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Betel Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 30/04/2017 – Lição 5: Atributos indispensáveis de um profeta

26/04/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Jeremias 16:2
2 Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Jeremias 16:2,5,8,14
2 Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar.
5 Porque assim diz o SENHOR: Não entres na casa do luto, nem vás a lamentar, nem te compadeças deles; porque deste povo, diz o SENHOR, retirei a minha paz, benignidade e misericórdia.
8 Nem entres na casa do banquete, para te assentares com eles a comer e a beber.
14 Portanto, eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que nunca mais se dirá: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito. (ARC)

INTRODUÇÃO

Para qualquer homem ou mulher cristãos, falar a verdade não é opção, mas obrigação.
A palavra da verdade deve permear nossas ações, negócios, atitudes e até os nossos pensamentos.

Filipenses 4:8
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (ARC).

Jeremias tinha a opção de assim como os falsos profetas que assistiam a nobreza de Judá, falar uma palavra de paz quando não havia paz, trazer uma mensagem politicamente correta para que pudesse conquistar a confiança e o favor dos maiorais, porém, ele era arauto do Senhor e verdadeiro profeta do Altíssimo. Estes se estribam somente na verdade da palavra revelada diretamente por Deus. A confiança de tais homens está fundamentada na fidelidade do Senhor em cumprir com a palavra que eles ministram (Nm 21.19);

Josué 21:45
45 Palavra alguma falhou de todas as boas palavras que o SENHOR falara à casa de Israel; tudo se cumpriu. (ARC)

Fiel é Aquele que inspira os seus profetas!

1 – CORAGEM: ATRIBUTO INDISPENSÁVEL

Me recordo de um filme intitulado “TROIA”, onde o guerreiro Aquiles é chamado para guerrear contra um soldado do exército inimigo de Tessália. Todos aguardavam o valente soldado grego e este se divertia em uma tenda próximo ao campo de batalha. O menino enviado a buscá-lo, o encontra e passa a admirar as histórias relacionadas ao soldado grego até que então, passa a descrever o seu oponente que o aguardava para a peleja. Em determinado momento o moço tenta desencorajar Aquiles dizendo: “O tessálico que irá lutar com o senhor, é o maior homem que já vi. Eu não lutaria com ele. Uma pausa e Aquiles responde: “Por isso o seu nome nunca será lembrado!”.

Deus sempre se valeu de pessoas de coragem para o exercício de sua obra, enquanto os covardes são desencorajados a permanecerem nela (Gideões e os trezentos – Jz 7.2-7). Os valentes de Davi tiveram os seus nomes relacionados na galeria de homens corajosos (II Sm 23.8-39).

Ter o seu nome relacionado entre os corajosos nesta obra é também honroso.

Juízes 4:9
9 E disse ela: Certamente irei contigo, porém não será tua a honra pelo caminho que levas; pois à mão de uma mulher o SENHOR venderá a Sísera. E Débora se levantou e partiu com Baraque para Quedes. (ARC)

Assim como outros tantos nas Escrituras, Jeremias com certeza pode ser mencionado como um servo de extrema coragem.
A fidelidade a Deus manterá a bravura dos seus servos. Optar por manter a palavra mesmo diante de consequências tão difíceis, só revela a grandeza do arrojo que Jeremias possuía.
Ele dispunha de peito suficiente para enfrentar as piores tensões que seu ministério exigia.

1.1 – Vai e fale aos ouvidos de Jerusalém

Jeremias principiou o seu ministério profético em Anatote, pequena cidade próxima de Jerusalém. Nesta altura, Deus já o havia levado até a capital da nação, de onde os pecados de Judá fluíam para o restante do estado.

O juízo Divino contra Judá parecia rigoroso demais para ser relacionado com o amor de Deus.
Equivocadamente, muitos apelam para o grande amor de Deus e suas misericórdias a fim de justificarem a absolvição dos seus pecados mesmo sem arrependimento; ainda vivendo uma vida completamente alheia a vontade de Deus.
Neste aspecto, Deus seria como uma moeda que possuí duas faces distintas, uma a misericórdia ou o amor e a outra o juízo derradeiro. Em primeiro momento, o amor e a misericórdia de Deus estão em pleno exercício, mesmo quando correções pareçam tão duras e venham em forma de juízos tão intensos, ainda assim, trata-se deste amor em ação e não o último juízo de Deus, este é a outra faceta da moeda e se dará de forma total, justa e sem recursos de apelação (Sl 96.13; Dn 12.2,3; Mt 12.36,37).

