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Betel Adultos – 2º Trimestre de 2017 – 11/06/2017 – Lição 11: A soberba precede a ruína

07/06/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO ÁUREO

Ezequiel 28:17
17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Jeremias 48:7,26,29,30
7 Porque, por causa da tua confiança nas tuas obras e nos teus tesouros, também tu serás tomada; e Quemos sairá para o cativeiro, os seus sacerdotes e os seus príncipes juntamente.
26 Embriagai-o, porque contra o SENHOR se engrandeceu; e Moabe se revolverá no seu vômito e será ele também um objeto de escárnio.
29 Ouvimos falar da soberba de Moabe, que é soberbíssimo, da sua arrogância, e do seu orgulho, e da sua altivez, e da altura do seu coração.
30 Eu conheço, diz o SENHOR, a sua indignação, mas isso nada é; as suas mentiras nada farão. (ARC)

INTRODUÇÃO

Vivemos em um tempo onde a valorização da imagem pessoal é extremamente relevante para o homem e a mulher modernos. Até podemos caracterizar como marketing pessoal.

Para realizar a propaganda pessoal, deve-se falar de si mesmo ou de seus atos, no caso do cristão, suas obras. Não há condenação quanto a isso quando visamos a glória de Deus, mas de qualquer forma o apóstolo Paulo, na ocasião em que defendeu o seu apostolado contra os seus opositores de Coríntios, iniciou expressando: “Outra vez digo: ninguém me julgue insensato ou, então, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas, como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei” (II Co 11.16-18). Paulo menciona que proceder assim, é loucura, insensatez e carnalidade.

Haviam naquela comunidade cristã, falsos apóstolos, afastados de sua fidelidade a Cristo. No afã de proteger não somente o rebanho contra os tais, mas também de defender a sua chamada e vocação apostólica, Paulo se dirige aos irmãos de Coríntios, rogando para que suportem o seu estilo auto religioso, usando do expediente da carne (ironia) como eles fizeram para se vangloriar.

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Os autores do Comentário Beacon, afirmam que ao utilizar a palavra “loucura” (tolice), Paulo alerta seus ouvintes (cf. II Co 16-17,19,21; 12.6,11) que ele está, agora, debatendo como se “tivesse os mesmos motivos egoístas e a mesma percepção terrena de seus oponentes”. A “loucura” do apóstolo é estimulada pelo fato de que ele é zeloso (profundamente preocupado) com eles com zelo de Deus (cf. Dt 5.9; 6.15).

Paulo continua a sua defesa afirmando: “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim). Eu ainda mais…” (II Co 11.23). Falar dessa maneira é, para ele, “falar como se fosse insensato”. Falo como fora de mim (insensato, “paraphroneo”) esta é uma palavra mais forte do que “aphron”, que foi traduzida como “insensato” nos versículos 16 e 19. O pensamento do apóstolo, de acordo com a sugestão de Plummer, é que “gloriar-se a respeito de um assunto tão sagrado como a obra de Cristo, é uma completa loucura”.

O melhor testemunho a nosso respeito deve vir de outros ou do próprio Deus; nunca é recomendável vir de nós mesmos.

No versículo primeiro do capítulo primeiro do livro de Jó, o escritor do livro testemunha positivamente acerca do patriarca e no versículo oito, é o próprio Deus quem dá o mesmo testemunho (Jó 1.1,8).

Se tivermos que nos gloriar que seja conforme orientou o Senhor ao profeta Jeremias e o próprio apóstolo Paulo:

Jeremias 9:24
24 Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. (ARC)

2 Coríntios 10:17
17 Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. (ARC)

O pastor Valdir Aquino Lubas considerou que para pregar o evangelho, é dispensável o marketing pessoal.

1 – A ORIGEM E PECADOS DOS MOABITAS

O povo moabita veio a existir após a destruição de Sodoma e Gomorra.
Ló e o pai dos moabitas. Sobrinho do patriarca Abraão, Ló o acompanhou quando recebeu a ordem divina para deixar a terra natal (Babilônia – Gn 12.1).

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Devido as desavenças entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló, tio e sobrinho se separaram (Gn 13.7-12).
Ló passou a habitar a região de Sodoma e Gomorra (Gn 13.11).

Deus destruiu aquelas cidades porque os clamores das vítimas daquele lugar chegavam até o céu (Gn 18.20-21).

A Bíblia relata que Ló e suas duas filhas passaram a morar em uma caverna próxima de Zoar (Gn 19.30).

A esposa de Ló parece ter se apegado aos hábitos praticados em Sodoma e Gomorra, e ao olhar para trás como quem sentia pesar pela destruição de tudo aquilo que lhe dava contentamento e prazer, foi transformada em uma estátua de sal (Gn 19.26).

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O insensato Ló, usurpou o direito do seu tio Abraão de escolher primeiro a terra que deveria habitar (mesmo Abraão lhe conferindo a escolha, seria sensato, o mais novo retribuir o direito), agora passa a habitar em uma caverna!

A pergunta que se levanta depois do ocorrido é: “Como Ló teria descendentes, visto que a perpetuação do nome de uma família era extremamente importante naqueles dias?”

