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Betel Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 07/05/2017 – Lição 6: O Senhor, Justiça Nossa

03/05/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Jeremias 23:6
6 Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o nome com que o nomearão: O SENHOR, Justiça Nossa. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Jeremias 23:1,2,5
1 Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR.
2 Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o SENHOR.
5 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; sendo rei, reinará, e prosperará, e praticará o juízo e a justiça na terra. (ARC)

INTRODUÇÃO

O livro de Jeremias tem muito a nos ensinar sobre o tema Justiça.

Iremos estudá-la sob a perspectiva de Deus. Vale ressaltar que existe uma desigualdade enorme entre o significado da palavra justiça na interpretação humana daquela sob o ponto de vista Divino.

O assunto é um dos mais relevantes nas Escrituras, tanto que na teologia existe uma matéria dedicada ao assunto: Doutrina da Justificação. Tal ensino pode ser considerado a espinha dorsal da Soteriologia (Doutrina da Salvação), pois sem a compreensão correta da doutrina da justificação, o homem se perde em teorias e filosofias que o afastam de Deus e da sua verdade, culminando em sua eterna condenação.

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Como Deus exerceu a sua justiça em benefício do homem? Interessante saber que ela é a única aceita por Deus – Aquela que Ele mesmo patrocinou na cruz do calvário e nenhuma outra é admissível.

1 – DEUS É A NOSSA JUSTIÇA

Justiça no hebraico é “sedãqãh” e do grego “dikaiosyne” ou “dikaos”, e significa: “É a virtude que dá a cada um o que lhe é de direito”.

Romanos 3:22-25
22 isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença.
23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,
24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,
25 ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; (ARC)

O saudoso pastor Emílio Conde (1901 – 1971) em seu livro intitulado “Tesouro de Conhecimentos Bíblicos” descreve importante conceito da palavra justiça:
“A palavra justiça em pauta, não é acerca do direito civil, administrativo ou criminal; trata-se do estudo da palavra justiça, sob o ponto de vista divino… Considerando-se que tanto a justiça como as leis divinas são de ordem espiritual e são mais elevadas do que a lei e a justiça dos homens, e mais exigentes em sua aplicação e observância; considerando-se que não há alguém capaz de cumprir a lei e praticar a justiça, por si só, conclui-se que todos os homens são transgressores, estando sujeitos à condenação, a não ser que sejam perdoados, através da justiça divina, isto é, através do perdão de Deus pelo sangue de Jesus Cristo”.

Entre os documentos elaborados no concilio de Westminster (concílio convocado entre 1643 e 1649 para reestruturar as igrejas na Inglaterra – Fonte: Wikipedia), conhecidos como “Confissão de fé de Westminster” ou “Catecismos de Westminster”, encontramos a base da maioria dos credos das igrejas cristãs evangélicas.
A natureza de Deus, descreve quem é Deus e o que Ele é. A melhor definição se encontra exatamente no Catecismo de Westminster. Myer Pearlman transcreve parte do que reza o tal credo: “Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, JUSTIÇA, bondade e verdade”(grifo nosso).

Pode-se formular a definição bíblica do que é Deus (não sua totalidade), pelo estudo dos seus nomes.
Myer Pearlman afirma que o “nome” de Deus, nas Escrituras significa mais que uma combinação de sons, representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome.

Jeremias 23:6
6 Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o nome com que o nomearão:O SENHOR, Justiça Nossa. (ARC)

O termo descrito por Jeremias – “O SENHOR, Justiça Nossa”, significa “JEOVÁ TSIDKENU”.
O termo tem o seguinte conceito:

JEOVÁ é traduzido como Senhor (NVI) – O Deus Criador;
JAVÉ – Aquele que Existe (Dicionário Strong);
TSIDKENU é traduzido literalmente conforme descrito em Jr 23.6 – O Senhor é Nossa Justiça! Aqueles que se sentem sob condenação e necessitam da justificação, invocam, cheios de esperança a JEOVÁ TSIDKENU(grifo nosso).

Justiça ainda é também um atributo moral de Deus. Como atributo significa afirmar que Deus é justo.

Gênesis 18:25
25 Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (ARC)

Citamos mais uma vez Myer Pearlman quando diz que a Justiça é a obediência a uma norma reta; é conduta reta em relação ao outro.
Existem 5 maneiras de Deus manifestar esse atributo do seu caráter:

  1. Quando livra o inocente, condena o ímpio e exige que se faça justiça. Deus julga não como o fazem os juízes modernos, que fundamentam seu julgamento na evidência apresentada a eles por outras pessoas. Deus descobre por si mesmo as evidências (onisciência). O Messias cheio do Espírito Divino, “não julgará pela aparência, nem decidirá com base no que ouviu”, mas julgará com justiça (Is 11.3).(acréscimo nosso);
  2. Quando Deus perdoa todo aquele que se arrepende (Sl 51.14. I Jo 1.9);
  3. Quando castiga e julga o seu povo (Is 8.17; Am 3.2);
  4. Quando salva o seu povo. Chama-se justiça de Deus a intervenção que ele faz a favor do seu povo (Is 43.13; 45.24,25). Ele livra o seu povo de seus pecados e de seus inimigos, e o resultado é a retidão do coração (Is 51.6; 54.13; 60.21; 61.10);
  5. Quando dá vitória à causa de seus servos fiéis (Is 50.4-9). Depois de libertar seu povo e julgar os ímpios, teremos “novos céus e nova terra, onde habitará a justiça” (2 Pe 3.13).

