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Betel Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 09/04/2017 – Lição 2: A intensidade das profecias de Jeremias

04/04/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Jeremias 2:5
5 Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos? (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Jeremias 2:1-4
1 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2 Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade e do amor dos teus desposórios, quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava.
3 Então, Israel era santidade para o SENHOR e era as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR.
4 Ouvi a palavra do SENHOR, ó casa de Jacó e todas as famílias da casa de Israel. (ARC)

INTRODUÇÃO

Jeremias foi o porta voz do Eterno em um momento de grande instabilidade política e social em Judá.

Acrescenta-se ao fato de Judá estar na berlinda do cativeiro, a sua contínua desobediência a Deus, desta forma, a condição espiritual era também a pior imaginável.

Jeremias enfrentou grandes pressões e ao invés de recuar, demonstrou enorme resiliência. Desistir não era uma opção para esse profeta, ao contrário, Jeremias sempre avançava com as Palavras de Deus devidamente afiadas em seus lábios e um coração que anelava pelo arrependimento de seus irmãos.

1 – UM PROFETA PARA PREGAR CONTRA O PECADO

Jeremias 2:19
19 A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que mau e quão amargo é deixares ao SENHOR, teu Deus, e não teres o meu temor contigo, diz o Senhor JEOVÁ dos Exércitos. (ARC)

Em qualquer tempo ou grupo social, o teor da mensagem profética de Jeremias, não será bem aceito. Trata-se de um choque não somente ideológico, mas de propósitos e princípios, um confronto que expõe o interior e revela o coração.

Êxodo 19:5-6
5 agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha.
6 E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel. (ARC)

Êxodo 24:3
3 Vindo, pois, Moisés e contando ao povo todas as palavras do SENHOR e todos os estatutos, então, o povo respondeu a uma voz. E disseram: Todas as palavras que o SENHOR tem falado faremos. (ARC)

Entenda que aquele povo estava sob uma aliança que agora se encontrava quebrada. No Sinai, este povo concordou em fazer com o Senhor um pacto de obediência, de serviço, de ser um povo separado e tinham a responsabilidade de preservar os mandamentos do Senhor, no entanto, com o passar do tempo, após conquistarem a terra de Canaã, esta aliança foi pouco a pouco corrompida, vindo a perder a sua aplicação.

Israel prevaricou diversas vezes contra o Senhor e mesmo debaixo de muitas advertências (outros profetas e profecias), esse povo permaneceu obstinado no seu erro. Jeremias seria a última instância que Deus estava usando para trazê-los de volta a comunhão e o restabelecimento da aliança e caso não ouvissem, o cativeiro os esperava.

1.1 – Israel no altar da idolatria

Todo o Israel, experimentara o culto aos ídolos pagãos, os deuses cananeus já lhe eram peculiares. Moloque ou Baal ou Camos ou Quemos, Assera, Dagon (“pai de Baal”) todos já faziam ou fizeram parte da adoração ou culto do povo judeu.

O reino de Judá chegou ao cúmulo de introduzir o culto aos falsos deuses no interior do Templo.

Jeremias 32:34,35
34 antes, puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para a profanarem. (grifo nosso)
35 E edificaram os altos de Baal, que estão no vale do filho de Hinom, para fazerem passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a Moloque, o que nunca lhes ordenei, nem subiu ao meu coração que fizessem tal abominação, para fazerem pecar a Judá. (ARC)

Judá estava mergulhada na prática daquilo que mais era abominável a Deus, a idolatria. Judá havia rompido a base da sua aliança com o Deus que os havia tirado do Egito, prescrita no primeiro e segundo mandamentos:

Êxodo 20:2-6
2 Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de mim.
4 Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5 Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem
6 e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. (ARC)

A palavra Idolatria é derivada da palavra ídolo; no hebraico t rãphîm, quer dizer ídolo, ídolo do lar, máscara cultual, símbolo divino. Segundo o dicionário Vine, esta palavra é um estrangeirismo do hitita-hurriano (tarpis), o qual no idioma (grifo nosso) semítico ocidental assume a forma básica tarpi. Seu significado básico é “espírito” ou “demônio”.

Ainda há outra palavra no hebraico: elîl, cujo significado é também: ídolo, deuses, nada, vaidade, falso deus.

1 Crônicas 16:26
26 Porque todos os deuses das nações são vaidades; porém o SENHOR fez os céus. (ARC)

Jeremias definiu os falsos profetas acomunados com os sacerdotes e a nobreza de Judá como sendo propagadores de mentiras, falsidades, adivinhadores e vaidosos. São termos que se identificam bastante com o significado da palavra ídolo e que são peculiares àqueles que vivem na prática da idolatria e tem como inspiração de suas palavras, espíritos malignos.