Acerca das filhas de Ló, a Bíblia relata apenas a filha “primogênita” (a mais velha) e “a menor” (filha mais nova).
Elas embebedaram o pai e cada uma deitou-se com ele sob o pretexto de manter a semente e não permitir que o nome de seu pai fosse esquecido (Gn 19.31-36) e desta forma conceberam cada uma um filho.

O filho da primogênita foi chamado de Moabe (significa: “família de um pai, desejo”) e este tornou-se o pai dos Moabitas e da menor, foi chamado de Ben-Ami (significa: “filho do meu povo”) e foi chamado de pai dos filhos de Amon (Amonitas).

Certamente que a atitude das filhas de Ló tivera a influência da cultura e o modo de vida que aprenderam enquanto residiam em Sodoma e Gomorra, resultando em um desastroso incesto com seu pai, vindo a formar de maneira ridícula dois povos – Moabitas e Amonitas, que futuramente tornaram-se inimigos do povo de Deus.

Como podemos notar, genealogicamente, os descendentes de Ló são aparentados de Israel, porém pode-se ver nitidamente também, a diferença entre o progenitor da nação de Israel (Abraão) e o seu sobrinho Ló, progenitor dos inimigos de Israel (moabitas e amonitas).

1. Abraão seguia a Deus e Ló seguia a Abraão;

2. Abraão era o portador da promessa e Ló, “caroneiro” na promessa do tio;

3. Abraão era modesto, mas Ló ambicioso;

4. Abraão andava segundo a fé, Ló pela vista;

5. Abraão era pacificador, mas Ló nada fez para aplacar a contenda, sendo ele inferior;

6. Abraão tinha caráter irrepreensível, mas Ló usurpou o direito de escolha de Abraão por ser mais velho (já dito acima);

7. Abraão esperou no Senhor para lhe dar as terras, Ló cobiçou com os seus olhos e acabou em uma caverna;

8. Abraão paciente e sensato, Ló, impetuoso e néscio;

9. Abraão esperou o filho dado por Deus, Ló, foi enganado por suas filhas que em pecado gerou filhos;

Alguns afirmam que a recompensa pelo comportamento tão avesso ao do seu tio, tenha sido a causa pelo triste fim e legado de Ló.

1.1 – Moabe versus Israel

No decurso da história, os moabitas vieram a se tornar inimigos de Israel.
A própria origem deste povo, causava a Israel indignação, haja vista, serem oriundos da violação da lei do Senhor (Lv 20.10-21).

Quemos (também conhecido por Moloque), era a principal divindade moabita cuja ira se aplacava com sacrifícios humanos. A tradição judaica nos informa que essa divindade era adorada sob o símbolo de uma estrela negra. Os moabitas na Bíblia, até foram mencionados como “o povo de Quemos” (Nm 21. 29; Jr 48.46). Alguns estudiosos identificam esta deidade também como Baal Peor por causa da associação deste com os Moabitas (Nm 25.1-3).

Não demorou muito para que os conflitos entre Moabitas e Israelitas se desencadeassem.

Israel marchava a terra de Canaã adentro, conquistando cada território, conforme prometido pelo Senhor (Gn 12.1), no entanto havia uma expressa ordem de Deus, dada a Moisés dizendo que tanto os descendentes de Esaú, habitantes das montanhas de Seir, como os filhos de Moabe e os filhos de Amon (descendentes de Ló), deveriam ser contornados, não molestados e suas terras poupadas (Dt 2.4-5, 9, 19). Esses três povos mantinham uma aliança entre si (II Cr 20.1).

Champlin, afirma que o povo de Israel estava passando por aquele caminho em sua jornada , e uma batalha era inevitável. Moisés pediu uma passagem pacífica através da região, prometendo não causar nenhum dano ou prejuízo (Nm 21.21-22). A estrada escolhida por Israel era o famoso caminho real, uma rota que vinha desde o mar Vermelho (golfo de Ácaba), partindo para o norte até Damasco, via a cidade iduméia de Sela (mais tarde chamada Petra). Esse caminho era mais fácil e mais direto, beneficiando o rápido avanço. Mas o rei do lugar, Seom, recusou-se a dar sua permissão aos israelitas. Se Seom não se tivesse mostrado disposto à peleja, talvez Israel tivesse feito algum ajuste na sua rota. Mas o ataque não deixou escolha aos filhos de Israel. Israel ganhou a batalha e reivindicou direito sobre o território inteiro (Dt 2.26-29).

Números 22:2-3
2 Viu, pois, Balaque, filho de Zipor, tudo o que Israel fizera aos amorreus.
3 E Moabe temeu muito diante deste povo, porque era muito; e Moabe andava angustiado por causa dos filhos de Israel. (ARC)

Esse fato causou espanto ao rei de Moabe, chamado Balaque, cujo nome significa “desperdiçador”, que na tentativa de preservar o seu povo e território, investe na locação de um profeta por nome de Balaão. Este ao custo de riquezas e honras, deveria amaldiçoar o povo de Deus e assim, serem impedidos de avançar, passando pelo território de Moabe.

Sob instruções de Balaão, Balaque edificou três altares em lugares diferentes, com o propósito de atrair a maldição divina contra Israel. Mas disso resultaram somente bênçãos e grandiosas profecias (Nm 23; 24).

Neemias também confirma que as maldições desejadas por Balaque contra Israel, foram convertidas em bênção (Ne 13.1-2).