Deus não somente trata justamente, como também exige justiça.

Quanto ao homem que houver pecado, em caso de arrependimento, Ele oferece de forma graciosa a sua justiça; “Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça”. Rm 4.5 (ARC) – Nos capítulos 3, 4 e 5 da epístola aos Romanos, temos uma sólida base da doutrina da Justificação.

Deus como Santo, opera a santificação na vida de seus servos e como Justo, opera a justificação!

1.1 – Quem ainda não sofreu uma injustiça

Quando somos enganados, caluniados, quando nos faltam com a verdade, quando somos tratados com desigualdade ou somos julgados de forma parcial e arbitrária e outras tantas tendenciosidades, passamos a fazer parte da estatística daqueles que sofreram injustiça.

A boa notícia é que a história está permeada de pessoas que foram injustiçadas e que a mesma é parte da vida não somente do cristão, mas de toda a humanidade.

Pense em nações que padeceram nas mãos de ditadores, como os judeus nas mãos de Adolf Hitler; nas milhares de crianças resididas no continente africano e que morrem diariamente por inanição ou desidratação causadas pela fome e precárias condições sanitárias; as tantas vítimas de guerras que nada haver tem com os interesses daqueles que decidem se agredir militarmente. Isso seria o bastante para afirmar que o mundo nos parece bastante injusto.

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Assim como Jeremias, a Bíblia contém registro de diversos outros personagens que foram injustiçados e note você que todos eles possuíam caráter digno, porém nem isso os impediu de atravessarem pela tormenta da injustiça. A grande realidade é que a nossa sinceridade, verdade e caráter cristão servirá para nos conduzir mais rapidamente as experiências de injustiça.

  1. Abel, foi injustamente assassinado pelo seu irmão Caim por oferecer um sacrifício agradável a Deus (Gn 4.8);
  2. Jó padeceu de forma injusta (Jó 2.3 – Leia esse versículo e atente para a frase no final dele: “para o consumir sem causa”);
  3. José, filho de Jacó, foi injustamente lançado em uma cova por seus irmãos e depois vendido como escravo por que seus irmãos lhe invejavam (Gn 37.24,28);
  4. O mesmo José foi injustamente acusado de sedução pela mulher de Potifar, quando rejeitou deitar-se com ela (Gn 39.7-20);
  5. Davi, foi perseguido por Saul, sofrendo injustiça pelo simples fato de que tinha mais popularidade do que o rei de Israel (I Sm 18.7,8);
  6. O profeta Elias foi injustamente chamado por Acabe de perturbador de Israel e depois ameaçado de morte por Jezabel por condenar a idolatria do seu povo (I Re 18,17; 19.2);
  7. Daniel foi lançado em uma cova de leões injustamente porque não alterou a sua agenda de oração (Dn 6.10,13,16);
  8. Seus amigos, Hananias, Misael e Azarias forma postos em uma fornalha de fogo ardente por não se curvarem diante da estátua do Rei Nabucodonosor – ato de idolatria (Dn 3.5,12,19-21);
  9. João Batista foi decapitado injustamente, satisfazendo o coração iníquo de pessoas embriagadas em uma festa pagã (Mt 14.8,10,11);
  10. Tiago foi morto a espada injustamente por pregar o evangelho (At 12.1,2);
  11. Paulo foi tantas vezes açoitado, preso, caluniado, sofreu agravos diversos de forma injusta também por anunciar a verdade do Evangelho (At 14.19; 16.23,24; 17.13,14; 19.23-26; 21.27-31; 27.13-20;  II Co 11.32.33);
  12. Jeremias, objeto desta lição, também experimentou a injustiça por causa da verdade (Jr 37.16; 38.6);
  13. E tantos outros… Agora lembre da injustiça que sofreu estando em serviço no reino de Deus e veja o seu nome também aqui relacionado.

O próprio Jesus, o Justo (I Jo 2.1), morreu de forma injusta.

Marson Guedes no seu livro “O Caminho de Jeremias”, afirma que Jesus é o único Deus que sabe exatamente o que significa a injustiça deste mundo, pois sofreu a maior de todas as injustiças, motivado unicamente pelo amor.

O julgamento de Jesus foi o mais injusto da história da humanidade. Os fariseus já haviam determinado matar a Jesus, antes mesmo de prendê-lo (Jo 11.47-53; Mc 14.1). O que eles queriam era dar uma aparência de legalidade ao crime já premeditado. Vejamos alguns atos de injustiças no julgamento do Cristo:

