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Betel Adultos – 3º Trimestre de 2017 – 10/09/2017 – Lição 11: O processo de formação do discípulo I

05/09/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Tito 2:11
11 Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Tito 2:11-14
11 Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,
12 ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente,
13 aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo,
14 o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. (ARC)

NOTA

A paz do Senhor estimados professores e vocacionados da EBD!

Aproveito mais uma vez para solicitar a você irmão professor da Escola Bíblica Dominical ou mesmo aqueles que são vocacionados para tal e acessam o nosso blog, que aproveitem para responder a nossa enquete na página principal com a pergunta: Você recomendaria a EBD Comentada? Sua opinião é bastante importante para nós.

INTRODUÇÃO

Neste e no próximo capítulo abordaremos o tema: O processo de formação do discípulo.

Agora, os principais pontos da doutrina da Salvação (Soteriologia), elementar da fé cristã serão pinceladas e veremos como as mesmas devem nortear a vida do cristão, principalmente os novos discípulos.

Tudo começa com a pregação do evangelho e a conversão do homem. Através do Espírito Santo somos convencidos do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), nos tornamos santos (Ef  1.13) e por Ele os fiéis são separados, selados, distinguidos e marcados como propriedade peculiar de Deus (Tt 2.14).

1 – A IMPORTÂNCIA DOS PRIMEIROS PASSOS

O Evangelho é a única mensagem capaz de produzir uma nova vida no ser humano.

É comum ouvirmos de alguns cristãos que os servos de Deus possuem duas datas de nascimento, a primeira é cronológica e diz quantos anos temos; a segunda se refere a data de conversão. A singeleza da expressão está exatamente em enaltecer o seu novo nascimento em Jesus Cristo (Ef 2.1).

Não há filiação em Deus senão houver novo nascimento, pois este é a premissa para que o homem esteja apto a ser integrado no Seu Reino (Jo 3.3-5).

1.1 – É preciso nascer de novo

A humanidade caminha às cegas sem compreenderem o grande plano de salvação desenvolvido e orquestrado por Deus.

A anunciação do Evangelho permitirá ao homem mergulhado em suas ofensas e pecados contra Deus, reconhecer as suas misérias e o seu estado natural de inimizade contra o Criador (Ef 2.15). É Deus, através do Espírito Santo, quem opera o renascimento do novo homem em nós, regenerado para servir ao Senhor.

Bispo Oídes destaca três expressões que podem definir a situação do ser humano diante de Deus.

1. Geração

Gênesis 1:27
27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. (ARC)

Deus cria o homem conforme a sua imagem e semelhança e conforme já estudamos em capítulos anteriores (lição 6 – Deus, o Autor de Missões), o homem era perfeito sob os seguintes aspectos:

1.1 – Espiritual, pois não havia pecado;

1.2 – Moral, pois não havia corrupção do caráter;

1.3 – Físico, pois não havia enfermidades, dores ou mesmo a morte;

2. Degeneração

Efésios 2:1-3
1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
2 em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência;
3 entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. (ARC)

O pecado deformou a natureza humana, escravizando-a. O homem degenerado vive as margens da comunhão com Deus;

3. Regeneração

1 Pedro 1:23
23 sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre. (ARC)

O homem gerado inicialmente e posteriormente degenerado pelo pecado, é agora regenerado através do poder renovador do Espírito Santo (Tt 3.5) e da Palavra de Deus (I Pe 1.23). Este é o segundo nascimento, muito mais excelente que o primeiro!

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O tema “Novo Nascimento” é bastante aprofundado no diálogo entre Jesus e Nicodemos, registrado no capítulo 3 do Evangelho de João, onde destacamos os seguintes versículos:

João 3:3-7
3 Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.
4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?
5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. (ARC)

Apesar de Nicodemos ter sido fariseu e príncipe dos judeus, a sua compreensão sobre o novo nascimento ficou bastante aquém daquilo que Jesus realmente queria dizer sobre o tema.

O novo nascimento constitui a regeneração do homem.

Matthew Henry, afirma que a religião de Nicodemos não era suficiente para que este usufruísse do Reino de Deus e destaca 4 pontos para uma vida nascida de novo.

  1. Precisamos viver uma nova vida. Não podemos pensar em consertar o templo velho, mas precisamos começar da fundação;
  1. Precisamos ter uma nova natureza, novos princípios, novas afeições e objetivos. Precisamos nascer de novo. Em nosso primeiro nascimento, estamos corrompidos, somos formados em pecado e iniquidade (Sl 51.5). Precisamos, portanto, passar por um segundo nascimento; nossa alma precisa ser moldada e inspirada mais uma vez. Esse novo nascimento vem do céu (Jo 1.13); é nascer para uma vida divina e celestial (II Co 5.17; Gl 6.15), uma vida de comunhão com Deus e com o mundo superior. Nascer de novo é uma necessidade indispensável (grifo meu);
  1. Não podemos entender a natureza disso. Tal é a natureza das coisas do reino de Deus, da qual Nicodemos deseja ser instruído, que a alma precisa ser remodelada. O homem natural precisa tornar-se um homem espiritual, antes de ser capaz de receber e entender essas coisas (I Co 2.14);
  1. Não podemos receber o seu conforto; não podemos esperar ou ter qualquer benefício de Cristo e de Seu evangelho. A regeneração é absolutamente necessária para a nossa felicidade agora e para sempre. Considerando o que somos por natureza, nossa corrupção e pecado, precisamos nascer de novo porque é impossível sermos felizes se não formos santos (I Co 6.11,12).