Não obstante da proteção de Deus em impedir que palavras de encantamentos e maldições recaíssem sobre o seu povo e assim fossem derrotados, havia uma única forma de reter a benção de Deus na vida deles – A desobediência ao Senhor. Israel, embora não pudesse ser amaldiçoado, poderia ser corrompido (Nm 25.1-5).

E foi exatamente isso que aconteceu. Os homens de Israel se prostituíram com as mulheres moabitas, se inclinaram aos seus deuses e comeram de seus sacrifícios. Israel estava corrompido e a brecha para o castigo de Deus estava aberta.

Por causa desta atitude vil, os moabitas e amonitas foram proibidos de entrar na congregação do Senhor (lugar de adoração – Dt 23. 3-5).

A fidelidade de Deus é sempre mantida de forma irretocável; a sua proteção é infalível e o seu cuidado estará sempre presente, porém, o homem com suas transgressões pode anular tais privilégios.
Israel ao se corromper, permitiu que a ira de Deus se ascendesse contra eles, vindo a morrer 24 mil pessoas naquele momento (Nm 25.9).

Precisamos estar sempre atentos as influências que nos cercam, pois elas podem nos aproximar de Deus ou nos afastar Dele.

1.2 – A Palavra do Senhor que veio a Jeremias contra Moabe

Jeremias em sua chamada, foi posto como profeta das nações (Jr 1.5), cujas profecias poderiam ser para estabelecer reis e reinos ou para desarraigá-los, de acordo com a vontade de Deus.

Complementando o que já citamos no item 1.1 desta lição, Champlin, reafirma que a divindade nacional dos moabitas era Camos ou Quemos, também chamado de Baal Peor ou ainda de Moloque. Ele é mencionado em Nm 21:29; Jz 11:24; I Rs 11:7,33; II Rs 23:13; Jr 48:7,13,46.

A Pedra Moabita mostra que os moabitas referiam-se a essa sua divindade mais ou menos da mesma maneira como os israelitas falavam sobre Yahweh. Ele era um deus de ira, que julgava e abandonava o seu povo quando eles não viviam corretamente, apesar de seu verdadeiro desejo de “abençoá-los” e “salvá-los”. Ritos foram criados para sua adoração, e ele tinha muitos lugares altos (santuários) onde o seu culto era promovido. Não deveríamos pensar, porém, que a sua importância era tão grande ao ponto de eliminar o politeísmo e a idolatria. O trecho de Nm 25:2 menciona especificamente os deuses que as mulheres moabitas fizeram o povo de Israel adorar. Quemos ou Camos ou Baal Peor era a principal divindade venerada pelos moabitas. Além deste, Astarte era uma divindade feminina favorita dos moabitas. Uma outra divindade feminina era Istar-Camos, mencionada na Pedra Moabita (veja imagem abaixo).

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O profeta Jeremias, ao predizer calamidade para Moabe, indicou que o principal deus dela, Quemós, bem como seus sacerdotes e príncipes, iriam para o exílio. Os moabitas ficariam envergonhados de seu deus devido à impotência dele, assim como os israelitas do reino de dez tribos ficaram envergonhados de Betel, provavelmente em virtude de sua associação com a adoração do bezerro (Jr 48.7, 13, 46).

Se Deus não poupara a idolatria do seu próprio povo, o que esperar de uma nação naturalmente pagã?

1.3 – Não devemos confiar em nossos tesouros

Além da idolatria, pesava contra os moabitas, a soberba, a arrogância, o orgulho e a sua altivez que nascia no seu coração, conforme encontramos em Jeremias 48.29

Jeremias 48:29
29 Ouvimos falar da soberba de Moabe, que é soberbíssimo, da sua arrogância, e do seu orgulho, e da sua altivez, e da altura do seu coração. (ARC)

Existe um paralelo muito forte das profecias de Jeremias 48.29 a 36 com as profecias de Isaías 15 e 16.

Champlin considera que o orgulho extremado e a arrogância de Moabe eram o principal vício e o fracasso moral dos moabitas. Note o leitor o acúmulo de termos a fim de expressar isso: soberba; arrogância; orgulho e altivez. O orgulho foi o grande pecado do diabo, que finalmente o tornou vil.

O orgulho é, pois, o substituto barato da humildade, que é uma virtude. Mas toda aquela arrogância não teve poder de salvar os moabitas, na hora de provação.
O acúmulo de termos demonstra a extremada depravação dos moabitas, e como esse pecado era abominado pela mente divina. O orgulho dos moabitas era tão grande que todas as nações em derredor tinham ouvido falar a respeito. Era uma característica nacional daquele povo. Naturalmente, o principal Ser a ouvir sobre esse orgulho foi o Senhor Deus, e a Ele cabia humilhar os arrogantes moabitas.

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Ninguém está isento de ter um conceito exagerado de si mesmo. Por isso devemos maximizar nossos cuidados quanto a este tema, pois o orgulho pode sorrateiramente burlar as barreiras da humildade quando nos deixamos ser levados pelos holofotes, pelos bens conquistados, pelos recursos adquiridos, pelas posições galgadas e outras.

