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Betel Adultos – 4º Trimestre de 2017 – 12/11/2017 – Lição 7: A ordenança do batismo em águas

07/11/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

  • Romanos 6:4
    4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

  • Mateus 3:13,16
    13 Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele.
    16 E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. (ARC)
  • Mateus 28:19
    19 Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (ARC)
  • Atos 2:38
    38 E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (ARC)

INTRODUÇÃO

Esta lição e a próxima, estaremos tratando das duas ordenanças deixadas por Cristo a sua Igreja.

Jesus, obviamente, deixou diversas instruções aos seus discípulos, tais como amar a Deus acima de todas as coisas, o próximo como a nós mesmos, perdoar nossos inimigos, pregar o evangelho, e outras tantas, porém, apenas duas ordenanças deveriam ser caracterizadas como cerimonias, isto é, ser executadas acompanhadas de um ritual, observando elementos de sua composição e palavras de acompanhamento:

  • O Batismo nas águas cujo elemento é a água e as palavras de acompanhamento do rito se acha em Mt 28.19 e;
  • A ceia do Senhor cujos elementos são o pão e o vinho e as palavras de acompanhamento se acham em Lc 22.19-20; I Co 11.23-34).

Ordenanças ainda são chamadas também de sacramentos ou cerimônias, no entanto, como bem expressou Stanley M. Horton, o Cristianismo bíblico não é ritualista nem sacramental, porque o sacramentalismo crê que uma graça divina especial é concedida aos participantes de certos rituais prescritos mesmo que estes não possuam uma fé ativa – tudo que a pessoa precisa fazer é passar pelo ritual para receber a benção ali expressa sem a necessidade de se ter um coração voltado para Deus. Os rituais são “suficientes” para alcançar o benefício (grifo meu).

As cerimônias instituídas por Jesus devem ser compreendidas como memoriais. Sendo o batismo realizado uma única vez (Ef 4.5) e a Ceia do Senhor em intervalos de tempos (I Co 11.25).

Elas também são destituídas de qualquer poder salvífico na realização; o recebimento da benção depende do estado do coração do homem.

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Nesta lição abordaremos a ordenança relacionada ao batismo nas águas.

A igreja do Senhor Jesus recebeu dEle próprio a incumbência de considerar o exercício do batismo nas águas conforme podemos verificar nos textos de referência desta lição.

  • Mateus 28:19
    19 Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (ARC)
  • Atos 2:38
    38 E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (ARC)

1 – ASPECTOS GERAIS SOBRE O BATISMO

O ritual com água não é ou foi em hipótese alguma, uma novidade do cristianismo. Tão pouco se originou em João Batista quando este batizava os judaizantes para o arrependimento e remissão dos pecados:

  • Marcos 1:4
    4 Apareceu João batizando no deserto e pregando o batismo de arrependimento, para remissão de pecados. (ARC)

A história primitiva comprova que o homem sempre vislumbrou a água como sendo um elemento de purificação, ou seja, ela não é apenas uma substância cuja serventia se restringe a limpar o corpo físico de sujeiras físicas, mas também como meio de o homem se purificar interiormente, isto é, espiritualmente.
Alguns misturavam a água e ainda o fazem com outros elementos que segundo a crença, potencializaria a limpeza da áurea espiritual como por exemplo, o sal grosso, ervas aromáticas e outros.

Biblicamente a água não possui tal poder, mas na ordenança do batismo, é tão somente aplicada como símbolo da regeneração do homem, símbolo do seu arrependimento e renascimento para uma nova vida, como veremos nos tópicos seguintes.

1.1 – Aspectos históricos

A água sempre esteve relacionada a purificação entre os povos antigos e ainda hoje, se acha entre os povos da sociedade pós-moderna.

Robin Keeley afirma que o batismo como ritual religioso era praticado pelos judeus e outras seitas muito antes de o cristianismo aparecer. Os judeus batizavam os gentios que desejassem juntar-se à fé judaica – o gesto significava arrependimento, mudança de direção.

Nos “mistérios” de Roma, geralmente significava um afastamento da vida ou religião antiga e associação a um novo grupo.