Em um grau mais profundo de análise, Judá na verdade estava sob o amor de Deus, demonstrado em seu juízo, tendo como finalidade a correção e a conversão do seu povo (Hb 12.6).

Jeremias 2:2
2 Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade e do amor dos teus desposórios, quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava. (ARC)

Jeremias, é o servo obediente que deveria levar na íntegra a palavra do Senhor a todo o povo de Jerusalém.

A expressão “falar aos ouvidos” denota intimidade e amor, no entanto, Jeremias não era íntimo do povo, mas de Deus. Deus havia sido íntimo deste povo, porém, não mais. Sob o ponto de vista do amor, Deus pede a Jeremias que mesmo não sendo amado por aquele povo (como o próprio Deus também já não era), ele deveria fazer tudo com o mais alto grau de afabilidade, demonstrando a intimidade que eles haviam perdido por causa do pecado.

1.2 – Uma genuína submissão

O homem quando é chamado por Deus para uma obra específica, enfrentará o maior desafio de sua chamada que é lidar com a sua própria vontade. Falar do assunto é relativamente fácil, mas tratar do mesmo na prática envolve muitas dores e angustias pessoais.

Jeremias foi privado de seus desejos mais simples e naturais, a fim de se submeter a vontade Daquele que o vocacionou e o chamou para o ministério profético. Seguem algumas exigências de Deus para com Jeremias listadas pelo pastor Clementino de Oliveira Barbosa:

     1. Não casar (Jr 16.1-4);
     2. Não entrar em funeral (Jr 16.5-7);
     3. Não entrar em uma festa (Jr 16.8-9);
     4. Pregar no portão da cidade (Jr 17.19,21);
     5. Ir à casa de um oleiro para vê-lo trabalhando (Jr 18.1-6);
     6. Comprar uma botija e fazer uma representação (Jr 19.1,3); (grifo nosso).

As exigências sociais listadas acima (grifadas), são comuns e em nada constituem pecado, no entanto o Senhor decidiu em sua soberania que Jeremias seria privado das mesmas.

O celibato para um judeu é a morte. O casamento era o mais comum para um hebreu adulto e saudável.

Norman Champlin comenta que Jeremias foi proibido de casar-se e aliar-se às alegrias e tristezas de seus compatriotas, pois sua maneira de viver deveria ser uma advertência da destruição que se aproximava.

Warren Wiersbe afirma que era esperado que, até os vinte anos de idade, todo homem judeu estivesse casado. De fato, os rabinos pronunciavam uma maldição sobre aqueles que se recusavam a casar-se e a ter filhos. Sem dúvida, Jeremias teria se alegrado em poder contar com uma esposa amorosa para encorajá-lo, mas não lhe seria permitido desfrutar essa bênção.

A proibição de casar-se era um ato simbólico, pois os filhos e filhas das famílias judias iriam morrer ou pela espada, ou pela fome na ocasião da invasão Babilônica (Jr 18.21). Sempre que alguém perguntava a Jeremias por que ele não era casado, tinha a oportunidade de compartilhar a mensagem de Deus sobre o juízo vindouro.

Quanto ao funeral, Norman Champlin nos fala que Jeremias foi proibido de lamentar-se. Uma lamentação generalizada não teria lugar, porque não haveria gente suficiente para realizar nenhum rito e cerimônia. Mas aqui e ali, algumas poucas pessoas se reuniriam para lamentar. Jeremias, contudo, deveria manter-se distante de tais funções. Ele não deveria oferecer qualquer simpatia. Yahweh é quem tinha enviado aquelas calamidades aquele lugar. Eles tinham perdido o direito até menos de serem lamentados por um profeta de Deus.