Romanos 7:18
18 Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. (ARC)

Sobre esse texto, disse Champlin que as palavras “…em mim … na minha carne …” dizem respeito à antiga natureza do pecado, à natureza humana ainda não redimida, aquela parte que antes representava tudo quanto é um homem, mas que, após a regeneração, tornou-se apenas uma parte do dualismo que há em um crente. A natureza pecaminosa é aqui aludida, mas a menção à palavra “…carne…” alerta-nos para o fato de que essa natureza pecaminosa se utiliza do nosso corpo físico, embora o próprio corpo não seja mau em si mesmo. Não obstante nosso corpo se presta facilmente a servir de veículo para a maldade; em outras palavras, o pecado não encontra dificuldade em convocar o corpo humano para que coopere consigo, na realização de atos externos errados . Nessa porção do crente, ou seja, “… em mim …”, conforme diz Paulo, não existe um a única partícula boa. Ela é inerente e inteiramente má, sendo a fonte originária e o veículo do princípio do pecado, até onde diz respeito ao indivíduo.

2 – DEUS NÃO TOLERA O ORGULHO

1 Pedro 5:5
5 Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. (ARC).

Homens orgulhosos e cheios de si mesmos tem em Deus um opositor. Mais que isso, tem uma resistência.

O profeta Isaías, semelhantemente ao que disse Jeremias, citou também a soberba de Moabe (Is 16.6-7). Este povo sentiria a oposição do próprio Deus, e tudo aquilo em que estava fundamentada a sua soberba, ou seja, a sua prosperidade e bens, seriam abalados e os moabitas estariam arruinados.

2.1 – A origem do orgulho

Nas Escrituras encontraremos duas referências que alguns estudiosos acreditam fazer alusão a Satanás. Isaías fala do rei da Babilônia (Is 14.12-15) e Ezequiel do rei de Tiro (Ez 28).

Naquela época, era comum um rei se exaltar ao ponto de ser comparado ou se fazer passar por um deus. O domínio e o poder conquistados os faziam delirar até ao ponto de se fazerem divinos e “dignos” de adoração (Dn 3.1-7).

A vaidade e o orgulho podem convencer o homem a agir dessa maneira. O coração enganoso pode ludibriar e nos fazer ter um conceito exagerado acerca de nós mesmos, aliás, este é um dos conceitos do orgulho.

Isaías 14:11-15
11 Já foi derribada no inferno a tua soberba, com o som dos teus alaúdes; os bichinhos, debaixo de ti, se estenderão, e os bichos te cobrirão.
12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!
13 E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte.
14 Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.
15 E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. (ARC)

O texto retrata um coração orgulhoso e que não se contentou com sua posição já elevada e acima de todos os outros, e desta forma, buscou se engrandecer com o propósito de rivalizar com o próprio Deus, o lugar de sua habitação.

Segundo o dicionário de Strong, a expressão “estrela da manhã, filha da alva” tem os seguintes significados:

“Estrela da manhã” é “heylel” no hebraico e pode ser interpretado como: “aquele que brilha, estrela da manhã, Lúcifer”; ou “referindo-se ao rei da Babilônia e a Satanás”(fig.).

“Filha” no hebraico é “ben” cujo significado é mesmo “filho, criança, novo” ou “um membro de uma associação, ordem ou classe”, enquanto que “Alva” no hebraico é “shachar” e significa: “alvorada” ou “ao amanhecer”.

Logo o termo pode ser interpretado como: “Filho do amanhecer”.

Ressalto que a expressão “Estrela da manhã” é aplicada a Jesus, o Filho de Deus (Ap 22.16), e que o desejo de Satanás em subir ao céu, acima das estrelas, e ali estabelecer o seu trono, é também na verdade, uma referência de querer se passar ou tomar o lugar do Filho do Altíssimo, tanto o nome (Estrela da manhã), quanto a posição de glória no céu (trono).

J. Ridderbos em seu comentário sobre o livro de Isaías, afirma que os pais da igreja como Jerônimo e Tertuliano consideraram que este versículo se referia ao diabo, e daí o nome Lúcifer (estrela da manhã) lhe foi atribuído. Lutero e Calvino rejeitaram ambos esta ideia como erro grosseiro, e em certo sentido, com razão. Assim mesmo, há um elemento de verdade nisso tudo: mediante a sua auto deificação, o rei de Babilônia é imitador do diabo e um tipo do anticristo (Dn 11.36; II Ts 2.4); portanto, a sua humilhação é também um exemplo da queda de Satanás da posição de poder que ele usurpou (cf. Lc 10.18 ;Ap 12.9) (grifo meu).

Desta forma, aquele que tinha aspirações tão altas agora está profundamente humilhado. Ele procurara ser mais do que uma radiosa estrela da manhã: ele queria elevar-se acima das estrelas de Deus, a fim de estabelecer o seu trono no próprio céu e sentar-se naquela montanha no extremo norte onde, de acordo com a mitologia babilônia, os deuses tinham sua residência, e para onde acorriam para aconselhar-se em conjunto. Ele queria subir acima do cume das nuvens, ao céu, e fazer-se igual ao Altíssimo – o deus supremo que, para a mente pagã, estava acima dos outros deuses. Contudo, em vez de elevar-se às alturas mais sublimes, ele caíra às maiores profundezas.

Tiago 4:6
6 Antes, dá maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes. (ARC)

Que os espíritos soberbos ouçam isso e tremam – Deus os resiste. A palavra original significa Deus preparando-se para a batalha contra eles.
Quem poderá prevalecer contra Deus em uma peleja?

