Buscar esboços

Nossos Esboços

Betel Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 16/04/2017 – Lição 3: A postura profética de Jeremias

11/04/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Jeremias 1:12
12 E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Jeremias 1:11-14
11 Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira.
12 E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.
13 E veio a mim a palavra do SENHOR, segunda vez, dizendo: Que é que vês? E eu disse: Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte.
14 E disse-me o SENHOR: Do Norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra. (ARC)

INTRODUÇÃO

O profeta Jeremias estava diante de uma missão praticamente impossível – ser o embaixador de Deus em Judá e notificar os crimes praticados por eles.

Jeremias se mostrou um homem de genuína chamada, pois não suavizou “o recado Divino”, mas manteve-se fiel a mensagem original dada por Deus. Enfrentando toda a hostilidade de seus compatriotas com firmeza e austeridade.

A obediência e a perseverança são pontos destacáveis na vocação deste homem.

1 – A POSTURA PROFÉTICA DE JEREMIAS

A chamada de Jeremias se originou em Deus e a relutância do profeta é compreensível.

O pastor Claudionor de Andrade, cita F.B. Meyer para descrever a recusa do profeta: “Jeremias era muito jovem e tentou esquivar-se da grande missão a ele confiada. Os mais nobres sempre agem assim. Sempre que Ele nos dá uma comissão, assume a responsabilidade da execução em nós, conosco, ou através de nós”.

Parece ser natural que as nobres almas escolhidas por Deus, tem em princípio a reação de negar a sua chamada, como fez Moisés (Ex 4.1). Nos sentimos assustados e recuamos ante a missão confiada a nós. 

Não se acha capaz? Ânimo! Nossa capacidade tem sua fonte em Deus. Entregue-se inteiramente ao Senhor, pois Ele é responsável por você e pela obra em sua vida.

1.1 – Próximo passo: Amar o próximo

Marson Guedes, em seu livro intitulado “O Caminho de Jeremias”, comenta que Deus, chamou o seu profeta para participar do seu sofrimento; Jeremias seria o “nervo exposto de Deus na terra”, sensível a dor causada pelo intenso sofrimento.

Jeremias se achava em constante sofrimento e rejeição e mesmo assim insistia continuamente para que o povo se arrependesse. Alguém diria: “Para que tanta persistência com quem nada quer?”.

Somente um amor incondicional pode mover o homem a esta direção, que mesmo afligido, ainda bem quer aquele que o ofende.

Semelhantemente ao que faz Deus pelo homem, Jeremias representa o empenho desse amor mesmo diante do desprezo. Esse profeta perdeu a sua vida para viver a vida que Deus planejou para ele, e isso somente foi possível porque o seu coração transbordava de amor pelo seu Criador e pelos seus semelhantes.

Romanos 5:5
5 E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. (ARC)

Da mesma sorte, a igreja deve amar com o amor de Deus (amor Ágape). Ele está à disposição de forma abundante para todo o cristão.

1.2 – É Deus quem capacita o homem

Olhar ao redor e ter a nítida percepção da perversidade de um povo; aprofundar o olhar para dentro de si mesmo e detectar as próprias fraquezas, fará qualquer um desanimar e hesitar, mesmo quando o Senhor está a chamar. Podemos chegar conclusão que provavelmente, não somos a pessoa ideal para tamanho desafio.

Warren Wiesber afirma: “Quando se trata de servir ao Senhor, em certo sentido ninguém é absolutamente adequado. “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” (2 Co 2:16), perguntou o grande apóstolo Paulo ao refletir sobre as responsabilidades do ministério. Então, respondeu à sua própria pergunta dizendo: “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (2 Co 3:5)“.

Nossa resposta à chamada Divina é proporcional a fé que depositamos Nele. Não há engano em Deus, quando Ele nos chama; e quando recusamos ou relutamos, a incredulidade está agindo em nós. Isso não é bom.

Jeremias 1:6
6 Então, disse eu: Ah! Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar; porque sou uma criança. (ARC)

Uma coisa é dizer que conhecemos nossas próprias limitações, porém outra bem diferente é dizer que nossas fraquezas impedem Deus de fazer seu trabalho.