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Portanto, as sociedades religiosas primitivas sempre faziam uso da água para a sua purificação e os próprios israelitas também se ocuparam em fazer da água o elemento purificador com intensões de se despoluírem – isto estava prescrito em lei, conforme podemos ver em Lv 11.25,28,32 onde aqueles que tocassem, levassem ou deixasse que algum objeto caísse sobre cadáveres de animais considerados imundos ou mesmo aqueles que eram proveitosos para o alimento, mas morressem, deveriam ser os utensílios e as vestes, terminantemente lavados para que pudessem se achar puros novamente diante de Deus.

Todo o ritual de purificação estava relacionado a santificação do povo de Deus no passado conforme se lê neste contexto relacionado ao que foi citado acima: “Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não contaminareis a vossa alma por nenhum réptil que se arrasta sobre a terra” (Lv 11.44).

Ao leproso também era recomendado por lei o banhar-se em água para a sua purificação (Lv 14.8,9) e a mulher que possuísse fluxo de sangue, o homem que com ela se deitasse do mesmo modo, era purificado com água (Lv 15.7-31).

Quando o exército de Israel saísse contra os inimigos e houvesse algum soldado que por algum acidente se havia contaminado, este deveria ser retirado do meio e só voltaria após ter se lavado com água (Dt 23.10-11).

Flávio Josefo, citado pelo comentarista da lição, ao retratar um breve resumo de sua própria biografia no livro História do Hebreus, afirma que fora um privilegiado; nascido em família nobre em Jerusalém e pertencente a linhagem de sumos sacerdotes. Ele diz que desde cedo já era instruído nas sagradas letras e se destacou por ter uma memória prodigiosa, sendo que aos 13 anos desejou aprender sobre as diversas opiniões dos fariseus, dos saduceus e as dos essênios – três seitas que existiam em sua época, a fim de, conhecendo-as, pudesse adotar a que melhor lhe parecesse.
Nesta experiência, conheceu um certo homem chamado Bane que vivia tão austeramente no deserto, que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a mesma terra produzia; para se conservar casto, banhava-se várias vezes por dia e de noite, na água fria; Flávio Josefo afirma que resolveu imitá-lo e desta forma experimentou o costume de alguns essênios mais radicais que utilizavam a água como meio de purificação e conservação de sua santidade!

A arqueologia, por ocasião da reestruturação do túnel que passa próximo ao muro das lamentações, Muro Ocidental, em Jerusalém,descobriu uma sala da época do período herodiano, que contém em seu interior uma pequena piscina bem conservada usada para o banho ritualístico.

A piscina está próximo às portas do Templo, sinal da importância que haviam os rituais de purificação que os fiéis realizavam antes de entrar no santuário de Jerusalém.
http://www.abiblia.org/ver.php?id=913

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Por último, temos o batismo de João Batista, que no rio Jordão, recebia milhares de judeus e gentios que vinham até ele e ouvindo a sua mensagem de arrependimento, na qual dizia que era chegado o Reino de Deus, eram batizadas.

Tal batismo, era apenas o prenuncio de outro batismo, este no Espírito, efetuado por Cristo e no interior do homem.

Ressalto aqui que o batismo de João não produzia arrependimento, mas testificava que aquele que estava sendo batizado, havia se arrependido.

Stanley M. Horton afirma que na verdade João Batista recusou-se a batizar os fariseus e os saduceus enquanto não exibissem o fruto do arrependimento, ou seja, enquanto não demonstrassem que estavam arrependidos. (Mt 3.7-8). Desta forma, “para arrependimento” significa “por causa do arrependimento”, ou “como testemunho do arrependimento”. De igual modo, “para perdão dos pecados significa “por causa do perdão dos pecados”, ou “como testemunho de que os pecados vos foram perdoados”.

1.2 – Definição da palavra batismo

Vamos definir a palavra batismo buscando o termo em seu original.