2.2 – O orgulho é abominação ao Senhor

Quantos de nós não conhecemos pessoas que após suas conquistas mudaram!!
Abandonaram a modéstia, a singeleza, a humildade e tornaram-se sofisticadas demais, chegando ao ponto de desprezar aos outros, fazendo questão de demonstrar a sua superioridade e predomínio sobre os demais, humilhando-os, isto é, tornaram-se soberbas e arrogantes.

Moabe, foi terrivelmente abatida pelo próprio Deus, assim como todos os soberbos os serão (Jr 48.42-44).

Existe um princípio, uma lei fundamental e irrevogável que a encontramos na Palavra do Senhor. É ela:

Provérbios 16:18
18 A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. (ARC)

Salomão em sua vasta sabedoria conferida por Deus, trata o orgulho como uma ofensa extremamente séria no livro de Provérbios (Pv 11.2; 13.10; 15.25; 16.5). Ele não omite nem mesmo o olhar altivo que logo é detectado por Deus e seu sentimento anunciado – Deus aborrece (Pv 6.16-17).

O orgulho é personificado. Está no homem, mais precisamente no coração dele (Mc 7.20-23).
O arrogante ostenta por onde passa, dominando outras pessoas, buscando a quem demonstrar vantagens; mas então, de súbito, ele sucumbe. O homem orgulhoso tropeça em um obstáculo e cai numa cova. Ele é como o animal que um caçador, finalmente, apanha em sua armadilha. Sua queda é fatal. O caçador o apanha, e uma seta atravessa-lhe o coração.
Primeiro ele se projeta e depois terminam os dias de sua projeção, e então o homem orgulhoso cai, abatido pelo próprio Deus.

Tiago 4:6
6 Antes, dá maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes. (ARC)

O braço do Senhor se estende para os humildes, mas é contra os soberbos.

O indivíduo que vive de cabeça levantada, olha sobranceiramente, e não para onde está indo, não vê aquilo em que tropeça, e cai. Outrossim, quanto mais elevada é a pessoa, maior é a sua queda.

A história sempre contribui em seus relatos quanto aqueles que se exaltam e se tornam soberbos ante a majestade do Senhor, porque nenhuma criatura pode usurpar a glória de Deus (Is 42.8).

O pastor Clementino, comentarista da revista deste trimestre, cita o exemplo da grandiosa embarcação construída em Belfast na Escócia (Reino Unido a Inglaterra) chamada de Titanic.

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Acrescento apenas que o mesmo foi concebido para ser o navio mais luxuoso e seguro da sua época. Um ‘monstro” do mar que media 269 metros por 28 metros de largura e 53 metros de altura, correspondendo a um edifício de quase 19 andares (acima da lâmina d’água, correspondia a um prédio aproximadamente 6,5 andares)!!! Sua tripulação era composta de 892 pessoas e podia transportar até 2435 passageiros. Havia pessoas de 40 nacionalidades diferentes a bordo dele no fatídico dia do seu naufrágio.
Antes de partir do porto de Southampton às 12h15min do dia 10 de abril de 1912, o Titanic recebeu a áurea de embarcação “inafundável”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/RMS_Titanic

Há quem diga que na ocasião em que o Titanic estava para entrar em alto-mar, uma repórter fez a seguinte pergunta para um dos engenheiros que construiu a embarcação: “O que o senhor tem a dizer para a imprensa concernente a segurança do seu navio?”. O homem, com um tom irônico, disse: “Minha filha, nem se Deus quiser ele tomba o meu navio”.
Mito ou não, o final da história todos nós conhecemos. O Titanic bateu em um iceberg e afundou, matando 1514 pessoas. O Titanic é o único transatlântico que até hoje veio a pique por bater em um iceberg.

Abaixo, um jornaleiro mirim anunciando a manchete do naufrágio do até então “inafundável” transatlântico Titanic.

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Outros que por orgulho e arrogância, de alguma forma desdenharam de Deus ou de sua Palavra, tiveram na soberba o princípio da sua ruína.

John Lennon
Alguns anos depois de dar uma entrevista a uma revista americana, disse: “O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso. Eu estou certo. Jesus era legal, mas suas disciplinas são muito simples. Hoje, nós somos mais populares que Jesus Cristo.(1966)”. Lennon, depois de ter dito que os Beatles estavam mais famosos que Jesus Cristo, recebeu cinco tiros de seu próprio fã;

Ele também cantou uma música que inclusive até cristãos cantam e admiram, mas preste atenção em parte da letra – Canção Imagine:

Imagine que não existe céu…nenhum inferno abaixo de nós,
Imagine todas as pessoas vivendo para o hoje.
Imagine não existir países…nada para matar ou por morrer…e nenhuma religião…imagine todas as pessoas vivendo em paz.
Imagine todas as pessoas partilhando o mundo…
(John Lennon)

John Lennon propunha um mundo sem Deus (grifo meu).

Tancredo Neves
Na ocasião da campanha presidencial, disse que se tivesse 500 votos do seu partido (PDS), nem Deus o tiraria da presidência da república. Os votos ele conseguiu, mas o trono lhe foi tirado um dia antes de tomar posse.