R.K. Harrison afirma que tal referência ataca os costumes pagãos de chorar os mortos, proibidos pela Lei (Lv 19: 28; 21: 5; Dt 14: 1). Dar pão no v. 7 traduz lehem (da LXX), em vez de lãhem (para eles). Os amigos dos enlutados geralmente preparavam uma refeição depois de concluídos os rituais do funeral (II Sm 3: 35; Ez 24: 17; Os 9 :4 ). O copo de consolação, no judaísmo posterior, era um copo especial de vinho que o enlutado principal bebia, A escritura não menciona esta prática em nenhuma outra passagem.

Quanto as festas ou “casa do banquete”, nos parece óbvio que não era tempo para celebrações, pois elas seriam breves e tão logo cessariam diante do juízo que se aproximava.

Lucas 14:27
27 E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo. (ARC)

Todas as exigências do Senhor a Jeremias, encontraram um coração obediente.
Submeter-se ao senhorio de Jesus é renunciar nossas escolhas, opções, arbítrio; é abster-se de nossas próprias convicções.
Mesmo Jesus, nos deixou exemplo de submissão em fazer a vontade de Deus:

João 4:34
34 Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. (ARC)

João 5:30
30 Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou. (ARC)

João 6:38
38 Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. (ARC)

Mateus 26:39
39 E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. (ARC)

O verdadeiro sucesso e glória de um cristão estão em fazer a vontade de Deus.

Tiago 4:7
7 Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. (ARC)

1 João 2:17
17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (ARC)

1.3 – Assumindo a responsabilidade

Existe uma ordem estabelecida pelo próprio Deus. Muitos são chamados e poucos são escolhidos e destes, uma quantidade ainda menor são achados fieis.

Jeremias 9:2
2 Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, são um bando de aleivosos; (ARC)

Podemos até sorrir da ideia de Jeremias em se esquivar de sua chamada para cuidar de uma pousada no deserto, mas quantos de nós não relutamos diante dos sacrifícios e aflições que a chamada demanda?

Não é fácil abrir mão de projetos pessoais, aspirações e desejos para satisfazer os de Deus, sabendo que estes ainda nos exigirão sofrimento. Melhor Deus ter escolhido outro e não eu!

Uma chamada Divina deve ser correspondida. Jonas optou por desobedecê-la e foi obrigado a orar a Deus por sua vida, estando ele no fundo do mar, no ventre de um peixe e tendo algas marinhas enroladas em sua cabeça (Jn 2.1-9).

Somente os que estão sob uma forte chamada Divina e uma forte relutância sabem o quão difícil é este caminho. Jeremias, era profeta eleito por Deus antes mesmo de nascer (Jr 1.5) e deveria levar a cabo o seu ministério até o final, mesmo que para tanto, importasse o sofrimento.

2 Timóteo 2:3
3 Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. (ARC)

Temos uma mensagem sendo anunciada aos quatro ventos que o Evangelho é a cessação das lutas e o gozo das beatitudes de uma vida regalada e sem sofrimentos.
Nesta mensagem, não há privações ou aflições, por isso urge que também tenhamos a responsabilidade de anunciar o verdadeiro Evangelho da salvação tanto ao mundo quanto à própria Igreja.
Mesmo que a nossa mensagem e que nós mesmos sejamos rejeitados, devemos assumir o compromisso de levar a preciosa semente andando e chorando tendo a certeza que voltaremos com nossos molhos em plena alegria no Espírito (Sl 126.6).

2 – UMA ÚNICA MISSÃO: FALAR A VERDADE

Jeremias 26:3
3 Bem pode ser que ouçam e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações. (ARC)

Conforme encontramos na Pequena Enciclopédia da Bíblia, o termo “verdade”, significa estar em conformidade com a realidade dos fatos.

Profetas de Judá e contemporâneos de Jeremias, estavam diante dos mesmos fatos, mas optaram por mentir, com intenções de salvaguardar a boa posição que gozavam junto a liderança de Judá.

Fazer de suas próprias visões e sonhos, mensagens do Senhor, longe está de ser a sua Palavra. E o que os sacerdotes e profetas da época de Jeremias pregavam? Prosperidade ao rei e libertação da ameaça babilônica. E o que Jeremias pregava? Sirvam a Babilônia e vocês viverão. O contraste não poderia ser mais evidente.