Jeremias 14:14
14 E disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente em meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração são o que eles vos profetizam. (ARC)

Abaixo, as imagens de como eram figurados alguns deuses cananeus:

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Jeremias 7:18
18 Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para fazerem bolos à deusa chamada Rainha dos Céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira. (ARC)

O profeta Jeremias destacou em seus dias, o culto realizado à “Rainha do Céu”, que provavelmente era uma deusa oriunda da Mesopotâmia, chamada Ishtar (Astarte), que lhe atribuíam a “responsabilidade” de ser a deusa mãe da fertilidade, do amor e ainda exercia o domínio sobre as guerras.

Acredita-se que Baal e Astarte formavam um par “divino”, sendo Baal a divindade masculina e Astarte ou Astarote a divindade feminina entre os cananeus; mas que naquele tempo passou a fazer parte também da adoração do povo judeu.

Por acreditar que a fertilidade era uma benção patrocinada por Astarte, as mulheres estéreis a buscavam com o intuito de fecundar. As mulheres de Judá, especificamente, passaram a procurar o auxílio de Astarte, cultuando-a e oferecendo a ela adoração, a fim de receber a graça de gerar filhos.

Jeremias 2:13
13 Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (ARC)

Jeremias 5:23-24
23 Mas este povo é de coração rebelde e pertinaz; rebelaram-se e foram-se.
24 E não dizem no seu coração: Temamos, agora, ao SENHOR, nosso Deus, que dá chuva, a temporã e a tardia, a seu tempo; e as semanas determinadas da sega nos conserva. (ARC)

Jeremias definiu as divindades pagãs, inclusive, Astarte de cisternas rotas, que não podem reter as águas. O seu socorro e auxílio são vãos e somente o verdadeiro Deus, poderia beneficiá-los com mananciais de águas abençoadoras e purificadoras.

A idolatria é má em sua essência, porque os seus devotos, ao invés de confiarem em Deus, depositam a sua certeza em algum objeto, pessoa ou recurso, de onde não pode emanar o bem desejado.

Logo, a idolatria, no aspecto puramente teológico é tudo aquilo que usurpa ou toma o lugar de Deus em nossa adoração ou a honra que lhe prestamos.

1.2 – As advertências do profeta

Vale a pena realçar que o papel do profeta não era tão somente revelar acontecimentos futuros, falar de algo que ainda estava para acontecer, mas principalmente evidenciar os mandamentos do Senhor e convocar os desobedientes ao arrependimento, portanto o profeta era um guardião da Lei de Deus, um monitor que observava o comportamento e as práticas do povo e ao menor sinal de desvio, alertava-os para a correção.

Deuteronômio 29:24-28
24 isto é, todas as nações dirão: Por que fez o SENHOR assim com esta terra? Qual foi a causa do furor desta tão grande ira?
25 Então, se dirá: Porque deixaram o concerto do SENHOR, o Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito,
26 e foram-se, e serviram a outros deuses, e se inclinaram diante deles; deuses que os não conheceram, e nenhum dos quais ele lhes tinha dado.
27 Pelo que a ira do SENHOR se acendeu contra esta terra, para trazer sobre ela toda maldição que está escrita neste livro.
28 E o SENHOR os tirou da sua terra com ira, e com indignação, e com grande furor e os lançou em outra terra, como neste dia se vê. (ARC)

Eles (o povo de Judá) não estavam sendo pegos de surpresa, mas tudo estava previsto acontecer, caso eles servissem a outros deuses.

A mensagem de Jeremias, tornou-se detestável aos ouvidos da nobreza, do sacerdócio e dos falsos profetas, pois ele confrontava o pecado praticado pelo povo com o que dizia a palavra do Senhor.

Jeremias tinha um compromisso com a verdade e não fazia concessões com quem quer que fosse, ainda que tal atitude resultasse em sofrer ainda mais. As palavras de advertência deveriam prevalecer acima de quaisquer relacionamentos, mesmo aqueles que poderiam lhe dar certa segurança.

João Batista, no seu tempo, teve a cabeça posta em uma bandeja que desfilou em uma festividade ímpia e pagã, tudo por denunciar publicamente o pecado de Herodes Antipas, o qual havia tomado a mulher de seu irmão por esposa. Neste caso, a coragem de advertir um governante, lhe custou a vida.

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Elias, em seu tempo, também “invadiu” o palácio do rei Acabe e denunciou a sua idolatria, com a sentença de que não choveria por três anos e meio, desmoralizando assim, as divindades: Baal e Astarote, “responsáveis” pelo controle do tempo (chuvas) e fertilidade respectivamente. Obviamente, após a sentença, teve que fugir da fúria do rei ímpio (I Re 17.1; Tg 5.7).

