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Betel Adultos – 3º Trimestre de 2017 – 20/08/2017 – Lição 8: Jesus, o missionário excelente

15/08/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

João 12:46
46 Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

João 1:1-5,12
1 No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;
5 e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
12 Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, (ARC)

INTRODUÇÃO

A paz do Senhor a todos!

A lição desta semana (Jesus, o missionário excelente), abordará o tema deste trimestre (Evangelismo, Missões e Discipulado) apresentando Jesus sob a perspectiva do evangelho de João, o qual nos revela a Cristo, como o Filho de Deus, submisso ao plano redentor de vir ao mundo e resgatar o homem.

A plenitude dos tempos (Gl 4.4), veio revelar o grande amor de Deus encarnado em seu Filho unigênito (Jo 3.16) tendo como missão, assumir a culpa de todos os pecadores e assim salvar a humanidade, justificando todas as pessoas que atentarem pela fé no sacrifício pelo qual padeceu.

Todos pecaram, exceto Ele, todos estavam destituídos da glória de Deus, exceto Ele, assim, Ele se fez justo e justificador dos que creem (Rm 3.21-26).

1 – A EXCELÊNCIA DO MISSIONÁRIO

Vamos definir o termo apóstolo. Segundo o dicionário de James Strong, “apóstolo” vem da palavra grega αποστολος e pode ser compreendida como:

1) um delegado, mensageiro, alguém enviado com ordens;

     1a) especificamente aplicado aos doze apóstolos de Cristo;

1b) num sentido mais amplo aplicado a outros mestres cristãos eminentes;

     1b1) Barnabé (At 14.4);

     1b2) Timóteo e Silvano (I Ts 1.1; II Ts 1.1).

Não iremos entrar na controvérsia que atualmente existe em torno do termo “apóstolo”, no entanto vale ressaltar que na Bíblia, o seu uso mais amplo, designa cristãos primitivos de grande influência, fora dos doze (At 14.4).

Nela iremos encontrar tal palavra atribuída tão somente aos seguintes servos de Deus:

1. A Paulo (diversas vezes, como exemplo: Rm 1.1; I Co 1.1; II Co 1.1; Gl 1.1; Ef 1.1; Cl 1.1; I Tm 1.1; II Tm 1.1; Tt 1.1);

2. A Pedro (I Pe 1.1; II Pe 1.1);

3. Bem como a Barnabé (At 14.4);

4. E talvez a Timóteo e Silvano (I Ts 1.1; II Ts 1.1);

5. Além do próprio Jesus (Hb 3.1), o apóstolo mais excelente!

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Abro um parêntese aqui…. Perceba que é perceptível o hábito de antes de entrarem no assunto de suas cartas, tais homens se apresentavam com a identificação de quem eram e depois do que eram, ou seja, expunham primeiramente o nome e depois o chamado ou sua vocação ministerial; quando em algumas ocasiões, simplesmente omitiam o chamado ministerial.

Bem diferente de hoje, que primeiro fazem questão de destacar o chamado ou o cargo ministerial e só depois, o nome. Como bem disse o pastor Eliseu Rodrigues, o caráter deve vir sempre antes das obras ou da vocação!

Hebreus 3:1
1 Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, (ARC)

Considerando o significado principal e básico da palavra “apóstolo”, isto é, “enviado”, Jesus Cristo, como retratado no livro de Hebreus, é o apóstolo e sumo sacerdote superior a Moisés.

Champlin afirma que acima de todos os “enviados” por Deus aparece o Filho, que é divino e preexistente, que se encarnou e que, tendo sido glorificado, se tornou o nosso Sumo Sacerdote. Na pessoa de Cristo é que temos, supremamente, a mensagem de Deus. Moisés foi alguém “enviado” (apóstolo), que cumpriu importante tarefa. Mas Cristo é muitíssimo superior a Moisés, dotado de mensagem muito mais elevada e de comissão muito mais importante. Seria ridículo dar fixa atenção ao enviado menor, e não dar ouvidos ao maior, que é Cristo, ou não dedicar a vida ao Apóstolo supremo.

Encontramos aqui a única menção da palavra “apóstolo” no tocante a Cristo.  O contraste entre Cristo e Moisés, mostra-nos que ambos foram “enviados” por Deus.

Jesus não é um mero enviado, mas um embaixador ou representante investido de autoridade, podendo falar em nome da Pessoa que o despachara.

Moisés foi enviado para tirar Israel do Egito e introduzi-lo na terra de Canaã, mas Cristo conduz o seu povo desde o deserto deste mundo até às esferas celestiais.

1.1 – Jesus, a Palavra eterna

João escreve esse livro para enfatizar a verdade incontroversa de que o Filho de Deus, o verbo eterno, se fez carne e veio habitar entre nós. O propósito de João, foi deixar claro que Jesus é o Filho de Deus e levar os seus leitores a uma confiança inabalável nele, como condição indispensável para a vida eterna.

Para isso, João começa revelando a deidade de Cristo, quando afirma “No princípio, era o Verbo” (Jo 1.1a).

O vocábulo “Verbo” é a tradução do grego “Logos”.
“Logos” revela o Ser cuja existência excede o tempo. É a preexistência do Filho de Deus, sendo Ele, portanto, eterno, sem princípio e nem fim de dias, portanto sem genealogia (Hb 7.1-3)!