Para Strong os termos ‘batizando-as’ e ‘batizado’ encontrados em Mt 28.19 e At 2.38 respectivamente são oriundos da palavra ‘baptizo’ e quer dizer:

  • 1) mergulhar repetidamente, imergir, submergir (de embarcações afundadas);
  • 2) limpar mergulhando ou submergindo, lavar, tornar limpo com água, lavar-se, tomar banho;
  • 3) submergir;

O termo ‘baptizo é derivado de ‘bapto’ que tem sentido de: ‘mergulhar’, ‘mergulhar em’, ‘imergir’ ou ‘mergulhar na tinta’, ‘tingir‘ e ‘colorir’ as palavras possuem sutis diferenças para o contexto que estamos a estudar e mesmo não implicando em confusão alguma, é importante destacarmos tal diferença:

  • O exemplo mais claro que mostra o sentido e a diferença dos termos ‘baptizo’ e ‘bapto’ é um texto do poeta e médico grego Nicander, que viveu aproximadamente em 200 A.C.
    É uma receita para fazer picles. Ela é de grande ajuda porque nela o autor usa as duas palavras. Nicander diz que para preparar picles, o vegetal deveria ser primeiro ‘mergulhado’ (bapto) em água fervente e então ‘batizado’ (baptizo) na solução de vinagre. Ambos os verbos descrevem a imersão dos vegetais em uma solução. Mas o primeiro (bapto) descreve uma ação temporária. O segundo (baptizo), o ato de batizar o vegetal, produz uma mudança permanente.
  • Quando usada no Novo Testamento, esta palavra (baptizo) refere-se com maior frequência a nossa união e identificação com Cristo que ao nosso batismo com água – Mc 16.16: “Quem crer e for batizado será salvo”. Cristo está dizendo que o mero consentimento intelectual não é o bastante. Deve haver uma união com ele, uma mudança real, como a do vegetal em relação aos picles! (Bible Study Magazine, James Montgomery Boice, Maio 1989).

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A palavra ainda pode ser encontrada como ‘baptisma’ cujo sentido é também: ‘imersão’, ‘submersão de calamidades e aflições nas quais alguém é submergido completamente’. Ainda se caracteriza por significar:

  • Do batismo de João, aquele rito de purificação pelo qual as pessoas, mediante a confissão dos seus pecados, comprometiam-se a uma transformação espiritual, obtinham perdão de seus pecados passados e qualificavam-se para receber os benefícios do reino do Messias que em breve seria estabelecido. Este era um batismo cristão válido e foi o único batismo que os apóstolos receberam. Não há registro em nenhum outro lugar de que tenham sido alguma vez rebatizados depois do Pentecostes.
  • Do batismo cristão, um rito de imersão na água, como ordenada por Cristo, pelo qual alguém, depois de confessar seus pecados e professar a sua fé em Cristo, tendo nascido de novo pelo Santo Espírito para uma nova vida, identifica-se publicamente com a comunhão de Cristo e a igreja.
    Em países islâmicos, um recém convertido tem poucos problemas com os muçulmanos até ser publicamente batizado. É então que os muçulmanos sabem que têm que dar um jeito nele e daí começa a perseguição.

Outros termos e significados da palavra:

  • ‘Baptismos’ e quer dizer: ‘lavagem’, ‘purificação efetuada por meio de água’. Refere-se da lavagem prescrita pela lei mosaica (Hb 9.10) que parece significar uma exposição da diferença entre as lavagens prescritas pela lei mosaica e o batismo cristão.
  • ‘Baptistes’ e quer dizer: ‘aquele que batiza’, ‘um batizador’, ‘alguém que administra o rito do batismo’, ‘o sobrenome de João, o precursor de Cristo’. O personagem que efetua o batismo, ou seja, imerge o outro na água.

1.3 – A importância do batismo

As duas ordenanças do cristianismo com características ritualísticas deixadas por Cristo são: a ceia do Senhor e o batismo nas águas.

O batismo nas águas é importante porque:

  • Primeiro porque é uma ordenança dada por Jesus Cristo. Podemos definir uma ordenança como aquilo que necessariamente deve ser observado, praticado e executado, pois nos foi ordenado em caráter de lei por alguém investido de autoridade maior (Mt 28.18-19; Mc 16.15-16).
  • Segundo porque possui caráter sagrado, por isso alguns chamam de sacramento cujo significado literal é: ‘coisas sagradas’. É sagrado por ter sua origem em Deus que é santo, isto implica em afirmar que Deus é o autor de tal ordenança como escreve o catecismo de Westminster (página 29).
  • A mais recente inovação é o batismo nas águas realizado em toboágua. Como alguém disse já ter visto batismos por aspersão, batismo por imersão, mas agora estamos diante do batismo por diversão. Não vou entrar no mérito da seriedade, tão pouco da espiritualidade envolvida neste tipo de batismo, mas o que parece é mais uma irreverência e profanação de um ritual tão solene que simboliza o novo nascimento do homem!
  • Terceiro, porque a igreja primitiva e apostólica cumpriu a ordenança em sua inteireza (At 2.37-38,41; 8.12-13; 36.38; 9.18; 10.47-48; 16.14-15; 32.33; 18.8; 19.5).