Concluímos que a regeneração é a uma obra divina e imediata de Deus que concede nova vida ao pecador que recebe a Cristo como o seu Senhor e Salvador. Através desta graça, o homem é renascido da morte espiritual que se encontrava por causa do pecado para viver uma nova vida, justificado por Cristo.

Esse tema (regeneração) será novamente abordado no tópico 2.3 desta lição.

1.2 – A grande salvação

O texto de referência desta lição nos revela que foi a graça de Deus que trouxe até o homem a salvação propiciada pelo Criador.

Ela é um dos temas de maior ocorrência nas Escrituras, sendo que aparece mais de 100 vezes no Antigo Testamento e mais de 200 vezes no Novo Testamento, além das ocorrências por palavras sinônimas, tais como amor divino, bondade e misericórdia…

Tito 2:11-14
11 Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,
12 ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente,
13 aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo,
14 o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. (ARC)

Graça é o favor salvador de Deus em benefício ao homem caído e marcado para viver eternamente perdido e afastado Dele.

Norman Geisler diz que a origem da salvação está na natureza de Deus, que é um Ser amoroso (na sua onibenevolência), já a base da vontade divina em salvar os seres humanos pecadores encontra-se na sua onipotência e na capacidade concedida por Deus do livre-arbítrio humano.

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O princípio dessa graça se baseia no amor de Deus (Jo 3.16), não em um amor obrigatório, isto é, a graça salvadora não é uma obrigação divina. Ninguém e nada pode submeter ou exigir de Deus a remissão dos pecados do homem perdido. Tão somente o seu amor aparece como motivador para manifestar a salvação a todos os homens.

Como disse Jerônimo, é o dom salvador!

J. Sidlow Baxter aponta interessante observação no texto de Tito 2.11-13 sobre essa graça salvadora quando é revelada nos três tempos conhecidos: Passado, presente e futuro:

Passado: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (v. 11);

Presente: Educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas” (v. 12);

Futuro: “A bendita esperança…a manifestação do nosso grande Deus e Salvador” (v. 13);

A salvação é, portanto, o ato maior da graça de Deus revelada ao homem. A graça salvadora de Deus que remove a culpa e nos declara inocentes diante dEle (justificação), garantindo o perdão dos pecados cometidos ontem, hoje e também os futuros, bem como nos ensina (versículo 12) a renunciarmos a impiedade e as concupiscências deste mundo.

O Dicionário de Strong nos traz preciosa definição do termo “salvação” que no grego é “soteria” que por sua vez deriva de outra palavra grega: “soter”, cujo significado é:

1) Salvador, libertador, preservador. O nome era dado pelos antigos as divindades, especialmente divindades tutelares, aos príncipes, reis, e em geral a homens que tinham trazido benefícios notáveis a sua nação. Em épocas mais corruptas, era conferido como forma de lisojeamento a personagens de influência;

Enquanto que “soteria”, o termo utilizado para salvação significa:

1) livramento, preservação, segurança, salvação;

     1a) livramento da moléstia de inimigos;

     1b) num sentido ético, aquilo que confere as almas segurança ou salvação;

          1b1) da salvação messiânica;

2) salvação como a posse atual de todos os cristãos verdadeiros;

3) salvação futura, soma de benefícios e bênçãos que os cristãos, redimidos de todos os males desta vida, gozarão após a volta visível de Cristo do céu no reino eterno e consumado de Deus. Salvação quádrupla: salvo da penalidade, poder, presença e, mais importante, do prazer de pecar.

Em Cristo, portanto, encontramos o verdadeiro sentido de que Ele é o Grande Salvador, Libertador, Resgatador e que proporcionou aos que creem em seu sacrifício vicário, a total segurança de sua redenção.