Myer Pearlman revela que Cristo é a Palavra ou Verbo, porque por meio dEle, Deus revelou sua atividade, sua vontade e propósito, e por meio dEle tem contato com o mundo. Nós nos expressamos por meio de palavras; o eterno Deus se expressa a si mesmo por meio do seu Filho, o qual “é a expressa imagem da sua pessoa” (Heb. 1:3).

David Stern afirma que “no pensamento filosófico grego, “logos” era usado em relação ao princípio racional ou a mente que regia o universo. No pensamento hebraico, o Verbo de Deus era sua auto expressão ativa, a revelação de si mesmo para a humanidade através da qual não só recebe a verdade a respeito de Deus, mas se encontra com Deus face a face (… estava com Deus).

Enquanto Gênesis 1.1 registra o ato criativo de Deus, João 1.1 revela o Verbo que existiu antes da criação.

A expressão “no princípio era o verbo”, João está se referindo ao “logos”, Verbo. Ele recua toda a história da humanidade até a eternidade, antes do princípio de todas as coisas e posteriormente avança até onde tudo começou em Gn 1.1, revelando que o Verbo já existia.

Ele existia antes que a matéria fosse criada, Ele é antes do tempo. Isaías se referiu a Jesus como sendo o Pai da Eternidade (Is 6.9).

Jesus, o “logos”, não era um ser criado como ensinou Ário, o herético do século IV e como ensinam hoje as testemunhas de Jeová.

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Outro importante ponto acerca da Eternidade de Cristo está na expressão: “era o verbo”. (Jo 1.1a) O texto não diz que o Verbo foi feito, mas que o Verbo já era, ou seja, já existia. Tanto a palavra “princípio” como a palavra “era” são duas âncoras que mantêm firmes o navio da alma humana diante das tempestades de heresias que se opõe a eternidade de Jesus.

Jesus, é Divino, Jesus é Deus “e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus (Jo 1.1b), não foi criado, mas é Eterno, é preexistente (Sl 90.2-3; Hb 13.8)!!

Não estava presente quando planejaram o plano da redenção, mas também se tornou o protagonista. Jesus, é o Verbo encarnado “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14) propositalmente para redimir os homens de seus pecados e reconciliá-los com Deus, a fim de que tenham vida eterna em seu nome (Jo 5.34).

Pastor Eliel Goulart, comentarista deste blog das lições da CPAD, Classe Adultos, expõe interessante comparação entre Cristo e as Escrituras, ambos chamados de a Palavra:

A – Ambos são conhecidos como a Palavra de Deus

  1. Um deles é a Palavra escrita – Êxodo 31.18 – “E deu a Moisés ( quando acabou de falar com ele no monte Sinai ) as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.”
  2. O outro é a Palavra viva – João 1.14 – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”

B – Ambos são eternos

  1. As Escrituras – I Pedro 1.23 – “…pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.”
  2. O Salvador – Hebreus 13.8 – “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.”

C – Ambos vieram do céu

  1. As Escrituras – Salmo 119.89 – “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.”
  2. O Salvador – João 3.13 – “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.”

Cristo em seu ministério de reconciliação atuou de forma prática em demonstrar ao homem perdido que Ele mesmo é o caminho que conduz ao Pai (Jo 14.6).

1.2 – Jesus, a vida

João 1:3
3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. (ARC)

A afirmação acima é contundente, pontiaguda e determinante – Jesus é também Criador, não só isso, mas também a causa de tudo vir a existir!

O Verbo não é parte da criação. Willian Barclay tem razão ao dizer que o Verbo não é uma parte do mundo que começou a existir no tempo; o Verbo é o agente divino na criação do universo. Foi ele que trouxe a existência as coisas que não existiam.

Quando Deus disse: “Haja luz e houve luz” (Gn 1.3), o Verbo foi a palavra criadora de Deus.
Por meio do Verbo tantas as coisas visíveis como as invisíveis foram criadas, tanto as terrenas como as celestiais.

Colossenses 1:16
16 porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. (ARC)

F.F. Bruce diz com muita propriedade que Deus Pai é o criador e o Verbo o agente da criação. O Verbo é aquele que tem a procuração e é o responsável para criar.

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Cito novamente o pastor Eliel Goulart…. A Palavra de Deus apresenta o Seu trabalho na criação:

1 – Ele a sustenta – Hebreus 1.3 – “…sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder…”;

2 – Ele a conserva – Colossenses 1.17 – “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”;

3 – Ele faz existir – Apocalipse 4.11 – “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.”;

4 – Ele produz vida nela – Salmo 104.14 – “Ele faz crescer a erva para os animais e a verdura, para o serviço do homem, para que tire da terra o alimento.”.

Deus é tanto ativo na origem quanto na conservação do universo. Ele é a causa de sua criação e a causa de sua preservação.

Deus é o:

( 1 ) Criador – ( 2 ) – Benfeitor – ( 3 ) Sustentador – ( 4 ) – Provedor – ( 5 ) – Doador da Vida.