Jeremias era verdadeiro, pois suas palavras eram vindas do Senhor e estavam em conformidade com a realidade pecaminosa que se encontrava Judá.

2.1 – Abandonado pelos próprios amigos

Na última lição abordamos essa mesma questão, porém agora, iremos dar um tom diferente.

Partimos do princípio que o profeta naturalmente possui uma mensagem antipática, pois ela confronta os defeitos; é também natural que desperte a hostilidade de seus ouvintes, culminando em desatar os laços afetivos.

Jeremias prezava pela verdade, enquanto os seus patrícios pela mentira (Jr 5.31). Tudo que se relacionava a Deus, estava em segundo plano. Não havia uma única área que não estivesse contaminada pelos próprios interesses, vaidades, orgulhos, idolatrias, injustiças e outros (Jr 5).

Jeremias 20:10
10 Porque ouvi a murmuração de muitos: Há terror de todos os lados! Denunciai, e o denunciaremos! Todos os que têm paz comigo aguardam o meu manquejar, dizendo: Bem pode ser que se deixe persuadir; então, prevaleceremos contra ele e nos vingaremos dele. (ARC)

A denúncia de Jeremias, ocasionou o afastamento de seus amigos e este passou a viver de forma solitária, tendo as vezes como companhia apenas o seu fiel escrivão, Baruque, além da permanente presença do próprio Deus (veremos mais adiante que o Senhor escondera de Jeremias outro amigo).

Atualmente há muitas vozes exclamando que tudo está bem e que o Senhor é conosco, porém cada vez mais escândalos são anunciados em nosso meio. A igreja nunca esteve tão distante da verdade do Evangelho, mas insistem em expressar que tudo está a mil maravilhas, quando o juízo de Deus está as portas e boa parte da liderança estão adormecidas na insistência de priorizar seus próprios negócios, fingindo estar cuidando dos interesses de Deus.

Profetizar em tempos como esses, é assinar o atestado de solidão; é ser abandonado pelos supostos amigos; é aprender a viver somente com a presença de Deus; é experimentar aquilo que chamamos de “gelo”. Quantos obreiros estão nessa geladeira por causa da verdade? Quantos se perderam por não suportar a tensão? Jeremias exemplifica que podemos suportar as aflições, mesmo vivendo solitariamente, tendo o Senhor como fonte de suas forças e confiança.

2.2 – Como Jeremias levava a vida

Para conseguir a atenção do povo, às vezes Deus pedia aos profetas que fizessem coisas estranhas. Isaías deu a seus dois filhos nomes esquisitos (Is 8) e também se vestiu como um prisioneiro de guerra com o intuito de chamar a atenção para o conflito iminente (Is 20). Elias vivia uma vida monástica, se vestia de pelos e tinha um cinto de couro transpassando o seu lombo (II Re 1.8); João Batista também se vestia assim e acrescenta-se a sua excentricidade, o fato de comer mel silvestre e gafanhotos (Mc 1.1-6). Já observamos que tanto Jeremias quanto Ezequiel realizaram vários “sermões práticos”.

Outro ponto comum entre eles era a vida solitária, já mencionada no item acima.
As desilusões com o povo que não aceitavam de bom coração as advertências oriundas do próprio Deus também lhes maltratavam muito.
Acrescentamos ainda o esforço e a persistência destes homens que se empenhavam em manter-se íntegros a mensagem e ao ministério dado por Deus, mesmo que suas proclamações não obtinham os resultados esperados (I Re 19.1,2).

O estilo de vida que estes homens levavam era de fato diferente e exótico, mas o que despertava a atenção das pessoas não era o seu exterior ou comportamento, mas sim a mensagem que pregavam.

Da mesma sorte, nós devemos ter a prudência de levarmos uma vida dedicada a Deus, ainda que venhamos experimentar revezes e incompreensões que resultem em perseguições. A Palavra do Senhor se manterá fiel a nós e prosperará nos lábios daqueles que falam a verdade, doa a quem doer.

2.3 – Contaminados pelo adultério

Precisamos compreender a definição de adultério.

