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Betel Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 21/05/2017 – Lição 8: O perigo de ser enganado por falsos profetas

17/05/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Jeremias 28:15
15 E disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve, agora, Hananias: não te enviou o SENHOR, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Jeremias 28:14-17
14 Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei da Babilônia; e servi-lo-ão, e até os animais do campo lhe dei.
15 E disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve, agora, Hananias: não te enviou o SENHOR, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras.
16 Pelo que assim diz o SENHOR: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o SENHOR.
17 E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês. (ARC)

INTRODUÇÃO

Nos quatro Evangelhos de Jesus escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João, a expressão ‘em verdade, voz digo’ ou ‘em verdade em verdade vos digo’, ocorrem 58 vezes (25 vezes somente no Evangelho de João).
Tal dito tem sua origem na palavra ‘AMÉM’ tanto no hebraico, como no grego e quer dizer: ‘estabelecido, seguro, firme’.

Orlando Boyer afirma que esse termo é uma confirmação da mensagem, isto é, ‘assim seja’.

Ainda, a palavra ‘AMÉM’, segundo o Talmude (coletânea dos livros sagrados dos judeus – fonte Wikipédia) vai além do simplório significado que aprendemos (assim seja), mas é um acrônimo formado pela primeira letra das palavras hebraicas “El Melech Neeman”, cuja tradução é: “Deus é um Rei Confiável”.
http://www.abiblia.org/ver.php?id=2156

Logo, quando Cristo se expressa dizendo em verdade, em verdade vos digo, Ele está dizendo Amém, por consequência também está afirmando que Aquele que disse ou se pronunciou é um Rei Confiável, cujas palavras são seguras, fieis e garantidas.

Apocalipse 3:14
14 E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. (ARC).

Em Ap 3.14, o Salvador por fim crava a afirmação de que Ele é o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, portanto, o nosso Deus e o Rei expressamente confiável.

Em contraste com aquele que é verdadeiro, apresenta-se aquele que é falso, mentiroso e enganador, o diabo, nosso adversário.

1 – O PERIGO DO FALSO PROFETA

Primeiramente é interessante termos a definição do que é um profeta.

Wayne Grudem, em seu livro: ‘O dom de profecia”, afirma que a função principal do profeta do Antigo Testamento era a de mensageiro de Deus, enviado a falar a homens e mulheres as palavras do próprio Deus.
O profeta ainda era o instrumento que Deus utilizava para proclamar a observância de suas leis e mandamentos e assim conduzir o povo ao arrependimento.

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A realidade da convivência com o falso profetismo é patente em nossos dias. Quem alguma vez não se deparou com a situação de presenciar um falso profeta em ação?

Deuteronômio 13:1-4
1 Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio,
2 e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los,
3 não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma.
4 Após o SENHOR, vosso Deus, andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. (ARC)

Desde a antiguidade, Deus tem acautelado o seu povo contra as manifestações teatralizadas pelos falsos profetas. Moisés, deixa-nos alguns pontos importantes quanto a tais ocorrências:

  1. Sempre haverá profetas e profecias no meio do povo de Deus (v 1);
  2. Se a profecia não estiver em harmonia com a Palavra do Senhor, deve ser imediatamente descartada sem o menor constrangimento – “Não ouvirás as palavras daquele profeta” (v 2,3);
  3. Tanto os falsos profetas e suas falsas profecias acontecem por permissão de Deus para que o coração do seu povo seja posto à prova a fim de saber se verdadeiramente amamos ao Senhor ou não (v 3);
  4. A verdadeira, absoluta e inerrante profecia sempre será aquela contida na Palavra do Senhor (v 4).

1 Coríntios 14:29
29 E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. (ARC)

1 João 4:1
Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. (ARC)

Paulo ao abordar o tema, deixa claro que a profecia no Novo Testamento e não o profeta, deve ser julgada e João aconselha que não devemos crer em todo espírito, antes devemos provar se os tais são provenientes de Deus, exatamente pelo fato de sempre haver muitos falsos profetas tramitando em nosso meio.

Alguém disse: “As pessoas não querem ouvir a sua opinião; elas querem ouvir a opinião delas saindo da sua boca”.
Jeremias na condição de profeta vocacionado e chamado por Deus, tinha um compromisso com a verdadeira mensagem do Altíssimo.
Muitas vezes, tal mensagem pode soar desagradável aos ouvintes, pois nem sempre elas estarão em harmonia com a nossa forma de pensar ou mesmo a forma de vida que estamos vivendo. Naturalmente, quem fala a verdade tem poucos amigos e enfrenta muito estresse.
Por outro lado, o falso profeta tem sempre uma mensagem agradável, aprazível e encantadora. Ele jamais confrontará o erro.

1.1 – Guardai-vos dos falsos profetas

O pastor Claudionor de Andrade, afirma que “o falso profeta é inescrupuloso, arrogante e tem ares de santo; esses indivíduos jogam a igreja contra o seu pastor, induzem os obreiros a desinteligência e lançam os fiéis à apostasia. Eles não vacilam em usurpar a glória que só é devida ao Senhor da Glória”.

Os tais afirmam ser porta voz de Deus e falar em nome de Deus, contudo não o são. Normalmente agem com mais liberdade em igrejas onde o rebando não tem uma boa fundamentação nas Escrituras.
Frequentemente são extravagantes e se apresentam de forma a impactar as pessoas, seja pela oratória persuasiva e ameaçadora ou reclamando para si mesmos a prerrogativa de profetas citando textos isolados das Escrituras tais como: “…credes nos seus profetas e prosperareis” (II Cr 20.20), aliás a mensagem de prosperidade é o carro chefe do seu sermonário. Não raro, tais “profetas” são apanhados em pecados morais, tais como adultério, prostituição, outras vezes utilizando drogas ou bebidas alcoólicas. A sua autoridade não se baseia nas Escrituras, mas em si mesmos, utilizando de jargões que intimidam e causa expectação aos seus ouvintes.