1.3 – A realidade e gravidade do pecado

Desde sempre existiram discussões sobre o pecado, onde alguns pensadores afirmam a sua inexistência ou mesmo tentam abrandar a sua realidade. Vejamos alguns exemplos citados pelo diácono Sergio Christino:

a) Ateísmo. Esta teoria nega que o pecado seja real, assim como a existência de Deus. Há uma relação negativa entre pecado e Deus, visto que o pecado afeta diretamente sua santidade. Uma vez que o ateísmo nega a existência de Deus, também, nega a realidade do pecado;

b) Gnosticismo. Ensinam que existe um princípio eterno do mal, e sustentam que no homem, o espírito representa o princípio do bem, e o corpo, o do mal. Ora, é impossível que haja fora de Deus algo que seja eterno e independente. A Bíblia declara que o mal tem um caráter ético. Por isso, tratar o pecado como uma coisa puramente física significa negar seu caráter ético e espiritual. O gnosticismo tenta fugir da ideia real do pecado ensinando, inclusive, que o corpo, por ser mal, deve ser destruído pelo ascetismo e licenciosidade. Uma tremenda mentira de Satanás!

c) Determinismo.Os adeptos desta teoria ensinam que o livre-arbítrio, simplesmente, não existe: quem faz o bem não possui qualquer mérito, e quem faz o mal não pode ser condenado. Ao contrário disso, a Bíblia ensina que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal. O homem não pode ser tratado como vítima da fatalidade ou casualidade quando peca. Para os deterministas o homem, por ser escravo das circunstâncias, deve ser alvo de compaixão e não de castigo;

d) Hedonismo. Esta falsa teoria afirma que tudo que causa prazer deve ser praticado. Os hedonistas não se preocupam com o certo ou errado. Eles dizem: “se o sexo dá prazer, porque evitá-lo?” O hedonismo, em sua versão mais moderna, prega que não se deve reprimir os desejos físicos, mas, dar vazão a todos eles. Em nome dessa ideologia, estimula-se a experiência sexual entre os jovens e a liberdade para satisfazer os vícios. O hedonista não se importa se o pecado existe ou não, pois o prazer ou a satisfação pessoal está acima de tudo.
https://diaconosergio.wordpress.com/2013/10/20/a-doutrina-do-pecado/

Acrescento ainda neste tópico a maléfica teologia liberal que já está bastante presente nos seminários teológicos difundido doutrinas completamente antibíblicas; entre elas cito a doutrina escatológica liberal que se fundamenta no universalismo (todas as pessoas serão salvas um dia e Deus vai dar um jeito até na situação do diabo). Seguindo este raciocínio, não existe inferno e muito menos o conceito de pecado. O liberalismo é um sistema racionalista que só aceita o que pode ser “provado” cientificamente pelos próprios conhecimentos falíveis, fragmentados e limitados do homem.

Nenhum homem, religião, filosofia, ensinamento ou doutrina estão acima das Escrituras.

O pecado é uma realidade e existe de fato, porque a Bíblia afirma isto cerca de 368 vezes na versão Revista Corrigida e 397 vezes na versão Revista e Atualizada, bem como em quase todos os livros da Bíblia, a palavra está presente.

João 1:29
29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (ARC)

O pecado não somente existe e é real como está no homem e no mundo!

Pecado é ofender a Deus, é transgredir suas leis e regras, é errar o caminho e o alvo proposto por Deus!

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As Escrituras revelam de forma transparente que perante Deus, todos os homens carregam consigo a culpa do seu próprio pecado e desta forma, estão apartados da Sua glória (Rm 3.23; 5.12) e pior, estão fadados a sofrerem as consequências da ira de Deus (Jo 3.36). O mesmo livro ainda acrescenta que o homem não pode fazer absolutamente nada para ser digno de salvação ou adquiri-la com recursos próprios (Sl 49.6-8).

Alguém disse que cada homem pode ser descrito como um paralítico espiritual, aguardando o “braço salvador” do Senhor para que possa ser levantado da miséria do pecado (Is 59.16).

Para o grande problema do pecado, Deus providenciou uma grande Salvação através do seu Filho Jesus (Jo 3.16);
Para o homem que está cativo no pecado, Jesus é a verdade que liberta (Jo 8.32);
Para o homem que está perdido em sua jornada, Jesus é o caminho que conduz ao Pai (Jo 14.6);
Para o homem que está na escuridão, Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12);
Para o homem sedento, Ele é a água da vida (Jo 7.37);
Para o homem faminto, Ele é o pão da vida (Jo 6.48);
Para o desgarrado caminhante, Ele é o bom pastor (Jo 10.14);
Para o homem que está morto em seus pecados e delitos, Jesus é a ressurreição e a vida (Jo 11.25,26);
Para o homem que não encontra uma saída, Jesus é a porta (Jo 10.9);

2 – DEUS TOMOU A INICIATIVA

Pastor Isaías Rosa afirma que Deus, conhecendo por antecipação a queda moral e espiritual do homem, planejou sua salvação com base no seu amor e misericórdia.

As Escrituras revelam que muito antes de Deus pensar em criar o universo, Ele previu alguns acontecimentos que sucederiam a sua criação. Essa previsão é baseada em um atributo divino chamado presciência. Presciência é a capacidade de Deus conhecer o futuro por antecipação e é com base nesse conhecimento que ele previu a queda de sua criação, a redenção do homem e sua salvação.

Deus se manifestou ao homem e a ele ofereceu a Sua salvação.