Portanto, o que acabamos de ver é que o batismo nas águas foi desde o início, uma prática comum e necessária na Igreja, pois como já vimos também, trata-se de uma ordenança levada a sério e cumprida cabalmente pelos discípulos e apóstolos de Cristo.

2 – BATISMO: FORMA, FÓRMULA E CONDIÇÃO

Jesus não nos deixou apenas a ordenança de batizarmos os conversos nas águas, mas também em Sua Palavra, encontramos como este processo se desenvolve.

É verdade que há inclusive, igrejas cristãs tradicionais que executam esta ordenança de maneira diferente de nós, pentecostais. São diferenças de interpretações textuais e que não comprometem a salvação ou a fraternidade entre os irmãos.

2.1 – A forma do batismo

Vimos no tópico 1.2 (definição da palavra batismo) os diversos significados da palavra no Novo Testamento escrito no idioma grego que por si mesmo já nos esclarece que a forma usual neotestamentária e a que classificamos como correta e bíblica para efetuarmos o batismo nas águas, é por imersão ou mergulhar completamente, submergir.

Segundo Stanley M. Horton, a imersão transmite o pleno significado de passagens como Romanos 6.1-4 que diz:

  • Romanos 6:1-4
    1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?
    2 De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?
    3 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?
    4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. (ARC)

Onde a descida ás águas simboliza a morte para o pecado, e o sair da água, a nova vida em Cristo.

Algumas denominações tomam Ezequiel 36.25 que mostra Deus aspergindo água limpa sobre a restaurada nação de Israel como fundamento para o batismo por aspersão. O catecismo de Westminster na página 29 defende o batismo por efusão ou aspersão. Entretanto, a palavra grega (como já vimos anteriormente) ‘baptizo’ significa claramente ‘mergulhar’, ‘imergir’ e não ‘aspergir’.

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Algumas evidências a favor do batismo por imersão:

  • 1 – Essa interpretação é confirmada por eruditos da língua grega e pelos historiadores da igreja. Além disso, há razões para crer que para os judeus dos tempos apostólicos, o mandamento de ser “batizado” sugeriria “batismo de prosélito”, que significava a conversão dum pagão ao Judaísmo. O convertido estava de pé na água, até ao pescoço, enquanto era lida a lei, depois do que ele mesmo se submergia na água, como sinal de que fora purificado das contaminações do paganismo e que começara uma nova vida como membro do povo da aliança.
  • 2 – Esta palavra também era usada na literatura antiga não cristã para indicar ‘mergulhar’ e ‘afundar’.
  • 3 – Note ainda que João Batista estava batizando em Enom, “… porque havia ali muitas águas (Jo 3.23).
  • 4 – Jesus quando foi batizado, lemos: “Logo que saiu da água” (Mt 3.16; Mc 1.10);
  • 5 – Filipe quando batizou o eunuco Etíope: desceram ambos à água” (At 8.38) e depois “saíram da água”, ato contínuo (At 8.39); O texto subtende que tanto Filipe como o eunuco estavam dentro da água;

Todos esses detalhes, apontam conclusivamente para a imersão como o verdadeiro modo de batismo.

Recentemente, arqueólogos encontraram nos mais antigos edifícios que serviram de igrejas pertencentes ao século II, tanques batismais para imersão. Em Jerusalém havia vários poços (piscinas ou tanques) onde seria fácil para os 120 primeiros irmãos batizarem os 3000 novos convertidos no dia de Pentecostes.

2.2 – A fórmula do batismo

A fórmula para o batismo nas águas nos parece claro quando lemos Mt 28.19 que diz:

  • Mateus 28:19
    19 Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; (ARC)

Mas como conciliá-la com o que diz Pedro em Ato 2.38, sendo que em Mateus 28.19 a fórmula usada cita a Trindade e em Atos 2.38, apenas em nome de Jesus Cristo?