Cazuza
Em um show no Canecão (Rio de Janeiro), deu um trago em um cigarro de maconha, soltou a fumaça para cima e disse: “Deus essa é para você!” Nem precisa falar em qual situação morreu esse homem.

Marilyn Monroe
Foi visitada por Billy Graham durante a apresentação de um show. Ele, um pregador do evangelho, na época havia sido mandado pelo Espírito Santo àquele lugar, para pregar a Marilyn. Porém ela, depois de ouvir a mensagem do Evangelho, disse: “Não preciso do seu Jesus.” Uma semana depois foi encontrada morta em seu apartamento.
http://www.fimdostempos.net/famosos_zombam_jesus.html

A soberba de cada um deles principiou a sua ruína, pois uma das mais importantes caraterísticas do altivo, é ignorar a Deus.

Se as histórias acima são ou não verdadeiras, temos na Bíblia relatos verídicos de homens, cuja soberba os conduziram a ruína, são eles: o próprio rei Nabucodonosor, o rei Uzias e Herodes Agripa I.

O primeiro ignorou a Deus e se exaltou quando o mundo estava aos seus pés, como resultado, tornou-se um animal e foi habitar com os mesmos durante um período de sete tempos (Dn 4.25-37);

O segundo, Deus o abençoou e Uzias tornou-se próspero, respeitável entre as nações, um homem que fez invenções de engenheiro, criando máquinas que atiravam flechas e pedras, tinha um exército portentoso, e sua fama se espalhou porque Deus o ajudará a tonar-se forte. Porém a soberba tomou conta do seu coração e este desejou fazer aquilo que não lhe competia fazer. Uzias desejou queimar incenso na casa do Senhor e a sua soberba em afrontar e desobedecer aos sacerdotes e a lei de Deus, resultou em um triste fim… Uzias terminou os seus dias recluso em um leprosário (II Cr 26.3-21);

O terceiro, Herodes Agripa I, ao realizar um discurso ao povo, teve suas palavras consideradas como de Deus e não de homem . A soberba não lhe permitiu render graças a Deus, e por isso foi ali mesmo fulminado (At 12.21-23).

2.3 – Deus dá graça aos humildes

Certo erudito judeu, um dia disse: “Há três palavras que o homem tem dificuldades de pronunciá-las: Pequei, errei e não sei”.

Todo aquele que tem a capacidade de reconhecer os seus próprios erros, defeitos ou limitações, tem nele a qualidade de humilde.

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Jesus Cristo é nosso exemplo maior de humildade. Em sua vida e obra, encontramos nítidos traços de humildade desde o seu nascimento até a sua morte.

  1. Jesus se despojou de sua glória junto ao pai e se fez servo e homem (Fp 2.6-7);
  2. Jesus nasceu em um estábulo e seu corpo ainda pequeno foi posto em uma manjedoura (Lc 2.7,12,16);
  3. Jesus aprendeu o ofício de carpinteiro; assim como hoje, profissão humilde e bastante comum na época (Mc 6.3);
  4. Jesus nada ostentou neste mundo e chegou a revelar que o Filho do homem não tinha onde reclinar a cabeça. (Mt 8.20; Lc 9.58);
  5. Jesus foi até João Batista para por ele ser batizado nas águas (Mt 3.13);
  6. Jesus foi humilhado e sofreu escárnio, mas se manteve humilde na condição de servo (Mt 26.67,68; 27.29-31,50);
  7. Jesus humilhou-se a si mesmo sendo obediente até a morte e morte de cruz (Fp 2.8);

Em certo momento de seu ministério, Jesus disse “… e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração…” (Mt 11.29). A humildade revelada em Cristo não era exterior ou aparente, mas aquela que brotava de dentro do coração. A humildade manifesta de Jesus era sincera, genuína e totalmente sacrificial. Ele nunca buscou para si a glória, mas sempre invocava o seu Pai e fazia questão de demonstrar que tudo provinha Dele.

Merril C. Tenney explica que Jesus, em vez de aceitar a glória, ele dava testemunho da dependência total de seu Pai como fonte de sua própria sabedoria e poder; em vez de apegar-se à glória, ele atribuía toda glória a seu Pai (Jo 5.19; 6.38; 7.16; 8.28,50; 14.10,24 ). Quando se inclinou para lavar os pés de seus discípulos (Jo 13.1-9), Jesus não estava se entregando a uma representação de ostentação teatral; pelo contrário, estava simbolizando com perfeita integridade todo o significado e mensagem de seu ministério.

Merril acrescenta que a humildade, assim, é explicada pela confissão de Abraão de que ele não é mais do que “pó e cinzas” (Gn 18.27). É explicada novamente pela veemente lembrança de Paulo aos orgulhosos coríntios de que a posição do homem diante de Deus é necessariamente a posição de alguém que recebe, a de um mendigo cujas mãos estão vazias até que a benevolência divina as encha (I Co 4.6,7). Segue-se disso que a humildade é a essência da piedade.

Um tema frequente no livro de Provérbios (Pv 3.34; 11.2; 15.33; 16.19; 25:7), ela é exemplificada por Abraão (Gn 32.10); por Moisés, que proeminentemente “era homem mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3); por Saul no início de sua carreira (I Sm 9.21); e por Salomão cujo conhecimento de si mesmo motivou sua sincera auto humilhação (l Rs 3.7). Como um fundamento da piedade, essa virtude é expressa de forma clássica em Miquéias 6.8, “o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?”.