Deus se agrada daqueles que não são covardes e os tais serão odiados pelos maiorais, pois a mensagem corajosa da palavra de Deus, expõe comportamentos inadequados, revela a escuridade da alma e as trevas de um povo ou geração; por conseguinte arrola para si a perseguição e o ódio daqueles que estão e querem permanecer em seus erros.

1.3 – Obediência: Valor para a vida

A situação moral do povo de Judá era vergonhosa e degradante.

Jeremias 5:1
1 Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, e informai-vos, e buscai pelas suas praças, a ver se achais alguém ou se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei. (ARC)

No capítulo 4, Jeremias detalha o castigo terrível e eminente. No capítulo 5, o profeta é convidado a dar uma volta pelas ruas de Jerusalém, a fim de encontrar um justo dentre o povo e assim, este, alcançaria o perdão de Deus.

A única forma de ser achado justo naqueles dias, era observando a Lei de Deus, mas a desobediência a esta Lei, foi a característica marcante daquela geração.

Obedecer é estar debaixo de uma regra e cumpri-la. A regra naqueles dias, eram os mandamentos do Senhor.

Jeremias 5:2
2 E ainda que digam: Vive o SENHOR, decerto falsamente juram. (ARC)

Os habitantes de Jerusalém tinham em seus lábios expressões do tipo: “Vive o Senhor”, porém tais palavras não lhes garantiam que de fato eram justos, ou sequer falavam a verdade, pois a própria palavra de Deus os denunciavam, afirmando que se tratavam de pronunciamentos falsificados. Eram expressões superficiais e aparentes, não significando exatamente o que estava interiorizado no coração, porquanto suas verbalizações não correspondiam com suas ações.

Jeremias 5:30-31
30 Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra:
31 os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; e que fareis no fim disso? (ARC)

A alienação daquele povo em relação a Deus e a sua desobediência terminariam na miséria do exílio. A estupidez espiritual e a perversidade moral já haviam realizado sua obra mortal e a nação já havia perdido todo o sentimento pelo Senhor, não restando outra coisa, senão o juízo.

Hoje, a obediência ainda é um requisito para uma vida ditosa com Deus.

João 14.15
15 Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. (NVI)

A obediência é uma indicação de que amamos a Deus. O nosso vínculo vital com o Senhor se fundamenta em nossa obediência ao que Ele propôs em seus mandamentos.

Jesus resumiu todos os 613 preceitos contidos na Lei de Moisés em apenas dois mandamentos.

Marcos 12:29-31
29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
30 Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. (ARC)

A aplicação destes mandamentos em nossas vidas, resultará em copiosas bênçãos, repercutindo ao final, em vida eterna com Deus.

O próprio Jesus, ainda nos exorta a sermos praticantes da palavra e não apenas ouvintes.

Mateus 7:24-27
24 Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.
25 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
26 E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. (ARC)

Logo após discursar o famoso sermão do monte, iniciado no capítulo 5 de Mateus, onde encontramos instruções valiosas para uma vida cristã sadia, robusta e vigorosa, Jesus conclui o mesmo contanto uma parábola sobre os dois alicerces.

Em suma, quis dizer que tudo o que eles acabaram de ouvir deveria ser acompanhado de exercício prático no dia a dia, assim seriam comparados ao homem prudente que não sofre abalos quando as intempéries da vida o sobrevém.  Jesus está revelando que um dos prismas da obediência é a prudência, ou seja, obedecer a Deus é agir com sensatez!

2 – UM HOMEM A FRENTE DAS PROFECIAS

Jeremias 14:12-15
12 Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e quando oferecerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, e pela fome, e pela peste.
13 Então, disse eu: Ah! Senhor JEOVÁ, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada e não tereis fome; antes, vos darei paz verdadeira neste lugar.
14 E disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam falsamente em meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração são o que eles vos profetizam.
15 Portanto, assim diz o SENHOR acerca dos profetas que profetizam em meu nome, sem que eu os tenha mandado, e dizem que nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão consumidos esses profetas. (ARC)

Mesmo o Senhor, sucessivamente e ininterruptamente enviar os seus servos, os profetas, a advertir o seu povo desde a primeira inclinação a idolatria quando ainda saiam do Egito (Ex 32.1-6), Israel não deu ouvidos, mas antes procurou seguir o seu próprio caminho sem dar satisfações àquele que o libertara da escravidão egípcia.

Jeremias 7:25-28
25 Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias madrugando e enviando-os.
26 Mas não me deram ouvidos, nem inclinaram os ouvidos, mas endureceram a sua cerviz e fizeram pior do que seus pais.
27 Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão.
28 E lhes dirás: Uma gente é esta que não dá ouvidos à voz do SENHOR, seu Deus, e não aceita a correção; já pereceu a verdade e se arrancou da sua boca. (ARC)

A exemplo dos amorreus, não havia como Judá se livrar da sentença anunciada. O pecado havia atingido o nível que culmina no juízo de Deus. A taça da injustiça de Judá estava completa e agora só restava a aplicação da pena.

