Ensinando e fazendo Missões

Buscar esboços

Nossos Esboços

Betel Adultos – 1º Trimestre de 2017 – 19/03/2017 – Lição 12: Os antepassados de Jesus Cristo revelam a presença da Graça de Deus

16/03/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto em 16/03/2017

TEXTO DE REFERÊNCIA

Mateus 1:1-6
1 Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão.
2 Abraão gerou a Isaque, e Isaque gerou a Jacó, e Jacó gerou a Judá e a seus irmãos,
3 e Judá gerou de Tamar a Perez e a Zerá, e Perez gerou a Esrom, e Esrom gerou a Arão.
4 Arão gerou a Aminadabe, e Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom,
5 e Salmom gerou de Raabe a Boaz, e Boaz gerou de Rute a Obede, e Obede gerou a Jessé.
6 Jessé gerou ao rei Davi, e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias. (ARC)

TEXTO ÁUREO

Salmos 100:5
5  Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade. (RA)

INTRODUÇÃO

Conhecer os nossos antepassados, pode jogar luz na história de tal forma, torná-la capaz de explicar alguns traços de personalidade encontrados em nós mesmos ou em nossa parentela.

Uma genealogia, na maioria das vezes, não é composta apenas de pessoas ilustres, das quais nos orgulhamos, mas mesmo que uma linhagem inteira possa estar vinculada a traços comprometedores, não significa que o Senhor não possa alcançar aquele, que a Ele entrega a sua vida, e assim iniciar uma nova história.

A graça de Deus continua sendo suficientemente eficaz para transformar o homem, mesmo aquele que descende de uma linhagem complicada e faltosa de caráter.

2 Coríntios 5:17
17 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. (ARC)

1 – A IMPORTÂNCIA DA GENEALOGIA

Genealogia é o estudo que tem por objetivo estabelecer a origem de um indivíduo ou de uma família. É a composição de nomes de pessoas pertencentes a uma família, partindo do mais antigo até o mais novo, informando quem gerou quem.

Na Bíblia iremos encontrar uma vasta narrativa sobre genealogias; e elas são importantes porque através delas passamos a conhecer a história de uma parentela, sua origem, seu desenvolvimento, suas realizações, quem se destacou positivamente ou negativamente, o tempo de vida de cada um, seu legado e tudo que seja pertinente àquela casa. Na genealogia podemos encontrar um registro bastante completo sobre uma família.

Tendo em mente que a Bíblia, apesar de ser um livro universal, ela foi escrita debaixo de uma cultura fortemente judaica. Assim, para nós que nascemos no ocidente e estamos sob a influência dessa cultura, a genealogia faz pouco sentido, mas para um judeu, conhecer a sua linhagem, significava comprovar sua origem tribal, bem como o seu direito a propriedade; se algum patrimônio ou herança fosse reclamado, o judeu deveria evidenciar sua descendência através da sua árvore genealógica. É importante destacar ainda, que naquele mundo antigo, a identidade do indivíduo estava enraizada a família que pertencia, ao seu clã ou a sua tribo.

Neemias 7:5-6
5 Então, o meu Deus me pôs no coração que ajuntasse os nobres, e os magistrados, e o povo, para registrar as genealogias. E achei o livro da genealogia dos que subiram primeiro e assim achei escrito nele:
6 Estes são os filhos da província, que subiram do cativeiro, os transportados, que transportara Nabucodonosor, rei de Babilônia; e voltaram para Jerusalém e para Judá, cada um para a sua cidade; (ARC)

O Reverendo Augustus Robert Buckland, teólogo e pastor inglês já falecido, comenta que nenhuma nação foi, em qualquer outro tempo, mais cuidadosa em conservar a sua genealogia do que o povo de Israel.

Tal zelo permitiu Israel repovoar a terra após o exílio babilônico, onde os territórios foram concedidos em conformidade com as famílias e suas tribos, seguindo a documentação genealógica.

1.1 – Jesus na genealogia de Mateus

Na época em que Jesus se manifestou, havia uma febre messiânica contagiando toda a Judeia. Como os judeus viviam a expectativa da vinda do Messias, logo estavam sempre atentos a fatos e acontecimentos; e ao menor indício de aparição do suposto Ungido, recorriam a genealogia para certificarem se era de fato o Messias, pois essa era uma das principais formas de identificá-lo.