Após “entregar” alguma profecia, realizar algum “sinal”, trazer alguma “revelação”, começa o show de horrores da alta suficiência e glorificação humana em um culto que deveria ser dado a Deus. A igreja fica paralisada e confusa, mas prefere acreditar no falso profeta temendo alguma “maldição”, ou pior, de estar tocando no “ungido do Senhor”.
Temos no Livro Sagrado, total liberdade e confiança para resistir ou mesmo confrontar tais “homens de Deus”. Jeremias não se intimidou diante deles, antes os rechaçou (Jr 28.1-17).

Deuteronômio 18:21-22
21 E se disseres no teu coração: Como conheceremos a palavra que o SENHOR não falou?
22 Quando o tal profeta falar em nome do SENHOR, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele. (ARC)

Deus deixou o registro sobre como Israel deveria identificar um falso profeta e tal recomendação é aplicável hoje.
O profeta faria o seu pronunciamento e se a tal palavra não se cumprisse, certamente o Senhor não falou por meio daquele profeta, mas o mesmo falou de si mesmo. Não precisamos temê-lo.

O falso profeta também se frustra quando a sua mensagem não se cumpri e como forma de autodefesa, costuma culpar a falta de fé das pessoas ou que não compreenderam a profecia tal como deveria ou ainda passam a atacar aqueles que questionam suas falsas mensagens, verdade seja dita, eles nunca assumem o seu erro.

Na última lição aprendemos sobre aqueles que utilizam o “canivete do rei Jeoaquim” para fazer das Escrituras uma colcha de retalhos (item 1.1 da lição 7 do 2º Trimestre de 2017).

Os falsos profetas, são mestres na arte de manusear o “canivete de Jeoaquim”, pois distorcem com facilidade e cinismo passagens das Escrituras e as utilizam para o seu bel prazer e interesses.

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Jesus bem advertiu a sua igreja sobre estes ao dizer: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” Mt 7:15.

Matthew Henry afirma que Jesus comunica com severidade a estarmos vigilantes quanto aos impostores que em vez de curar as almas com uma doutrina saudável, as envenenam. Note você que os tais têm uma roupagem de ovelha e tem intenção de enganar.
No seu exterior aparentam inocência, são inofensivos, mansos, úteis por [causa de suas vestes], são aceitos entre as ovelhas que lhes dão a oportunidade de causar o prejuízo. Além de não serem ovelhas, também são o pior inimigo que elas possuem – lobos devoradores.

O verdadeiro profeta, necessariamente possui uma relação de intimidade com Deus, sua ligação com o Altíssimo é estreita (Am 3.7).
O verdadeiro profeta tem um coração completamente inclinado para as coisas de Deus e seus ouvidos estão constantemente afinados no diapasão do Espirito Santo, pronto a ouvir a sua voz e agradá-lo na satisfação da Sua vontade (Ef .6.6).

O maior profeta nascido de mulher, segundo a avaliação de Jesus, foi João Batista (Lc 7.28) e este teve seu ministério marcado não somente pela coragem e ousadia com que ministrava a sua mensagem, mas pela humildade e reconhecimento de que o importante será sempre o Senhor crescer e nós diminuirmos (Jo 3.30) – O verdadeiro profeta tem como característica a humildade e reconhece sempre que a glória, o domínio, o louvor e a majestade pertencem a Deus.

Vale ressaltar que no Novo Testamento, os falsos profetas também são conhecidos como falsos mestres, por trazerem ensinamentos que contrariam as Escrituras e causam terríveis prejuízos ao corpo de Cristo (I Tm 1.3; Fp 3.1,2,18,19; II Pe 2.12-22; Jd 1.3-4; 5-16)

Considerando que nem sempre é tão fácil identificar um falso profeta ou um falso mestre, Lawrence O. Richards em seu livro ‘Guia do Leitor da Bíblia’, diz que um exame mais apurado evidencia um sem número de sinais inequívocos, conforme descritos no quadro abaixo:

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Jeremias 14:14
14 E disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente em meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração são o que eles vos profetizam. (ARC)

O próprio Deus acusa os falsos profetas de mentirosos e que não os enviara, ou seja, falavam por conta própria e risco. O coração de cada um deles estava cheio de engano e vaidades pessoais; suas visões eram falsas e não tinham a autorização de Deus para falarem.

Jeremias, não somente combatia os pecados de Judá, mas também os falsos profetas e as falsas mensagens que eles proferiam. Enquanto os profetas “amigos” da corte do rei e dos sacerdotes afirmavam que não haveria fome, não veriam a espada, mas a paz reinaria em Judá (Jr 6.14; 14,13), Jeremias vinha com uma mensagem oposta, porém alinhada com a vontade de Deus.

1.2 – O confronto com Hananias

Não se sabe muito sobre a origem de Hananias, exceto que era filho de Azur, oriundo de Gibeão e que profetizou no início do reinado de Zedequias (Jr 28.1).

Hananias se destaca pelo estilo impressionante de se apresentar. Suas palavras no capítulo 28 são fascinantes e comoventes. Hananias falava como um verdadeiro profeta. Sua mensagem era carregada de dramaticidade e seu conteúdo bastante reconfortante, já que ela desafiava a mensagem de ruína e cativeiro pronunciada por Jeremias.

