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Betel Adultos – 3º Trimestre de 2017 – 27/08/2017  – Lição 9: O legado missionário da Igreja Primitiva

22/08/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Atos 26:20
Antes, anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Atos 1:4-5,7-8
4 E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes.
5 Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.
7 E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.
8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. (ARC)

INTRODUÇÃO

A paz do Senhor!

Aproveito para solicitar a você irmão professor da Escola Bíblica Dominical ou mesmo aqueles que são vocacionados para tal e acessam o nosso blog, que aproveite para responder a nossa enquete na página principal com a pergunta: Você recomendaria a EBD Comentada? Sua opinião é bastante importante para nós.

Esta semana, a lição abordará o período mais impactante da obra missionária da Igreja, o modelo ideal para todas as igrejas.

Estudaremos sobre o legado missionário da igreja primitiva, ou seja, a herança missionária deixada pela igreja dos nossos pais que mesmo em meio a grande perseguição e intolerância que enfrentaram, frutificaram abundantemente, exercendo importante papel e se tornando modelo evangelístico do seu tempo. Papel este que passados mais de 2000 anos, ainda é o principal modelo a ser seguido.

O escritor do livro de Atos (Dr. Lucas), identificou em suas pesquisas que aquela igreja, ainda em seu início, agitou, perturbou, inquietou e como ele mesmo escreveu, ALVOROÇOU o mundo de sua época (At 27.6). O que eles possuíam? Vamos tentar entender…

1 – OS MANDAMENTOS MISSIONÁRIOS

Entende-se por mandamento, uma ordenança, isto é, não é algo que eu escolho, mas que foi determinado fazer por alguém superior a mim; desobedecer é transgredir.

Jesus, antes de ascender ao céu, deixou as últimas instruções aos seus discípulos. A principal orientação foi a continuidade de sua obra. A Igreja tornou-se responsável por anunciar as Boas Novas.

As palavras de Jesus continham instruções exatas de que deveriam aguardar a preparação especial, a qual seria o revestimento de poder para realizar a obra evangelística (item 1.2) e qual seria a amplitude desta obra, ou até onde ela deveria alcançar (item 1.3).

As diretrizes dadas por Cristo, fez grande diferença para o exercício do trabalho, sendo esta a receita de sucesso para qualquer igreja em qualquer tempo.

1.1 – Deu mandamentos pelo Espírito Santo

A vida de Jesus foi marcada pela companhia do Espírito Santo.

Vamos destacar aqui algumas constatações:

1. O Espírito Santo foi o responsável direto do seu nascimento virginal, garantindo a encarnação do Verbo de Deus (Mt 1.18-20; Lc 1.35; Jo 1.14);

2. Na sua infância, Jesus crescia em graça (Lc 2.40,52), isto é, ele desenvolvia a condição espiritual de alguém governado pelo poder da graça divina, ou seja, pelo poder do Espírito Santo;

3. Na ocasião do seu batismo, João viu o momento exato em que o Espírito Santo pousou sobre a sua cabeça (Lc 3.22);

4. Após o batismo, a Bíblia afirma que Jesus estava cheio do Espírito Santo e por Ele foi conduzido ao deserto e ali foi tentado pelo diabo (Lc 4.1-13);

5. Para o exercício do seu ministério, o Espírito Santo o encheu (Lc 4.14);

6. Jesus se identificou com o personagem messiânico de Isaías 11.2 e 61.1-3, quando na Sinagoga leu a última passagem – “Pelo que o Espírito do Senhor, está sobre mim…” – E afirmou que aqueles dias se cumpriam Nele (Lc 4.16-20);

7. O seu sacrifício na cruz foi possível pelo Espírito Santo, pois o Espírito o sustentou na hora mais difícil;

Hebreus 9:14
14 quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? (ARC)

8. Sua ressurreição foi obra do Espírito Santo;

Romanos 8:11
11 E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita. (ARC)

9. O Espírito Santo de Deus foi quem glorificou o Filho após a sua ressurreição;

João 16:13-14
13 Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.
14 Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. (ARC)

10. Todo o Seu ministério foi acompanhado e dirigido pelo Espírito Santo:

     10.1 – Ministério Geral – Em toda a obra de Cristo, o Espírito Santo se fez presente:

     Mateus 12:18
18 Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz; porei sobre ele o meu Espírito, e anunciará aos gentios o juízo. (ARC)

     10.2 – Ministério de Cura – Sem o Espírito Santo, Jesus não poderia ter feito nenhum milagre:

     Mateus 12:28
28 Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus. (ARC)

     Atos 10:38
38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. (ARC)

     10.3 – Ministério de oração – Suas orações eram feitas no Espírito:

     Lucas 10:21
21 Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. (ARC)

     10.4 – Ministério do Ensino – Seus feitos e suas mensagens eram concedidas pelo Espírito Santo

     Atos 1:1-2
1 Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,
2 até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; (ARC)

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O último versículo citado acima de At 1.2, evidencia que assim como o Pai fez no passado no Monte Sinai, dando mandamentos a Moisés (Ex 10.1-17), Jesus com a mesma autoridade, deu mandamentos aos apóstolos que escolhera.

Suas últimas determinações implicavam em orientações a respeito da continuidade da sua obra em resgatar o homem perdido. Os apóstolos e tanto a igreja primitiva quanto a contemporânea, recebem a mesma instrução, capaz de garantir o sucesso no empreendimento missionário.