Gênesis 15:16
16 E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia. (ARC)

A religiosidade não poderia livrar Judá do destino anunciado e veremos que o Templo de Salomão nada pode fazer por eles diante de uma vida desregrada.

2.1 – Maldita entre as nações

Judá, diante de tantas palavras de advertência contra a sua transgressão, decide levantar um outro ídolo, o Templo!

Jeremias, percorreu as ruas da cidade em busca de alguém justo ou verdadeiro, e agora o Senhor o envia até a porta do Templo de Salomão.

Jeremias 7:1-4
1 A palavra que foi dita a Jeremias pelo SENHOR, dizendo:
2 Põe-te à porta da Casa do SENHOR, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do SENHOR, todos de Judá, vós os que entrais por estas portas, para adorardes ao SENHOR.
3 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar.
4 Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. (ARC)

Warren Wiersbe, afirma que três vezes por ano, os homens judeus deviam ir ao templo em Jerusalém para comemorar as festas (Dt 16:16); possivelmente, aqui se tratava de uma dessas ocasiões. É bem provável que o templo estivesse cheio, mas não havia muitos adoradores verdadeiros em seus átrios.

O profeta ficou em pé, ao lado de um dos portões que davam para o átrio do templo, e ali pregou para o povo que passava. Foi neste momento que Jeremias apresentou a acusação de Deus contra o povo de Judá.

De nada adianta sua adoração (vv. 1-15)
O comentário Beacon, afirma que após terem quebrado a Lei de Deus, eles tiveram a audácia de virem até o templo e exclamarem que estavam seguros! Eles se fiavam (grifo nosso) na desilusão de que, visto que o Templo era o lugar da moradia de Deus, Ele nunca permitiria que o templo fosse violado; portanto a nação estava segura. Eles achavam que podiam dizer: “Templo do Senhor, Templo do Senhor”, e com essa “fórmula mágica” proteger-se de qualquer tipo de desastre.

Jeremias 7:8
8 Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas. (ARC)

O versículo 8, sugere que os falsos profetas tinham colocado essas ideias equivocadas na mente do povo. Essas noções, no entanto, são as ilusões de uma consciência endurecida, e o tipo mais vil de superstição religiosa.

Judá se esqueceu de outras ocasiões em que Deus trouxe severo castigo a nação, inclusive quando o tabernáculo ficava em Siló e os filhos rebeldes de Eli (Hofni e Finéias), enviaram a arca da aliança para o meio do campo de batalha, pois pensavam que isto seria suficiente para Deus lhes trazer a vitória sobre os filisteus. A história conta que Israel sofreu uma vexatória derrota e a arca ainda foi capturada. No momento em os filisteus derrotaram Israel e tomaram a arca, morriam na batalha os dois filhos perversos do sacerdote Eli, que ao receber a notícia de que a arca estava em poder dos filisteus, caiu da cadeira e também morreu. Sua nora, grávida de Finéias, dá à luz a um filho e antes que morresse também, dá a ele o nome de Icabô que traduzido é: “foi-se a glória de Israel”. (I Sm 4-6, principalmente I Sm 4.21,22).

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Perceba que não há relação entre religiosidade e vida com Deus. Israel não entendeu que um símbolo (arca da aliança) das coisas espirituais não é uma garantia absoluta da realidade que ele representa. Deus permanecia com o seu povo somente enquanto esse povo procurasse manter a comunhão com Ele, segundo o concerto.

Judá, por acreditar nas mentiras dos falsos profetas, pensavam que poderiam viver em pecado e, ainda assim, ir ao templo e adorar a um Deus santo. Igualmente sob o novo concerto, alguém ser batizado nas águas, ou participar da ceia do Senhor, não terá nenhum benefício espiritual a não ser que viva em sincera obediência a Deus, trilhando seus justos caminhos.

1 Coríntios 11:27-30
27 Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice.
29 Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.
30 Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem. (ARC)

Note que naquela ocasião, no momento em que arca foi retirada, morreram Hofni, Finéias, Eli e a sua nora, pois onde Deus não se faz mais presente, reina a morte. Não foi em vão que Jesus declarou ser Ele, a ressurreição e a vida e que a própria vida estava Nele.

João 11:25
25 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; (ARC)

João 1:4
4 Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; (ARC)

2.2 – Deus cuida de nós o tempo todo

Salmos 40:17
17 Eu sou pobre e necessitado; mas o Senhor cuida de mim: tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus. (ARC)

A verdade da Palavra de Deus é absoluta e nela cremos por fé. Mesmo diante de extremas aflições que possam nos cercar, ela garante o zelo de Deus em nosso favor.