Jeremias 28:2
2 Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrei o jugo do rei da Babilônia. (ARC)

Hananias pregava a paz e a prosperidade. Tinha Jeremias como seu desafeto e inicia a sua falsa profecia desconstruindo a mensagem original de Jeremias (Jr 27.8), afirmando que Deus havia quebrado o jugo da Babilônia conforme profetizado por Jeremias (Jr 27,11,12).

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Imagine você, diante da ameaça que a Babilônia representava a Judá, de repente aparecer um “filho de Deus”, e afirmar que o Senhor quebrou o jugo que estava preparado contra eles! Ora, essa mensagem era um verdadeiro massageador para o ego daquele povo e por isso não foi difícil de acreditar e se apegar nas falsas palavras de Hananias.

Jeremias 28:2-4
2 Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrei o jugo do rei da Babilônia.
3 Depois de passados dois anos completos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da Casa do SENHOR que deste lugar tomou Nabucodonosor, rei da Babilônia, levando-os para a Babilônia.
4 Também a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e a todos os do cativeiro de Judá que entraram na Babilônia eu tornarei a trazer a este lugar, diz o SENHOR, porque quebrarei o jugo do rei da Babilônia. (ARC)

Hananias substitui a profecia de Jeremias por sua própria profecia.  Ele diz:

Primeiro – Que Deus havia quebrado o jugo da Babilônia (Jr 28.2);
Segundo – Que dentro de dois anos os utensílios do Templo seriam também devolvidos (Jr 28.3);
Terceiro – Que o Senhor iria repatriar o povo cativo para Jerusalém (Jr 28.4);

Sua profecia jamais se cumpriu e no teste do verdadeiro profeta, Hananias estava reprovado (Dt 18.22).
A profecia de Hananias foi conveniente aquilo que o rei, perturbado em seu coração queria ouvir; ele profetizou palavras que o povo ambicionava escutar e predisse o que todos desejam naquele momento.
Apesar de Hananias em tudo se parecer com um profeta, a palavra de Deus não estava com ele.

Assertivamente o nobre comentarista de nossa revista afirma que o jugo simbolizava o domínio e a sujeição. Assim como o gado é domado pelo jugo de seu dono, Jeremias afirma que Judá também seria subjugado pelo jugo da Babilônia.

Deuteronômio 18:20
20 Porém o profeta que presumir soberbamente de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não tenho mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, o tal profeta morrerá. (ARC)

As palavras de Hananias lavraram o seu veredito de morte, pois ele falara em nome de Deus falsamente e na Lei de Moisés estava explícito que o homem que assim procedesse deveria ser punido com a morte.

Há muitos que estão brincando de ser profetas no púlpito, trazendo prejuízos emocionais as ovelhas de Jesus Cristo, contando histórias e falando mentiras que seduzem e enganam os incautos. Estes também, como Hananias, estão assinalando o seu juízo diante de Deus.

2.3 – Dois profetas: dois exemplos

O capítulo 28 de Jeremias coloca frente a frente a verdade e a mentira, a realidade e a farsa, a sinceridade e a fraude, a fidelidade e a dissimulação, a veracidade e a invenção, Jeremias e a Hananias.

Do lado de Hananias pesava a popularidade e o status frente as representações religiosas, políticas e sociais de Judá, enquanto Jeremias possuía somente a verdade revelada nas Palavras do Senhor postas em sua boca (Jr 1.9) e a promessa de que aqueles que pelejariam contra ele, não iriam prevalecer (Jr 1.19).

Jeremias 28:2
2 Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrei o jugo do rei da Babilônia. (ARC).

Hananias feriu o terceiro mandamento das tábuas da Lei, alusivo ao relacionamento entre o homem e Deus. Ao mencionar em suas palavras: “Assim fala o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel”, Hananias tomou o nome do Senhor em vão, pois Deus não falou assim.

Hananias poderia facilmente ser confundido como um verdadeiro profeta, se portava como profeta, tinha uma mensagem de profeta, vestia-se como tal, porém lhe faltava as credenciais que somente Deus pode conceder ao profeta, a vocação e o chamamento (Jr 1.1-19).

Jeremias 28:15-17
15 E disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve, agora, Hananias: não te enviou o SENHOR, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras.
16 Pelo que assim diz o SENHOR: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o SENHOR.
17 E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês. (ARC)

O falso profeta, a fim de garantir credibilidade a sua palavra usou o nome do Deus de Israel de forma irresponsável e fingida, fazendo recair sobre si mesmo a sentença de morte.
Jeremias o desmascarou e vaticinou o seu falecimento ainda no mesmo ano que proferiu suas mentiras em nome do Senhor.

O cumprimento da profecia de Jeremias assegurou que ele de fato era um profeta conforme a evidência exigida por Moisés e já citada neste artigo – Neste caso o inverso torna-se verdadeiro (Dt 18.21,22).

Esse sempre será o fim de todos aqueles que estão a brincar com o nome de Deus, zombando de sua santidade e se portando sem temor e tremor diante do seu rebanho (Ef 6.5; Fp 2.12).

Aqueles que são usados no dom profético (At 21.9,10; Rm 12.6; Ef 4.11; I Co 12.10; I Tm 4.14), devem exercitá-lo na disposição de Deus, segundo a sua vontade e direção.
Lembrem-se que o dom não é propriedade do indivíduo, mas do Espírito Santo e é Ele quem o usa e não o contrário (I Co 12.4-11).