Romanos 8:14
14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. (ARC)

O mesmo Espírito que agiu por Cristo e através de Cristo é também o Espírito que opera por meio dos filhos de Deus na vida da igreja.

1.2 – Determinou-lhes que recebessem poder

Atos 1:1-2
1 Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar,
2 até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; (ARC)

Repetimos o texto de Atos novamente para que possamos compreender que o escritor deste livro tinha como tese, o fato de que Jesus continua em ação. A mudança se deu no método de trabalho. Agora ele não está mais na carne; Ele prossegue “não só a fazer, mas a ensinar” mediante seu “corpo”, a igreja!

No entanto, em semelhança do que vimos no item 1.1, a Igreja jamais poderá realizar a obra do Senhor, sem que esteja revestida do poder do próprio Deus.

Hoje há muita empolgação e pouco poder; muito entusiasmo, mas falta unção!
Realizar a obra de Deus utilizando apenas a vontade de se fazer é dar um tiro muito curto. Pior que isso, é ignorar os ardis de Satanás (II Co 2.11), cujo poder só poderá ser vencido através de um poder maior (Mt 28.18), que é evidenciado pela presença do Espírito Santo!

Não contabilizar esse fator é não considerar o caráter espiritual da obra.

O apóstolo Paulo, definiu com muita propriedade que o governo do diabo é estruturado (Ef 6.10-12) e seu objetivo é frustrar o avanço da igreja, no entanto a igreja que foi revelada em Mt. 16.16 recebeu a promessa de que “as portas do inferno não prevalecerão”. A igreja havia sido revelada, mas não inaugurada! Sobre ela repousa a bem-aventurada promessa de sobrepujar as forças infernais do diabo e seus demônios.

Para que a igreja seja triunfante, ela precisa estar capacitada pelo poder do alto, isto é, pelo poder que vem do céu, que vem de Deus, que é Divino, que está na vertical!

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Lucas 24:49
49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. (ARC)

Jesus, foi enfático ao afirmar aos discípulos que os mesmos deveriam permanecer em Jerusalém até o momento em que seriam revestidos de poder, pois seria natural que eles voltassem para a Galileia como já havia feito anteriormente sob as ordens do próprio Jesus (Mt 26.32; 28.16).

Mas porque Jerusalém? Fritz Rienecker afirma que essa é a trajetória bíblica. O trono fora prometido ao Messias na cidade de Davi (Sl 132). Deus estabeleceu seu Rei sobre o Sião (Sl 2.6). De Sião emana a lei, e a palavra de Deus de Jerusalém (Is 2.3). Em Sião foi posta a preciosa pedra angular (Is 28.16). Sião e Jerusalém devem erguer poderosamente sua voz (Is 40.9).

Desta forma, Jerusalém era o local ideal para que o Senhor inaugurasse a sua Igreja.
Jerusalém se tornou por longo tempo o ponto central da missão e ali permaneceram os apóstolos.

Segundo Strong, o termo “revestido” vem do grego “ενδυοω” ou “enduo” e tem o sentido de entrar em uma veste; entrar numa roupa, vestir, vestir-se. Significa literalmente: “o Espírito Santo ter vindo em cima deles ou vestindo-os”.

Essa vestimenta espiritual seria a capacitação sobrenatural que os discípulos receberiam para executarem os propósitos de Deus com total eficácia, pois ela é o próprio Espírito de Deus envolvendo, cobrindo, vestindo, protegendo, abrigando o cristão.

O mesmo Espírito que atuou em Cristo, atuaria na vida dos apóstolos como cumprimento da promessa do Pai (Is 44.3; Jl 2.28). A partir do Pai o Senhor envia o Espírito prometido, saído de sua própria plenitude e poder.

Me preocupa que poucas pessoas hoje, busquem esse revestimento de poder que segundo a teologia Pentecostal é o batismo com o Espírito Santo como se pode ler: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

A recomendação para receber a promessa não é apenas ficar ou permanecer, mas ficar e permanecer em oração…

A oração é o mecanismo que o crente deve utilizar para ser revestido por Deus a fim de proclamar as Boas Novas e deve permanecer em oração para manter a comunhão e a direção do Espírito Santo em suas vidas.

Ser cheio do Espírito Santo é vital para o sucesso missionário, pois é Ele quem orienta, quem ilumina e que confere o poder na vida do servo de Deus. Não se enfrenta as hostes espirituais da maldade com diplomas ou credenciais, mas somente revestidos do Espírito Santo de Deus.

1.3 – Determinou-lhes o campo de atuação

A ordem inicial de Jesus Cristo foi para que os discípulos permanecem em Jerusalém ATÉ que do alto fossem revestidos de poder.
Uma vez acontecendo o revestimento de poder (Dia de Pentecostes – item 2.1), eles deveriam colocar em prática a determinação de testemunharem de Cristo em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra (At 8.1).

A igreja primitiva, aguardou em Jerusalém e recebeu a promessa (At 2.1-7), porém, após isso, eles deveriam dilatar o campo da visão missionária, saindo de Jerusalém e alcançando as demais regiões citadas por Jesus (Judeia, Samaria e Confins da terra).