Ainda que exista a responsabilidade humana que nos envereda a procurarmos entregar o melhor para aqueles que estão sob os nossos cuidados, existe um, cuja dedicação excede a nossa compreensão. Deus, continuamente está operando em nosso favor, mesmo quando não temos nenhuma percepção desta realidade.

Isaías 64:4
4 Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera. (ARC)

Jeremias, não se conforma com a posição deliberada de Judá em rejeitar o Senhor. Tal disposição partiu de uma mente e coração já completamente corrompidos pelos sucessivos pecados, resultando em uma apostasia completa, aliás o significado do termo apostasia é “afastamento”. Judá decidiu se afastar do Senhor.

Jeremias 2:13
13 Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (ARC).

A despeito do desvio e do abandono generalizado do povo de Judá para com Deus, Jeremias se mantinha fiel ao Senhor, próximo da sua verdade e anelava sempre por sua companhia.

Lembremos, pois, Deus está atento até mesmo aos nossos maiores anseios.

1 Pedro 5:7
7 lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. (ARC)

Matthew Henry, considera que devemos confiar no Senhor com uma mente firme e resolvida. As ansiedades até das pessoas boas, são muito sobrecarregadas e geralmente muito pecaminosas. Quando elas surgem da incredulidade e da desconfiança, quando torturam ou distraem a mente, desqualificando-nos para o trabalho da nossa posição e impedindo a nossa obra prazerosa em Deus, elas são criminosas.

Note você que Jeremias, não permitiu que as inquietudes proporcionadas pelo pesado ambiente que vivia, conduzisse a sua vida, mas antes se refugiava em Deus e Nele depositava cada anseio.

Cristo, continua sendo o escape para todo homem sobrecarregado pelas vicissitudes da vida. Foi Ele quem disse:

Mateus 11:28
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. (ARC)

2.3 – Deus se importa conosco

Deus tem um plano para a humanidade, bem traçado e elaborado. Esse plano revela o quão importante é o homem para Ele.

O Antigo Testamento está permeado de mensagens que apontam para a providência Divina em prol da salvação do homem; Assim Deus deliberou reconciliar a sua maior criação consigo mesmo.

O primeiro profeta e a primeira profecia acerca dessa redenção, partiu do próprio Deus, ainda no Éden.

Gênesis 3:15
15 E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. (ARC)

O comentário Bíblico de Beacon, afirma que o versículo 15 é chamado de proto-evangelho, pois contém uma promessa de esperança para o casal pecador. O mal não tem o destino de ser vitorioso para sempre; Deus tinha em mente um Vencedor para a raça humana. Há um forte caráter messiânico neste versículo.

O termo proto-evangelho, significa: primeiro evangelho e defini a primeira comunicação de Deus com os homens, fazendo também a primeira alusão as boas novas de salvação através ou por intermédio de Jesus, o Filho de Deus. Considerando que Evangelho também quer dizer “Boas Notícias”, a tradução para proto-evangelho sugere que seja: Primeiras Boas Notícias.

G.B. Willianson, ainda resume esse versículo da seguinte forma:

“O calcanhar ferido”

1 – O Salvador prometido era a Semente da mulher – O Deus homem que haveria de vir; (grifo nosso);

2 – Esta Semente Santa feriria a cabeça da serpente – Conquistar e derrotar o poder do pecado; (grifo nosso);

3 – A serpente feriria o calcanhar do Salvador – Na cruz, ele morreu, mas não permaneceu na morte; (grifo nosso);

Todos os profetas veterotestamentários, profetizaram acerca da manifestação ou o advento do Messias. Tais mensagens proféticas, tinham como objetivo trazer esperança ao povo judeu e por eles, a toda a humanidade que o Ungido de Deus, um dia viria para prover a remissão dos pecados do homem.

Os principais nomes que profetizaram acerca da vinda do Salvador foram: Moisés, Davi, Daniel, Zacarias e o mais destacado neste quesito, o profeta Isaías, apontado por muitos como o profeta messiânico e tendo o seu livro considerado como o “quinto evangelho”.

O último profeta desta era, falou acerca de Jesus:

João 1:29
29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (ARC)

As profecias se cumpriram e o Cordeiro de Deus, se manifestou para redimir toda a humanidade através do seu sacrifício no Calvário.

3 – DEUS QUER RESTAURAR O SEU POVO

Havia uma harmoniosa mensagem entre todos os profetas do Antigo Testamento. Mesmo vivendo em épocas, lugares e circunstâncias diferentes, os 16 profetas revelados no A.T. (Antigo Testamento), tinham uma palavra similar. Elas convergiam para uma única verdade: O desejo de Deus em restaurar o seu povo.