Ademais, o pastor Claudionor de Andrade acrescenta que os tais devem manter-se sempre humildes, reconhecendo sempre que a autoridade máxima da igreja foi conferida ao pastor e não a ele (grifo meu).

2 – A PALAVRA DE DEUS PERMANECE

1 Pedro 1:25
25 mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada. (ARC)

Vou abrir um parêntese aqui neste trecho da lição para chamar a sua atenção quanto a um “Evangelho” espúrio, pernicioso, perigoso e maléfico que tem invadido sorrateiramente as nossas igrejas (em algumas já está escancarado).

Em (14/05/2017), no início da madrugada, assisti determinado programa “evangélico”, onde o “pastor” devorador de ovelhas pregava uma mensagem um tanto diferente da mensagem da cruz. Enquanto ele dizia algumas palavras de incentivo a fé voltada para conquistar coisas materiais, imagens de iates, mansões, carrões esportivos, ilhas paradisíacas e outras cenas propositalmente ali inseridas para encher os olhos dos telespectadores eram produzidas vertiginosamente quase como uma lavagem cerebral. Após as imagens vieram as entrevistas ou os “cases de sucesso”, onde pessoas passavam a narrar que após participarem do congresso e lá ofertado, tiveram suas vidas mudadas da água para vinho. Exemplo: Ex mendigos e andarilhos que se tornaram milionários, faxineiras humilhadas que se tornaram empresárias de sucesso com casas e carros de luxo, outros tantos que testemunhava uma mudança financeira e nada mais. Em nenhum momento o nome de Jesus ou o seu Evangelho foi referenciado e por isso achei tudo aquilo muito estranho. Essa é a famosa e famigerada Teologia da Prosperidade que tem seduzido muitos cristãos. Essa mensagem não fala da cruz, não menciona a renúncia e tão pouco o arrependimento. Os que estão a anunciar este evangelho, são falsos profetas, são lobos devoradores.

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O apóstolo Pedro (autor do versículo citado acima), era pescador e de família de pescadores em Cafarnaum, tinha um ou mais barcos de pesca, mas quando foi chamado por Cristo, tudo deixou para viver uma vida humilde e sem ostentações. Me parece que o Evangelho no caso de Pedro, ao invés de enriquecê-lo o deixou pobre, pois este mesmo Pedro ao ser interpelado por um mendigo a porta do Templo Formosa, respondeu que não tinha nem prata e nem ouro (At 3.6). Este Pedro afirma em sua epístola que a Palavra do Senhor, ou seja, o verdadeiro Evangelho permanece para sempre e que tal Palavra é a que foi ministrada ou evangelizada entre os primeiros cristãos.

A Palavra que permanece citada por Pedro em I Pe 1.25, nunca será esta que promete riquezas materiais. Entenda que não sou contra o cristão ser rico ou mesmo milionário, mas que a essência do Evangelho ou a Palavra que deve ser ministrada nunca teve esse sentido ou essa ênfase. Jesus não deu essa importância e os apóstolos também não. O Evangelho nunca teve essa finalidade, isto é, enriquecer os homens.

Para a igreja de Laodiceia que se gabava por ser rica e de nada ter falta (Ap 3.17), Jesus a repreende e a aconselha a comprar ouro provado no fogo para desta forma fosse genuinamente rica (Ap 3.18). A riqueza da igreja jamais poderá ser mensurada nos bens que ela ou os seus membros possuem, mas na virtude espiritual e na graça do Senhor Jesus Cristo segundo a Palavra de Deus (Pv 22.1; II Co 2.8; Ef 1.7; 3.8; 3.16; Fp 4.19; Cl 1.27; Hb 11.26; Tg 5.2).

Em Marcos 10.17-27, no encontro de Jesus com o jovem rico, vemos nitidamente que a ganância ou o amor pelas coisas terrenas pode ser um grande empecilho para se entrar no céu (I Tm 6.9-10; Tg 5.1-6). Aquele moço guardava todos os mandamentos, no entanto lhe faltava algo para que o gozo da salvação se completasse na sua vida – abandonar o amor que sentia pelas coisas materiais. Quando Jesus o orienta a vender tudo o que tinha e dar aos pobres e só depois estaria apto a segui-lo, ele se entristeceu, porque era muito rico. Jesus conclui dizendo o quão difícil é para um rico entrar no céu. Se estas palavras são verdadeiras (e são), porque há igrejas, denominações inteiras, ministérios e mensagens que se baseiam em enriquecer o homem?

O próprio Filho de Deus disse que “as raposas têm covis, e as aves do céu tem ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Covis e ninhos são onde as raposas e as aves do céu encontram o seu repouso, portanto representam as suas moradias, porém Jesus declara que ele não tinha sequer uma casa onde pudesse descansar (Mt 8.20). Acerca deste texto, Matthew Henry é enfático: “Quando esteve aqui neste mundo, nosso Senhor Jesus, submeteu-se às desgraças e aflições da pobreza”.

Considerando o que já expomos nesta lição, onde o falso profeta pode muito bem ser considerado também como um falso mestre, entendemos que esses tais, ao ensinarem que as bênçãos do Senhor se resumem naquilo que é terreno e passageiro ou que independem de uma conversão genuína, estão eles, prestando um desserviço ao reino de Deus, anunciando uma mensagem enganadora que satisfaz seus deleites e frustra os descuidados e imprudentes. Sem contar que estão trabalhando na contramão da Palavra de Deus.

Hananias em nenhum momento apontou os tantos pecados que estavam calculados na conta de Judá, porém ainda assim profetizava paz e prosperidade ao povo. Bem parecido como o que temos visto e ouvido nos dias de hoje.