A igreja nascida no Pentecostes permaneceu por algum tempo inerte em Jerusalém e de certa maneira, esquecida de cumprir o IDE de Jesus em sua plenitude, até quando surgiu uma forte perseguição, obrigando-os a se dispersarem e fugirem (exceto os apóstolos – At 8.1; 11.19.20).

Com a fuga, levaram consigo a semente das Boas Novas até a Judeia e Samaria (At 8.1) e depois Paulo em suas viagens missionárias atingiu a totalidade do mundo de sua época, ou seja, os confins do mundo.

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A afirmação de Jesus, harmoniza com a obra missionária de Deus no decorrer da história, onde se revelou uma mensagem universal de salvação e não tribal. Deus sempre mostrou através do interesse e obras, salvar as nações!

O campo de atuação missionário é amplo e abrangente, pois não existe restrição quanto ao espaço ou quem deve ouvir a mensagem de salvação proposta por Deus.
Deste modo, não fazemos missões somente quando nos embrenhamos em uma mata em busca de uma tribo perdida que nunca ouviu o evangelho, ou mesmo quando temos que deixar a nossa cidade ou estado de origem para ganhar almas, ou ainda para os mais excêntricos, quando temos que atravessar o oceano para fazer missões transculturais, aprender o idioma e a cultura da região. Muitas vezes, o campo missionário é você sair de um cômodo de sua casa até outro e falar de Jesus aos seus filhos não convertidos ou ao cônjuge, outras vezes, basta atravessar a rua e falar com o vizinho.

Willian Carrey disse: “Na mente divina não há distinção entre missões estrangeiras e missões nacionais. Onde houver um a alma perdida, aí está um campo missionário”.

2 – O ESPÍRITO SANTO NA OBRA MISSIONÁRIA

O livro de Atos dos apóstolos também é conhecido e intitulado por muitos como Atos do Espírito Santo, haja vista que assim como o Pentateuco possuí uma forte relação com o Deus Pai, e os Evangelhos uma forte relação com o Deus Filho, o livro de Atos, possuí uma relação muito íntima com a terceira pessoa da Trindade Sagrada – O Espírito Santo.

O Comentarista da lição expõe três formas de atuação do Espírito Santo. Vamos analisá-las…

2.1 – Ele desceu no dia de Pentecostes

É oportuno dizer que a teologia Pentecostal tem sido confundida com o movimento Neo Pentecostal. É certo afirmar que muitas igrejas Pentecostais aderiram as doutrinas Neo Pentecostais, no entanto o que se vê nos púlpitos Neo Pentecostais, nada haver tem com os sólidos ensinamentos Pentecostais.

Além disso, em muitos lugares, a Doutrina Pentecostal, não tem sido ensinada da maneira correta ou está fragilizada pela ênfase que dão aos dons espirituais e aos “movimentos pentecostais” em detrimento ao ensino da Palavra, gerando exageros por parte da membresia, causando escândalos e até ridicularizando o evangelho.

Muitos piedosos servos do Senhor, diante dessas situações, ao invés de levantar a bandeira Pentecostal e suas firmes doutrinas e assim ensinar corretamente a congregação que pertence, estão debandando para o tradicionalismo e criticando o próprio credo de sua denominação.

Particularmente acho um absurdo tudo isso, mas onde pudermos fazer a defesa da nossa fé, faremos! Pois, um dos fundamentos da doutrina Pentecostal, é exatamente a importância do dia de Pentecostes na inauguração da igreja e sua associação com o poder do Espírito Santo para realizar a obra de Deus.

O dia de Pentecostes

O Espírito Santo é a promessa do Deus Pai (Is 44.3; Jl 2.28; At 1.4-5) e tem a participação do Deus Filho em seu cumprimento (Jo 14.16-17). O Espírito Santo é a companhia divina da igreja que a auxilia no trabalho de crescimento do Reino de Deus.

Pentecostes era uma das festas sagradas de Israel. Na verdade, era a segunda grande festa sagrada do ano judaico. A primeira grande festa era Páscoa. “Pentecostes” significa “quinquagésimo”, isto é, após cinquenta dias da festa da Páscoa, era celebrada a festa do Pentecostes, também conhecida como festa das Colheitas, porque nela os judeus ofereciam as primícias da safra de grãos (Lv 23.17). Do mesmo modo, a data do Pentecostes revela para a igreja, o início da colheita de almas para Deus neste mundo.

Russel Norman Champlin afirma que dentre todas as festividades religiosas do calendário judaico, essa era a mais intensamente frequentada, porquanto as condições atmosféricas prevalentes favoreciam as viagens, tanto por mar como por terra. Portanto, por ocasião da festa de Pentecoste, chegavam a Jerusalém representantes judeus e gentios vindos tanto da Judeia como de muitas outras nações, mais do que em qualquer outro período do ano.

Naquele dia, a descida do Espírito Santo, permitiu que os irmãos reunidos no cenáculo glorificassem a Deus em suas obras nas diversas línguas representadas pelos diversos povos que ali estavam (At 2.6-13).

Segundo Donald Stamps, haviam pessoas de lugares longínquos e distantes até 1625 quilômetros de Jerusalém.

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A descida do Espírito Santo sobre as vidas dos primeiros irmãos, proporcionou a eles, viver um nível mais excelente de espiritualidade e serviço ao Senhor. O mesmo Pedro que tempos atrás negou a Jesus por três vezes, agora prega intrepidamente o Evangelho da graça diante dos olhos dos principais dos judeus, destemidamente.