Colossenses 1:17
17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. (ARC)

J. Spence assim comentou Colossenses 1.17:
“Todas as coisas estão juntas Nele como a esfera condicional e a causa da sua existência contínua. Nele, eles vivem, se movem e tem seu ser. Nele sustenta-se o universo.
Quão maravilhosa é a glória e o poder do Filho de Deus!
Sem Ele o sol não brilharia, e nem as estações teriam seus ciclos. Sem Ele a chuva não desceria, nem os rios correria, nem as árvores cresceriam, nem os oceanos fluiriam. Seu poder é necessário para o verão e o inverno. Para a semente, e para o tempo e a colheita. Para a terra e para o céu. Ele sustenta todas as coisas pela Palavra de Seu poder. Sem Ele a criação entraria em colapso. Todos os lugares da imensidão, todos os conteúdos de vida, força e movimento, dependem Dele.
O intelecto dos anjos reflete Sua luz. O fogo dos serafins é o brilho de Seu amor. A vida que temos é evidência de Seus benefícios e poder. Nele temos a redenção.
Que sublimidade Ele derrama sobre o Evangelho! Que riqueza moral o Seu Evangelho abrange a humanidade.
Quão alto deve ser a nossa adoração! Quão forte deve ser a nossa confiança! Quão ardente deve ser o nosso amor! Quão completa deve ser a nossa submissão!”

1.3 – Jesus, a luz do mundo

O mundo tornou-se escurecido pelo pecado e desta forma, toda a humanidade jaz em densas trevas.

Isaías 59:9-10
9 Por isso, o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão.
10 Apalpamos as paredes como cegos; sim, como os que não têm olhos, andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas e nos lugares escuros somos como mortos. (ARC)

Isaías viu o estado espiritual do seu povo Israel, mas sem qualquer problema exegético, podemos ampliá-lo ao estado de todo o mundo. Isaías viu a humanidade cega, apalpando as paredes, tropeçando sendo dia porque na verdade caminhavam carregados de trevas!

O pecado era tão grande que causou separação entre os homens e Deus (Is 59.2-3). Os homens de um lado e Deus no caminho, no entanto, a escuridão provocada pelo pecado era tão forte que os impediam de ver ao Senhor que estava tão próximo com a mão estendida para salvá-los (Is 59.1).

No capítulo seguinte, Isaías antevê a vinda do Messias pelo que exclama:

Isaías 60:1-3
1 Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti.
2 Porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti o SENHOR virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti.
3 E as nações caminharão à tua luz, e os reis, ao resplendor que te nasceu. (ARC)

O estado de trevas seria temporal, ou seja, até a manifestação do Messias. Jesus é a luz prometida que dissiparia as trevas do pecado do coração contaminado de todos os homens.

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Na ocasião de sua primeira vinda, Mateus parafraseou Isaías 42.7 ao afirmar: “o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou” (Mt 4:16).

As trevas só permanecem até que haja manifestado a luz. Cristo, o Filho de Deus é também a luz do mundo – “… Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12).

Jesus estava no templo quando fez a declaração acima.

Carson diz que a metáfora da luz está impregnada de alusões ao Antigo Testamento. A glória da própria presença de Deus na nuvem conduziu o povo para a terra prometida (Ex 13.21,22) e o protegeu daqueles que o destruiriam (Êx 14.19-25). Os israelitas foram treinados para cantar: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação” (SI 27.1). A Palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (SI 119.105). A luz de Deus é irradiada nas outras nações em revelação (Ez 1.4) e salvação (Hc 3.3,4). A luz é o próprio Deus em ação (SI 44.3).

F. F. Bruce diz que, no Antigo Testamento, Deus é a luz do seu povo (SI 27.1); na luz da sua presença, eles encontram graça e paz (Nm 6.24-26). O servo do Senhor é nomeado luz das nações, para que a salvação de Deus alcance até os limites da terra (Is 49.6). A Palavra ou lei de Deus também é chamada de luz que orienta o caminho dos obedientes (SI 119.105).

Diante do exposto acima, Jesus, o Filho do Pai, o servo do Senhor, o Verbo encarnado, personifica essa linguagem do Antigo Testamento.

Hernandes Dias Lopes irá observar que Jesus é a luz do mundo. Sem Jesus, o mundo está mergulhado em densas trevas. Sem Jesus, prevalece a ignorância espiritual. Sem Jesus, as pessoas estão cegas e não sabem para onde vão. Sem Jesus, as pessoas estão perdidas, confusas e sem rumo. Sem Jesus, as pessoas caminham para as trevas eternas.

William Hendriksen diz que Jesus é a luz do mundo, o que significa que, para os ignorantes, ele proclama sabedoria; para o impuro, santidade; e para os dominados pela tristeza, alegria!

Jesus é categórico em afirmar que aqueles que o seguem não andarão em trevas, mas terão a luz da vida (Jo 8.12). A vida com Jesus é uma jornada na luz da verdade, na luz da santidade e na luz da mais completa felicidade.

William Barclay diz que a palavra grega akolouthein, traduzida aqui por “seguir”, tem cinco significados:

1) um soldado que segue seu capitão;

2) o escravo que acompanha seu senhor;

3) a aceitação de uma opinião, veredito ou juízo de um conselheiro sábio;

4) a obediência às leis de uma cidade ou Estado;

5) alguém que segue a linha de argumentação de um mestre.