1 Pedro 5:5
5 Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. (ARC).

Além disso, existe a bendita promessa feita por Deus que Dele recebemos graça quando em nós a humildade é encontrada. Deste modo, a humildade é totalmente e necessariamente conveniente aos servos de Deus, pois ela permite que o Senhor acrescente graça sobre a sua vida.

3 – UMA MOABITA NA GENEALOGIA DE JESUS

A genealogia de Jesus é surpreendente por constar nela, nomes que usualmente não fariam parte de uma descendência judaica. Nela aparecem os nomes de três mulheres, Tamar, mãe de Perez e Zerá; Raabe, mãe de Boaz; e Rute, mãe de Obede. Ainda há uma quarta mulher que subentende ser Bate-Seba que foi também adúltera. Tais ocorrências não eram comuns, já que os judeus normalmente não relatam nomes de mulheres em suas genealogias (vide Gn 10.1; I Cr 1).

Além do fato de nomes de mulheres serem citados na genealogia de Cristo, o que chama a atenção é a vida regressa de cada uma delas. Tamar e Bate-Seba foram adúlteras, Tamar foi também incestuosa, Rute era moabita e Raabe, prostituta. Uniões irregulares foram divinamente aceitas na ascendência legal do Messias (Mt 1.3,5,6).

Maiores detalhes da árvore genealógica de Jesus poderá ser encontrado no esboço da lição 12 – Os antepassados de Jesus Cristo revelam a presença da graça de Deus (1° Trimestre deste ano – 2017).

Iremos dar atenção a história de Rute, mulher de descendência moabita, portanto inimiga do povo judeu, proibida de entrar na congregação dos santos, mas que encontrou graça por demonstrar humildade (Deus dá graça aos humildes – Tg 4.6; I Pe 5.5).

3.1 – A conversão autêntica faz diferença

O livro de Rute foi escrito no período mais turbulento da história de Israel, o período dos juízes. Esse foi um longo período, de aproximadamente 350 anos, que começou depois da morte de Josué e só terminou com a coroação do rei Saul.

Este foi um tempo em que o povo de Israel viveu de forma bastante inconstante. Ora se rebelavam contra Deus, praticando a idolatria, ora se voltavam a Ele, a fim de receberem livramento da opressão dos seus vizinhos.

Israel apresentava instabilidade na política, em sua moral e principalmente, em sua vida espiritual, tais aspectos foram as marcas distintivas desse tempo.

A história de Rute se desenrolou neste contexto…

Hernandes Dias Lopes informa que Belém, a terra que manava leite e mel, está desolada. O livro de Rute fala da saga de uma família que vivia na cidade de Belém (Beth = casa, lehem = pão), a Casa do Pão, onde um dia faltou pão. A cidade deixou de ser um celeiro para ser um lugar de desespero e fome. A Casa do Pão estava com as prateleiras vazias, com os fornos frios e sem nenhuma provisão. Belém era uma mentira, um engano, uma negação de si mesma.

Diante deste quadro, a Bíblia relata, um homem de nome Elimeleque, sua esposa Noemi e seus dois filhos (Malom e Quiliom). Estes saem de Belém de Judá e vai buscar refúgio nos campos de Moabe (Rt 1.1-2).

Neste lugar pagão, os filhos de Elimeleque contraem matrimônio com mulheres moabitas, uma chamava-se Orfa e outra Rute. Neste tempo, tanto Elimeleque como os seus dois filhos morrem, deixando três mulheres inconsoladas em sua viuvez.

Eles foram para Moabe em busca de sobrevivência e encontraram a morte. Eles foram buscar pão e encontraram a doença. Eles foram buscar vida e encontraram uma sepultura. A terra estrangeira não lhes deu segurança, mas um enterro.

Noemi retorna a sua terra natal e traz consigo Rute. Ela é orientada por sua sogra a rebuscar espigas, ou seja, Rute pegava do resto da colheita dos segadores, daquilo que ficava para trás (Rt 2.7).

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Hernandes Dias Lopes nos traz importante informação sobre essa passagem: “Embora o respingar fosse um direito concedido de modo especial às viúvas (Dt 24.19), Rute pede, não exige. Ela não reivindica direitos; suplica favor. Ela é humilde. Quando a providência a fez pobre, ela não sentiu vergonha de assumir o papel de uma mulher em situação difícil, que precisou rebuscar em campo alheio como uma pobre necessitada. Não devemos nos envergonhar de qualquer trabalho honesto”.

Rute era como a mulher de Tiro e Sidom, que disse a Jesus que os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seu senhor (Mc 7.27-28). A humildade promove as pessoas. A humildade abre portas diante dos homens e nos traz vitória da parte de Deus.

Antes da honra, vem a humildade.
Porque Rute teve a coragem de se humilhar, Deus a exaltou. Porque ela despojou-se de toda vaidade, Deus a honrou. Porque ela se dispôs a trabalhar com honra na escassez, Deus lhe deu abundante prosperidade. Porque ela investiu com generosidade na vida dos outros, Deus semeou com fartura na sua vida.