No Antigo Testamento (AT), a palavra hebraica para adultério é na’ap que é derivada de outras palavras do aramaico: na’pûp e ni’ûp e é interessante frisar que tais termos só estão escritos na Bíblia Hebraica.

Na’ap significa tão somente “relações sexuais ilícitas entre pessoas casadas ou comprometidas”.
Esta palavra ocorre por 34 vezes no AT e pode ter sentido literal como encontrado em Lv 20.10, ou figurado, quando comparado à idolatria (Jr 13.27).

O Pastor José Carlos Costa, afirma que além da conotação sexual, o adultério também é definido no Antigo Testamento como uma ofensa às leis acerca do matrimônio. Além de quebrar a união matrimonial, ele é encarado, quando o adúltero é casado, como uma ofensa ao marido da amante, e quando a adúltera é casada, como uma ofensa ao seu próprio marido. Também ele é definido como uma atitude contra Deus (Jó 31:10,11), contra a sociedade, como uma desonra a Deus ao colocar a vontade humana sobre a vontade divina (Gn 2:24), um ato de rebeldia, um meio de destruir a própria reputação (Pv 6:32-33) e um jeito de prejudicar a própria mente (Os 4:11-14).

Jeremias 5:7-8
7 Como, vendo isso, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; depois de os eu ter fartado, adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos;
8 como cavalos bem fartos, levantam-se pela manhã, rinchando cada um à mulher do seu companheiro. (ARC)

Jeremias 13:27
27 Vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, Jerusalém! Não te purificarás? Até quando ainda? (ARC)

No caso de Judá, o adultério está relacionado a infidelidade espiritual.
Desde o princípio, havia uma aliança entre Deus e Israel (Ex 19.5-6). O pacto consistia em não ter diante deles outros deuses, não se curvarem diante de outras pseudos divindades (Ex 20.1-6). Esse acordo, foi selado pelo juramento do povo ao seu Deus no Monte Sinai (Ex 19.8; 24.3,7) – Aqui temos uma relação de enlace onde as partes concordam com os preceitos estabelecidos – Tratado de cunho jurídico.

Quando o povo, decide deliberadamente abandonar a Deus e servir aos deuses cananeus, eles também quebram o ato de fidelidade ao Deus que os tirou do Egito e que prometeram servir todos os dias de suas vidas. A traição consistiu no povo estar adorando a Deus no Templo e sacrificando aos deuses nos lugares altos.  O adultério é flagrante e evidente (Jr 23.10,14).

Além da indiscutível traição, o texto diz “adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos;”  (Jr 5.5b). Para os autores do comentário Bíblico Beacon, tal expressão poderia muito bem referir-se aos ritos impuros das religiões cananeias que praticavam a prostituição como parte do seu ritual.

Jeremias 29:23
23 Porquanto fizeram loucura em Israel, e cometeram adultério com as mulheres de seus companheiros, e anunciaram falsamente em meu nome palavras que não lhes mandei dizer; e eu o sei e sou testemunha disso, diz o SENHOR. (ARC).

No texto acima, Jeremias, revela a falsidade e o destino dos dois profetas mais populares entre os cativos na Babilônia – Acabe e Zedequias (Jr 29.20-22). Por meio de uma linguagem direta, ele os culpa de profetizar falsamente em nome do Senhor (v. 21) e de cometerem adultério com as mulheres dos seus companheiros (v. 23).
Neste caso, o adultério se apresenta não de forma simbólica ou figurada, mas de forma literal. Os falsos profetas, normalmente possuem desvios morais em sua conduta, tais como a mentira, o dolo e o adultério (sem estender a outras tantas).

Como filho de sacerdote e profeta do Altíssimo, Jeremias tinha pleno conhecimento da Lei e nela constava claramente a sétima ordem proibitiva de Deus – NÃO ADULTERARÁS (Ex 20.14). Conviver com esse tipo de pecado tão evidenciado na sociedade judaica, lhe causava profunda infelicidade.

Hoje, existem comunidades evangélicas que toleram o sexo fora do casamento e até deslizes de seus obreiros sem que haja uma tratativa visando recuperar o homem; marido de uma só esposa, pai de família e depois recuperá-lo como obreiro na casa do Senhor.