O batismo com o Espírito Santo não somente concede poder para testemunhar de Jesus como Senhor e Salvador, mas principalmente, aumenta a eficácia desse testemunho. Permite ao homem, testemunhar Cristo de forma literalmente poderosa.

O saudoso pastor Pentecostal, Emílio Conde diz que aquele dia, a vida de Deus veio à Igreja.

A experiência do Pentecoste (continua Conde), é a vida intensa de Deus manifestada na vida do homem, de uma forma real, poderosa, visível, capaz, impulsiva, ativa e transformadora!

Donald Gee afirma que tal experiência “torna tudo real dentro de nós”.

Ainda há aqueles que dividem a Bíblia em três dispensações relacionadas a Trindade. A dispensação do Pai, que abrangeu todo o Velho Testamento, a dispensação do Filho que se acha nos Evangelhos e termina na ascensão ao céu no capítulo 1 de Atos, e por último a dispensação do Espírito Santo que se iniciou exatamente no dia de Pentecostes e tem continuado através dos séculos e chegado até nós, terminando com a volta do Senhor. Óbvio que tais dispensações não ocultam a participação da Trindade em toda a história, seja da criação ou do próprio homem.

Encerro este tópico com parte do maravilhoso artigo sobre Pentecostes editado pela revista SEARA em abril de 1980.
“Pentecoste é a razão da qualidade e não da quantidade de cristãos; é a presença do som, do vento, do fogo e das línguas estranhas; é chicote contra Satanás; é açoite contra os demônios; é a nossa vitória contra o mundo, contra o Diabo, contra a carne; é a chegada do Filho; é a ordem do Pai; é a descida do Espírito.
Imaginar um cristianismo sem este poder, é como pensar num rio sem água, numa pomba sem asas, numa terra sem chuva e num céu sem estrelas. Amigo leitor, tens tu bebido da água que emana, dimana e promana da fonte cristalina? Tua vida tem sido incendiada, visitada, motivada e fortalecida pelo Espírito Santo? Tens tu vivido uma vida poderosa, cheia, frutífera e transbordante na presença do Senhor? Se a tua resposta for negativa, eis aqui a solução – PENTECOSTE!
Pentecoste é fogo chegando; é medo saindo; é coragem reinando; é a manifestação legítima do Espírito de Deus; é a chuva que cai, a seca que vai e a semente que fica; é corações incendiados pelo amor, pela paixão, pelo poder e pela verdade; é o Espírito guiando, lembrando, iluminando, dirigindo e convencendo; é a pomba pairando, a água descendo, o fogo queimando, o vento soprando, o azeite ungindo, o selo marcando, é a força do celeste no terrestre; do divino no humano; é o Espírito Santo batizando, renovando, purificando; é o dínamo; é o dinamismo em ação; é a dinamite de Deus; é o amor do pescador, o cuidado do semeador, a fluência do pregador, é poder de Deus, é fogo no altar, é o resultado de uma vida santificada, reconstruída, incendiada, queimada, lavada, redimida, purificada, ungida e cheia da glória de Jeová!”

Aleluia!

2.2 – Ele opera sinais

Quando Jesus disse que os discípulos receberiam PODER para testemunharem dele (At 8.1), precisamos invocar o conceito mais Pentecostal deste assunto, pois o termo “poder” no original vem do grego “dunamis” e é também a raiz das palavras traduzidas por “dínamo”, “dinamismo” e “dinamite”.

Dínamo porque é fonte de energia que emana do Espírito Santo para produzir vida!

Romanos 1:16
16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. (ARC)

Dinamismo porque na igreja, Deus manifesta seu poder através dos dons, milagres e muitas conversões. Ela é dinâmica porque prega enquanto adora a Deus e adora a Deus enquanto prega; cura os enfermos enquanto liberta outros de demônios; ela é missionária e envia missionários, tudo faz pelo poder do Espírito Santo!

1 Coríntios 1:18
18 Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. (ARC)

Dinamite, pois há uma força “explosiva” na mensagem do evangelho que implode os alicerces da alma do pecador! Bem disse Paulo:

1 Coríntios 2:4
4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder, (ARC)

Todo esse poder é oriundo do Espírito Santo e nenhum homem por si mesmo pode reproduzi-lo.

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Pedro ordenou ao coxo que se pusesse de pés e este o fez (At 3.6-8), registrando assim o primeiro sinal operado pelo Espírito Santo pelas mãos dos apóstolos.

Não somente os apóstolos, mas todos os servos de Deus, revestidos pelo poder do Espírito Santo, realizaram milagres (At 8.13).

Estevão, o primeiro diácono e também mártir da igreja, “cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.8)

Atos 8:5-7
5 E, descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo.
6 E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia,
7 pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. (ARC)

O texto acima ressalta, Filipe, a quem chamamos de evangelista, também realizando muitos sinais pelo poder do Espírito Santo. Este iniciou o ministério cheio do Espírito Santo (At 6.3,5), anunciava a Cristo cheio do Espírito Santo (At 6.10) e morreu cheio do Espírito Santo (At 7.55).

O poder do Espírito Santo na vida de alguém pode ser tão fenomenal que até mesmo a sua sombra pode curar; é o que subentendemos do texto de At 5.15.