A oferta concedida por Deus não é baseada nos méritos humanos, mas única e exclusivamente no seu amor, misericórdia e bondade, isto é, baseada em sua graça. Desta forma, o homem experimenta o favor Divino que ele não merecia.

2.1 – A manifestação da graça

Jacó Armínio, ensina que a graça de Deus é suficiente para salvar a todos os homens e não apenas alguns e tão poderosa que capacitava a todos os homens, de todos os lugares em todos os tempos, a reagirem favoravelmente ao Evangelho, contando que a vontade deles concordasse com isso.

Deus não trata os homens como se fossem fantoches sem opinião, nem vontade própria. Nossa dignidade humana, como pessoas responsáveis e sob orientação divina, nunca é violada ou desprezada. Os que repudiam o evangelho de Cristo, assim fazem por escolha própria e são condenados como os que amam as trevas (Jo 3.19-36). Portanto, na opinião de Armínio, Deus não força ninguém a salvação, mas ministra graça suficiente a todos os homens para que todos tenham o mesmo direito a salvação.

Zacarias Aguiar nos diz que a graça de Deus se manifesta na concessão de favor a quem não merece. O maior favor da graça divina é a dádiva da salvação a quem não conseguiu cumprir as obras da lei (Romanos 3.20,28; Gálatas 2.16). A graça exclui qualquer ideia de mérito. A salvação não é mérito, mas um “dom gratuito de Deus” (Romanos 6.23).

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A graça também é a benevolência com que Deus trata o homem pecador. Quando este merecia a morte, Deus lhe dá a oportunidade de escolher a vida. A salvação pela graça é um presente que Deus concedeu ao homem.

A mulher adúltera, Jesus demonstrou a graça de Deus, pois aquele ato teria como pagamento a pena capital – a morte (Lv 20.10), mas Jesus, ofereceu o gracioso perdão (Jo 8.11) – Isso é graça!

A Bíblia nos comunica que “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8) – Isso é graça!

O homem não tinha absolutamente nada para oferecer a Deus ou dar em troca de sua salvação, no entanto, Deus decidiu soberanamente enviar o Seu Filho para resgatá-lo (Jo 3.16) – Isso é graça!

O estado do homem era de transgressor e inimigo de Deus, no entanto, “Ele nos amou primeiro” (I Jo 4.19) – Isso é graça!

2.2 – A fé que salva

Como vimos acima, a salvação não possui meritocracia humana, mas é uma dádiva de Deus a humanidade.

O mecanismo utilizado para estendermos as mãos e recebermos este presente de Deus, é a fé! Mas que tipo de fé? Vejamos alguns tipos que gosto de classificar:

Fé natural: É a fé comum a todos os homens. Ela simplesmente age como uma convicção de que as coisas naturalmente acontecerão. Todos nascem com ela; por exemplo: Trabalhamos tendo fé que ao final do mês receberemos o salário. Não depende do extraordinário e ela existe por si mesma;

Fé como fruto do Espírito Santo: É a lealdade constante e inabalável a alguém que estamos unidos por promessa, fidedignidade e honestidade (Gl 5.22; Mt 23.23; Rm 3.3; I Tm 6.12);

Fé como dom espiritual: É a fé sobrenatural concedida pelo Espírito Santo. Nossa fé é acrescentada e pela qual fazemos e acreditamos em milagres fora da razão humana (I Co 12.9);

Fé salvífica: É a fé que faz o homem se aproximar de Deus (Hb 11.6) ou por Ele ser atraído (Jo 12.32) que resulta em salvação. É a uma fé dirigida a Cristo!

Esta última, a fé salvadora é a responsável por tornar o homem crente em Jesus Cristo. Ela arremete o homem a experiência de acreditar nas Escrituras e conhecer a Deus.

Segundo Carl Boyd Gibbs, a fé que salva não se dirige a um credo ou crença doutrinária, mas a uma pessoa – Cristo (Cl 2.5). Não basta ao homem aceitar as verdades divinas sobre a salvação, se ele não se render a Cristo como seu Salvador pessoal e não cultivar uma comunhão íntima com Ele (Tg 2.14).

O fato da nossa fé ter Cristo como seu fundamento se vê nas expressões bíblicas como: “Crê no Senhor Jesus…” (At 16.31), e “…nele crê” (Jo 3.16). Observe que não somos admoestados a crer em um fato para ser salvo, mas crer em uma pessoa – Jesus Cristo.

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Carl Boyd Gibbs sinaliza pontos importantes sobre a fé salvadora:

1. A fé salvadora é baseada na revelação Bíblica
Alguns teólogos populares querem descrever a fé como “qualquer tentativa sincera do homem buscar a Deus”, contudo, a verdade é que, buscar a Deus sem a orientação da Bíblia, só leva à frustração, ao desespero, a superstições, ao misticismo e a suposições. Isso nunca poderá levar alguém a salvação.

A palavra de Deus é quem revela o conhecimento mínimo sobre Jesus, o fundamento da nossa fé.