2.1 – Um povo vulnerável a sua fé

Jeremias 30:12-13
12 Porque assim diz o SENHOR: Teu mal é incurável, a tua chaga é dolorosa.
13 Não há quem defenda a tua causa; para a tua ferida não tens remédios nem emplasto. (RA)

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O próprio Deus concluiu que o mal ou a chaga de Judá era incurável e dolorosa. Não havia remédios nem unguentos que pudessem sarar aquela ferida causada pelos muitos pecados cometidos.
O pastor Clementino de Oliveira Barbosa, ilustre comentarista da revista enumera algumas das transgressões praticadas por Judá, são elas:

1. Infidelidade e meretrício (Jr 5.7-8);
2. Descrença (Jr 5.12);
3. Abandono da Palavra (Jr 5.13);
4. Idolatria (Jr 5.19);
5. Falta de discernimento espiritual (Jr 5.21).

Judá perdera rapidamente todo o fervor espiritual provocado pela reforma do rei Josias. A fé daqueles que deveriam anunciar o nome do Senhor estava perdida.

Jeremias 5:12
12 Mentiram acerca do Senhor, dizendo: “Ele não vai fazer nada! Nenhum mal nos acontecerá; jamais veremos espada ou fome”. (NVI).

Judá demonstra total descrença nas profecias de Jeremias ao afirmarem: “Mentiram acerca do Senhor… Ele não vai fazer nada! Nenhum mal nos acontecerá”. Tinham fé para crer naquilo que lhe era vantajoso, mas aquilo que lhes era inconveniente, descartavam.

Esse comportamento sempre será inadequado para o servo de Deus. Devemos acatar não somente as boas promessas que a nós são dirigidas, mas também as mensagens de exortação e concerto devem achar guarida no coração de um homem que sinceramente deseja servir a Deus (II Sm 12.13).

Jeremias 14:20-21
20 Ah! SENHOR! Conhecemos a nossa impiedade e a maldade de nossos pais; porque pecamos contra ti.
21 Não nos rejeites por amor do teu nome; não abatas o trono da tua glória; lembra-te e não anules o teu concerto conosco. (ARC).

Jeremias demonstrou em sua vida e ministério tamanho grau de sacrifício que mesmo sem ofender a Deus com os pecados do seu povo, ele orou e se incluiu como transgressor. Semelhantemente Daniel, após tomar o livro das profecias do próprio Jeremias (Dn 9.2), também se humilhou diante de Deus, embora ele mesmo não tivesse transgredido como seus pais (Dn 9.5-6).

2.2 – Devemos tomar cuidado com os profetas mentirosos

Mateus 24:11
11 E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. (ARC)

Marcos 13:22-23
22 Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.
23 Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo. (ARC)

Jesus, já nos alertou profeticamente que os dias em que estamos vivendo serão tempos de infestação de falsos profetas. A Bíblia faz questão de dizer que serão muitos falsos profetas que estarão em atividade e enganando quantos puderem.

Com o auxílio do terno Espírito Santo, devemos estar em estado de atenção máxima a fim de detectarmos o menor sinal ou movimento desses falsários no reino de Deus.

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Cito novamente o pastor Claudionor de Andrade, que nos traz alguns cuidados que haveremos de tomar a fim de minimizar a presença dos falsos profetas entre nós ou mesmo extingui-los:

1. A procedência do profeta
De onde vem o pregador, o avivalista, o conferencista e o pressuposto profeta? Busque saber se tem ele carta de recomendação; averigue a validade dos documentos. Cuidados com os chamados clínicos pastorais que, sob o aparato da psicologia, se intrometem na intimidade das ovelhas, induzindo muitos servos de Deus, à impureza. Precautele-se contra os que, de cidade em cidade, levantam vultosas somas. Não permita que o lobo espolie (roube) sua igreja. Mas não deixe de honrar os que, em espírito e verdade, pregam e ensinam a Palavra de Deus (I Tm 5.17);

2. A qualidade da mensagem
O mensageiro fala a palavra de Deus? Ou se acha em nosso meio para instilar o engano e a apostasia? Se vier com outra mensagem, ou evangelho, que seja considerado anátema, mesmo que que tenha cara de anjo (Gl 1.8);

3. A pretensão do profeta
A semelhança de Hananias, que não temeu enfrentar o homem de Deus, muitos são os profetas e profetisas que buscam dominar o pastor, o ministério e a igreja. Não aceite tais manobras! O cajado foi entregue a você, amado pastor, e não aos aventureiros que das ovelhas visam apenas à lã e a gordura.

Jeremias labutou contra esses agentes do diabo que sob a áurea profética e transvestidos de homens de Deus pervertiam o caminho do Senhor, distorciam a sua palavra e desviava os servos de Deus do caminho correto.

Menciono ainda que tais “profetas” também tem por costume visitar os lares dos crentes, adentrando sorrateiramente, destilando perfume de “unção” e “santidade” para ali armarem o seu palco de “espiritualidade”. Iludem os mais simples com suas “visagens”, “revelamentos” e “profetagens”, lançando as ovelhas contra o seu pastor e sua liderança, causando enormes prejuízos na vida espiritual, emocional e relacional dos irmãos (II Tm 3.6-9). Os tais são nuvens sem água e árvores sem frutos (Jd v12).

Acredite, ainda hoje existem falsos profetas com mau-caratismo inimagináveis.