Paulo na mesma experiência de poder do Espírito Santo, também realizou muitos milagres (At 19.11-12), mas destaco aqui a ressurreição do jovem Êutico registrado em (At 20.9-12). Este jovem adormeceu durante o longo sermão do apóstolo Paulo e caiu do terceiro andar vindo a óbito, no entanto, o apóstolo dos gentios, cheio do Espírito Santo, o abraçou e o levantou vivo, um verdadeiro milagre!

Na igreja primitiva, esses milagres autenticaram a mensagem profética e deram ao cristianismo um começo poderoso. E foi assim que os primitivos cristãos deram continuidade à missão de Cristo por meio do poder de seu Espírito. Tal poder deu autenticidade à mensagem do Evangelho na mesma proporção que os sinais operados por Cristo, deu veracidade a messianidade de Jesus.

Os milagres podem contribuir com a fé do espectador, além de tirar a dor e aliviar o sofrimento daqueles que são vítimas dos milagres operados pelos servos de Deus na unção do Espírito Santo.

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Hoje, muitos dizem que vivemos uma escassez de milagres e sinais, mas a causa está no fato de que a igreja não tem evangelizado como antes. Perceba que as páginas do livro de Atos, onde lemos as tantas maravilhas operadas pelas mãos dos apóstolos e discípulos, aconteceram quando estes anunciavam o Evangelho, isto é, quer ver sinais? Quer ver maravilhas? Quer ver Deus operar? Faça missões, evangelize, saia do comodismo, vá as ruas, as praças, vielas, hospitais, prisões e então voltará com muitas histórias miraculosas para contar!

2.3 – Ele separa e envia missionários

O Espírito Santo é o agenciador de missões. Ele é quem separa e envia os seus missionários (At 13.2). Esta passagem também corrobora para a afirmação de que o Espírito Santo é uma pessoa. Ele tem percepção, fala e toma decisões.

Atos 13:2
E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. (ARC)

Sobre o texto acima, Champlin comenta: Ver o trecho de Atos 15:28, onde se lê: “… pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…”, indica como as declarações espirituais eram mediadas e vinham através de instrumentos humanos. Este premente incidente, juntamente com muitos outros episódios registrados no N.T., mostram como os discípulos consideravam o Espírito Santo uma pessoa, e não uma mera influência, como alguém que andava bem perto deles, capaz de conduzi-los e disposto a isso.

A evangelização é um chamado universal e através do Espírito Santo, pessoas são designadas a desempenharem suas funções missionárias aqui ou ali.

Paulo exemplifica muito bem essa distinção que o Espírito Santo concede a cada um, quando afirma que a ele estava confiado o evangelho da incircuncisão e a Pedro, o evangelho da circuncisão (Gl 2.7). Paulo quis dizer apenas que ele foi chamado para pregar as Boas Novas de Cristo aos gentios (incircuncisos) e Pedro aos judeus (circuncisos), diferenciando o campo de atuação de cada um, no entanto, a mensagem e o Cristo eram os mesmos.

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Alguns pelo Espírito Santo deixam a família (pais e irmãos) para servirem a Deus em outras nações, outros realizam a mesma obra evangelizadora em seu próprio bairro. Para Deus, ambas as searas são importantes e serão recompensadas (I Co 3.8; 15.58).

Sempre penso que ninguém está isento do IDE de Jesus Cristo. As nossas ofertas e orações, não substituem o IDE de Jesus. Devemos orar, e contribuir financeiramente, mas de algum modo, também precisamos evangelizar, mesmo que seja o amigo no colégio, no trabalho, o vizinho do lado, enfim, a Grande Comissão ordenada por Cristo é o mandamento que todos devem acatar, tendo o valioso reforço do Espírito Santo para a execução e o mesmo é insubstituível!

Todos, indistintamente, temos trabalho pronto na seara do Senhor e o Espírito Santo é quem instiga ou estimula os homens (gênero humano) a este trabalho.

3 – PRINCIPAIS MISSIONÁRIOS

Os apóstolos de Jesus exerceram papel fundamental na liderança da igreja primitiva, no entanto, não fizeram a obra sozinhos, pois todos os discípulos estavam engajados na tarefa de levar as Boas Novas, pois o Espírito Santo os impulsionavam.

Estevão é o primeiro relato oficial de morte por causa do Evangelho, logo, ele é o pioneiro dos mártires do Cristianismo, porém, todos os demais apóstolos e outros tantos discípulos morreram pelo viés do martírio. Alguns foram crucificados semelhante a Jesus, outros foram mortos ao fio da espada (At 12.2), outros decapitados, comidos por feras, queimados, esquartejados, fritados em óleo fervente, muitas vezes foram brutalizados estando distantes de sua terra natal e de seus familiares.

Podemos imaginar a dor e o sofrimento que tenham passado, no entanto, nada pode se comparar ao encanto de instantes antes da morte ver o Senhor a entrada do céu os aguardando em glória (At 7.55-56).