  1. Uma pessoa só podia ser acusada se houvesse ao menos duas testemunhas de acusação prescrevido na Lei de Moisés (Dt 19.15), no entanto Jesus foi preso sem acusação formal. Somente após a sua prisão, o Sinédrio começou a buscar testemunhas de acusação contra Jesus (Mt 26.59);
  2. Jesus foi levado a casa do ex-sumo sacerdote Anás que começou a interrogá-lo (Lc 22.54; Jo 18.13) durante a noite. Por assim agir, Anás não considerou a lei de que acusações passíveis de pena capital deviam ser julgadas durante o dia e não durante a noite;
  3. Qualquer investigação deveria ser realizada em tribunal público e nunca a portas fechadas em uma casa;
  4. “Porque me interrogas? Interroga os que ouviram o que lhes falei. Eis que estes sabem o que eu disse.” (Jo 18.21). Jesus sabia como um julgamento deveria ser conduzido, por isso reclama que Anás deveria ouvir também as testemunhas a seu favor e só depois o acusado (para se defender);
  5. Jesus é imediatamente esbofeteado (Lc 22.63). Aqui, o Sinédrio fere outro princípio da Lei que encontramos no livro de Números, capítulo 35 onde é conferido ao acusado as garantias de segurança e proteção àqueles que ainda não havia sido considerado culpados por seus crimes – cidades de refúgio;
  6. Jesus é transferido para a casa do sumo sacerdote Caifás. Como não conseguiram testemunhas cuja acusação, fossem harmoniosas, passaram a questionar a Jesus – “Nada dizes nada em resposta? Que testificam estes contra ti?” (Mc 14.60). Tal atitude praticada por Caifás é completamente inadmissível, pois não se pode condenar um acusado baseado em sua resposta sob pressão e espancamento; trata-se de um ultraje a justiça;
  7. Jesus se auto declara o Messias – “E, levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra ti? Mas ele calou-se e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?” (Mc 14:60-63). O Sinédrio conclui que tal declaração era Blasfêmia, mas cometeram outra injustiça em não averiguar a veracidade da confissão, porque desde o início a intenção nunca foi de julgá-lo, mas de condená-lo a morte.

Hernandes Dias Lopes diz que Jesus foi julgado por dois tribunais, um eclesiástico e outro civil, o primeiro aconteceu nas mãos dos judeus, o segundo, nas mãos dos romanos. No tribunal judaico, apresentou-se uma acusação teológica contra Jesus: Blasfêmia. No tribunal romano, a acusação era política – Sedição.

A sua morte foi injusta sob todo aspecto, mas nos deu a condição de sermos declarados justos diante do Pai. (Rm 3.21-26).

1.2 – Os líderes destruíram o povo

Hora de voltarmos ao livro de Jeremias…
Por pertencer a família de sacerdotes, é natural que Jeremias tivesse uma excelente educação religiosa.

Jeremias 5:30-31
30 Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra:
31 os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; e que fareis no fim disso? (ARC)

Baseado no conhecimento adquirido e na observação crítica do que acontecia ao seu redor, era fácil concluir que o povo chegara aquele estado moral e espiritual deplorável porque foram conduzidos por uma liderança falida nos mesmos aspectos.

O diagnóstico do profeta acerca da liderança de Judá foi cirúrgico.

Jeremias 23:11 Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR. (ARC)

O dicionário bíblico Strong define a expressão “Ai” como sendo uma exclamação de dor — indica desejo ou desconforto, porém o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento (apesar de ser do Novo Testamento, ele aborda algumas particularidades do Velho Testamento) acrescenta que tal expressão está ligada a lamentação, dor, pesares e também pode ter conotação de condenação ou juízo. No hebraico é “hôy”,  ocasionalmente “ôy” e raramente “î, hô, hî e hôwâh” sendo que todas essas palavras se derivam de raízes que significam “uivar”. O termo “hôy”, como os demais termos hebraicos, se emprega para expressar aflição (Pv 23.29), desespero (I Sm 4.7), lamentação (I Re 13.30), insatisfação (Is 1.4), dor (Jr 10.19), uma ameaça (Ez 16.23) ou simplesmente para atrair a atenção (Is 55.1).

Vale relembrar que pastores neste contexto não eram especificamente homens de origem humilde que viviam em regiões rurais apascentando rebanho de ovelhas, mas pastores eram condutores de um povo, tais como os profetas, sacerdotes e o próprio rei.
O próprio Jesus classificou os escribas e fariseus de condutores (pastores) cegos e os responsabilizou por trazer um ensinamento deturpado ao povo de Israel.

Mateus 15:14
14 Deixai-os; são condutores cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova. (ARC)

Mateus 23:16
16 Ai de vós, condutores cegos! Pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor. (ARC)

A liderança de Judá tinha outras preocupações e prioridades e Deus não fazia parte de nenhuma delas.
A conduta deles, enfraquecia o fervor espiritual dos demais a ponto de constatar que toda a nação já não dava a devida importância ao culto, a oferta, ao sacrifício e Lei do Senhor, ao direito dos órfãos e das viúvas, dos menos favorecidos. A corrupção havia atingido o mais alto grau naquela sociedade.
Para aquela liderança, os interesses pessoais sobrepujavam a vontade de Deus e seus mandamentos.

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Jeremias 6:13
13 Porque, desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e, desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade. (ARC)

Deus revela mais um pecado de Judá, a AVAREZA.
Strong informa que avareza significa:

     1) alguém ansioso para ter mais; o que pertence aos outros;
     2) ávido por ganância, cobiçoso;
     3) desejo ávido de ter mais, cobiça, avareza.

Os pastores de Judá, ou seja, a liderança, estava sendo acusada de não se contentarem com o muito que já possuíam, mas desejam cada vez mais, nem que para alcançar os seus intentos, tivessem que perverter o juízo, destruir a espiritualidade, contaminar a moral e ferir a ética, praticando injustiças contra os menos favorecidos.