2.3 – Cristo o maior profeta

A manifestação de Jesus ao mundo foi o cumprimento das profecias anunciadas pelos profetas Veterotestamentário. Dentre elas, encontra-se aquela proferida por Moisés a respeito de UM PROFETA que haveria de se levantar em Israel:

Deuteronômio 18:15,18
15 O SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis;
18 Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. (ARC).

Para um judeu, havia três provas pelas quais o verdadeiro profeta de Deus podia ser reconhecido:

1. Deveria ser um judeu (Dt 18.15);
2. Falaria em nome do Senhor (Dt 18.20);
3. O que predissesse certamente aconteceria (Dt 18.22).

Depois dessa profecia de Moisés, muitos outros profetas se levantaram em Israel, tais como: Samuel, Davi, Elias, Eliseu, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, a lista é grande…, no entanto nenhum deles ainda era o profeta anunciado por Moisés.

Lawrence O. Richards comenta esse texto dizendo que enquanto essa passagem estabelece um fundamento para o ministério de muitos profetas em Israel, mais tarde, o judaísmo viu na sua forma mais singular uma profecia de uma vinda individual. Em At 3.22-23 Pedro anuncia que o esperado profeta não é outro senão Jesus.

João 1:45
45 Filipe achou Natanael e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na Lei e de quem escreveram os Profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. (ARC).

Filipe ao encontrar Jesus, não teve dúvidas que se tratava do profeta mencionado por Moisés e assim comunicou com Natanael.

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Para que as comparações entre os profetas Moisés e aquele que viria e seria semelhante a ele (Jesus), sejam dissipadas, o escritor da carta aos Hebreus enfatiza a superioridade de Cristo sobre Moisés (Hb 3).

Se Moisés falava face a face com Deus (Ex 33.11), Jesus foi aquele que ESTAVA no princípio COM DEUS, ou seja, antes da criação do universo, nos recônditos da eternidade, o Verbo desfrutava de plena comunhão com Deus Pai.
A expressão grega “pros ton Theon” traz a ideia de “face a face”. Deus Pai e o Verbo, embora sejam duas pessoas, estão ligados por indescritível harmonia que não se contradizem. O Verbo e o Deus Pai existiam face a face, compartilhando intimidade e propósito.

Outros relatos testificam que Jesus fora de fato o profeta mencionado por Moisés. Segue abaixo algumas exposições:

1. Os discípulos afirmaram que Jesus foi “varão profeta” (Lc 24.19; At 3.22-23; 7.37);
2. O povo enxergou o caráter profético de Jesus (Mt 21.10-11,46; Lc 7.16; 24.19; Jo 4.19; 6.14; 7.40; 9.17);
3. O próprio Jesus se auto declarou profeta (Mc 6.4; Lc 13.33).

Os fariseus, porém, não o enxergaram como tal (Lc 7.39; Jo 7.52).

Segundo a estatística encontrada no livro ‘A base da fé cristã’ de Floyd Hamilton, existem 332 predições distintas que foram literalmente cumpridas em Cristo.
http://portugues.ucg.org/crencas-doutrinais/profecias-sobre-jesus-podem-provar-que-ele-era-o-messias

Seguem algumas das profecias proferidas pelos profetas do A.T. acerca de Jesus e seu cumprimento:

Acerca de uma virgem que daria à luz
Profecia: Is 7.14;

Data da profecia: 758 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mt 1:18; 1:24-25; Lc 1:26-27;

Acerca do lugar onde o Messias nasceria
Profecia: Mq 5.2;

Data da profecia: 710 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mt 2:1; 2:4-8; Lc 2:4-7;

Acerca do animal que o Messias montaria
Profecia: Zc 9.9;

Data da profecia: 487 a.C.;
Cumprimento da profecia: Lc 19:30-38; Mt 21:1-11;

Acerca da traição do Messias
Profecia: Sl 41:9;

Data da profecia: 1023 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mt 10:4; 26:49-50;

Acerca do preço da traição
Profecia: Zc 11:12

Data da profecia: 487 a.C.
Cumprimento da profecia: Mt 26:15; 27:3;

Acerca do silêncio do Messias diante dos seus acusadores
Profecia: Is 53:7;

Data da profecia: 712 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mt 27:12;

Acerca da morte do Messias
Profecia: Sl 22.16;

Data da profecia: 1017 a.C.;
Cumprimento da profecia: Lc 23:33-34;

Acerca de lançarem sorte sobre quem ficaria com as suas roupas
Profecia: Sl 22:18;

Data da profecia: 1017 a.C.;
Cumprimento da profecia: Jo 19:23-24;

Acerca da sede do Messias e da bebida que lhe deram
Profecia: Sl 69:21;

Data da profecia: 1023 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mt 27:34;

Acerca da dispersão dos discípulos após a morte do Messias
Profecia: Zc 13:7;

Data da profecia: 487 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mc 14:50;

Acerca da ressurreição do Messias
Profecia: Sl 16:10; Sl 30.3;

Data da profecia: 1060 a.C.; 1023 a.C.;
Cumprimento da profecia: Mt 28:6; At 2:31; 13:33;

Todas as evidências proféticas citadas acima, foram satisfeitas plenamente em Jesus Cristo.

3 – NADA PODEMOS CONTRA A VERDADE

2 Coríntios 13:8
8 Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. (ARC)

Existe um ditado popular que diz: “A mentira tem pernas curtas”. As entrelinhas deste adágio querem dizer que em um determinado momento a verdade sempre virá à tona. É como alguém que mata outro e o lança na água para escondê-lo, o corpo afunda e desaparece nas profundezas, porém após algum tempo (dias), torna a emergir, flutuar na superfície e o que era para estar escondido é revelado.