Portanto, necessitamos de sabedoria do céu para seguir o caminho na terra. A pessoa que tem um guia seguro e um mapa correto chegará, sem dúvida, a seu destino sã e salva. Jesus Cristo é esse guia; ele é o único que possui o mapa da vida. Segui-lo significa transitar a salvo pela vida e depois entrar na glória.

2 – A EXCELÊNCIA DA MISSÃO

Todos nós já ouvimos alguém fora de Cristo se expressar dizendo que “todos os caminhos levam a Deus” ou que “Deus está em todas as religiões”. Pode até soar bonito e democrático e politicamente correto, mas é uma das maiores mentiras que Satanás plantou no coração do homem.

Desde o princípio, ele usa o nome de Deus para dar peso as suas afirmações e assim, atrair o homem ao pecado “e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5).

No passado, Salomão alertou “que há caminho que para o homem parece direito, mas o fim dele são caminhos da morte” (Pv 14.12; 16.25), mas são nas palavras de Jesus que encontramos a suficiência desta mensagem, pois ele veio para desfazer as obras do diabo – todas elas! (I Jo 3.8).

Jesus primeiro afirmou ser Ele, o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

Jesus utiliza os artigos definidos “o” e “a” e não um artigo indefinido “um” e “uma”, eliminando a existência de outro caminho ou qualquer outra vereda que possa parecer a verdade, conduzir a Deus ou a vida eterna. Até mesmo gramaticalmente, a Palavra é perfeita!

Jesus é passagem obrigatória para todos os homens virem a Deus, pois Ele é também a porta das ovelhas (Jo 10.7,9).

2.1 – Jesus, o Verbo que se fez carne

João 1:14
14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. (ARC)

Para Strong, a palavra “carne” no texto vem do grego “sarx” e tem como significados:

1) carne (substância terna do corpo vivo, que cobre os ossos e é permeada com sangue) tanto de seres humanos como de animais;

2) corpo;

     2a) corpo de uma pessoa;

     2b) usado da origem natural ou física, geração ou afinidade;

          2b1) nascido por geração natural.

Portanto quando Jesus se fez carne, ele assumiu uma natureza humana, com todas as limitações que nós possuímos.

Strong ainda afirma que o significado da palavra “habitou” no texto acima vem da palavra grega σκηνοω ou “skenoo” e quer dizer:

1) fixar o tabernáculo, ter o tabernáculo, permanecer (ou viver) num tabernáculo (ou tenda);

2) residir.

Por um período de 33 anos e meio, Jesus, deixou o seu corpo de glória e se vestiu de um corpo humano, sensível, frágil, magoável, débil e vulnerável. O Deus que é espírito, se fez carne e tornou-se como a mim e a você, exceto no pecado original (Sl 14.1-3; Rm 3.10,23; 5.12).

Uma vez encarnado, Jesus está em harmonia com o plano original da Missio Dei (Missão de Deus) em resgatar o homem do seu estado pecaminoso, pois a promessa de que viria o Salvador da semente da mulher se torna real (Gn 3.15).

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“E o Verbo se fez carne…” Não se limitou a ter um corpo. Ele é uma personalidade. Assumiu a nossa natureza com todas as limitações que dela decorrem. “Grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne…” I Tm 3.16.

A sua encarnação, obviamente o tornou humano. O Filho de Deus veio ao mundo para ser o Revelador de Deus. Ele afirmou que as suas obras e suas palavras eram guiadas por Deus (João 5:19, 20; 10:38); sua própria obra evangelizadora foi uma revelação do coração do Pai celestial, e aqueles que criticaram sua obra entre os pecadores demonstraram assim sua falta de harmonia com o espírito do céu (Lc 15:1-7).

Myer Pearlman afirma que Ele tomou sobre si nossa natureza humana para glorificá-la e desta maneira adaptá-la a um destino celestial. Por conseguinte, formou um modelo, por assim dizer, pelo qual a natureza humana poderia ser feita à semelhança divina. Ele, o Filho de Deus, se fez Filho do homem, para que os filhos dos homens pudessem ser feitos filhos de Deus (João 1:2), e um dia serem semelhantes a ele (1 João 3:2); até os corpos dos homens serão “conforme o seu corpo glorioso” (Fil. 3:21). “O primeiro homem (Adão), da terra, é terreno: o segundo homem, o Senhor é do céu” (1Cor. 15:47); e assim, “como trouxemos a imagem do terreno (vide Gên. 5:3), assim traremos também a imagem do celestial” (verso 1Cor. 15:49), porque “o último Adão foi feito em espírito vivificante” (1 Cor. 15:45).

Logo, Jesus possuía ambas as naturezas. Por ser concebido pelo Espírito Santo (Lc 1.35), possuía a natureza Divina e por ter nascido de mulher e ter um corpo humano, possuía a natureza humana (Lc 1.31).