Atentaremos para os dois principais personagens do livro de Atos…

3.1 – O apóstolo Pedro

McBirnie enxerga assim as características gerais do líder dos discípulos:
Por vezes, durante os primeiros dias da Igreja, Pedro pôs-se na vanguarda dos apóstolos, falando como seu porta-voz. Embora mais tarde eclipsado em notoriedade por Paulo, Pedro permaneceu firme na afeição da Igreja primitiva como o primeiro dentre os mais notáveis cristãos. (…)
Sob os ensinos, os exemplos e o treinamento de Cristo, o caráter impulsivo desse galileu foi sendo gradativamente subjugado até, finalmente, após o Pentecostes, tornar-se a própria personificação da fidelidade a Cristo.
Havia, entretanto, um fator remidor no caráter de Pedro: sua aguda sensibilidade ao pecado. Em seu espírito, ele se mostrou extremamente sensível e melindroso nesse particular. Foi ele quem disse: Senhor, retira-te de mim; porque sou pecador’ (Lc 5.8). Pedro pecou tão gravemente quanto Judas. Se este vendeu Jesus, aquele imprecou contra seu Senhor. Não há, pois, diferença essencial nisso, exceto pelo fato de que Pedro se arrependeu e Judas não.”

Dentre todos os apóstolos apresentados no Novo Testamento, Pedro é – ao lado de Paulo – aquele sobre quem mais relatos dispomos.

Se os Evangelhos deixam alguma dúvida acerca do senso de liderança apostólica de Pedro, o mesmo não se pode dizer do texto de Atos. Ali, desde os primeiros versículos, Pedro emerge como um dos campeões da causa cristã, destacando-se dos demais líderes da Igreja primitiva, ainda predominantemente judaica.

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Longe de suas constantes e prejudiciais variações emocionais, o discípulo retratado em Atos apresenta-se, basicamente, como um líder cristão seguro em suas decisões ministeriais, teologicamente bem fundamentado e frequentemente disposto a sofrer os danos mais penosos pela causa do Evangelho de Cristo (como de fato sofreu desde o início de sua atuação apostólica).

William Coleman, comenta a nova fase do discípulo:
“Sejam quais forem os problemas que Pedro tenha enfrentado como discípulo, ele brilha como couraça nova no livro de Atos. No decorrer dos doze primeiros capítulos ele é, indiscutivelmente, o personagem principal na Igreja cristã. Como parteira que atendeu ao nascimento da Igreja, Pedro é responsável pelo parto seguro do cristianismo, pelo aroma saudável e pelas vestes quentes. Ela chegou com faces robustas e um grito tranquilizador. O pescador encarregou-se dessa parte.”

O Espírito Santo fez muito bem ao apóstolo Paulo no dia de Pentecostes, pois é dele o sermão mais primitivo da igreja que ao terminar, quase 3000 mil almas se renderam ao Senhor (At 2.14-41). É também dele o milagre mais primitivo da igreja, quando olhando para o coxo a porta do Templo Formosa, ordenou que se levantasse e andasse em nome de Jesus Cristo o Nazareno! (At 3.6) Aleluia!

A liderança do passado, era desprovida de qualquer riqueza material, porém, não havia enfermidades (At 5.16), mentiras (At 5.1-11) que resistissem ao poder emanado do Espírito Santo na vida de cada um deles!

Atualmente a preocupação das lideranças não se restringe a serem cheios do Espírito Santo, a dedicar-se a Palavra e a oração (At 6.2), com finalidade de ganhar almas, mas se preocupam com as inúmeras atividades administrativas, sociais e políticas que minam e tiram o foco do objetivo principal. O interesse é mais financeiro que espiritual e assim fica cada vez mais difícil dizer ao paralítico para que se levante, pois, suas visões estão ofuscadas pelo brilho de tanto ouro e prata adquiridos!

Vejamos outros acontecimentos primários na vida da igreja através de Pedro:

1. É Pedro, junto com João quem inaugura os cárceres por causa da pregação do Evangelho (At 4.3);

2. É através de Pedro que temos o primeiro apontamento de algo sobrenatural ocorrendo no seio da igreja – onde acha-se que até a sua sombra produzia cura (subentendido -At 5.15);

3. É também Pedro quem vai a Samaria apurar o trabalho dos primeiros missionários que por lá passaram (At 8.14-17,25);

4. É pelas orações de Pedro que temos o registro da primeira ressurreição contabilizada na conta da igreja (At 9.36-41);

5. É através dele que o Senhor revelou explicitamente a necessidade de anunciar a mensagem da salvação para os gentios (At 10.9-48);

6. É também Pedro o protagonista de uma das maiores maravilhas operados por Deus na história da igreja primitiva, quando o Senhor envia um anjo para soltá-lo da prisão (At 12.7-10).

7. Por fim, Pedro foi reconhecido como uma das colunas da igreja primitiva (Gl 2.9).

Em todo o momento, Pedro desfrutou da companhia e contou com o providente poder do Espírito Santo, herdado no dia de Pentecostes. Por isso também encontramos escrito que esta comunidade cristã do primeiro século alvoroçou o seu mundo.

Este Pedro tão inflamado pelo fogo pentecostal foi morto por causa do Evangelho.

Aramis C. DeBarros diz que várias tradições dão conta de que o apóstolo foi aprisionado por algum tempo na terrível masmorra de Mamertina, uma das mais abjetas construções concebidas pela bestialidade de Roma. Ali, segundo historiadores, centenas de prisioneiros perderam suas vidas sob as mais desumanas e execráveis condições já imaginadas. Conta a lenda que, nesse poço mortal, onde inúmeros cristãos conheceram o martírio, Pedro sobreviveu miraculosamente por cerca de nove meses.

