pequenas barracas durante sete dias para lembrar o tempo em que viveu em tendas, antes de tomar posse da terra de Canaã (Lv 23.43).

Essa semana festiva era o tempo da celebração final e das ações de graças pelas colheitas do ano (Dt 16.14-15). Como sétima e última festa anual, a Festa dos Tabernáculos também representava o princípio sabático!

Mackintosh diz que esta festa nos mostra a glória de Israel nos últimos dias, e, portanto, forma o mais belo e apropriado remate na série de festas. A ceifa estava feita, tudo estava feito, os celeiros estavam amplamente fornecidos, e o Senhor queria que o Seu povo desse expressão à sua alegria. Mas, infelizmente, parecem ter tido pouca vontade de compreender os pensamentos divinos a respeito desta bela ordenação. Esqueceram o fato que haviam sido estrangeiros e peregrinos em terra estranha, e daí o longo esquecimento desta festa. Desde os dias de Josué ao tempo de Neemias, a festa dos tabernáculos não havia sido celebrada uma só vez. Estava reservado ao remanescente que veio do cativeiro de Babilônia fazer o que nem sequer nos dias brilhantes de Salomão havia sido feito – “E toda a congregação dos que voltaram do cativeiro fizeram cabanas e habitaram nas cabanas; porque nunca fizeram os filhos de Israel, desde os dias de Josué, filho de Num, até àquele dia; e houve muita alegria” (Ne 8:17).

Seria difícil encontrar um mês melhor para o início de uma obra tão importante. Por isso, providencialmente, o Senhor mesmo quem direciona o momento de Neemias convocar Esdras, o escriba, a novamente se colocar diante do povo para ensiná-los a Lei do Senhor (Ne 8.1).

É lamentável que em muitos púlpitos, a Palavra de Deus tem sido mal aplicada ou mesmo substituída por outros eventos litúrgicos. Lembre-se que a saúde do seu rebanho é proporcional a qualidade da Palavra ministrada no seu púlpito!

1.3 – Diante da Porta das Águas

Por Cláudio Roberto de Souza

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