Romanos 10:17
17 De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. (ARC)

2 Timóteo 3:15
15 E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. (ARC)

2. A fé salvadora é o único meio de salvação
Um certo erudito da Bíblia, verificou que a palavra “crer” é mencionada na Bíblia, como meio de salvação, 115 vezes; e a palavra fé, seu sinônimo, 35 vezes. Veja alguns exemplos:

Atos 13:39
39 E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê. (ARC)

Romanos 3:22
22 isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. (ARC)

3. A fé é uma decisão pessoal
A fé, como ato de crer em Cristo, vem da nossa própria vontade; vontade essa sob o efeito da graça de Deus e da convicção pelo Espírito Santo (Jo 16.8).

Efésios 2:8-9
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.
9 Não vem das obras, para que ninguém se glorie. (ARC)

O homem tem “criado” meios para tentar driblar este dom gratuito e assim justificar a sua salvação pelas obras:

1. Para o catolicismo romano, as indulgências garantem ao fiel, a remissão, total ou parcial da pena temporal devida.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Indulg%C3%AAncia

“A absolvição sacramental livra a pessoa do inferno e a indulgência livra a pessoa do purgatório”, explica o sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá, padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior.
Segundo ele, o perdão dos pecados não resolve o problema das doenças espirituais do homem, portanto, as indulgências são necessárias para que os efeitos do pecado, ainda no coração humano, sejam curados.
https://noticias.cancaonova.com/brasil/indulgencias-padre-paulo-explica-o-que-sao-e-quais-seus-efeitos/

Esta questão foi esclarecida para Martinho Lutero, quando este leu Romanos 1.17 “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé. Este versículo esclareceu para Lutero que a sua salvação não dependia de penitências ou indulgências, mas apenas a fé no Filho de Deus era suficiente! A partir desta descoberta, ele foi a ferramenta utilizada por Deus para realizar a Reforma Protestante.

2. Para o espiritismo Kardecista, a prática de boas obras ou o fazer o bem, também garantem a evolução do seu espírito ao ponto de alcançar a sua iluminação maior; Cristo para eles foi o maior espírito de Luz.

“É indispensável, que a criatura persevere no trabalho da própria transformação, utilizando os meios que o Evangelho e o Espiritismo fornecem fartamente, exigindo de si mesmo a boa vontade, no exercício do vigiar, percebendo aspectos que precisa trabalhar para que melhorem, se apresentem em exteriorizações mais doces, fraternas, amigas.
Brilhe a nossa luz, não apenas pela cultura intelectual, pela frase bem feita, pela interpretação correta das Leis Divinas, nem pela prece que comove, mas, que é feita apenas pelos lábios, mas, pelas obras edificadas no Bem”.
http://cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=677

3. Hinduístas na Índia cumprem ritual de autopunição deitados na areia quente no segundo dia do Festival Danda, ou Festival da Autopunição, em Kulagarth, no sudeste da Índia. Eles fazem o sacrifício para acalmar Shiva, o deus hindu da destruição. Aqui temos a demonstração da autoflagelação como meio de se alcançar perdão ou favor divinos.

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4. Os judaizantes, acreditam que as obras da Lei e a filiação de Abraão (descendentes) seriam suficientes para a salvação.

Note que todos diminuem ou anulam por completo a fé em Jesus Cristo.

Quando alguém acrescenta alguma exigência além da fé em Cristo, para o homem ser salvo, aí já não é Deus que salva, mas o homem tentando salvar-se a si mesmo. (Rm 1.4-6).

Nem mesmo a fé é obra para garantir a salvação, mas simplesmente um meio, pelo qual Deus manifesta a sua abundante graça na vida do pecador para salvá-lo, logo, não é a fé que salva, mas Cristo salva através da fé!

2.3 – A obra da regeneração

A conversão produzida por Jesus atua no interior do homem e age de dentro para fora (Jo 4.13,14; 7.38).

A salvação proposta por Deus é capaz de mudar a natureza humana, que outrora se inclinava para a carne e o pecado, mas que após a conversão passa a inclinar-se para as coisas do Espírito (Rm 8.5-7).

Esta obra é conhecida como regeneração do homem, ou o novo nascimento, como vimos no item 1.1.

Em pelo menos 85 passagens diferentes, o Novo Testamento menciona a “nova vida” que o Espírito Santo comunica ao crente. Esta verdade aparece descrita de várias maneiras, como: o novo nascimento (Jo 3.5); o nascer da parte de Deus (I Jo 3.9); a nova vida (Ef 2.1-5); uma nova criação (Gl 6.15). Todos estes termos referem-se ao mesmo fenômeno biblicamente chamado de “regeneração”. Regeneração significa literalmente nascer de novo (Tt 3.5).

Bispo Oídes destaca muito bem que a regeneração não pode ser produzida pelo conhecimento e cita o exemplo de Nicodemos, mestre em Israel (Jo 3.10), mas que precisava nascer de novo, tampouco pelo batismo nas águas como aconteceu com Simão que nunca teve um coração reto diante de Deus, portanto, nunca nasceu de novo.