  • Atos 2:38
    38 E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (ARC)

Myer Pearlman afirma que estas últimas palavras (At 2.38) não representam uma fórmula batismal, porém uma simples declaração afirmando que recebiam batismo as pessoas que reconheciam Jesus como Senhor e Cristo.
Por exemplo, o “Didaquê”, um documento cristão escrito cerca do ano 100 A.D., fala do batismo cristão celebrado em nome do Senhor Jesus, mas o mesmo documento, quando descreve o rito detalhadamente, usa a fórmula trinitária.

Quando Paulo fala que Israel foi batizado no Mar Vermelho “em Moisés”, ele não se refere a uma fórmula que se pronunciasse na ocasião; ele simplesmente quer dizer que, por causa da passagem milagrosa através do Mar Vermelho, os israelitas aceitaram Moisés como seu guia e mestre como enviado do céu. Da mesma maneira, ser batizado em nome de Jesus significa encomendar-se inteira e eternamente a ele como Salvador enviado do céu, e a aceitação de sua direção impõe a aceitação da fórmula dada por Jesus no capítulo 28 de Mateus e versículo 19.

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Na igreja apostólica o rito era acompanhado das seguintes expressões exteriores:

  • 1) Profissão de fé (At 8.37);
  • 2) Oração (At 22.16.);
  • 3) Voto de consagração (I Pe 3:21).

O Novo Testamento Judaico apresenta uma versão interessante para o texto de Mt 28.19:

  • Mateus 28:19
    19 Portanto, vão e façam talmidin (discípulos) dentre pessoas de todas as nações. IMERGINDO-OS na verdade do Pai, do Filho e do Ruach Hakodesh (Espírito Santo) – (Novo Testamento Judaico) (acréscimo meu).

Para David H. Stern autor e comentarista do Comentário Judaico do Novo Testamento, o texto de Mt 28.19 nos coloca em reflexão quando afirma que o cristianismo tem a tendência de usar essa frase como uma “fórmula batismal” a ser pronunciada quando alguém é batizado. Essa compreensão leva a perguntas tais como: O que é esse nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? É Jeová? Jesus (At 2.38; 8.16)? Ou algo mais? É preciso que todas as três “pessoas de Deus” sejam mencionadas para que o batismo seja válido?

Antes de tudo, a palavra grega ‘eis’ para a expressão ‘em’ no texto, geralmente significa ‘para dentro’ em vez de ‘em’ como é normalmente traduzida.
Segundo, embora o ‘nome’ seja o significado literal da palavra grega ‘onoma’, e quer dizer: ‘imergindo em um nome’, não descreve um ato literal possível.
Nisto a tradução contida no Novo Testamento Judaico, expressa aquilo que deve ser o significado desejado, uma vez que na Bíblia, ‘nome’ assume a realidade por trás do nome. Enquanto ‘em nome de ’pode significar ‘na autoridade de’ isso parece fraco aqui; existe mais significado nisso do que identificar quem autoriza a imersão. Assim, é possível que o grego para a expressão ‘para dentro do nome’ seja em hebraico ‘lashem’, que significa ‘por’, ‘pelo amor de’, ‘com referência a’(grifo meu).

Resumindo o que disse David H. Stern, a expressão ‘batizando-os’ ou ‘imergindo-os’ como sugere a tradução do Novo Testamento Judaico, revela não somente a autoridade divina do batismo efetuado em nome da trindade, mas principalmente que os batizados passam a estar em Deus (para dentro).

O mesmo Davi H. Stern ainda complementa que a “fórmula do batismo nas águas”, quando menciona fazer em nome da Trindade, não significa que o Novo Testamento ensina:

  • 1 – O Triteísmo que é a crença em três deuses;
  • 2 – Ele não ensina o Unitarianismo, que nega a divindade de Yeshua (Jesus), o Filho e do Espírito Santo.
  • 3 – Não ensina o Modalismo que diz que Deus aparece às vezes como o Pai, às vezes como o Filho e às vezes como o Espírito Santo, como um ator trocando máscaras;

Nota-se que fórmula trinitária é descrita de uma experiência. Aqueles que são batizados em nome do triúno Deus, por esse meio estão testificando que foram submergidos em comunhão espiritual com a Trindade. Desse modo pode-se dizer acerca deles: “A graça do Senhor Jesus Cristo e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos” (2 Cor. 13:13 – benção apostólica).