Warren Wiesber afirma que Deus não nos salva, nos chama ou usa em seu serviço porque merecemos, mas porque escolhe fazê-lo em sua sabedoria e graça. Trata-se da mais pura graça. “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou”, escreveu Paulo, “e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co 15:10).

Aquilo que somos é um presente de Deus para nós, e o que fazemos com isso é nosso presente para Deus.

1.3 – O próximo escolhido pode ser você

A obra de Deus ainda está em movimento na terra e a “matéria prima” utilizada por Ele é o homem (gênero humano).

Além de Deus, não se ater a capacidade humana para a realização da sua obra, Ele também não observa a posição social que possuímos, a influência que dispomos, a riqueza material ou posses que tenhamos ou mesmo os nossos recursos.

1 Coríntios 1:27-28
27 Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.
28 E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; (ARC)

Ele escolhe a quem quer. Ele escolheu a Gideão, que era da família mais pobre de Manasses e o menor da casa de seu pai para libertar Israel das mãos dos midianitas (Jz 6.11-16); Ele escolheu também a Isaías, homem pertencente a realeza de Israel para ser um dos maiores profetas do Antigo Testamento (Is 6.1-8); também a Daniel, moço nobre e que mesmo no cativeiro, foi chamado para trazer revelações dos impérios mundiais e os acontecimentos dos tempos finais (livro de Daniel);

2 Samuel 7:8
8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo, a Davi: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses o chefe sobre o meu povo, sobre Israel. (ARC)

Em I Sm 16.1-13 temos o relato da escolha de Davi, o sétimo filho homem de Jessé, o menor de seus irmãos.
Era improvável que Davi fosse escolhido para ser o novo Rei de Israel. De família medíocre no cenário de Israel, habitante de uma cidadezinha pequena e também inexpressiva e ainda era o caçula em uma casa de sete irmãos homens (I Cr 2.13).

O próprio profeta Samuel, no alto de sua experiência com Deus, foi tentado a ungir o filho errado de Jessé, mas o Senhor interviu e lhe explicou uma grande verdade acerca das suas escolhas.

1 Samuel 16:7
7 Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração. (ARC).

O caráter do homem é o que defini o seu interior. As aparências podem maquiar um caráter deformado por intenções constantemente maldosas. O caráter denuncia a nossa intimidade, o que verdadeiramente somos nos bastidores da vida.

Ao julgar pelo exterior, não parecia haver nada em Davi que pudesse impressionar a Deus, mas o seu coração agradara ao Senhor.

Impressiona como Deus chamou variadas pessoas e de diferentes perfis para a sua obra, os capacitando e os revestindo de sua autoridade e Palavra.

Não subestime a si mesmo ou tão pouco ao seu irmão cheio de imperfeições e limitações, pois as escolhas que Deus faz fogem dos padrões que nós insistimos em estabelecer.

Atos 1:8
8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. (ARC)

A Teologia Pentecostal, ainda toma como base, a promessa de At 1.8 como sendo de vital importância para o desempenho da nossa chamada com o vigor e o poder que ela requer.

Ainda sobre a chamada, vale ressaltar que há muitos frustrados e decepcionados, pois equivocadamente pensam que o chamado é para viverem um evangelho de glamour e ostentação, ledo engano; estes ainda não compreenderam que o Senhor primeiramente nos chama para vivermos uma grande salvação por intermédio de Jesus (Mt 4.19,20; Mt 11.28,29; Jo 3.16; At 2.21; At 4.12; At 16.31; Rm 6.23; Rm 10.9), depois nos chama para uma vida de renúncia (Mt 10.38,39; Mt 16.24-26; At 14.22; I Ts 3.3; II Tm 3.12), fomos também chamados para uma vida de santificação (Jo 17.17-19; I Co 1.2,3; I Co 6.11; Ef 1.4; I Ts 4.3; Hb 10.10; Hb 12.14; I Pe 1.14-16).

Salmos 51:12-13
12 Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário.
13 Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão. (ARC)

Davi somente se achou apto a ensinar os pecadores acerca dos caminhos do Senhor, após ter experimentado o perdão de Deus e assim usufruir novamente da alegria da salvação. A sua mensagem só teria êxito, quando primeiramente ele, se encontrasse salvo em Deus.
Há muitos ocupando púlpitos e que ainda não tiveram um encontro genuíno com Deus, ou tivera tal encontro no passado, porém hoje, não mais.