Conheci uma igreja, onde dois obreiros dividiram uma mesma mulher (ambos presbíteros e divorciados da primeira mulher) sem que a liderança tomasse uma posição firme contra tal comportamento.
Outra que o pastor foi apanhado em flagrante ato de adultério. O mesmo foi retirado de determinado campo e empossado em outro sem que o seu problema moral fosse sequer debatido.

Deus, não está distraído quanto aquilo que acontece em sua casa ou em nossas vidas. Assim como Judá foi julgada também pelo seu ato de adultério, a Igreja não escapará de tal julgamento.

Hebreus 13:4
4 Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará. (ARC)

3 – ASSUMINDO OS RISCOS

Jeremias exerceu o seu ministério em tempos de pior crise espiritual em Jerusalém.
Com certeza, tais períodos, são os mais árduos para anunciar a Palavra do Senhor, haja vista, que a corrupção moral e espiritual é quem dá o tom de como tal geração se comporta.

Em tempos como esses, é imperioso que nossas vidas estejam no altar, a fim de sermos bons exemplos para aqueles que nos observam. Além disso, somente na presença de Deus, poderemos vencer os perigos e as ameaças que certamente surgirão.

3.1 – Deus está no controle

Vislumbrar tanta coisa errada acontecendo em um meio que deveria ser modelo para um mundo impiedoso; ver que a luz já não alumia tanto assim e que o sal perdera boa parte do seu sabor, pode levar o homem a questionamentos acerca da soberania de Deus e ao cuidado com a sua obra.

Jeremias 13:27
27 Vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, Jerusalém! Não te purificarás? Até quando ainda? (ARC).

Enquanto alguns fiéis indagam se Deus de fato está com a situação sob controle e se tem mesmo visto os últimos acontecimentos em nosso meio, nós trazemos o texto de Jeremias 13.27 novamente para a pauta… A resposta do texto é um sonoro “SIM”, Deus não perdeu as rédeas de sua obra e tudo está sob o seu domínio. Seus olhos têm contemplado a tudo!

Admiro como nada pode escapar da onisciência de Deus. O texto diz categoricamente que ele VIU as abominações, os adultérios, o chiado e a grande prostituição que se metera Judá. Nas cartas registradas no livro de Apocalipse (Ap 2.2,9,13,19; 3.1,8,15), encontraremos também estrondosas declarações do tipo: “CONHEÇO AS TUAS OBRAS!”, revelando a consciência de Deus sobre tudo o que acontece nesta terra ou em qualquer outro lugar (Pv 15.3; Sl 147. Sl 139).

Jeremias como fiel portador e transmissor da genuína Palavra de Deus, fala tudo sem rodeios e por isso é conduzido até os príncipes de Judá para ser sentenciado a morte (Jr 26.8).

O profeta mesmo diante do risco de perder a vida, não muda a mensagem, mas mantém-se fiel tanto a Palavra quanto ao Deus da Palavra, confiando na magnificência Daquele que o enviara (Jr 26.12-14).

Jeremias 26:16
16 Então, disseram os príncipes e todo o povo aos sacerdotes e aos profetas: Este homem não é réu de morte, porque, em nome do SENHOR, nosso Deus, nos falou. (ARC)

O texto seguinte, vemos nitidamente o favor Divino em prol de Jeremias. Mais que isso, vemos que na luta pela verdade, Deus sempre levantará improváveis pessoas para nos auxiliar a seu tempo, porque  o domínio e o poder estão em suas mãos (I Cr 29.11,12).

Aqueles homens (príncipes – Jr 16.16), possivelmente eram anciãos que trouxeram a memória as profecias de outros profetas, como Miqueias que cem anos antes anteviu a destruição de Jerusalém (Mq 3.12).

Até aqui julgamos que Jeremias estivesse só; e de fato estava como ele mesmo pensou (Jr 15.17), porém o Senhor Deus Soberano e conhecedor de todos os corações humanos, revelou a Jeremias e a nós que ainda havia amigos – Aicão, filho de Safã, de uma das melhores famílias da terra (II Re 22.12; 25.22; Jr 39.14), tornou-se amigo político de grande valor para Jeremias.