Tal prática nos parece bastante familiar nos dias de hoje, onde algumas lideranças ostentam os bens adquiridos as custas daquilo que excede os dízimos e ofertas entregues por gente simples que cumprem a Palavra de Deus. O amor não é mais a mola mestra que norteiam ministérios, mas a ganância (I Tm 6.10).

Lembro-me de ter conhecido um pastor, que chegou em uma mesa de jantar e após cumprimentar a todos, falou-nos de forma cínica que estava abrindo um ministério porque havia trabalhado a vida toda e não conseguira comprar uma casa e que aquela era a hora de fazer um “pé de meia”.
Tenho pena das ovelhas que estão debaixo do cajado de uma liderança como esta, pois o que o motiva a apascentar e a pastorear não é o amor pela obra de Deus e ao rebanho a ele confiado, mas um desejo espúrio, antibíblico, ganancioso, avarento e perverso, ignorando que um dia todos teremos que prestar contas a Deus (Rm 14.12).

A Pedro, Jesus não confiou o pastorado sem antes lhe perguntar por três vezes se o amava (Jo 21.15-17). O que Jesus queria expressar com essas perguntas? Que Ele tem o maior amor pelas ovelhas que o Pai lhe entregou (Ef 5.15; Jo 10.29) e que Pedro deveria amar tais ovelhas com o mesmo amor que era amado por Deus. Pedro só podia ser aprovado se revelasse amar verdadeiramente a Jesus, pois assim também amaria o seu rebanho. Se não for neste nível, não serve!

O problema de hoje é que muitas lideranças fazem a obra desprovidas desse amor a Deus, pois se o amasse de verdade, também amaria o seu rebanho e não faria deles negócio. Para estes, reserva-se uma repentina perdição…

2 Pedro 2:1-3
1 E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade;
3 e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. (ARC)

Ao verdadeiro pastor e líder, a recomendação bíblica é esta:

1 Pedro 5:1-4
1 Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
2 apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
3 nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.
4 E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória. (ARC)

1.3 – Encher o povo de falsas esperanças

Mais terrível do que nada dizer para corrigir alguém que caminha para a perdição é enganá-la afirmando estar no caminho certo, iludindo-a com expectativas incorretas.

O povo de Judá caminhava a passos largos em direção a um assustador juízo vindo de Deus e os profetas alimentavam a esperança daquele povo com mentiras; e jamais os convocavam para o arrependimento.

Jeremias 23:13-14
13 Nos profetas de Samaria, bem vi eu loucura: profetizaram da parte de Baal e fizeram errar o meu povo de Israel.
14 Mas, nos profetas de Jerusalém, vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e esforçam as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores dela, como Gomorra. (ARC)

Norman Champlin afirma que o pecado dos profetas de Jerusalém é maior que o pecado dos profetas de Samaria. Estes últimos profetizavam por um deus falso; mas os profetas de Jerusalém profetizavam por Yahweh e, no entanto, cometiam adultério e andavam mentindo, e até fortaleciam as mãos dos malfeitores por seus fracassos morais.
Eles se tornaram tão maus que provocaram uma comparação com Sodoma e Gomorra, cujos habitantes, pecadores proverbiais, levaram Deus a destruí-los mediante o fogo. Ver Gn 13; Dt 32.32 e Is. 1.9-10. “Quanto às palavras, eles eram piores do que os profetas de Baal, em Samaria. Quanto às ações, eram piores que os habitantes de Sodoma e Gomorra”. (grifo nosso).

Jeremias 23:15
15 Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos acerca dos profetas: Eis que os alimentarei com absinto e lhes darei a beber água venenosa; porque dos profetas de Jerusalém se derramou a impiedade sobre toda a terra. (RA)

Esse texto é melhor entendido na versão RA (Almeida Revista e Atualizada), pois utiliza claramente a palavra ABSINTO e ÁGUA VENENOSA.

Os falsos profetas não passariam despercebidos aos olhos de Deus. O Senhor menciona que a seu tempo os daria como alimento o absinto. Eles seriam forçados a comer o alimento mais amargo conhecido pelo homem e para lavar a boca teriam que utilizar água com fel ou veneno. Tal sentença, os faria pagar pelo que fizeram ao contaminar todo o povo com uma palavra infiel e falsificada; assim como trouxeram amargura aquele povo e por fim os envenenou com uma mensagem mentirosa (mortal), Deus tornaria as suas vidas tão amargas possíveis e por fim seriam também envenenados (mortos).

Tanto o absinto como a água envenenada ou fel são símbolos de um julgamento terrível provocado pelo próprio Deus contra aqueles que falam em seu nome sem a sua autorização; aqueles que proferem “mentiras proféticas” e enganam o humilde rebanho do Senhor.

O convite bíblico para o homem pecador continua sendo o mesmo. Arrependei-vos.

  1. João Batista só possuía essa mensagem em seu sermonário – Arrependei-vos (Mt 3.2);
  2. Jesus, ao iniciar o seu ministério também pregou a mesma mensagem de João Batista –Arrependei-vos (Mt 4.17);
  3. O primeiro sermão da Igreja Primitiva pregado por Pedro não fugiu ao teor original – Arrependei-vos (At 2.38);
  4. A Igreja Primitiva continuou ministrando a mesma mensagem – Arrependei-vos (At 3.19).