3.2 – Quando Deus quer abençoar, não existe fronteiras

O divisor de águas da vida de Rute não foi ter casado com um Israelita efrateu, mas foi a declaração de profunda devoção ao Deus de Israel feita a sua sogra Noemi, como se pode ler:

Rute 1:16
16 Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. (ARC).

A grandeza do amor de Deus é revelada pela extensão que ela atinge. Rute era moabita, estrangeira, pagã, inimiga de Israel e proibida por lei de entrar na congregação dos santos (Dt 23.3-4), no entanto, ao declarar a sua sogra que o Deus de Israel, era também o seu Deus, o Senhor rompe a barreira da separação e faz dela uma ancestral de Jesus Cristo. O Senhor a toma por filha; revelando já no passado, a sua graça salvadora que não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9).

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Rute, uma moabita, foi incluída na linhagem do rei Davi e na genealogia do próprio Messias. Rute deixa seu povo, seus deuses, sua terra, sua parentela e se une a uma sogra israelita, convertendo-se ao Deus de Israel.

Hernandes Dias Lopes cita Leon Morris ao afirmar: “Rute não era simplesmente uma estrangeira. Estava unida com devoção máxima a uma sogra israelita e era, além disso, uma convertida à religião judia”.

Russell Norman Champlin diz que Rute foi um exemplo vivo da verdade de que a participação no Reino de Deus não depende de carne e sangue, e, sim, da obediência da fé (Rm 1.5). Rute aceitou de todo o coração o povo de Deus e o Deus do povo de Israel. Deus a aceitou e fez dela uma ancestral do próprio Salvador do mundo.

3.3 – A lei do resgate

Surge na história um homem chamado Boaz. Ele é um homem bom e rico de Belém; é também parente do falecido marido de Noemi.

Noemi vê em Boaz não apenas um homem generoso, mas o parente remidor da família. Ela discerne que o futuro da sua família está nas mãos desse homem rico e gracioso. Ela abre os olhos de Rute para um novo futuro e novas possibilidades. Noemi explicou a Rute a lei acerca do parente resgatador (Lv 25.47-55).

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Hernandes Dias Lopes, nos explica a questão do parente remidor mais detalhadamente:
Dois termos são fundamentais para o entendimento dessa linda história: levir e goel. Boaz foi tanto o levir quanto o goel de Rute e Noemi.

O que significa o termo levir? Levir é uma palavra latina que traduz o hebraico “cunhado”. O levirato regulava os costumes referentes ao casamento quando o homem da casa morria. Se um homem morria sem deixar filhos, o “nome” do morto era perpetuado por intermédio do casamento da viúva com outro homem (o irmão do morto, ou parente mais próximo) e por meio dos filhos que ela tivesse com ele “para” o morto (Dt 25.5-10). Na história de Rute, os deveres do levirato passavam para o parente mais próximo.
De acordo com uma tradição rabínica, Boaz era sobrinho de Elimeleque. Por essa razão, ele podia ser legalmente o marido de Rute e suscitar um legítimo descendente para perpetuar a descendência de Malom.

O que significa o termo goel? Goel era o protetor, parente mais próximo cujo dever era agir como “remidor” da propriedade (Lv 25.25-28) e da pessoa (Lv 25.47-49). Um israelita empobrecido que se vendia como escravo devia ser remido pelo goel (Lv 25.55). Boaz foi o remidor de Noemi e Rute. Ele resgatou a propriedade que era de Noemi e devolveu a ela o que dantes possuía.

De forma muito mais profunda, Deus nos remiu, nos comprou por um alto preço e nos deu Sua gloriosa herança (Sl 107.2; I Co 6.20; 7.23; I Tm 2.6). Éramos escravos do pecado, mas fomos libertos, remidos e feitos herdeiros de Deus (Rm 8.17).
Isso é verdadeiro quando nos despojamos do orgulho da autossuficiência e nos humilhamos em reconhecer nossas misérias e a necessidade do perdão Dele.

CONCLUSÃO

O pastor Elienai Cabral discorrendo sobre a soberba, afirma que ela é como uma doença contagiosa que se aloja no coração do homem e faz com que ele perca o senso de autocrítica, passando a agir irracionalmente (Sl 101.5; II Cr 26.3-21).
Estejamos atentos, pois a Palavra de Deus nos mostra que a soberba nos cega (I Tm 3.6; 6.4), nos afasta de Deus e traz a ruína.

Agostinho disse: “O orgulho transformou anjos em demônios; a humildade transforma homens em santos”.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada/NVI;
Dicionário da língua portuguesa;
Comentário Bíblico Beacon – Volume 8 – Vários autores – CPAD;
Os nomes bíblicos e seus significados – Evandro de Souza Lopes – CPAD;
Comentário Champlin – VT e NT – Norman R. Champlin – Editora Hagnos;
Comentário Isaías – J. Ridderbos – Série Cultura Bíblica – Editora Vida Nova;
Dicionário Bíblico Strong – James Strong – Sociedade Bíblica do Brasil;
Enciclopédia da Bíblia Merril – Merril C. Tenney – Editora Cultura Cristã;
Rute – Comentário Expositivo – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos;
Revista EBD – 4º Trimestre 2014 – Lição 5 – Elienai Cabral – CPAD;
Site da internet mencionado quando citado no texto;

Por: Cláudio Roberto 


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