1 Timóteo 2:1-5
1 Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens,
2 pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.
3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador,
que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.
5 Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem, (ARC)

Essa verdade, ainda permanece na nova aliança, pois Deus é o mesmo e sua essência não se altera. Deus possui em sua natureza, um atributo denominado AMOR. Tal sentimento é incondicional e o impulsiona a querer salvar todos os homens. O Deus amoroso do A.T. e o mesmo Deus amoroso do N.T. (Novo Testamento).

A melhor resposta quanto a intensidade do amor que Deus possui pela humanidade pode ser encontrada em Jo 3.16.

João 3:16
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (ARC)

3.1 – Mensagem do pacto violado

Jeremias estava presenciando os últimos dias de Judá em liberdade, pois as consequências da sua apostasia e desobediência estavam se aproximando. “A panela fervente” (Império Babilônico), cuja face estava virada para o norte (Jr 1.13), já tinha Jerusalém em sua alça de mira.

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Deus havia chamado Abraão e o tirado do meio de um povo idólatra a fim de se fazer conhecido como o único e verdadeiro Deus (Gn 12), porém a descendência de Abraão volta ao estágio inicial da chamada do seu patriarca. Os filhos de Abraão agora, estão adorando os deuses da Mesopotâmia.

No decorrer da história, Deus se valeu de alianças com o seu povo. Segundo Orlando Boyer, em seu livro intitulado Pequena Enciclopédia Bíblica, a palavra Aliança nas escrituras corresponde a um contrato, um pacto, um ajuste que solenemente se realizava entre duas ou mais pessoas.

Nels Lawrence Olson, em seu livro: “O plano Divino através dos séculos” descreve oito alianças realizadas entre Deus e os homens em um período de 6 dispensações. Essas alianças, conforme dispostas, são aceitas pela Teologia Pentecostal.

1. A Aliança Edênica, que condicionou a vida do homem no estado da inocência – Gn 1.28;

2. A Aliança Adâmica, que condicionou a vida do homem decaído, oferecendo a promessa de um Redentor – Gn 3.14-21;

3. A Aliança com Noé, que estabeleceu o princípio do governo humano e assegurou a continuação da vida sobre o planeta – Gn 9.1-17;

4. A Aliança Abraâmica, que daria início à nação israelita e concedeu-lhe a terra da Palestina – Gn 12.1-3;

5. A Aliança Mosaica, que condena todos os homens “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Rm 3.23 – Ex 19.1-25;

6. A Aliança Palestínica, que assegura a restauração e a conversão final de Israel – Dt 28.1 a 30.3; Lc 26; 7 7. A Aliança Davídica, que promete o trono de Israel à posteridade de Davi, promessa que se cumprirá em Cristo, o “Filho de Davi.” – II Sm 7.16; I Cr 17.7; Sl 89.27; Lc 1.32,33;

7. A Nova Aliança, que assegura a transformação espiritual de Israel e de todos que creem em Cristo, tornando-os aceitáveis a Deus – Mc 14.24; Lc 22.20; Hb 12.24;

Os capítulos 11 e 12 de Jeremias, Deus recorda a aliança feita no Sinai (a quinta aliança, a Mosaica).

Esta aliança consistia em:
Responsabilidades ou lado Divino da Aliança Mosaica

1. Fazer de Israel uma propriedade peculiar – Ex 19.5;
2. Fazer de Israel um reino de sacerdotes – Ex 19.6;
3. Fazer de Israel uma nação santa – Ex 19.6;
4. A cura divina era outra promessa de Deus – Ex 15.26;

Responsabilidades ou lado humano da Aliança Mosaica

1. Observar os Mandamentos – A Lei Moral que expressa a vontade de Deus – Ex 20;
2. Observar os Estatutos – A Lei Civil promulgada pelo próprio “Rei” – Ex 21.1 a 23.33;
3. Observar as Instruções Religiosas – A Lei Cerimonial, que consistia resumidamente no formato do Tabernáculo, a forma do culto e adoração a Deus – O livro de Levítico apresenta a maneira de funcionamento da corte nas suas relações entre Israel e Deus;

Entretanto, esse povo prevaricou dia após dia, rompendo o pacto sagrado. Obviamente, isto teria um preço muito alto – o cativeiro. Tanto Moisés como Salomão, anteviram esse momento.