Porque a igreja atual quer mudar a mensagem original do Evangelho, substituindo-a por uma mensagem que traz o céu para a terra?
Pregam uma mensagem de vitrine que não exige arrependimento. O evangelho é apresentado como a canção composta pela cantora Gal Costa intitulada “Modinha para Gabriela” que diz assim:

“Eu nasci assim eu cresci assim e sou mesmo assim
Vou ser sempre assim Gabriela, sempre Gabriela”

Este pseudo Evangelho não tem poder para transformar. A pessoa vem para a igreja e não há mudança, não há transformação, não há mortificação do velho homem e o renascimento da nova criatura (II Co 5.17; Gl 6.5).
Este evangelho está equivocado, pois antes éramos trevas e hoje somos luz (Is 9.2; Mt 4.16; 5.14), antes estávamos mortos e fomos vivificados (Jo 5.24; Ef 2.1; Cl 2.13). Sempre que alguém se converte a Jesus Cristo, existe uma dualidade do antes e depois.

2 Coríntios 5:17
17 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. (ARC)

O verdadeiro Evangelho sempre será um convite aberto para o arrependimento do pecador que ao corresponder terá a sua vida transformada em novo criatura para louvor e glória do Criador.

2 – O SENHOR É JUSTO JUIZ

Vimos que o ser justo é parte da natureza de Deus.

Salmos 89:14
14 Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade vão adiante do teu rosto. (ARC)

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O círculo acima possuí 4 quadrantes, cada um destaca um dos atributos de Deus (não todos) – Justiça, Juízo, Misericórdia e Verdade. Os judeus messiânicos ensinam que:

“O Trono de Deus, como todo trono, tem quatro pés. Cada pé do Trono do Senhor é feito por um atributo de valor – o primeiro pé é a justiça, o segundo é o juízo, o terceiro é a benignidade e o quarto a verdade.
Estando no Trono Dele, com Ele, saberemos vencer as dificuldades decorrentes do caos moral, social, ético, profissional e ministerial e, como consequência, sofreremos menos!
Se no passado a humanidade pecou e se separou Dele, herdando a morte espiritual e a morte física de Adão, em Cristo, o segundo Adão, podemos ser recriados e reaproximados Dele.
Em outras palavras, somente Yeshua pode nos levar ao Trono do Pai e nos fazer assentar lá. Se a conduta de Deus é baseada em justiça, juízo, benignidade e verdade, a nossa também precisa ser, pois fomos criados à sua imagem e semelhança”.

Atentando apenas para o primeiro quadrante, JUSTIÇA, os judeus messiânicos ainda dizem que:

“Justiça é colocar a vida em ordem! É estar na posição correta e todas as coisas também. Quando saímos da palavra de Deus, quando estamos fora dessa ordem no viver do dia-a-dia, então, estaremos agindo contra o propósito estabelecido pelo Senhor. Estaremos fora da justiça, nosso caminhar não estará em linha reta.
Justiça é colocar as coisas em ordem, na posição correta! O mundo era sem forma e vazio e Deus disse: – Haja luz! E as coisas começaram a se ordenar. Justiça é colocar nosso mundo, nossa vida, nossas circunstâncias ordenadas à vontade do Pai.
Justiça é arrumar a casa! A casa é nossa alma, nossa mente. Não devemos viver inseguros, medrosos, temerosos, preocupados, tensos, solitários. São tantos problemas que interferem em nossa vida, que precisamos de justiça, colocando ordem na casa! Ordem na mente, nos pensamentos.
Se ao levantarmos não colocamos nossa mente e nossas emoções em ordem, provavelmente estaremos dando lugar à depressão, ao medo, a angústia, ao nervosismo, a falta de esperança. Os problemas se multiplicarão!
Justiça é colocar os pensamentos alinhados aos pensamentos do Senhor! Não podemos deixar o inimigo nos atormentar por meio de pensamentos ruins que se transformarão aos poucos em neuroses e psicoses, adoecendo a alma. É necessário alinhar o que somos com o que temos ao nosso redor. Colocar ordem é colocar justiça!”.
http://ensinandodesiao.org.br/artigos-e-estudos/os-quatro-pes-do-trono-de-dus

2.1 – Chorar era preciso

Jeremias pranteou durante todo o seu ministério por causa de Judá. A sua alma não suportava o desvio e o afastamento de Deus que voluntariamente se fizera em Judá.

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A Bíblia registra alguns momentos em que Jeremias foi apanhando em lágrimas:

  1. Quando o povo abandonou o Senhor – Jr 2.13;
  2. Quando foi enganado por palavras falsas – Jr 7.4;
  3. Quando os falsos profetas profetizaram palavras fingidas – Jr 28.11;
  4. Quando as mulheres piedosas cozeram seus próprios filhos e lhes serviram de alimento na destruição  – Lm 4.10;

Por fim:

Lamentações 1:16
16 Por essas coisas, choro eu; os meus olhos, os meus olhos se desfazem em águas; porque se afastou de mim o consolador que devia restaurar a minha alma; os meus filhos estão desolados, porque prevaleceu o inimigo. (ARC)

John Knox, pastor escocês que viveu no século 19, se notabilizou por sua vida de oração e teve o seu lamento registrado: “Dá-me a Escócia, senão morrerei!”. John teve a sensibilidade de ver o seu amado país submerso em pecados e não resistiu. Se pôs a orar e a chorar pela sua nação. Ele tinha plena consciência que se o Senhor não intervisse na história da Escócia, ela não teria qualquer esperança. Por causa da oração de John Knox, Deus visitou os escoceses, mudou a sua história através do derramamento de um poderoso avivamento que até hoje colhem-se os frutos.