A obra da salvação manifesta através da graça de Deus para com o homem contempla quatro divisões conforme o quadro abaixo, com destaque para o tema deste tópico – Regeneração:

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Segundo Carl Boyd Gibb, a regeneração é a solução do problema do homem natural espiritualmente morto, e, portanto, incapaz de servir a Deus. O homem precisa mais que uma nova posição legal; precisa de um novo “eu”; um novo ser espiritual. Através da salvação, Deus cria um novo “homem interior” na vida do crente, revestindo-o de poder para servir a Deus, poder este que, a partir de então, é limitado somente pela própria vontade do crente.

A regeneração irá gerar no cristão uma nova vida (Jo 5.24) e uma nova natureza (II Co 5.17), ambas permitirão o crente desfrutar de uma vida espiritual e de comunhão com Deus, conferindo também a ele, poder para vencer a velha natureza, má em sua essência.

3 – A PARTICIPAÇÃO HUMANA

Atualmente estamos convivendo com uma “batalha” acerca da Soteriologia Arminiana e Calvinista.

Não é escopo deste tópico discutir ou acirrar os ânimos, ao contrário, apenas nos posicionaremos de acordo com o que primeiro acreditamos e depois o que a nossa denominação (Assembleia de Deus) também acredita.

Os pentecostais e este blog segue a teologia de Armínio e não desprezamos em hipótese alguma a presciência de Deus, pois nela, Ele possui o conhecimento das coisas futuras, e obviamente sabe quem herdará a salvação, tampouco ignoramos a doutrina da predestinação, isto é, aqueles que mediante a fé, a resposta positiva a mensagem do evangelho e a perseverança na doutrina de Cristo, estão desde a eternidade predestinados a herdar o Reino de Deus.

A salvação é oferecida a todos os homens e não a poucos escolhidos de cada geração (Jo 3.16) e ele compete apenas responder a este convite terno do Senhor Jesus: “Quem tem sede, venha…” (Ap 22.17).

A Bíblia esclarece que o homem pode resistir a salvação, endurecendo o seu coração a voz de Deus (Hb 3.7,8; Mt 19.16-22), mas também pode aceitá-la e assim herdar a vida eterna (Jo 5.24; 6.47).

O assunto pode parecer controverso quando apresentamos outros versículos, no entanto, Deus não criou autômatos numerados para salvação e outros para a perdição, mas homens dotados de capacidade para ouvir, ponderar e tomar decisões (livre arbítrio).

Deuteronômio 30:19
19 Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente, (ARC)

3.1 – A necessidade do arrependimento

Já abordamos em lições anteriores que a mensagem genuinamente bíblica do evangelho é uma conclamação ao arrependimento. Foi este o tema da mensagem de João Batista (Mt 3.2), foi esta a primeira mensagem de Jesus (Mt 4.17) e da igreja primitiva (At 2.38).

Tal mensagem revela e expõe a legítima situação que o homem não arrependido se encontra diante do Criador, por isso, ignorá-la é um crime contra o propósito Divino (salvar o homem).

O homem somente poderá se converter a Deus se houver arrependimento. Mas o que é arrependimento?

Carl Boyd Gibb afirma que arrependimento envolve uma completa mudança de pensamento sobre o pecado e a percepção da necessidade de um Salvador. O arrependimento faz o homem ficar tão contristado por causa do pecado, que ele aceita com alegria tudo o que Deus requer para uma vida de retidão.

Arrependimento isolado não é suficiente para a salvação, mas o mesmo deve estar relacionado com a fé.

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Judas Iscariotes se arrependeu do que tinha feito:

Mateus 27:3-4
3 Então, Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,
4 dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo. (ARC)

A tradução Revista e Atualizada traz a palavra “remorso” em lugar de “arrependimento”. Alguns pregadores e ensinadores fazem distinção entre remorso e arrependimento, afirmando que Judas teve o primeiro e não o segundo, e por isso não foi perdoado, porém qualquer dicionário secular trará como resultado, que uma palavra é sinônima da outra.

A teologia também não distingue uma da outra, pois segundo o Dicionário Strong a palavra “remorso” aplicada neste versículo (Mt 27.3) no original é “metamellomai” e significa “estar arrependido, arrepender-se”, ou seja, são sinônimas!

O problema de Judas foi que o seu arrependimento não estava acompanhado da fé necessária em Jesus para que alcançasse o perdão. A fé salvadora (fé direcionada a Cristo) é um pré-requisito para a salvação e é ela quem opera em conjunto com o arrependimento esta efetiva salvação.

O homem não é salvo somente porque deixou o pecado, mas porque deixou o pecado (arrependimento) e se voltou a Cristo (fé)! Judas se arrependeu, mas não se voltou a Cristo!

Da mesma forma que ele, Pedro também pecou e até praguejou contra o Filho de Deus.