Deuteronômio 4:26-28
26 hoje, tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente perecereis depressa da terra, a qual, passado o Jordão, ides possuir; não prolongareis os vossos dias nela; antes, sereis de todo destruídos.
27 E o SENHOR vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as gentes às quais o SENHOR vos conduzirá.
28 E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não veem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram. (ARC)

2 Crônicas 6:36
36 Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles e os entregares diante do inimigo, para que os que os cativarem os levem em cativeiro para alguma terra, remota ou vizinha; (ARC)

Jesus, o Filho de Davi, estabeleceu em sua morte e ressurreição uma Nova Aliança, fundamentada no seu sangue (sangue que purifica o pecador arrependido – Jo 1.29; Hb 9.22; I Jo 1.7; I Pe 1.18,19; Ap 1.5; 7.14);

Marcos 14:24
24 E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que por muitos é derramado. (ARC)

3.2 – A podridão dos pecados do povo

O pecado tem cheiro? Biblicamente sim!

2 Coríntios 2:15-16
15 Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem.
16 Para estes, certamente, cheiro de morte para morte; mas, para aqueles, cheiro de vida para vida. E, para essas coisas, quem é idôneo? (ARC)

A pregação do Evangelho de Cristo possui cheiro agradável para aqueles que ouvem e recebem a Palavra, mas cheiro desagradável para aqueles que rejeitam a mesma Palavra.

Matthew Henry comenta dizendo: “Essas pessoas rejeitam o evangelho para a sua própria ruína, para a morte espiritual e eterna. Para outros, o evangelho é um sabor de vida para a vida”.

Efésios 2:1
1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, (ARC)

Aqueles que estão mortos em suas ofensas e pecados, cheiram mal, pois estão deteriorados, estragados e em decomposição por efeito das suas transgressões.

Jeremias 13:1-7
1 Assim me disse o SENHOR: Vai, e compra um cinto de linho, e põe-no sobre os teus lombos, mas não o metas na água.
2 E comprei o cinto, conforme a palavra do SENHOR, e o pus sobre os meus lombos.
3 Então, veio a palavra do SENHOR a mim, segunda vez, dizendo:
4 Toma o cinto que compraste, e trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vai ao Eufrates e esconde-o ali na fenda de uma rocha.
5 E fui e escondi-o junto ao Eufrates, como o SENHOR me havia ordenado.
6 Sucedeu, pois, ao cabo de muitos dias, que me disse o SENHOR: Levanta-te, vai ao Eufrates e toma dali o cinto que te ordenei que escondesses ali.
7 E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido e para nada prestava. (ARC)

Não iremos nos ater a historicidade deste acontecimento, pois o Comentário de Beacon salienta, que estudiosos tem apresentado diversos pontos de vista quanto a historicidade desse incidente. Parece improvável (embora não impossível) que Jeremias tivesse feito uma viagem de aproximadamente 650 quilômetros até o rio Eufrates para enterrar um cinto de linho sujo e desenterrá-lo mais tarde. Com a mudança de uma letra hebraica, o texto podia referir-se a um lugar a cerca de oito ou nove quilômetros a nordeste de Jerusalém (Wadi Farah), que se encaixaria muito bem na descrição da história. Alguns preferem entender esse incidente como uma parábola e não procurar forçar o aspecto histórico longe demais. (grifo nosso).

Jeremias 13:24-25
24 Pelo que os espalharei como o restolho, restolho que passa com o vento do deserto.
25 Esta será a tua sorte, a porção que te será medida por mim, diz o SENHOR; pois te esqueceste de mim e confiaste em mentiras. (ARC)

O comentário de Beacon continua dizendo que Jeremias estava ensinando a Judá, que qualquer objeto possui o seu valor somente quando usado para o seu propósito planejado. Um cinto de linho confeccionado para ser usado ao redor da cintura de um homem, não terá utilidade alguma se for enterrado numa terra úmida e não for lavado. Esse cinto certamente ficaria sujo, apodrecido e imprestável.

Da mesma forma, Judá é inútil como nação, a não ser que esteja disposta a cumprir o propósito de Deus para ela.

O propósito do seu coração significa o caminho da sua própria escolha orgulhosa. A passagem infere que Judá é tão moralmente corrupta quanto o cinto de linho de Jeremias ficou fisicamente – apodrecido e deteriorado. O pecado deteriora as sensibilidades morais do homem e o reduz a um objeto inútil, servindo apenas de refugo para o universo.

Deus tinha amarrado Israel em torno de si mesmo por meio de um relacionamento de aliança tão próximo e íntimo quanto um homem amarraria um cinto de linho ao redor de sua cintura. É um pensamento comovente lembrar que Deus se veste com aqueles que professam segui-lo. Apesar dos privilégios especiais que a aliança trazia, Judá falhou em cumpri-la. Consequentemente, como um homem joga fora um cinto de linho inútil, assim Deus, vais desfigurar o orgulho de Judá ao lançá-la para fora do seu país.

Jeremias 13:26
26 Assim também eu descobrirei as tuas fraldas até ao teu rosto; e aparecerá a tua ignomínia (ARC). 