Em semelhança de Jeremias e de John Knox, temos também uma nação (Brasil) que está passando por um período moralmente, eticamente, economicamente, politicamente, socialmente e porque não dizer, espiritualmente terríveis! O momento é extremamente propício para levantarmos um clamor a Deus banhado em lágrimas em prol de uma mudança radical em nosso país.

Oração e lágrimas continuam sendo uma mistura de alta combustão no reino de Deus com efeitos na terra.

2.2 – O Senhor que nos encoraja

Será sempre muito difícil, o homem confiar inteiramente em Deus. Até certo ponto é natural sentirmos alguma responsabilidade na solução de algum problema, no entanto, Deus nos conduzirá a situações tão complexas que não haverá força, recurso e muito menos coragem em nós mesmos para prosseguirmos. Neste momento, necessariamente precisaremos confiar inteiramente Nele.

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Salmos 28:7-8
7 O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.
8 O SENHOR é a força do seu povo; também é a força salvadora do seu ungido. (ARC)

Este é o ponto em que reconhecemos que o Senhor é a nossa força.

O Salmista Davi teve em Deus a resposta de sua oração. Sua fé estava sob provação, porém o Senhor veio ao seu socorro e o livrou, deste modo, Davi expressa de maneira clara que a força motriz ou geradora do auxílio que lhe garantiu a vitória e a salvação fora proveniente, única e exclusivamente de Deus.

Filipenses 4:13
13 Posso todas as coisas naquele que me fortalece. (ARC)

A tradução de J. B. Phillips de Filipenses 4:13 diz: “Estou pronto para qualquer coisa por meio da força Daquele que vive dentro de mim”. E a Bíblia Viva assim traduz esse versículo: “porque eu posso fazer todas as coisas que Deus me pede com a ajuda de Cristo, que me dá a força e o poder”. Por fim, a tradução A Mensagem de Eugene Peterson assim traduz o texto: “Posso fazer qualquer coisa por meio daquele que faz de mim o que sou”.

Warren Wiersbe em seu comentário do livro de Filipenses, afirma que qualquer que seja a tradução de nossa preferência, todas dizem a mesma coisa: o cristão tem dentro de si todo o poder de que precisa para lidar com as exigências da vida. Só temos de liberar esse poder pela fé.
“Não temos poder quando confiamos na própria fidelidade, mas sim quando olhamos fixamente para Aquele que é fiel!”.

Jesus ensina essa mesma lição no sermão sobre a videira e os ramos em João 15. Ele é a Videira e nós somos os ramos. O único propósito do ramo é dar frutos; de outro modo, só serve para ser queimado. O ramo não produz frutos com as próprias forças, mas sim usando da vida que flui na Videira. “Porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). Quando o cristão permanece em comunhão com Cristo, o poder de Deus o fortalece.

Na obra de Deus não há espaço para autossuficiência, ao contrário, este é um terreno que só pode pisar com segurança aqueles que confiam a sua força no Senhor e em nenhuma outra coisa.

2.3 – O profeta não pode desanimar em meio as adversidades

Já falamos que Jeremias era rejeitado até pelos da sua própria casa (Jr 12.6). Era um homem que não possuía nenhum tipo de carisma social ou popularidade, nenhuma honra entre os seus, ao contrário, Jeremias era odiado e maltratado pelos seus conterrâneos.

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Esse relato poderia fazer muitos de nós desanimar, paralisar e até abandonar o propósito de Deus em nossa vida. Não Jeremias, pois, seus olhos jamais ficaram fitos por tempo suficiente nas adversidades até ao ponto de perder a esperança no Senhor.

Jeremias 17:7,13a
7 Bendito o varão que confia no SENHOR, e cuja esperança é o SENHOR.
13a Ó SENHOR, Esperança de Israel! (ARC)

Jeremias, não deixava de anunciar a mensagem, de amar o seu povo e interceder por eles. Os dissabores vividos não foram suficientemente capazes de fazê-lo desistir (Rm 8.35-39).

3 – DEUS PROTEGE OS INJUSTIÇADOS

Deus não está alheio as injustiças praticadas contra os seus escolhidos. Antes dará o livramento ou o escape em momento oportuno. O seu cuidado é infalível e seu socorro é bem presente (Sl 46.1).

Salmos 71:2-4
Livra-me na tua justiça e faze que eu escape; inclina os teus ouvidos para mim e salva-me.
3 Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente; deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.
4 Livra-me, meu Deus, das mãos do ímpio, das mãos do homem injusto e cruel, (ARC)

O salmista confia na justiça do Senhor para livrá-lo da injustiça do ímpio v4.
A confiança naquele que é justo por natureza e por excelência é o bastante para alcançarmos a salvação provida pelo Senhor.