George Jowett acrescenta: “Como Pedro pode sobreviver àqueles nove longos e terríveis meses, é algo que vai além da imaginação humana. Durante todo seu encarceramento, ele esteve algemado em posição vertical e acorrentado a uma coluna, o que o tornava incapaz de deitar-se para repousar. Ainda assim, esse espírito magnífico permaneceu intrépido e cheio de fervor imortal na proclamação da glória de Deus em Seu Filho Jesus Cristo. A história nos conta que, a despeito de todo sofrimento ao qual estava sujeito, Pedro converteu ali seus carcereiros Processus e Martinianus, além de outros quarenta e sete prisioneiros.”

DeBarros ainda diz que escrevendo sua primeira epístola aos Coríntios (cap. V), em fins do primeiro século, Clemente de Roma, ao citar o martírio de Pedro, endossa a ideia de que o velho apóstolo foi submetido a um período de sofrimento, anteriormente a sua tradicional execução por crucificação.

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A tradição informa que Nero, o cruel e o mais selvagem imperador romano foi quem ordenou a morte de Pedro por crucificação e este pediu para que fosse crucificado de cabeça para baixo, por se achar indigno de morrer como o seu Mestre Jesus.

Diante do sofrimento que se aproximava, o apóstolo teria serenamente exclamado:
“Ó cruz, tu que és mistério oculto! Ó graça inefável que é pronunciada em o nome da cruz! Oh natureza humana, que não pode permanecer separada de Deus! Oh doce comunhão, indizível e inseparável, que não pode ser manifestada por lábios impuros! Apodero-me de ti, agora que estou ao fim de minha jornada. Declararei aquilo que tu és, e não manterei silêncio diante do mistério da cruz, o qual desde muito foi coberto e oculto da minh’alma.
Não permitais, ó vós que esperais em Cristo, que a cruz vos seja aquilo que parece. Pelo que, é algo distinto daquilo que aparenta ser; ela é a própria paixão conforme experimentada por Cristo.”

3.2 – O Apóstolo Paulo

Acredita-se que Paulo tenha nascido no ano I da era cristã. O matador de cristãos se converteu ao cristianismo para se tornar o mais proeminente pregador, missionário, escritor e organizador das doutrinas cristãs!

De forma gradual, o livro de Atos vai tirando o holofote do ministério do apóstolo Pedro e transferindo para o mais novo e último apóstolo “nomenclaturado” do Novo Testamento – Paulo!

Atos 9:17-18
17 E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.
18 E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado. (ARC)

Desde a sua conversão, Paulo foi um homem cheio do Espírito Santo. Através da imposição das mãos de Ananias, ele recebeu a plenitude do Espírito Santo.

Paulo se notabilizou pela profunda dedicação e amor pelas almas.
Durante o seu ministério, percorreu milhares de quilômetros anunciando a Cristo em suas três principais viagens missionárias;

Paulo foi o mais perseguido dos apóstolos, sofreu açoites, prisões, naufrágio, muitas vezes sofreu perigo de morte, foi apedrejado, passou frio, fome, sede, nudez, padeceu na mão dos gentios e dos falsos irmãos (II Co 11.24-27).
A lista de aflições e dissabores é extensa, no entanto, este abnegado servo do Senhor foi capaz de se expressar assim:

2 Coríntios 12:15
15 Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado. (ARC)

A disposição e a força que motivava este homem a continuar, mesmo diante de tantos reveses, provinha do Espírito Santo. Ele é a nossa força.

Enquanto muitos estão desistindo do rebanho, escolhendo a quem apascentar, excluindo aquelas ovelhas mais difíceis do redil, Paulo pelo Espírito Santo de Deus, decidiu consumir a sua vida em amor por todos, mesmo não sendo amado e muitas vezes ter recebido o destrato dos outros.

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Paulo revelou muitas facetas durante seu ministério. Às vezes ele se acomodava e exercia o pastorado por alguns anos. Outras vezes ele era um escritor que se dedicava extensamente à tarefa, em outras parava para produzir redes e não ser pesado aos irmãos, outras vezes estava embrenhado nas viagens missionárias com o afã de abrir novas comunidades cristãs. Paulo não descansava, por isso se gastava e se deixava gastar pelas almas!

Paulo foi o apóstolo cuja mensagem estava direcionada para os povos de cultura greco-romana, portanto os gentios (Rm 11.13; II Tm 1.11).

Daniel Conegero, líder do projeto Estilo Adoração, nos traz importante contribuição sobre a obra missionária do apóstolo Paulo. Ele diz que o trabalho evangelístico do Apóstolo Paulo abrangeu um período de cerca de dez anos, acontecendo principalmente em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia.

Paulo concentrava-se nas cidades-chave, isto é, nos maiores centros populacionais, pois quando alguns judeus e gentios aceitavam a mensagem do Evangelho, logo se tornavam o núcleo de uma nova comunidade local. Assim, Paulo alcançou até mesmo as áreas rurais. Podemos resumir a estratégia missionária usada pelo Apóstolo Paulo da seguinte forma:

1. Ele trabalhava nos grandes centros urbanos, para que dali a mensagem se propagasse nas regiões circunvizinhas.

2. Pregava nas sinagogas, a fim de alcançar judeus e prosélitos gentios.

3. Focava sua pregação na comprovação de que a nova dispensação é o cumprimento das profecias da antiga dispensação.

4. Percebia as características culturais e as necessidades dos ouvintes de modo que as aplicava na mensagem evangélica.

5. Mantinha o contato com as comunidades cristãs estabelecidas por meio da repetição de visitas e envio de cartas e mensageiros de confiança.