Mateus 26:69-75
69 Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu.
70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
71 E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.
72 E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem.
73 E, logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.
74 Então, começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.
75 E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente. (ARC)

Ao contrário de Judas, Pedro chorou amargamente, o que se entende de aí ter havido um arrependimento que posteriormente foi acompanhado da fé em Jesus. Desta forma, Pedro alcançou salvação e permanência no apostolado.

Não podemos esquecer o que citamos acima: “Arrependimento envolve uma completa mudança de pensamento sobre o pecado e a percepção da necessidade de um Salvador.

Há muitos pecadores, criminosos e viciados, que sentem remorso por suas vidas degeneradas e seus maus atos, mas não abandonam seus maus caminhos. Outros até abandonam, mas não se voltam para Cristo. Assim novamente repito: “A salvação só ocorre quando a pessoa resolve deixar o pecado, reconhecendo que necessita de um Salvador”.

3.2 – A necessidade da submissão

O cristão está sob o domínio de Cristo.

Antes do arrependimento e da obra regeneradora operada por Deus em nós através da sua graça, éramos dominados pelas nossas concupiscências, agíamos com insensatez, éramos desobedientes, maliciosos, invejosos e odiosos (Tt 3.3).

Tito 2:11-12
11 Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,
12 ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, (ARC)

A nossa vida pós graça revelada, está associada a submissão a Deus e a sua Palavra. Ela requer renúncia!

O discípulo de Jesus é alguém que peregrina nesta terra sem ser contaminado pelas doenças oriundas do pecado. Ele prefere tomar a sua cruz e seguir o seu Jesus; ele prefere negar a sua vontade a fim de agradar Àquele que o alistou, ele prefere perder a sua vida para reconquistá-la no porvir; ele prefere mortificar a sua carne e fortalecer o seu espírito; ele prefere ser inimigo do mundo, mas ser amigo de Deus!

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Submeter-nos a soberania de Jesus é um dos aspectos centrais do cristianismo.

Lucas 14:27
27 E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo. (ARC)

Para Champlin, a cruz era um método romano de execução, e o condenado tinha de transportar publicamente a sua cruz até o local da sua execução. O seguidor de Jesus Cristo terá de levar avante visivelmente o seu discipulado, e dentro disso encontrará os meios de auto mortificação e de separação com este mundo.

Para Wiesber “carregar a cruz” significa identificar-se diariamente com Cristo na vergonha, no sofrimento e na entrega à vontade de Deus. Significa morrer para si mesmo, para os próprios planos e ambições e estar disposto a lhe servir conforme sua direção (Jo 12:23-28). A “cruz” é algo aceito espontaneamente como parte da vontade de Deus para a vida de cada um. O cristão que afirmou que seus vizinhos barulhentos são a “cruz” que deve carregar com certeza não entendeu o significado de morrer para si mesmo.

Submeter-nos a Deus, é aceitar a sua vontade em nossas vidas, ainda que está implique em sofrimento e dor. Carregar a cruz é conformar-se com o querer soberano do Senhor!

3.3 – A permanente batalha espiritual

O nascido de novo, a nova criatura regenerada por Deus e para Deus, agora está liberta da natureza pecaminosa e o pecado não tem mais domínio sobre ele (Rm 6.14).

Não obstante a esta verdade, a velha natureza ou velho homem, apesar de crucificado com Cristo (Rm 6.6), ainda pulsa dentro de cada um de nós. Este é o conflito que se desenrola no interior de cada Filho de Deus.

Carl Boyd Gibb, afirma que em Romanos 7 e 8, Paulo testifica como a batalha diária que travava contra a velha natureza, levou-o ao desespero. Mas também descreve como conseguiu libertar-se do domínio desta velha natureza.

Precisamos reconhecer a origem do problema, bem como a solução em Jesus Cristo.
O crente não deve enganar-se, pensando que sua velha natureza pecaminosa será totalmente erradicada ou transformada, enquanto aqui viver. Ela não perderá a sua força, mas um poder superior a dominará e ela perderá então a sua influência!

É importante que o crente reconheça a existência em si desta velha natureza, que quer sempre fazer a sua própria vontade, e, saiba como obter o controle sobre ela. Paulo reconhece este fato:

Romanos 7:23-24
23 Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
24 Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (ARC)

Paulo reconheceu que em si mesmo não tinha qualquer força para dominar a velha natureza que se lhe opunha, quanto a fazer a vontade de Deus; daí ele voltar-se para a fonte de poder divino que o faria libertar-se. Confiadamente, agradeceu a Deus pela vitória:

Romanos 7:25
25 Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado. (ARC)

Pastor Oseias Pontes explica que segundo o costume daquela época, no momento que Paulo faz a pergunta: “quem me livrará do corpo dessa morte?” ele se referia a necroforia que era uma das formas de tortura na Roma antiga. Quando um homem era julgado por homicídio e era condenado, os romanos amarravam o corpo de um morto ao do vivo, frente a frente, como que abraçados. O corpo ia se decompondo e todas as bactérias e fungos iam tomando posse do corpo do vivo. Era uma forma horrível de suplício. À medida que o morto ia se decompondo, o vivo também começava a apodrecer. Os vermes do corpo do morto davam por comer e se alastra no corpo do vivo e a agonia tomava de conta da vida do condenado a carregar o morto. O defunto apodrecia e o seu odor se apegava a pele daquele que lhe carregava e o resultado era doenças terríveis que o levava ao óbito. Era uma tortura muito angustiante, pois se para os judeus era quase inconcebível tocar em cadáveres, imagine carrega-los amarrados a si. Isto já os deixava completamente sem paz.