Portanto, a primeira experiência do homem antes de uma chamada específica, é uma chamada para a salvação! Ela vem em primeiro lugar.

2 – A VISÃO DA AMENDOEIRA

Jeremias 1:11-12
11 Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira.
12 E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir. (ARC)

Veja abaixo uma vara e uma árvore de amendoeira:

2TBA2017L3a

Note que a visão da vara de amendoeira, ainda era apenas um galho sem flores ou frutos, no entanto esta é uma das plantas que mais rápido florescem, indicando que a palavra de Deus iria se cumprir de forma ligeira.

2.1 – A sentinela do povo de Deus

Em Israel, a amendoeira floresce no mês de janeiro, despertando de seu sono hibernal e dando a primeira indicação de que a primavera está chegando. Seus frutos são produzidos em março, portanto dois meses depois de florescer.

Warren Wiesber, Russel Shedd e D.L. Moddy afirmam que a palavra amendoeira em hebraico é saqed; enquanto a palavra “vigiar” ou “acordado” é: soqedEm outras interpretações de significado, amendoeira ainda pode ser definida como “aquela que desperta”. Por isso é chamada pelos hebreus como “DESPERTADORA”. (grifo meu).

Warren Wiesber continua seu raciocínio dizendo que Deus usou este jogo de palavras para chamar a atenção de Jeremias para o fato de que Ele está sempre acordado para velar sobre sua Palavra e cumpri-la (Jr 1.12).

Para R.K. Harrison, comentarista do livro de Jeremias da Série Cultura Bíblica, diz que a amendoeira ilustra a prontidão com que Deus cumpre suas promessas. Assim como os primeiros botões da amendoeira anunciavam a primavera, a palavra pronunciada apontava para seu rápido cumprimento.

Deus se utiliza da amendoeira para confirmar o sacerdócio de Arão diante de um povo, também rebelde.

Números 16:3
3 E se congregaram contra Moisés e contra Arão e lhes disseram: Demais é já; pois que toda a congregação é santa, todos eles são santos, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do SENHOR? (ARC)

Números 17:8
8 Sucedeu, pois, que no dia seguinte Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores, e brotara renovos, e dera amêndoas. (ARC)

No caso de Arão, ela reforça o simbolismo de respeito, obediência e submissão para com aqueles a quem Deus enviou ou estabeleceu como líder, visto que Arão tinha o seu ministério sacerdotal criticado pelos revoltosos (Nm 16).

Jeremias certamente associou a mensagem de Deus com a história de Arão. Assim como o ministério de Arão foi ratificado tendo como símbolo uma vara de amendoeira que brotou, floresceu e frutificou de um dia para outro, Deus tinha pressa e urgência em seu ministério profético. Assim como Deus confirmou a Arão diante de um povo rebelde, Jeremias também estava sendo confirmado como profeta diante de um povo com as mesmas características.

2.2 – A necessidade de estar vigilante

O pastor Clementino de Oliveira Barbosa (comentarista da revista que se baseia esse esboço), menciona o ponto de vista acerca do simbolismo da vara, indicando que a mesma aponta para a representação de uma “pessoa”.

João 15:5
5 Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer. (ARC)

Neste texto, a palavra “vara” nos chama a atenção, não somente por simbolizar “pessoa” (Jo 15.5), mas tal termo nas Escrituras, tem sempre uma forte conotação de correção (II Sm 7.14; Jó 9.34; 21.9; Sl 2.9; 89.32; Pv 10.13; 13.24; 22.15; IS 10.5; 10.24; Lm 3.1; I Co 4.21).

Norman Champlin, afirma que a palavra vara no hebraico é “hammutteh”, e significa “injustiça”. Talvez o versículo sugira que a vara de Yahweh, batendo nos ímpios, efetue justiça. A palavra vara torna possível uma metáfora fina: a vara floresce e, florescendo, produz golpes temíveis. A vara do Senhor cumpre seu propósito de julgamento.