Vale destacar ainda que existe uma boa mensagem no sermão do monte para os que sofrem perseguição por causa da justiça, logo são injustiçados por serem justos. “bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” Mt 5:10-12. O Senhor Jesus revela:

  1. Deles é o Reino dos céus;
  2. Eles devem se alegrar nisto;
  3. Eles terão grande galardão.

3.1 – Sua missão era maior que a sua dor

Diante de uma chamada tão eloquente (Jr 1.1-19), podemos equivocadamente imaginar que todos os nossos problemas estarão encerrados; pelo contrário, o verdadeiro vocacionado e chamado por Deus como foi Jeremias, terá como parte do pacote ministerial, o sofrimento.

Jeremias 4:19
19 Ah! Entranhas minhas, entranhas minhas! Estou ferido no meu coração! O meu coração ruge; não me posso calar, porque tu, ó minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra. (ARC)

A palavra de Jeremias expunha todos as falhas de Judá.

Marson Guedes afirma que por causa de sua mensagem, Jeremias enxergava o erro em todas as coisas. É como se fosse um instrumento sensível a toda maldade, apitando ininterruptamente. A cidade rebelde era, na percepção de Jeremias, uma panela de pressão a ponto de explodir. A luz vermelha não se apagava e a sirene da emergência não parava de tocar. Soma-se a isso os longos anos de ministério e vamos encontrar um profeta que já não suportava mais o fardo de sua ocupação. Não há com quem conversar, com quem compartilhar a sua dor.

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Mesmo ante a toda essa dificuldade, Jeremias se mantém fiel a chamada e o distinto comentarista da revista, pastor Clementino de Oliveira Barbosa, evidencia com primor que a missão de Jeremias era maior que a sua dor.

O quanto dói o seu ministério? Já pensou em parar por causa da dor causada pela chamada?

O ministério LifeWay realizou uma pesquisa onde apontou que 98% dos pastores sentem-se privilegiados pela chamada divina e 55% dos entrevistados afirmaram que se sentiam solitários em seus ministérios e os mesmos 55% concordaram com a afirmação de que é fácil ficar desanimado na obra de Deus.

O instituto Francis Schaeffer, revelou que 1,5 mil pastores abandonam o ministério todos os meses por diversos motivos, desde desvio moral a esgotamento espiritual.

Logo, esse tipo de sentimento é muito mais comum do que imaginamos e precisamos encarar a seriedade dos fatos para assim compreender com melhor exatidão a grandeza do ministério de Jeremias, bem como entender que precisamos tê-lo como modelo para a nossa jornada ministerial ou até mesmo a nossa carreira cristã, pois nada pode ser forte o suficiente a ponto de nos separar do amor a Cristo (Rm 8.35-39).

Cristo, teve muitos motivos para desviá-lo da missão do Calvário; Paulo do mesmo modo passou por tantas adversidades que tinham como objetivo pará-lo na obra do Senhor, no entanto Cristo subiu com a sua cruz no Calvário e lá morreu cumprindo por completo a obra de reconciliação do homem com Deus – Está Consumado! (Jo 19.30). Paulo da mesma sorte, chegou ao fim do seu ministério com a fé inabalada e bem guardada em seu coração – Guardei a Fé! (II Tm 4.7). Em ambos os casos, a missão superou a dor.

3.2 – As tentativas de calar Jeremias

Como dissemos em lições anteriores, Jeremias foi a última instância de advertência para Judá, a última voz, o último clamor, a última profecia. Competia com Jeremias, as vozes dos falsos profetas que dissimuladamente, pregavam paz e prosperidade para Judá (Jr 6.14). Jeremias estava só (Jr 15.17).

As pressões vinham de todos os lados (família, sacerdotes, falsos profetas, rei, nobreza de Judá e o próprio povo) tinham como objetivo, calar Jeremias, cessar o grito do profeta, pois a verdade nos lábios de um homem dotado do Espírito Santo de Deus incomoda o perverso (Pv 10.31,32).

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O que motivava Jeremias a continuar, mesmo diante de tantas ameaças e sofrimento foi o amor que Deus possuía pelo seu povo transmitido ao coração de Jeremias (Jr 31.3).

Isaías 62:1
1 Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, me não aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa. (ARC)

O profeta Isaías, imbuído do mesmo Espírito, também se posicionou em não se calar por amor a Jerusalém e aguardava a retumbante justiça de Deus alumiando todas as nações deste mundo, evento este que será o estabelecimento do reino de Deus na terra e da futura glória de Jerusalém. O governo vindouro de Cristo aqui, será marcado com a perfeita justiça e Isaías deixou isso claro e em bom som.

Lucas 19:38-40
38 dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!
39 E disseram-lhe dentre a multidão alguns dos fariseus: Mestre, repreende os teus discípulos.
40 E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. (ARC)

Da mesma sorte a igreja, deve continuamente alçar a sua voz e anunciar o reino de Cristo e a sua vinda (esta é a razão de ser da Igreja e a perfeita vontade de Deus), ainda que isto nos custe algo mais que o sofrimento – até a própria vida (At 21.13).

Atos 7:57
57 Mas eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos e arremeteram unânimes contra ele. (ARC)

Estevão é um grande exemplo de servo que perdeu a sua vida proclamando as verdades de Deus e que só pôde ser silenciado pelas pedras de seus algozes v58 – Temos aqui o registro do primeiro martírio pela causa de Cristo.

3.3 – Jesus Cristo é o preço pago pela nossa justiça

O homem sempre buscou viver independente de Deus. Isso até pode ser possível, porém tem um preço altíssimo (Ap 20.11-15).