I Timóteo 2.5
5Jesus Cristo, homem. (ARC)

I João 5.20
20 Em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. (ARC)

Desta forma podemos dispor a famosa relação de comparações sobre a humanidade e a divindade de Cristo:

1 – Como homem Ele não tinha onde reclinar a cabeça – Mt 8.20. Como Deus, Ele foi preparar-nos lugar – “Pois vou preparar-vos lugar.” – Jo 14.2;

2 – Como homem Ele sentiu sede – Jo 19.28 – como Deus Ele exclamou: “Se alguém tem sede, que venha a mim e beba.” – Jo 7.37;

3 – Como homem Ele sentiu fome – Jo 4.31 – como Deus Ele declarou: “Eu sou o pão da vida.” – Jo 6.48;

4 – Como homem Ele dormiu no barco – Mt 8.24 – como Deus Ele se levantou e repreendeu o vento e disse ao mar: “Cala-te, aquieta-te.” – Mc 4.31;

5 – Como homem Ele sentiu cansaço – Jo 4.6 – e como Deus Ele convidou: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” – Mt 11.28;

6 – Como homem Ele chorou – Jo 11.35 – como Deus Ele enxugará de nossos olhos toda a lágrima – Ap 21.4;

7 – Como homem Ele foi preso – Jo 18.12 – como Deus Ele Se entregou: “Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós.”  – Ef 5.2;

8 – Como homem Ele suportou a coroa de espinhos – João 19.5 – como Deus Ele nos dará coroa da justiça – II Tm 4.8;

9 – Como homem Ele foi morto na cruz de dor – Fp 2.8 – como Deus Ele deu a Sua vida: “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou.” – Jo 10.18

10 – Como homem Ele foi sepultado – Mc 15.46 – como Deus a morte não O pode reter – Ele ressuscitou!  “Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que foi retido por ela.”  – At 2.24

Vale ressaltar que João é o quarto evangelho e o mesmo foi escrito quando todos os apóstolos já estavam mortos pelo viés do martírio e depois que os evangelhos sinóticos já circulavam nas igrejas existentes por mais de 40 anos!

Ele não é considerado um evangelho sinótico (Mateus, Marcos e Lucas). Os sinóticos se caracterizam por conterem uma grande quantidade de histórias em comum, na mesma sequência, e algumas vezes, utilizando exatamente a mesma estrutura de palavras. Os sinóticos ainda apresentam uma mensagem de cunho mais evangelístico, pois foram evangelhos escritos no período em que as igrejas estavam sendo formadas, enquanto o evangelho de João possuí uma mensagem que responde questões de cristãos mais maduros, cristãos com um nível espiritual mais profundo, pois as igrejas já estavam fundadas e as doutrinas dos apóstolos já havia percorrido as igrejas através das missivas (cartas).

Assim como dissemos no início, Cristo nesta lição é apresentado sob a perspectiva do evangelho de João, logo, destacamos que João escreveu o seu evangelho como defesa das constantes ameaças do gnosticismo emergente de sua época, uma tenebrosa heresia que viria atacar ferozmente as frontes do cristianismo nos três primeiros séculos, sendo que um dos seus ataques era exatamente contra o fato de Jesus ter vindo em carne.

Por isso, o mesmo João escreveu em sua primeira epístola: “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus (I Jo 4.2).

Em síntese, os sinóticos apresentam um relato histórico e cronológico da vida terrena de Jesus, enquanto evangelho de João, ocupa-se em apresentar a mesma história sob um ângulo teológico e divino.

2.2 – A personificação do amor divino

A última revelação de Deus a humanidade ou a última forma de se comunicar, foi através de Jesus (Hb 1.1-2) e o princípio de toda e qualquer inspiração divina ao homem é o Seu amor.

Não existe absolutamente nada que Deus tenha feito ao homem que não esteja temperado com o Seu amor.

João 3.16
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Pastor Aldery Nelson Rocha em uma de suas aulas de hermenêutica, faz interessante explicação sobre o texto acima:

Porque – maior explicação;

Deus – Maior Ser;

Amou – maior mandamento;

O Mundo – o maior alvo;

De tal maneira – a maior intensidade;

Que deu – a maior dádiva;

O Seu Filho unigênito – a Maior expressão de Deus;

Para que todo – a maior abrangência;

O que Nele crê – a maior condição;

Não pereça – a maior condenação;

Mas tenha – a maior conquista;

A vida eterna – a maior esperança!

Perceba que tudo está “macronizado”, ou seja, Deus neste texto é sempre abundante, com destaque a expressão “amou o mundo de tal maneira”, significando que o seu amor é o maior que pode existir.

O amor de Deus é incomparável e insubstituível, pois ninguém pode amar o homem como Jesus ama e ninguém pode fazer pelo homem, o que Jesus fez!

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Nossa língua portuguesa dá apenas um significado para a palavra amor, no entanto o grego diferencia o termo em pelo menos quatro palavras.

Vamos entender os quatro tipos de significados para a palavra amor:

Amor Eros  Aparece com frequência na literatura grega secular, mas não na Bíblia. Amor totalmente humano carnal, físico. O amor que tem a necessidade de satisfazer a si próprio. Sua melhor declaração seria: “Eu amo você porque você me faz feliz”. Por seu temperamento alegre (você me diverte), por sua beleza e sensualidade (você me dá prazer), porém quando uma dessas características desaparece, o amor morre. Esse tipo de amor só quer receber. É o amor mais raso!

Amor Philos  Representa o afeto terno. Usado para referir-se a uma amizade e que ao menor desentendimento pode ruir. Depende da reciprocidade é menos egoísta que o amor Eros. Desenvolvemos amizades com aqueles que temos algo em comum. É uma relação de troca. Meio a meio. É um amor pouco melhor que anterior, mas deficiente e enfermo pelas diferenças!