A vara utilizada por Deus para a correção de Judá seria a nação babilônica (os caldeus).

Habacuque 1:6-7
6 Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas não suas.
7 Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua grandeza. (ARC)

Jeremias atuaria como uma sentinela que sempre está atenta, olhando ao seu redor, detectando os perigos eminentes e destacando-os. O profeta viu a vara do juízo de Deus apontada para Judá e assim alertou o povo.

Igualmente como a sentinela deve relatar com detalhes tudo o que viu em seu turno de vigia, o guarda e profeta do Senhor, Jeremias, se destaca pelo fato de não omitir absolutamente nada daquilo que Deus o mostrava ou falava ao seu coração. Tudo era devidamente relatado ao povo.

2.3 – A necessidade de o povo acordar

Ainda usando o simbolismo da sentinela, Jeremias era como o fiel guarda do Senhor diante dos “muros de Judá” a vigiar as portas da moral, da ética, da verdadeira espiritualidade, do culto, da obediência a palavra do Senhor.

Veja abaixo uma sentinela de guarda sobre o muro de uma fortaleza:

2TBA2017L3c

Uma sentinela, ao menor sinal de perigo grita ao horizonte esperando uma resposta de quem vem lá, não se identificando, dispara um tiro de advertência, e se o perigo continuar a avançar, a sentinela toca a sirene a fim de despertar a todos que estão adormecidos e assim ajudá-lo a enfrentar o inimigo.

Jeremias, como sentinela, arvorava a sua voz em Judá, com a intenção de despertar o povo, entorpecido pelas suas transgressões. A sirene utilizada por Jeremias era a Palavra de Deus que apontava ou enumerava cada pecado que eles estavam praticando, começando pelos seguintes grupos:

1. Rei Joaquim (Jr 22.13,19);
2. Casa real de Judá (Jr 21.11,14);
3. Escribas (Jr 8.8,9); 
4. Pastores (Jr 10.21); 
5. Sacerdotes (Jr 8.10; 23.11); 
6. Profetas (Jr 14.13. 16; 23.9; 40);

O pastor Clementino ainda destaca alguns pecados de Judá observados por Jeremias:

1. Idolatria (Jr 7.18; 9.13);
2. Exploração (Jr 9.2, 4);
3. Não pagar salário (Jr 33.13);
4. Desprezo pelos órfãos e viúvas (Jr 7.6; 22.3);
5. Mentira (Jr 8.10);
6. Assassinato de inocentes (Jr 22.17);
7. Sacrifício de crianças e falsos deuses (Jr 19.4; 7.31; 22.3);

Lucas 17:26-27
26 E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem.
27 Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos. (ARC)

O versículo acima, faz parte da mensagem escatológica pregada por Jesus, pouco antes do seu martírio.
Há um perigo declarado e proeminente para aqueles que vivem sem dar satisfações a Deus, vivem como se Ele não existisse ou ainda como aqueles que não consideram a Sua vontade.

2 Timóteo 4:2
2 que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. (ARC)

Romanos 1:16
16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. (ARC)

A igreja tem um papel importante nesse contexto. A nossa responsabilidade é anunciar as Boas Novas de salvação através de Jesus Cristo a este mundo que se corrompe cada vez mais. A Palavra é a ferramenta que temos em mãos para pregá-la a todo tempo e sob a eficácia do poder do Espírito de Deus.

3 – A VISÃO DA PANELA A FERVER

A segunda visão de Jeremias tinha um tom mais sinistro e pode ter seguido a primeira depois de algumas semanas ou meses.

Jeremias 1:13
13 E veio a mim a palavra do SENHOR, segunda vez, dizendo: Que é que vês? E eu disse: Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte. (ARC)

Norman Champlin acrescenta que a arqueologia descobriu grandes panelas, de boca larga, com duas asas, e provavelmente esse é o objeto que está em pauta aqui. Cf. Eze. 24.3. Diz aqui o Targum (interpretação hebraico – aramaico)“Vejo um rei fervendo como uma panela, bem como a bandeira de seu exército que vem do Norte”(grifo meu).