Muitos rejeitam a verdade como Hananias o fez, outros a camuflam, encobrem, no entanto, chegará um dia em que tudo que está escondido será revelado e o que estiver oculto se tornará conhecido (Mt 10.16b), inclusive todas as mentiras contadas e praticadas pelos homens, pois a luz da verdade sempre prevalece alumiando as trevas e expondo o secreto.

Jeremias 9:3
e estendem a língua, como se fosse o seu arco para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade, porque avançam de malícia em malícia e a mim me não conhecem, diz o SENHOR. (ARC)

Os que praticam a mentira não conhecem a Deus e para Ele são abomináveis (Pv 12.22); deles o Senhor se afastará para sempre (Ap 22.15).

3.1 – O pai da mentira

Se Jesus é a Verdade e o Rei Confiável conforme aprendemos na introdução desta lição, ao contrário Dele, temos na pessoa do nosso adversário algo muito além da desconfiança, mas alguém completamente infiel, trapaceiro, enganador, desleal e mentiroso.

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João 8:44
44 Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. (ARC)

O texto de João é conclusivo acerca do diabo, pois o revela ser:

1. Homicida;
2. Incapaz de ser verdadeiro;
3. Nele não há verdade alguma;
4. É naturalmente mentiroso (faz parte da sua natureza, caráter e propriedade);
5. É o pai da mentira (o princípio ou a origem da mentira está nele).

A mentira é o ato proposital de enganar outros; quem a pratica, usa de falsidade e tem como agente inspirador, o próprio diabo.

É fácil mentir e sempre somos tentados a sair pelo caminho menos complicado.
Hananias, poderia ter seguido o exemplo de Baruque, poderia ter se deixado levar pela verdade e assim apoiado o profeta Jeremias, mas preferiu o caminho das facilidades da corte, optou pelo bom relacionamento e a influência do poder. Hananias preferiu a mentira e teve como consequência a morte.

Biblicamente, existe uma relação entre a mentira e a morte quando o nome do Senhor está envolvido.

Outro Ananias na Bíblia (este sem o “H” inicial) foi morto por ter mentido ao Espírito Santo de Deus e posteriormente, a sua esposa Safira, por confirmar a mentira, também morreu (At 5.1-10).

Salmos 5:6
6 Destruirás aqueles que proferem a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento. (ARC)

A mesma Bíblia ainda revela que todos os que praticam a mentira serão por Deus destruídos (segunda morte). A estes, conforme o livro de Apocalipse já citado, está reservado um lugar de tormento eterno; “Mas quanto aos tímidos, e aos incrédulos, …, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será o lago de fora que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte” Ap 21.8.

Os que amam e cometem mentira ficarão de fora do reino de Deus (Ap 22.15), ou seja, não farão parte, serão excluídos para sempre da presença do Senhor!

Ao cristão, não é conveniente mentir, sob qualquer hipótese (cito com mais detalhes esse assunto no item 2.1 da lição 12 do 1º Trimestre de 2017).

3.2 – A primeira mentira do mundo

No jardim do Éden, quando ainda reinava a inocência na criação de Deus, acharemos a causa de todo o desajuste da ordem original. Saber que todo o mal que existe na humanidade tem sua origem na mentira é entender o quão danoso é esse comportamento que se manifestou primeiramente no diabo (antiga serpente – Ap 12.9; 20.2) – Por isso é também chamado de pai da mentira (Jo 8.44).

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O Capítulo 1 do livro de Gênesis, encontramos o relato de toda a criação de Deus e no capítulo 2, os detalhes da criação do homem e da mulher.

Gênesis 2:15-17
15 E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.
16 E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente,
17 mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (ARC)

A instrução para não comer da árvore da ciência do bem e do mal foi dada somente a Adão. Eva, ainda sequer havia sido criada. Está implícito que seja Adão quem repassou a informação do mandamento de Deus a Eva, posteriormente.

Na ocasião em que o diabo (serpente) dialoga com Eva, Adão não está presente. Eva está sozinha e ele a engana contando a primeira mentira. Deus havia dito que se comessem, seriam mortos (Gn 2.17). O diabo inicia com uma expressão que tem como objetivo levantar dúvida a Palavra dita por Deus. Ele é cínico quando fala: “É assim que Deus disse?” Gn 3.1.
Nosso inimigo sempre tentará impelir a falsa ideia de que a Palavra de Deus está sujeita ao nosso julgamento. O tom utilizado pelo diabo é de incredulidade e lança a incerteza quanto a Palavra.

Depois ele distorce por várias vezes a mensagem original de Deus, primeiro perguntando como quem não conhecesse: “Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gn 3.1).
Agora ele usa do exagero e ultrapassa o mandamento dado por Deus, atraindo Eva para a discussão usando do seu mecanismo de chamar a atenção do homem (gênero humano).

Eva, “corrige” a serpente (o diabo) cometendo outro exagero: “nem tocareis” (Gn 3.3), aumentando o rigor de Deus e aqui ela teria muitos sucessores, inclusive os fariseus.

Depois da pergunta, há clara contradição na expressão do diabo: “É certo que não morrereis” (Gn 3.4).
Derek Kidner, afirma que é a palavra da serpente contra a de Deus, e a primeira doutrina a ser negada é a do juízo. Se as modernas rejeições da doutrina têm motivações diversas daquela, são igualmente antagônicas à revelação; Jesus reafirmou totalmente a doutrina (ex., Mt 7:13-27).
O clímax é uma mentira tão grande que pretende reinterpretar a vida (esta largueza de vistas constitui a força de um sistema falso) e bastante dinâmica para dar nova direção ao fluxo da afeição e da ambição. Ser como Deus, e conseguir isto por superá-lo em astúcia, é um programa inebriante. Daí por diante Deus será tido, conscientemente ou não, como rival e inimigo. Contra essa arrogância humana, a “obediência de um só” e o assumir Ele “a forma de servo” mostram-se em suas verdadeiras cores (Rm 5:19; Fp 2:7).