2.3 – Condição para ser batizado

A pessoa estará apta para ser batizada nas águas quando primeiramente se conscientizou dos seus pecados e da necessidade de um Salvador.
Assim a salvação será efetuada, o indivíduo tornar-se-á discípulo de Jesus e estará habilitado para o batismo.

O Novo Testamento ensina que o batismo em água é somente para os crentes.
Jesus ordenou a seus seguidores que fizessem discípulos e então os batizassem (Mt 28.19). Note que a ordem é primeiro ser discípulos (estar salvo) e depois ser batizado. Em Mc 16.16, crer antecede o batismo – “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. O batismo é para os que creem e já se encontram salvos em Cristo, ou seja, batismo não é para salvação como por exemplo alega o catolicismo romano (será visto adiante).

Vejamos alguns exemplos desta verdade:

  • 1 – Quando o diácono Filipe percorreu Samaria, sua pregação e os milagres produziram “grande alegria naquela cidade” (At 8.8). Desta forma, aqueles que creram na mensagem sobre o Reino de Deus e o nome de Jesus, eram batizados (At 8.12). O batismo dessas pessoas ocorreu depois de terem crido;
  • 2 – Na casa de Cornélio, não somente creram todos, mas foram batizados no Espírito Santo, falaram em novas línguas e louvaram a Deus antes de serem batizados em águas (At 10.44-48);
  • 3 – Em Filipos, Paulo disse ao carcereiro: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31). Então ouviram todos a Palavra do Senhor, e foram batizados (At 16.31-34).

Em todos os exemplos, o ouvir a Palavra do Senhor antecedeu o batismo nas águas.

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Conforme já citamos acima em Mc 16.16: Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado, o fator determinante para a salvação não é o batismo, mas o crer em Jesus. O evangelista destaca que a condenação é para aqueles que não creem em Jesus e jamais para quem não foi batizado, pois alguns, mesmo crendo, podem não ter a oportunidade de passar pelas águas do batismo, a exemplo do ladrão da cruz que mesmo sem ser batizado, estaria com Cristo no paraíso, pois a morte o impediu de sê-lo (Lc 23.43); outros por estarem em leito de enfermidade não podem se deslocar até os locais de batismo e assim por diante.
No entanto, todos aqueles que creram em Jesus devem procurar passar pelas águas do batismo porque é uma ordenança do Senhor!

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O primeiro sacramento da Igreja Católica afirma que as águas do batismo têm poder de regenerar o homem, pior ainda, regenerar um recém-nascido que apesar de ter a semente do pecado original em sua vida, ainda não os cometeu (veja a imagem acima).

Para eles, o batismo nas águas é um ato que pode trazer ao batizado, uma nova vida, mesmo sem ainda ter a consciência do pecado, Veja abaixo o que afirmam:

  • “Por meio dele (do batismo nas águas), somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão: Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo (o batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra) (grifo meu).”
    https://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/o-sacramento-do-batismo/

Batismo nas águas não regenera o homem, pois o homem é batizado porque se encontra salvo e não é batizado para ser salvo!

Na verdade, é ensinado na Bíblia que ninguém pode ser salvo por meio de ritos religiosos (Rm 2.28,29). O batismo é, portanto, um importante sinal de algo que já aconteceu (salvação), não um meio pelo qual somos regenerados.

3 – O SIGNIFICADO DO BATISMO

No batismo, a pessoa confirmou o seu testemunho pessoal de fé na pessoa bendita de Jesus Cristo e recebe as boas-vindas na comunidade cristã!
Vale ressaltar que a salvação não depende do batismo nas águas, mas que a pessoa sendo salva e tendo a oportunidade de ser batizada nas águas, deve fazer o quanto antes para desta forma, desfrutar da segunda ordenança de Cristo – a Ceia do Senhor.

3.1 – União com Cristo

O batismo é uma confissão pública da fé. O batismo nas águas é uma afirmação diante de todos que o indivíduo batizado, agora, é um servo de Jesus Cristo, que a Palavra do Senhor passou a ser a sua regra de conduta, principalmente que agora está unido a Cristo!