Jeremias 26:24
24 A mão, pois, de Aicão, filho de Safã, foi com Jeremias, para que o não entregassem nas mãos do povo, para ser morto. (ARC)

Desta forma, compreendemos que Deus nos reserva boas surpresas em uma jornada tão difícil. Muitas vezes nossa limitação impede de contemplarmos as coisas como verdadeiramente são, mas Deus em sua soberania e majestade, tem o controle de tudo e por pior que as circunstâncias se apresentem, Ele sempre se revelará no tempo oportuno (grego: kairós) para nos trazer alívio, livramento e salvação.

Confiemos, pois, no Senhor!

3.2 – O valor de um sábio conselho

Jeremias recebe a ordem de Deus para se colocar no átrio (pátio do Templo) da Casa do Senhor e ali anunciar a sua Palavra.

Para Warren Wiersbe e Norman Champlin, este episódio deve ser lido junto com o capítulo 7 de Jeremias, quando o profeta é convidado a se pôr a porta do Templo, porém outros estudiosos pensam tratar de momentos distintos.

Champlin, acrescenta que esta ocasião festiva poderia se tratar de uma das três principais festas obrigatórias de Israel e que todos os varões hebreus deveriam celebrar – a Páscoa, o Pentecostes e os Tabernáculos.

O fato relevante no texto é que Jeremias pregou sua feroz mensagem no átrio mais espaçoso do templo, onde ele podia ser ouvido pelo maior número possível de pessoas.

Após a mensagem ser anunciada, Jeremias ser levado a presença dos príncipes e receber o aval favorável e assim alcançar a temporária liberdade, encontramos no capítulo 27 uma mensagem prática do profeta – O julgo sobre o pescoço, simbolizando que Judá deveria servir a Babilônia, cuja nação o próprio Deus entregou todas as terras para os servirem (Jr 27.6,7).

Jeremias 27:8,11-12
8 E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, visitarei com espada, e com fome, e com peste essa nação, diz o SENHOR, até que a consuma pelas suas mãos.
11 Mas a nação que meter o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia e o servir, eu a deixarei na sua terra, diz o SENHOR, e lavrá-la-á e habitará nela.
12 E falei com Zedequias, rei de Judá, conforme todas estas palavras, dizendo: colocai o pescoço no jugo do rei da Babilônia, e servi-o, a ele e ao seu povo, e vivereis. (ARC)

Não havia como Judá prevalecer ante a força da Babilônia, pois tal nação era posta como vara disciplinadora de Deus contra o seu povo (Jr 1.11; Hc 1.6).

Jeremias então lança o conselho… Para preservarem a vida, Judá precisava se submeter ao julgo dos caldeus, Judá deveria colocar o seu pescoço debaixo do julgo babilônico (Jr 27.11).

Infelizmente, Judá mais uma vez não deu ouvidos a Palavra do Senhor nos lábios de Jeremias, antes desdenharam do conselho, levantando falsos profetas para “desfazer” da mensagem de Jeremias (Jr 28.2,3).

Jeremias 28:10-11
10 Então, Hananias, o profeta, tomou o jugo do pescoço do profeta Jeremias e o quebrou.
11 E falou Hananias aos olhos de todo o povo, dizendo: Assim diz o SENHOR: Assim quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, depois de passados dois anos completos, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, se foi, tomando o seu caminho. (ARC)

Falsamente falaram em nome do Senhor e a irritação chegou a ponto de Hananias quebrar o julgo do pescoço de Jeremias (Jr 28.10). Nesta altura, Judá não somente rejeitava por completo o conselho vindo do Senhor, como também passava a acreditar em uma mentira.

Jeremias 28:12-14
12 Mas veio a palavra do SENHOR a Jeremias, depois que Hananias, o profeta, quebrou o jugo de sobre o pescoço do profeta Jeremias, dizendo:
13 Vai e fala a Hananias, dizendo: Assim diz o SENHOR: Jugos de madeira quebraste. Mas, em vez deles, farei jugos de ferro.
14 Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei da Babilônia; e servi-lo-ão, e até os animais do campo lhe dei. (ARC)

Jeremias reitera a mensagem e por fim decreta a morte do falso profeta Hananias, o que veio a se cumprir no tempo determinado pelo verdadeiro homem de Deus.