Deus ressaltou o pecado da idolatria (Jr 1:16) – esquecer-se do verdadeiro Deus e adorar a deuses que haviam feito com as próprias mãos. Em sua hipocrisia, o povo de Judá mantinha a adoração no templo, mas Jeová se tornou para eles apenas mais um dentre os muitos deuses que exigiam sua devoção.

Desta forma, a visão de Jeremias continha um teor apavorante, pois a panela que vislumbrava, estava a ferver, indicando devastação, destruição e consumação de Judá.

3.1 – O perigo vem do Norte

Quando Jeremias começou o seu ministério, a potência dominante do Oriente próximo era a Assíria e não a Babilônia, e sem dúvida muitos dos especialistas políticos acharam que Jeremias era um tolo por se preocupar com a Babilônia ao norte. No entanto, o povo de Judá viveu para assistir a Assíria ser derrotada e o Egito ser paralisado, enquanto a Babilônia crescia em poder e as palavras de Jeremias se cumpriam.

Jeremias 1:14
14 E disse-me o SENHOR: Do Norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra. (ARC)

Norman Champlin esclarece que outros adversários vinham de outras direções, mas era do Norte que vinha a devastação. Alguns estudiosos veem aqui tanto a Assíria (que destruiria as dez tribos do Norte, Israel) quanto a Babilônia (que destruiria as duas tribos do Sul, Judá). Sem a menor sombra de dúvida, a Babilônia está em foco em Jer. 13.20 e 25.9. Jeremias foi o grande profeta do cativeiro babilônico, e é neste ponto que temos indicações preliminares do tema. O simbolismo, aqui, é parecido com o do simbolismo do fogo, por causa do calor que destruiria Judá.

2 Reis 24:10
10 Naquele tempo, subiram os servos de Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a cidade foi cercada. (ARC)

Judá estava prestes a viver os dias mais escuros de sua existência, Jeremias antevia uma terrível invasão que não somente subjugaria o seu povo, mas destruiria a Jerusalém, queimariam a Casa de Deus e levaria Judá para o exílio, onde ficariam por longos setenta anos habitando em uma nação pagã, sem a sua porção de terra, sem o Templo para realizarem seus cultos, sem os sacrifícios ao verdadeiro Deus, sem alegria e sem identidade como nação.

2 Reis 24:13-14
13 E tirou dali todos os tesouros da Casa do SENHOR e os tesouros da casa do rei; e fendeu todos os utensílios de ouro que fizera Salomão, rei de Israel, no templo do SENHOR, como o SENHOR tinha dito.
14 E transportou a toda a Jerusalém, como também todos os príncipes, e todos os homens valorosos, dez mil presos, e todos os carpinteiros e ferreiros; ninguém ficou, senão o povo pobre da terra. (ARC)

2 Crônicas 36:18-19
18 E todos os utensílios da Casa de Deus, grandes e pequenos, e os tesouros da Casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para a Babilônia.
19 E queimaram a Casa de Deus, e derribaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram, destruindo também todos os seus preciosos objetos. (ARC)

Do Norte viria a fúria que consumiria Judá como um todo. O ataque seria fulminante e mortal.

3.2 – Os inimigos se aproximam

Warren Wiesber comenta que as nações no Oriente se encontravam com freqüência em conflito, cada uma tentando obter a supremacia.

R.K. Harrison, afirma que Assurbanipal, o último grande rei assírio, morreu por volta da data em que Jeremias foi vocacionado e, no espaço de uma década, o império que tinha aterrorizado o Oriente Próximo estava à beira da dissolução. Para Judá, que era um estado-tampão entre o Egito e os poderes do Norte, o futuro não prometia nada de bom.

Jeremias faz sua primeira afirmação profética do desastre iminente (Jr 1.13). A dura advertência de que o inimigo viria da direção norte deixa seus ouvintes imediatamente apreensivos.

Apesar da profecia mencionar que a invasão viria do lado Norte, Judá olhava para duas direções, ao Sul para o Egito e ao Norte para a Assíria (potência que poderia se levantar), e a Babilônia (potência que crescia).

A temida Assíria (a quem já havia levado o reino do Norte cativo – Israel por volta de 721 ou 722 a.C. – II Re 17), perdeu o seu domínio para a Babilônia e foi destruída por Nabucodonosor.