Perceba que a mentira pode ser caracterizada também pela distorção de uma verdade que tem como finalidade induzir ao erro. No deserto, Satanás tentou Jesus desta forma, usando a Palavra de Deus de forma adulterada (Mt 4.1-11).

A artimanha do diabo sempre será nos apanhar sozinhos, como fez com Eva e Jesus. Ele depois lança a dúvida quanto a Palavra do Senhor, distorce-a em seu benefício ou interesse, procura enganar, seduzindo através da concupiscência dos olhos, até que estejamos presos em sua teia.
Este sempre será o esquema repetido utilizado por Satanás para tentar qualquer um de nós. Com Eva funcionou, mas com o Filho de Deus que expressou ser o caminho, a Verdade e a vida (Jo 14.6), não logrou êxito.

O servo de Deus deve hospedar uma sentinela em seu coração e nos seus lábios a fim de que no coração a mentira não seja maquinada e nos lábios não seja proferida.

3.3 – O cinto da verdade

O servo de Deus se acha evolvido em um conflito violento de ordem espiritual. E Paulo expressa o equipamento que o cristão necessita para suportar tal embate – A armadura de Deus.

Francis Foulkes, afirma que a armadura de Deus, tanto pode significar a armadura que Ele mesmo usa, quanto a que Ele fornece. Talvez ambas as ideias estivessem na mente de Paulo.

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Não podemos ignorar o fato de que Paulo nesta ocasião estava preso e sob guarda de soldados romanos, logo, a mensagem de Efésios 6.10 em diante tem forte inspiração visual.

Efésios 6:14
14 Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, (ARC).

Cingir os lombos, trata de amarrar o cinto da veste. Neste texto, cingir significa colocar o cinto da verdade nos lombos. No oriente, o cinto era um acessório de suma importância para um trabalhador, pois ele garantiria que as vestes estariam firmes e ele teria mobilidade suficiente para executar o seu serviço. Cingir os lombos representa uma preparação para o trabalho. Resumindo:

1. Segurava toda a roupa;
2. Protegia parte do abdômen;
3. Prendia a túnica;
4. Segurava a espada;

Podemos com isso concluir que a referência não é feita à verdade do evangelho, mas ao ato íntimo de cingir-se com a verdade no sentido de integridade, a verdade do íntimo de que fala o Salmos 51.6.              

Francis Foulkes, acrescenta que: assim como “o cinto… dá facilidade e liberdade de movimento”, também “é a verdade que nos dá esta liberdade conosco mesmos, com o nosso próximo e com Deus. A falta de perfeita sinceridade nos embaraça a cada movimento”.

Efésios 4:25
25 Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. (ARC)

Neste mesmo livro, Paulo atesta sobre a necessidade de abandonarmos a mentira e falarmos a verdade.
A mentira é uma característica da velha vida, marcada pela ignorância, vaidade e engano.
A recomendação da Palavra de Deus é que venhamos deixar a mentira e falar a verdade cada um com o seu próximo.

Hernandes Dias Lopes afirma: “Quando falamos a verdade, Deus está trabalhando em nós; quando falamos a mentira, o diabo está agindo por nosso intermédio. A mentira destrói a comunhão da igreja. A comunhão é edificada na confiança. A falsidade subverte a comunhão, ao passo que a verdade a fortalece.”

A mentira nunca agregará valor em qualquer lugar que ela perambular, ao contrário, ela sempre trará vergonha, embaraço, desconfiança, discórdia e insegurança. Mentir estremece as relações e nunca será a melhor alternativa.

O servo de Deus deverá sempre optar pela verdade, pois dessa maneira ele se assemelhará com o Deus que o salvou, com o Deus que o remiu, cuja vereda é a verdade (Sl 25.10).

CONCLUSÃO

Nenhuma descoberta, iluminação, sonho, visão ou palavra profética pode estar acima da revelação contida na Palavra de Deus. Não importa as credenciais e a influência que possa dispor o pseudoprofeta, a Palavra de Deus sempre será a régua apta a medir o que sai da boca dele.

Aprendemos que o cuidado com as mensagens falsificadas é uma recomendação bíblica e não uma confrontação inconsequente. O pastor ou o obreiro tem a garantia da Palavra de Deus para exortar o falso profeta e resistir-lhe.

Ao cristão convém ser sempre verdadeiro, independentemente da situação, pois a verdade sempre triunfará.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada / NVI;
Dicionário da língua portuguesa;
O dom de profecia – Wayne Grudem – Editora Vida;
Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando S. Boyer – Editora Vida;
Revista EBD – 2º Trimestre 2010 – Lição 8 – Claudionor de Andrade – CPAD;
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards – CPAD;
Bíblia de Estudo Matthew Henry – Versão Revista e Corrigida – Central Gospel;
Comentário Bíblico Matthew Henry –Matthew Henry – CPAD;
Comentário de Gênesis – Série Cultura Bíblica – Derek Kidner – Vida Nova;
Comentário de Efésios – Série Cultura Bíblica – Francis Foulkes – Vida Nova;
Comentário Expositivo Hagnos – Efésios – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos;
Site da internet mencionado quando citado no texto;

Por: Irmão Cláudio Roberto


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