Jeremias 28:16-17
16 Pelo que assim diz o SENHOR: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o SENHOR.
17 E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês. (ARC)

Perceba que o bom conselho proveniente de Deus, deve ser prontamente atendido, mesmo que não o compreendamos e possa parecer estranho. Deus tem uma perspectiva diferente do homem. Ele é Senhor e sabe com certeza o que é melhor para cada um de nós em cada momento (Pv 19.20,21; 12.15).

3.3 – A destruição de Judá era uma questão de tempo

Judá cometeu diversas transgressões, sendo a maior de todas elas, a idolatria.

Aquele povo se apoiava na falsa ideia de terem um Templo que poderia salva-los e de uma aliança com o verdadeiro Deus que eles mesmos haviam rompido (Jr 7.4). Se fiavam em falsas profecias (Jr 7.8) e dessa forma “descansavam” nas misericórdias do Senhor.

Pouco a pouco, Judá foi adentrando cada vez mais pelas cortinas do pecado até não haver mais como retornar (Jr 9.14; Jr 17). O arrependimento daquela nação só viria mediante um castigo severo (Jr 52.12-34).

Jeremias 7:9-11
9 Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes,
10 e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos fazer todas estas abominações?
11 É, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz o SENHOR. (ARC)

Não havia como adiar a sentença de que a panela fervente fosse derramada sobre Judá e assim os consumir. O juízo era certo, previsto e urgente (Jr 1.13-15).

Gálatas 6:7
7 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. (ARC)

Hoje, quantos não vivem a cogitar expectativas inúteis de gozar alguma recompensa em Deus, enquanto são relaxados quanto as suas obrigações de obediência a Ele?

Donaldo Stamps, autor dos comentários de rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal relata que aqueles que afirmam ser nascidos de novo e seguidores de Cristo e que têm o Espírito Santo (Gl 6.3), mas ao mesmo tempo deliberadamente semeiam na carne, isto é, satisfazendo seus desejos pecaminosos (Gl 5.19-21), são culpados de zombar de Deus e de desprezá-lo. Que ninguém se engane: tais pessoas não ceifarão “a vida eterna”, mas a “corrupção” (Gl 6.8) e a morte (Rm 6. 20-23).

CONCLUSÃO

Para um povo, cuja mente estava sedimentada pelo pecado, somente uma dura correção poderia resgatá-los.
O verdadeiro servo de Deus, sempre será aquele que confronta os nossos erros e pecados, não aqueles que fazem vistas grossas por desejar agradar e conservar a amizade ou posição adquirida.

2 Samuel 12:7
7 Então, disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; (ARC).

Em nossos dias, muitos se destacam pela covardia do que pela coragem. Em nome de uma falsa obediência que classifico como subserviência, homens e mulheres preferem o silêncio a denunciar o erro.

A nossa obediência vai até o limite que a liderança ultrapassa a sua própria obediência a Palavra de Deus (At 5.29). Quando permanecemos mudos, mesmo ante a tão terríveis erros dentro de nossa comunidade cristã, deixamos de ser obedientes e passamos a ser subservientes (bajuladores, condescendente com erros, “obediência” que não pondera absolutamente nada).

Precisamos de mais pessoas em nosso meio que tenham coragem de dizer “TU É ESTE HOMEM!”.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada;
Dicionário da língua portuguesa;
Comentário Jeremias e Lamentações – Série Cultura Bíblica – R.K. Harrison – Editora Vida Nova;
Comentário Bíblico Expositivo Warren Wiersbe – Editora Central Gospel;
Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando S. Boyer – Editora Vida;
Adultério: Definição, causas e consequências – José Carlos Costa – Blog: A Bíblia Responde
Comentário Bíblico Beacon – Volume 4 – Vários autores – CPAD;
Bíblia de Estudo Pentecostal – Versão Revista e Corrigida – CPAD;

Por: Cláudio Roberto


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