Romanos 6:3-5
3 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?
4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.
5 Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; (ARC)

No texto acima, Paulo afirma que fomos “batizados na sua morte”, significando que estamos não apenas mortos para os nossos antigos caminhos, mas que eles foram sepultados. Retornar a eles é tão inconcebível para um cristão quanto para alguém desenterrar um cadáver!

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Para Hernandes Dias Lopes, se o batismo significa a união com Cristo em sua morte, então os crentes morreram, com Cristo quando ele morreu.

John Stott afirma que fomos unidos a Cristo interiormente pela fé e exteriormente pelo batismo. Paulo, portanto, não se refere aqui à forma do batismo, mas a seu significado, nossa identificação com Cristo em sua morte. O nosso batismo foi uma espécie de funeral. O argumento essencial de Paulo é que ser cristão implica uma identificação vital com Jesus Cristo e essa união é representada por nosso batismo, como se fosse um drama simbólico.

Charles Erdman diz que não é o modo de batismo o elemento importante nesta referência. Paulo enfatiza não o rito ou a cerimônia, mas a proclamação e a fé que acompanham o batismo.

O batismo é, portanto, a formalidade cerimonial de uma fé que já foi manifestada no crente; é a expressão em atitude que protocola a conversão a Jesus Cristo!

O que ouviu e creu na mensagem do evangelho já está em Cristo e o batismo normatizou essa condição, por isso Cristo afirmou: “Estai em mim, e eu, em vós”, denotando a nossa união a ele, enfatizando que Ele é a Videira verdadeira e nós os ramos a ela conectados (Jo 15.5).

Os ramos não produzem seiva para a sua própria subsistência, antes depende da própria Videira para ter vitalidade e produzir. Cristo é a Videira que dá vida (seiva) aos ramos!

Nossa união com Cristo neste caso, assume o propósito de frutificação nEle, por Ele, para Ele e através dEle. Tal união é essencial para o exercício cristão – parafraseando… “porque sem Ele nada podemos fazer” (Jo 15.5)!

3.2 – Morte e sepultamento do nosso velho homem

  • Romanos 6:6
    6 sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado. (ARC)

No texto acima, Paulo afirma que o velho homem, isto é, o homem antes da regeneração foi cravado na cruz com Cristo e desta forma, todos aqueles que são batizados nas águas dão a mensagem para o mundo que também foram crucificados como Cristo o foi.

Para Myer Pearlman a experiência do novo nascimento tem sido descrita como uma, “lavagem” (literalmente “banho”, Tito 3:5), porque por meio dela, os pecados e as contaminações da vida de outrora foram lavados. Assim como o lavar com água limpa o corpo, assim também Deus, em união com a morte de Cristo e pelo Espírito Santo, purifica a alma. O batismo nas águas simboliza essa purificação. “Levanta-te, recebe o batismo, e lava os teus pecados” (isto é, como sinal do que já se efetuou – regeneração – At 22.16).

  • Colossenses 2:12
    12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. (ARC)

A crucificação resultou em morte e desta forma, o batismo nas águas aqui, não é símbolo de sofrimento, mas símbolo de sepultamento, pois quem morre, necessariamente precisa ser sepultado. O homem desce as águas (sepultamento do velho homem) e sai delas (ressurreição do novo homem arrependido e regenerado por Deus), isto é, a água sugere o lavar do pecado. Descer às águas expressa morrer para a maneira antiga e pecaminosa de viver. Sair das águas sugere nova vida com o novo Mestre!

Geoffrey Wilson diz na seguinte afirmação: “Como a morte liberta o homem de todas as obrigações, assim ela nos liberta a nós que morremos com Cristo, da obrigação de nos sujeitarmos ao reino de nosso velho senhor, o pecado”.

Neste ponto, o comentarista cita que nós, da Assembleia de Deus, não batizamos nossas crianças como fazem por exemplo, os católicos e os presbiterianos, pois se entendemos que uma das primícias do batismo nas águas é a consciência do pecado, como uma criança na tenra idade o teria? Batizá-las nos parece uma desvalorização do arrependimento e da fé, sem as quais ninguém pode tornar-se cristão.