Ora, para o apóstolo Paulo, o homem sem Cristo está preso ao pecado e por ele é consumido até a morte, no entanto, Cristo é capaz de desatar o homem desta tortura e somente Ele pode libertar o homem do pecado e da morte (Rm 8.2)!

O mesmo Paulo escreve aos Gálatas:

Gálatas 5:16-17
16 Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.
17 Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis. (ARC)

Este conflito interior envolve a totalidade da vida do cristão (corpo e seus membros, pensamentos, sentimentos do coração). Este conflito é tão perigoso que pode resultar numa completa submissão às más inclinações da nossa carne, o que significa voltar ao domínio do pecado, porém, a vontade de Deus e o seu auxílio cooperam para uma plena submissão à vontade do Espírito Santo, continuando o crente sob o senhorio de Cristo (Rm 8.4-14).

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Ilustração: “Conta-nos que em um vilarejo havia um senhor muito próspero que vivia em um castelo. Ele possuía dois cachorros, um branco e outro preto e todas os finais de semana, ele descia do seu castelo em direção a praça principal do vilarejo, a fim de colocar os cachorros para brigarem entre si. As pessoas apostavam em quem iria prevalecer.
O dono dos cachorros, sempre vencia e nunca perdia uma aposta, apesar de que os cachorros alternavam as vitórias.
Certo dia, um dos anciãos daquele lugar, curioso porque o dono dos cachorros jamais perdia uma aposta, decidiu perguntar-lhe como ele sabia que determinado cachorro iria vencer a disputa daquela semana. O senhor muito sereno lhe respondeu: “Simples, quando eu quero que o cachorro branco prevaleça, eu o alimento bem durante toda a semana e deixo o cachorro preto sem alimento, assim quando chegar o dia da briga, o cachorro branco está forte e prevalece contra o cachorro preto que está fraco. Quando quero que o cachorro preto vença, faço o inverso e assim ele prevalece contra o cachorro branco”.
Moral da história, se você quiser prevalecer contra o pecado, alimente o seu espírito e mortifique a sua carne, pois se o contrário fizer, a sua carne obterá vitória em sua vida!”

Enquanto estivermos neste corpo corruptível, estaremos batalhando, aliás, o campo de batalha está no próprio cristão, e o conflito continuará por toda a vida terrena, até que aconteça a vinda de nosso Cristo, quando nesta ocasião, receberemos um novo corpo, glorificado, livre de corrupção (incorruptível) e semelhante ao Dele (I Co 15.51,52; I Jo 3.2).

CONCLUSÃO

Nesta lição foi apresentada de forma básica, boa parte da doutrina da Salvação (Soteriologia).
Vimos que a salvação é um presente que Deus dá ao homem, de modo que não é pela prática de boas obras que ele consegue a salvação ou se justifica.

Em suma, o discípulo de Jesus é primeiramente instruído nas doutrinas basilares de sua fé. Ele passa a compreender através do ensino sistemático de tais doutrinas que é salvo mediante o arrependimento acompanhado da em Jesus, que opera nele a justificação, isto é, torna-o justo.
Também pela fé no sacrifício de Cristo, ele experimenta o novo nascimento (regeneração) para viver uma vida de santidade e serviço para Deus, aguardando o momento de sua glorificação, na ocasião da segunda vinda de Cristo.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada / NVI;
Dicionário da língua portuguesa;
Bíblia de Estudo Matthew Henry – Central Gospel;
Teologia Sistemática – Volume 2 – Norman Geisler – CPAD;
Dicionário Bíblico Strong – James Strong – Sociedade Bíblica do Brasil;
Examinai as Escrituras – Atos a Apocalipse – J. Sidlow Baxter – Edições Vida Nova;
Teologia Sistemática – Isaías Rosa – IBAD;
Manual de Teologia Sistemática – Zacarias Aguiar Severa – Editora AD Santos;
Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD;
Doutrina da Salvação – Carl Boyd Gibb – EETAD;
Comentário NT – Norman Champlin – Editora Hagnos;
Comentário Bíblico Expositivo Warren Wiersbe – Editora Central Gospel;
Site da internet mencionado quando citado no texto;
Todos os direitos de imagens são de seus respectivos proprietários;

Por Cláudio Roberto


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