6. Estava atento as desigualdades presentes na sociedade da época, e promovia a unidade entre ricos e pobres, gentios e judeus, além de solicitar que as igrejas mais prósperas auxiliassem os mais pobres.
https://estiloadoracao.com/historia-do-apostolo-paulo/

Os historiadores afirmam que além do registro das viagens missionárias de Paulo em Atos, ele também cumpriu o propósito de subir até as regiões da Espanha (Rm 15.24) e ali também anunciou o evangelho.

Ao fim do seu ministério, Paulo se achava preso em Roma e já estava ciente da sua preeminente morte quando escreveu a Timóteo: “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (II Tm 4:6-8).

Eusébio de Cesareia retratou assim o martírio de Paulo em Roma, sob a crueldade de Nero:
“Assim, Nero, publicamente apresentando-se como principal inimigo de Deus, prosseguiu em sua fúria para massacrar os apóstolos. Paulo é citado como tendo sido decapitado em Roma, e Pedro crucificado próximo dele. Este relato é confirmado pelo fato de os nomes de Pedro e Paulo permanecerem no cemitério daquela cidade até os dias de hoje.”

Seu ministério foi intenso e seu legado perdura para sempre, alcançando os nossos dias…

3.3 – Outros apóstolos

Tanto Pedro como Paulo, nos deixaram um patrimônio missionário transmitido pelas suas vidas e obras tão duradouro quanto a eternidade.

A mesma Bíblia ainda irá nos alegrar com o testemunho de outros homens que em semelhança de Paulo e Pedro, também deixaram um lastro de dedicação ao evangelho e a obra de Deus.

Barnabé, cujo nome significa “Filho do Profeta”, “Filho do Descanso” ou o termo mais utilizado: “Filho da Consolação” foi fiel amigo e companheiro do apóstolo Paulo.

Barnabé se destacou pelo ministério da reconciliação.

Foi ele que sob os olhares desconfiados da igreja de Jerusalém (At 9.26), acreditou totalmente na sincera conversão (At 9.27-28) do até então perseguidor da igreja (At 8.13; 9.1-2; 26.9-11; Gl 1.13). Foi ele que após a discussão com Paulo acerca da deserção de João Marcos, decidiu ficar com o segundo por ser o mais fraco e imaturo (At 15.36-39); Barnabé o preparou ministerialmente para depois o apóstolo Paulo tornar a achá-lo útil na obra novamente (II Tm 4.11).

Outros que também tiveram os seus nomes relacionados ao de Paulo, foram Tito e Timóteo, a quem foram pessoas de sua extremada confiança. Tito foi companheiro (II Co 8.23) e consolação de Paulo em dias de angustia (II Co 7.6), trazia notícias das igrejas fundadas por Paulo (At 19.30 a 20.1; II Co 2.12-13; 7.5-10,13), foi companheiro de viagem (Gl 2.1);
A Timóteo, Paulo confiou o ensino as igrejas (I Co 4.17; 16.10);
Tito se destacou pela fidelidade e Timóteo pela fé!

Esses homens certamente já escreveram os seus nomes na história missionária da igreja, pois se deixaram envolver pelo Espírito Santo e por Ele foram guiados. Desempenharam grande obra que honrou ao nome do Senhor ganhando almas para o Reino de Deus.

Suas vidas foram imitadas através dos tempos e outros foram inflamados pela mesma chama até que o Evangelho chegasse aos nossos dias (At 5.34-39).

Urge a responsabilidade da igreja contemporânea sacudir a bandeira missionária de nossos pais e assim escrever uma bela história de evangelização para a nossa geração!

CONCLUSÃO

A maior história missionária está diante de nós e a igreja hodierna precisa agir.

O auxiliador e capacitador da obra missionária reveste a quem lhe pedir, logo, não há desculpas a serem apresentadas, mas vidas dispostas a serem preenchidas de poder, poder pentecostal!

Não espere, se levante, se prontifique, faça como Isaías, após ter os lábios tocado por uma brasa viva tirada do altar de Deus e assim expressou: “EIS-ME AQUI, ENVIA-ME A MIM” (Is 6.8)!!!

O fogo continua vivo procurando não somente lábios, mas vidas inteiras para encher, preencher e fazer transbordar do único poder capaz de nos fazer testemunhas convincentes, persuasivas e altamente produtivas no Reino de Deus.

Nos classificados de Deus, precisa-se de missionários porque grande é a seara e poucos os ceifeiros.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada / NVI;
Dicionário da língua portuguesa;
Evangelho de Lucas – Comentário Esperança – Fritz Rienecker – Editora Evangélica Esperança;
Dicionário Bíblico Strong – James Strong – Sociedade Bíblica do Brasil;
Homilética completa do Pregador – Comentário de Atos dos Apóstolos – Vários autores;
Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD;
Pentecostes para todos – Emílio Conde – CPAD;
Comentário NT – Norman Champlin – Editora Hagnos;
Doze Cristãos Intrépidos – William Coleman – Editora Vida;
Doze homens e uma missão – Aramis C. DeBarros – Editora Luz e Vida;
Site da internet mencionado quando citado no texto;
Todos os direitos de imagens são de seus respectivos proprietários;

Por Cláudio Roberto


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