A pregação de Filipe em Samaria trouxe alegria àquela cidade e a Bíblia afirma que ao darem crédito a mensagem pregada “… Iam sendo batizados, assim homens como mulheres” (At 8.12). Ressaltamos que a palavra ‘homens’ e ‘mulheres’ são oriundas das palavras gregas ‘aner’ e ‘gune’ respectivamente.

  • ‘Homens’ ou ‘aner’ significa: ‘com referência ao sexo’, ‘homem’, ‘marido’, ‘noivo’ ou ‘futuro marido’‘com referência à idade, para distinguir um homem de um garoto’.
  • ‘Mulheres’ ou ‘gune’ significa: ‘mulher de qualquer idade’, seja virgem, ou casada, ou viúva; ‘uma esposa’; ‘uma noiva’.

Em ambos os casos, tratam-se de homens e mulheres capazes de discernirem uma mensagem que foi anunciada e tomarem uma decisão!

Será que naquela cidade e entre os ouvintes não havia uma única criança para também ser batizada? Neste caso, o registro bíblico deveria conter um termo que se referisse as crianças.

As nossas crianças devem ser educadas no temor do Senhor, orientadas a crerem em Jesus Cristo e nas doutrinas bíblicas para que ao alcançarem a idade de discernimento acerca da salvação, possam tomar a decisão de passar pelas águas batismais.

3.3 – Andar em novidade de vida

  • Romanos 6:4
    4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

O cristão, ao emergir das águas batismais, está “ressuscitando” para a nova vida.

Hernandes Dias Lopes afirma que nossa união com Cristo não é apenas em sua morte, mas também em sua ressurreição. Assim como ele ressuscitou, também ressuscitamos nele para vivermos em novidade de vida. O poder da ressurreição está em nós para vivermos uma vida de poder. O reinado da morte pelo pecado não tem poder mais sobre nós, uma vez que morremos e ressuscitamos com Cristo. A morte e a ressurreição de Cristo não são apenas fatos históricos e doutrinas significativas, mas também experiências pessoais.

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Para F. F. Bruce, a morte paga todos os débitos, de sorte que o homem que morreu com Cristo vê apagado seu registro na lousa, e está pronto para começar uma vida nova com Cristo, livre do vínculo do passado.

A morte quita todas as dívidas. Quando nos identificamos com Cristo, morremos legalmente para o pecado. Não devemos mais nada à lei. Agora nem o pecado nem a lei têm mais direito legal sobre nós.

Novidade de vida pressupõe novidade de coração. Andar com novas regras e direção! Escolher novos caminhos para andar, novos líderes para seguir, novos companheiros com quem andar.

O homem torna-se o que não era e faz o que não fazia porque agora ele anda em novidade de vida, isto é, ele anda em direção a vida eterna!

CONCLUSÃO

Devemos ainda considerar que não existe “rebatismo” ou novo batismo para aquele que uma vez já foi batizado! Assim como há um só Senhor e uma só fé (salvadora), também há um só batismo (Ef 4.5) através do qual professamos a nossa crença no Filho de Deus!

O batismo é o grande sinal do Novo Testamento do que Deus faz por uma pessoa que passa a pertencer a Jesus Cristo. A água declara que nosso pecado foi lavado e que somos justificados com Jesus em sua morte e ressurreição.

O batismo formaliza o nosso ingresso no corpo de Cristo, isto é, a igreja, e desta forma passamos a desfrutar das oportunidades conferidas por este corpo no serviço, adoração e comunhão com Deus e com os outros!

Deus seja louvado!

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada / NVI;

Dicionário da língua portuguesa;

Doutrinas Bíblicas – Willian W. Menzies e Stanley M. Horton – CPAD;

Fundamentos da Teologia Cristã – Organizado por Robin Keeley – Editora Vida;

Dicionário Bíblico Strong – James Strong – Sociedade Bíblica do Brasil;

Bíblia Novo Testamento Judaico – Traduzido por David H. Stern – Editora Vida;

Comentário Judaico do Novo Testamento – David H. Stern – Editora Atos;

Romanos – Comentário Expositivo – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos;

Site da internet mencionado quando citado no texto;

Todos os direitos de imagens são de seus respectivos proprietários;

Por Cláudio Roberto


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