Amor Storge  Um amor mais relacionado à família, parentes, etc. (II Sm 21.10,11). É um amor que possuí laços mais fortes, porém que podem ser rompidos!

Amor Ágape  Expressa à natureza essencial de Deus. Amor incondicional. Esse amor não é egoísta, não busca a própria felicidade, mas a do outro a qualquer preço. Não dá 50 para receber 50, mas dá 100 e não espera nada em troca. O homem natural jamais poderá possuir esse amor, pois trata-se do amor de Deus. É o amor perfeito, o amor de Deus que foi derramado em nossos corações (Rm 5.5)!!!

Em Lc 7.11-15, encontramos a comovente história da ressurreição do filho da viúva de Naim.
A Bíblia diz que Jesus, ao se deparar com a situação, moveu-se de íntima compaixão (Lc 7.13).

Strong irá nos explicar que a palavra “compaixão” é oriunda da palavra grega σπλαγχνιζομαι ou “splagchnizomai” cujo significado é: “ser movido pelas entranhas; daí ser movido pela compaixão; ter compaixão” (pois se achava que as entranhas eram a sede do amor e da piedade).
Ainda há outros dicionários que vão afirmar que significa “sofrer com” ou ainda “ter o mesmo sentimento”.
O amor imanente de Jesus, isto é, o amor Ágape, o impulsionou a fazer algo por aquela mulher e então Ele ressuscita o seu filho!

Em João 11, temos o relato da ressurreição de Lázaro. Neste caso Jesus mais uma vez demonstra seu amor e compaixão. No versículo 3 encontramos a palavra amor traduzida por phileo e no versículo 5 encontramos a palavra amava que é traduzida por ágape. No versículo 3 quem está falando são as irmãs de Lázaro, mas no versículo 5 o evangelista registra os sentimentos de Jesus. Enquanto a família, apesar de amar o seu irmão que havia morrido, o seu amor é imperfeito, mas Jesus, mesmo não sendo parente, mas amigo, demonstra maior amor. No versículo 36 a multidão após ver Jesus chorando disseram: “Vede como o amava”. Amor ágape.

A diferença entre as duas passagens é que na última, Jesus conhecia muito bem que era Lázaro, no entanto, na primeira, Ele não sabia quem era aquela viúva. Mas tanto por aquele que conhecia como por aquela que não conhecia, Ele moveu-se de compaixão. O amor por ambos foi o mesmo. O amor de Cristo, independe de quem seja, o que faz ou o que é, Ele simplesmente ama, pois, o amor é um de seus atributos (I Jo 4.8).

João registra até que ponto vai esse amor ao afirmar “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11). Este amor o levou até a cruz e assim padeceu por cada um de nós (Fp 2.8)!

Em sua ressurreição e assunção, assentou-se a destra de Deus e com amor imensurável, conhecendo todas as nossas fraquezas, assumiu o papel de Sumo Sacerdote que intercede pelos seus junto ao Pai (Hb 4.15).

2.3 – A restituição do que foi perdido

O comentarista da lição, Bispo Oídes, utiliza o termo restituição neste tópico.

Se minhas pesquisas estão corretas, o verbo restituir e suas conjugações, não se acham no Novo Testamento, exceto em Lc 19.8, na ocasião em que Zaqueu, já convertido a Jesus, prometeu restituir a quem por ventura tinha defraudado de forma quadruplicada e o seu significado segundo Strong é:

1) entregar, abrir mão de algo que me pertence em benefício próprio, vender;

2) pagar o total, pagar a totalidade do que é devido;

     2a) débito, salários, tributo, impostos;

     2b) coisas prometidas sob juramento;

     2c) dever conjugal;

     2d) prestar contas;

3) devolver, restaurar;

4) retribuir, recompensar num bom ou num mau sentido.

Para entendermos melhor o que o autor quer dizer, retornemos até o Éden, onde a condição do homem era excelente. Os habitantes do Éden gozavam de uma comunhão perfeita com Deus e com Ele conversavam diariamente na viração de cada dia (Gn 3.8). Não havia o pecado, responsável pela separação do homem e Deus; antes, o relacionamento era impecável, porém a queda originou o pecado e tudo se tornou turvo, embaçado, a relação se rompeu e então, Deus passou a colocar o seu plano de redenção em ação (Gn 3.15).

O homem foi lançado fora daquele lugar de prazer (significado da palavra Éden é prazer)! Sua comunhão com Deus, se tornou restrita. Deus estabeleceu os meios sacrificiais para que se relacionasse com o homem que agora estava sob o domínio do pecado.

A Lei de Moisés apontava o pecado do homem, mas não tinha em si mesma, poder para fazê-lo evitar de pecar, por isso, ela tornava o transgressor inimigo de Deus, até o surgimento dAquele que na carne não pecou e na sua morte tirou o pecado do mundo (Jo 1.29).

Efésios 2:13-16
13 Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio,
15 na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,
16 e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. (ARC)

Cristo, através do seu sacrifício, restituiu novamente a paz, a amizade e a comunhão do homem com Deus. O véu da separação foi rasgado, como sinal de que a inimizade foi desfeita!