Religiões, crenças e filosofias tentam explicar ao seu modo, como o homem pode se achar justo, livre ou mesmo salvo de uma “possível” condenação. Tal tentativa é tão antiga quanto a história da humanidade a ponto de termos que retroceder até o Éden.

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Gênesis 3:7
Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. (ARC)

Perceba que imediatamente após transgredirem, comendo do fruto proibido (a ilustração acima é somente ilustrativa e não significativa), Adão e Eva conheceram que estavam nus e no mesmo instante, utilizaram de um recurso próprio para cobrir o seu estado de nudez (viram que estavam nu = ter a consciência do pecado) e então se esconderam Deus.

Gênesis 3:9
9 E chamou o SENHOR Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? (ARC)

A pergunta de Cristo – “Onde Estás?“, nada haver tem com posição geográfica, mas com posição espiritual.
Adão e Eva estavam agora em pecado, em transgressão contra Deus, em desobediência ao altíssimo e a saída que encontraram para esconder a sua nudez foi cozer folhas de figueira, mas o método utilizado por eles não foi aceito por Deus.

Gênesis 3:21
21 E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles e os vestiu. (ARC)

A única forma de reconciliar o homem com Deus é aquela que Ele apresenta. Por isso, Deus fez túnicas de peles e os vestiu (aqui está implícito o primeiro sacrifício).

Para a igreja de Laodiceia no livro de apocalipse, Jesus a convidou a comprar roupas brancas Dele…aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas”. Ap 3:18. 

Quando Jesus expirou na cruz do calvário, diz as escrituras que o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mc 15.38).
O sentido ou a direção em que o véu foi rasgado é extremamente significativo. A Bíblia afirma que foi de ALTO a BAIXO, indicando que a solução para a redenção do homem veio do céu para terra, de cima para baixo, da vertical para a horizontal, de Deus para o homem, do Criador para a criatura e não o contrário.

O homem formula meios de se livrar da condição de pecador, buscando auto justificação em suas próprias valências, continuam utilizando folhas de figueira ou tentando rasgar o véu de baixo para cima, mas a Palavra de Deus é enfática e determinante – Jesus Cristo é o mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5) – O seu sangue é o sangue da Nova Aliança (Hb 12.24) e somente por intermédio da fé no sacrifício efetuado por Jesus na cruz, somos JUSTIFICADOS diante de Deus. (Rm 3.28; Gl 2.16). O plano de salvação e a metodologia para a reconciliação sempre partirá Dele.

Willian W. Menzies e Stanley M. Horton, no livro “Doutrinas Bíblicas – Uma perspectiva Pentecostal”, diz que a palavra JUSTIFICAÇÃO, trata-se de um termo judicial que significa “declarar alguém justo”.

Da mesma forma, Norman Geisler em seu livro: “Teologia Sistemática”, diz ser importante notarmos que a justificação significa “declarar justo” (e não “fazer justo”), porque:

     1. Ela é feita independentemente das obras (Rm 1.17; 3.20; 4.2-5);
     2. Ela é feita aos pecadores (Rm 3.21-23); e
     3. Ela é um ato jurídico (legal) (Rm 4.4-6; 5.18).

1 João 1:8-9
8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (ARC)

Willian W. Menzies e Stanley M. Horton, conclui que esta doutrina descreve a condição do pecador culpado que se põe diante do grande tribunal do Deus Santo e Reto Juiz. A justificação é o anúncio extraordinário de que o pecador já está plenamente justificado (Zc 3.1-7 – essa passagem ilustra bem o que estamos falando neste parágrafo).  Aos olhos de Deus, seus pecados já não existem mais, pois “quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 103.12).(acréscimo nosso).

Miqueias expressa de forma maravilhosa esse benefício da graça “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e que te esqueces da rebelião do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós, subjugará as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar”. Mq 7.18,19.

CONCLUSÃO

Mesmo vivendo uma vida piedosa e justificados por Deus, estamos constantemente expostos ao pecado e se ocorrer de cometermos alguma falha qualquer que nos coloque em condição de indignidade perante Deus, temos o seu perdão sempre a nossa disposição.

1 João 2:1
1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. (ARC)

Vale salientar que a justiça divina não tem como função somente condenar os injustos, mas principalmente premiar os homens íntegros, honestos e que colocam a verdade acima dos seus próprios interesses (Hb 11.7).

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada / A Mensagem;
Tesouro de Conhecimentos Bíblicos – Emílio Conde – CPAD;
Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento – Vida Nova;
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Myer Pearlman – Editora Vida;
Dicionário Bíblico Strong – James Strong – Sociedade Bíblica do Brasil;
O Caminho de Jeremias – Marson Guedes – Editora Mundo Cristão;
Comentário Expositivo Hagnos – Evangelho de João – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos;
Teologia Sistemática – Volume 2 – Norman Geisler – CPAD;
Comentário VT – Jeremias – Norman Champlin – Editora Hagnos;
Comentário Bíblico Expositivo Warren Wiersbe – Editora Central Gospel;
Doutrinas Bíblicas – Uma perspectiva Pentecostal – Willian W. Menzies e Stanley M. Horton – CPAD;
Dicionário da língua portuguesa;
Site da internet mencionado quando citado no texto;

Por: Irmão Cláudio Roberto


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