O cinto de linho, a mim também fala de disposição para o trabalho. O cinto garante mobilidade e flexibilidade nos movimentos do indivíduo, pois segura firmemente as outras vestes. Judá não podia mais oficiar para Deus, pois a sua vergonha estava exposta; o cinto apodrecido não podia mais segurar as suas vestimentas.

3.3 – Deus castiga o seu povo

Os falsos profetas haviam iludido o povo com suas mentiras proféticas, induzindo-os a acreditarem no erro, todavia, o profeta Jeremias se põe a fazer uma oração intercessora em favor do seu povo. Jeremias tinha consciência das misericórdias do Senhor e sua intenção em restaurá-los.

Jeremias 14:11
11 Disse-me mais o SENHOR: Não rogues por este povo para bem. (ARC)

Jeremias, não se limitava a condenar os pecados e as transgressões de Judá, mas também mostrava a outra faceta de um homem que se preocupa com os propósitos do Senhor, Jeremias demonstra compaixão, intercedendo em oração por Judá, no entanto é repreendido a não mais orar, pois o decreto estava confirmado e nem mesmo a piedade de um homem santo e justo poderia livrá-los do eminente julgamento.

Jeremias 15:1
1 Disse-me, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam. (ARC)

Deus estava resoluto quanto a sua determinação em castigar Judá, como fizera com Israel.

Assim, Judá passa a experimentar uma seca devastadora. Desta maneira, Deus humilharia tanto a Astarte a “Rainha dos céus”, como seu par Baal, em seus pseudos atributos de serem “responsáveis” pela fertilidade, inclusive da terra e o controle das chuvas.

Diante do quadro funesto, Judá passa a clamar ao verdadeiro Deus.

Jeremias 14:7-9
7 Posto que as nossas maldades testifiquem contra nós, ó SENHOR, opera tu por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti pecamos.
8 Oh! Esperança de Israel, Redentor seu no tempo da angústia! Por que serias como um estrangeiro na terra e como o viandante que se retira a passar a noite?
9 Por que serias como homem cansado, como valoroso que não pode livrar? Mas tu estás no meio de nós, ó SENHOR, e nós somos chamados pelo teu nome; não nos desampares. (ARC)

Temos aqui um exemplo do que significa orar quando os tempos são desfavoráveis. Aqueles que vivem uma vida dissoluta, mas que em situações desesperadoras, lembram-se de Deus. Suas orações podem ser angustiantes, mas são feitas sem arrependimento genuíno. Suas confissões são feitas de forma apressada e destaca-se apenas o sentimento de auto piedade e não o profundo reconhecimento do seu pecado.

Por trás da oração daquele povo, havia uma nítida disposição de culpar a Deus pelo seu sofrimento (v 9). Eles passam a vindicar que o Senhor os tire do seu problema.

Beacon afirma que ao portar-se desta forma, eles reduziam Deus a um ser tão instável e superficial quanto eles mesmos.

A oração de Judá não podia ser atendida, pois ela fugia dos padrões ou requisitos exigidos por Deus.

Provérbios 28:9
9 O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável. (ARC)

Todo e qualquer sucesso do povo de Deus, depende de sua observância quanto a Palavra do Senhor, portanto atentemos para a mesma!

CONCLUSÃO

Judá estava sob a chibata do Eterno. Estar nessas condições não significa estar sob o ódio de Deus, ao contrário, aquele povo experimentava a misericórdia e o amor do Senhor. Eles provavam o Seu desejo em querer endireitá-los.

Hebreus 12:6
6 porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. (ARC)

Jeremias, foi o instrumento de advertência do Senhor para Judá. Suas profecias censuravam os pecados e a apostasia de um povo escolhido e amado de Deus.

Sua mensagem tinha a finalidade de conduzi-los ao concerto; a olharem para a aliança que foi feita no Sinai e agora estava esquecida.

Jeremias atenta para a dura realidade, em que uma vez permanecendo e insistindo na desobediência, o juízo de Deus vem.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada;
Bíblia de Estudo Matthew Henry – Versão Revista e Corrigida – Central Gospel;
Bíblia de Estudo Pentecostal – Versão Revista e Corrigida – CPAD;
Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional (NVI) – Editora Vida;
Dicionário da língua portuguesa;
Comentário Bíblico Expositivo Warren Wiersbe – Editora Central Gospel;
Revista EBD – 2º Trimestre 2010 – Lição 1 – Claudionor de Andrade – CPAD;
Comentário Bíblico Beacon – Vários autores – CPAD;
Dicionário Vine – W.E. Vine – CPAD;
Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando S. Boyer – Editora Vida;
O Plano Divino Através dos Séculos – Nels Lawrence Olson – CPAD;
Site da internet mencionado quando citado no texto;

Por: Cláudio Roberto


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