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O Pai, ao enviar o seu Filho, nos reconciliou consigo mesmo (II Co 5.18)

Tal reconciliação é a restauração para o status favorável de uma situação anterior – Que situação? A situação de inimigos de Deus! No Novo Testamento, há restauração da graça de Deus aos pecadores que se arrependem e colocam sua confiança na morte expiatória de Cristo. Estes, deixam de ser inimigos (situação anterior) e passam a ser amigos (nova situação com status favorável) de Deus.

A igreja recebeu do próprio Deus o ministério da reconciliação e está obrigada a anunciar ao homem perdido e desconsolado em seus próprios pecados que Jesus Cristo é a sua esperança de apaziguar a sua relação com Deus, trazendo perdão e justificação.

3 – A EXCELÊNCIA DO PROPÓSITO

Reproduzirei aqui as três expressões que o comentarista da lição aplica como sendo o resumo da excelência do propósito missionário de Jesus:

João 1:18
18 Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer. (ARC)

João 1:29
29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (ARC)

João 1:12
12 Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, (ARC)

Os últimos tópicos abordaremos cada uma das expressões destacadas em cada um dos textos.

3.1 – O Agente Revelador do Pai

Já no final do ministério terreno de Jesus, os seus discípulos demonstraram incompreensão acerca da sua identidade com o Pai.

João 14:8-9
8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (ARC)

Mesmo tendo o privilégio de estar com Jesus 24 horas por dia, 7 dias da semana por 3 anos e meio, eles ainda não haviam adquirido a exata percepção acerca da natureza divina de Jesus.

João 1:18
18 Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer. (ARC)

A manifestação de Jesus trouxe ao homem, a revelação de quem é Deus e de como é Deus (obviamente, dentro das limitações humanas de compreensão). A revelação foi de forma suficientemente capaz de que por Ele, o homem venha ser salvo.

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Hernandes Dias Lopes afirma que Jesus neste texto de Jo 1.18 é o revelador do Pai. Ele diz ainda que Deus é invisível, pois é Espírito. Ele habita em luz inacessível. Contudo, a segunda pessoa da Trindade, o Verbo eterno, chamado claramente aqui pelo apóstolo João de Deus unigênito, eternamente gerado do Pai, veio ao mundo exatamente para nos revelar Deus Pai.

David Stern diz que João ensina que o Pai é Deus, que o Filho é Deus, contudo faz uma distinção entre o Filho e o Pai, para que ninguém possa dizer que o Filho é o Pai. João declara que o Verbo encarnado tornou Deus conhecido. Veio para revelar o Pai. O verbo grego que emprega é “exegesato”, de onde vem nossa palavra “exegese” e exegese significa explicação, interpretação. Podemos assim dizer que Jesus é a exegese de Deus, é uma explicação de quem é Deus. Nem Abraão, o amigo de Deus, nem Moisés, com quem o Senhor tratava face a face, puderam ver a glória divina em sua plenitude. Contudo, a glória que nem Abraão nem Moisés puderam ver, agora foi apresentada a nós em Jesus.

Conhecendo a Cristo através das Escrituras, conhecemos a Deus Pai e compreendemos também que fazemos parte pela fé de sua vocação missionária.

A igreja que conhece de fato o seu Senhor, não é apática ou está inerte, antes, é uma igreja ativa, entusiasmada e inflamada pela consciência que tornar Deus conhecido através de Jesus, é sua missão!!!

3.2 – O Cordeiro de Deus

João 1:29
29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (ARC)

João Batista foi o maior profeta nascido de mulher segundo o testemunho do próprio Cristo.

Hernandes Dias Lopes diz que João Batista não era um eco; era uma voz. Não era a voz que ecoava no templo, nos lugares sagrados, mas a voz que ecoava no deserto. Ele era aquele que veio preparar o caminho para o Messias, aterrando os vales, nivelando os montes, endireitando os caminhos tortos e aplainando os caminhos escabrosos.

O texto citado por João é Isaías 40.3, repetido nos quatro evangelhos (Mt 3.3; Mc 1.3; Lc 3.4; Jo 1.23).

Como explica William Barclay, a ideia que está por trás disso é: os caminhos do Oriente não estavam nivelados. Eram apenas sendas toscas. Quando um rei ia visitar uma província, mandava seus engenheiros à frente a fim de abrir estradas e colocar essas sendas em boas condições para o rei passar. João Batista não era o Messias, mas apenas o preparador do seu caminho.

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João Batista, ao afirmar que Jesus era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o faz numa linguagem totalmente compreensível ao povo judeu e principalmente aos fariseus que estavam acostumados com o sacrifício de animais para a expiação do pecado. No entanto, ele o faz apontando não para um cordeiro de fato (animal), mas para o Filho de Deus, Jesus.

John Charles Ryle diz corretamente que Jesus é o cordeiro mencionado por Abraão a Isaque no monte Moriá como provisão de Deus (Gn 22.8). Jesus é o cordeiro que Isaías disse que seria imolado (Is 53.7). Jesus é o verdadeiro cordeiro do qual o cordeiro da Páscoa no Egito tinha sido um tipo vívido (Êx 12.5).

Fritz Rienecker explica que o termo grego “amnos” é uma referência aos vários usos do animal como sacrifício no Antigo Testamento. Tudo o que esses sacrifícios preanunciaram foi perfeitamente cumprido no sacrifício de Cristo. Seu sacrifício varreu dos altares os cordeiros mortos. Ele ofereceu um sacrifício único: perfeito, completo, cabal.