O Egito, sete anos depois, também fora humilhado pelos Babilônicos na famosa batalha de Carquemis (Jr 46.2), onde o Faraó Neco II perdeu o importante território do Crescente Fértil que abrange não somente a região do Norte do Egito, mas que se estende pela costa do Mar Mediterrâneo na região da Palestina, passando pelas terras mais ao centro de Israel e se alargando até a Mesopotâmia conforme a figura abaixo; assim a Babilônia se consolidava como o poder mundial daquela época.

2TBA2017L3b

3.3 – O Senhor é Soberano entra as nações

Deus é o dominador e tem o controle dos eventos da história da humanidade. É Ele quem suscita o inimigo do Norte, a Babilônia para castigar e corrigir Judá (Hc 1.6,7).

R.K. Harrison informa que estes conquistadores são instrumentos divinos, executando a sentença de Deus contra os judeus por seu crime de seguir deuses pagãos e não os ideais da aliança do Sinai.

A soberania é um atributo de Deus, denominado por Myer Pearlman como sendo “Atributo Ativo de Deus”. Este atributo se refere ao relacionamento entre Deus e o Universo (céus e terra, criados por ele – Mt 20.15; Rm 9.21; Jr 18). (grifo meu).

Claudionor de Andrade, afirma que em sua soberania, Deus é absoluto e necessário e que todos precisamos Dele para existir; sem Ele não há vida nem movimento.

Daniel 4:35
35 E todos os moradores da terra são reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes? (ARC)

Portanto, a soberania de Deus é a autoridade inquestionável que Ele exerce sobre todas as coisas criadas, quer nos céus ou na terra. A soberania ainda pode ser considerada um dispositivo autêntico que Deus utiliza para executar a sua plena vontade, tendo em vista o completo e irrestrito êxito de seus decretos estabelecidos.

Isaías 44:24-28
24 Assim diz o SENHOR, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço todas as coisas, que estendo os céus e espraio a terra por mim mesmo;
25 que desfaço os sinais dos inventores de mentiras e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios e transtorno a ciência deles;
26 sou eu quem confirma a palavra do seu servo e cumpre o conselho dos seus mensageiros; quem diz a Jerusalém: Tu serás habitada, e às cidades de Judá: Sereis reedificadas, e eu levantarei as suas ruínas;
27 quem diz à profundeza: Seca-te, e eu secarei os teus rios;
28 quem diz de Ciro: É meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; dizendo também a Jerusalém: Sê edificada; e ao templo: Funda-te. (ARC) 

Efésios 1:11
11 nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade, (ARC)

Deus exerce a sua soberania em levantar Nabucodonosor como seu agente pedagógico, a fim de ensinar, corrigir e trazer novamente a nação de Judá a Sua obediência e serviço.

Jeremias 32:28
28 Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade nas mãos dos caldeus, e nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia; e ele tomá-la-á. (ARC)

CONCLUSÃO

O Senhor dotou a Jeremias com suas palavras, capacitando-o a falar em seu nome. O profeta alertou o seu povo como faz uma sentinela na eminência de um ataque inimigo. Deus em sua soberania, anunciou através do seu vaso que usaria a nação da Babilônia para corrigi-los, no entanto, mesmo diante das advertências ameaçadoras, eles permaneceram adormecidos em suas transgressões.

A todo instante, a voz de Deus deve ser ouvida, apreciada e atendida em seus requisitos para que tudo vá bem com o seu povo.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada;
Dicionário da língua portuguesa;
O Caminho de Jeremias – Marson Guedes – Editora Mundo Cristão;
Revista EBD – 2º Trimestre 2010 – Lição 1 – Claudionor de Andrade – CPAD;
Comentário Jeremias e Lamentações – Série Cultura Bíblica – R.K. Harrison – Editora Vida Nova;
Comentário Bíblico Expositivo Warren Wiersbe – Editora Central Gospel;
Comentário de Jeremias – D.L. Moody – Editora Batista Regular;
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Myer Pearlman – Editora Vida;
Bíblia de Estudo Pentecostal – Versão Revista e Corrigida – CPAD;

Por: Cláudio Roberto


Comentários

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado


Copyright Março 2017 © EBD Comentada