Gostaria de enfatizar neste texto a forte relação que o mesmo possui com Gn 22.7, onde preparei uma mensagem inédita e que ainda não ministrei, intitulada: “Uma resposta para Isaque!”
Resumidamente, no texto de Gênesis, temos um exemplo do testemunho das Escrituras acerca de Jesus… A pergunta feita por Isaque ao seu pai, Abraão: “… Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”  Abraão responde que Deus proveria para si o cordeiro para o sacrifício! No entanto a resposta de Abraão não é plenamente satisfatória e a pergunta de Isaque seria respondida plenamente somente após passados aproximadamente 1850 anos!!!

A resposta veio através de João Batista que ao olhar para Jesus, afirmou sem que a multidão houvesse perguntado: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
A multidão realmente nada perguntou, mas a afirmação de João Batista satisfaz completamente a pergunta feita por Isaque… “Onde está o cordeiro para o holocausto” – a resposta de João: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” – Aponta para Cristo, cujo efeito do sacrifício tira o pecado, enquanto que o sacrifício do passado apenas cobria o pecado, pois era periódico e imperfeito (Sl 32.1)!!

O Cordeiro de Deus é o missionário que não somente anunciou a chegada do seu reino, mas que também morreu por Ele para receber glórias, honras e louvores (Ap 5.9-14).

3.3 – O direito de filiação divina

João 1:12
12 Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, (ARC)

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Como já vimos em lições anteriores, Abraão tornou-se o pai da fé do povo judeu. Eles eram conhecidamente filhos de Abraão e desta filiação muito se gabavam.

No entanto Jesus abre o leque da salvação também para os gentios, quebrando o paradigma de que somente os descendentes de Abraão tem direitos de ser Filhos de Deus.

Todo o homem nascido é criatura de Deus, ou seja, um ser que foi criado por Deus. Nasceu pela vontade de Deus. O seu status de criatura só irá ser alterado para Filho de Deus, mediante a conversão a Cristo.

No evangelho de Marcos, o IDE de Jesus é esclarecedor sobre esse assunto: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16.15).

Perceba que qualquer pessoa no mundo, alvo da mensagem do Evangelho, é tratada pelas Escrituras como criatura. Uma vez a criatura recebendo o Evangelho no coração pela fé, passará a ter outra filiação, a celestial, tendo a Deus por Pai (Jo 1.12).

Não há confusão ou controvérsia com o que diz Paulo em II Co 5.17 “…se alguém está em Cristo, nova criatura é, …”, pois aqui, a expressão “nova criatura” quer dizer que o tal foi recriado “em Cristo”.

Champlin afirma que a verdadeira conversão e a verdadeira regeneração são encaradas aqui como uma espécie de nova criação, mediante a instrumentalidade divina, tal como a criação original precisou da intervenção divina. As traduções variam entre “nova criatura” e “nova criação”; mas isso não faz qualquer diferença real, porquanto aquele que se torna uma nova criatura deve experimentar a força do ato criativo do Espírito Santo.
O termo grego “ktisis”, traduzido aqui por “…criatura…·”, tem três usos diversos nas páginas do N.T., a saber:

1. O “ato de criar”, em Rom. 1:20;

2. a “súmula das coisas criadas”, em Apo. 3:14 e Mar. 13:19; e

3. uma “coisa ou criatura criada”, em Rom. 8:39.

Dentro da literatura rabínica, a expressão é usada para indicar um homem convertido da idolatria. “Aquele que traz um estrangeiro e o torna um prosélito é como se o tivesse criado”. (Rabino Eliezer).

Em Jo 1.18, João revela Jesus como o Filho Unigênito. A expressão, “unigênito” neste texto significa “o único Filho nascido de Deus”. Jesus depois de unigênito se torna o primogênito (Rm 8.29), pois Nele, também fomos feitos filhos de Deus, por adoção, “no qual clamamos: Aba Pai” (Rm 8,15) – Aleluia!

CONCLUSÃO

Vimos que Jesus foi o Filho missionário enviado pelo Deus Pai!

Uma vez aqui, Jesus nunca se desviou de sua missão que convergia a cruz. Sua obra resumida em seus ensinamentos, profecias, curas e milagres foram todos efetuados no amor como essência de sua natureza.

Missões começou com Deus Pai, continuou com Deus Filho, os apóstolos deram sequência e nós precisamos fazer a nossa parte!

“Se nós, que vivemos nesse tempo, não alcançarmos a nossa geração com a semente do Evangelho, então fracassamos na Missão que a nós foi confiada.” (Autor não conhecido).

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada / NVI;
Dicionário da língua portuguesa;
Dicionário Bíblico Strong – James Strong – Sociedade Bíblica do Brasil;
Comentário NT – Norman Champlin – Editora Hagnos;
Comentário Judaico do Novo Testamento – David H. Stern – Editora Atos;
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Myer Pearlman – Editora Vida;
Comentário do Novo Testamento – Willian Barclay;
Comentário Bíblico NVI – AT e NT – F.F. Bruce – Editora Vida;
João – Comentário Expositivo – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos;
Site da internet mencionado quando citado no texto;
Todos os direitos de imagens são de seus respectivos proprietários;

Por Cláudio Roberto


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