Gamaliel comprova ter testemunhado o fim de diversos movimentos “messiânicos” nesta época, para tanto expôs a sua opinião diante do Sinédrio; lembrando os fariseus que a comoção causada por Jesus, poderia se findar como os demais que se auto proclamaram o Messias.

Atos 5:36-37
36 Porque, antes destes dias, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada.
37 Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. (ARC)

Gamaliel estava enganado, pois Jesus de fato era o Ungido prometido e esperado, conforme o livro de Mateus comprova, destacando inclusive a sua genealogia (vale lembrar que na ocasião da reunião no Sinédrio, ainda não havia literaturas neotestamentárias, mas os judeus poderiam fazer uma consulta sobre a ascendência de Jesus nos diversos registros históricos que existiam na época).

Pensando nas profecias que mencionavam o Messias como filho ou descendente de Davi, vamos encontrar tanto no livro de Mateus como de Lucas, uma narrativa contendo detalhadamente toda a ancestralidade de Cristo, desde Adão, passando por Davi e chegando até José; uma forma de fundamentar que Cristo é de fato o Messias prometido, oriundo de Abraão e Davi.

A genealogia de Jesus, apresentada por Mateus, que foi um cristão judeu, portanto familiarizado com a forma de pensar dos rabinos, leva-o a expor de modo simétrico os números nesta apresentação do Messias. Desta forma ele dividiu a genealogia de Abraão a Jesus em três grupos:

     1. De Abraão até o reino de Davi;
     2. Do reino de Davi até o exílio babilônico;
     3. Do exílio babilônico até o nascimento de Jesus Cristo;

Mateus 1:16
16 e Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo. (ARC)

Vale ressaltar que a geração exposta por Mateus, José é apresentando como o pai jurídico de Jesus e não biológico, pois Jesus foi gerado pelo Espírito Santo, assim, Cristo é revelado como Filho de Deus, descendente de Davi e o cumprimento da promessa feita a Abraão.

Gênesis 12:3
3 E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (ARC)

1.2 – A genealogia e seus personagens

Fatos curiosos são destacados na árvore genealógica de Jesus.

Nela aparecem os nomes de três mulheres, Tamar, mãe de Perez e Zerá; Raabe, mãe de Boaz; e Rute, mãe de Obede. Ainda há uma quarta mulher que subentende ser Bate-Seba que foi também adúltera.  Tais ocorrências não eram comuns, já que os judeus normalmente não relatam nomes de mulheres em suas genealogias (vide Gn 10.1; ICr 1).

Além do fato de nomes de mulheres serem citados na genealogia de Cristo, o que chama a atenção é a vida regressa de cada uma delas. Tamar e Bate-Seba foram adúlteras, Tamar foi também incestuosa, Rute era moabita e Raabe, prostituta. Uniões irregulares foram divinamente aceitas na ascendência legal do Messias.

Na genealogia de Jesus, encontramos muitas pessoas de relativa grandeza, foram famosas e construíram um legado que se perpetuou nos anais da história, não obstante, também encontramos nomes de pessoas anônimas e historicamente falando, foram inexpressivas, no entanto, não deixaram de compor a mais importante linhagem que já existiu.

O fato de constar em sua ascendência, pessoas medíocres e até transgressoras, revela a maravilhosa graça de Deus em querer atingir a todos com o seu infinito amor.

Talvez, eu e você teríamos dificuldade em citar o nome de um familiar transgressor por vergonha, mas no registro bíblico não há constrangimentos e todos são citados sem qualquer embaraço, revelando assim que Deus não faz acepção de pessoas e a todos abraça com sua benevolência.

Efésios 2:4
4 Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, (ARC)

1.3 – Algumas teorias

Primeiramente, teoria é aquilo que se desenvolve por suposição e contém teor hipotético, portanto apesar de não ter recurso capaz de ser comprovada, possui um conjunto de regras sistematicamente organizadas que servem de base a uma ideia, estudo ou assunto de relativa importância.

No caso da genealogia, o comentarista da revista aborda duas teorias interessantes.

 A teoria geneticista acredita que na fita do DNA de cada indivíduo, está contido comportamentos e patologias que poderão ser externados à medida que crescemos e desenvolvemos.

No que tange ao comportamento adquirido por herança, a psicologia chama de genética comportamental. Eles caracterizam como sendo uma área de intersecção entre a genética e as ciências do comportamento.
Eles explicam que os genes definem tendências, mas são as experiências individuais que sempre as modulam.
http://www.cerebromente.org.br/n14/mente/genetica-comportamental1.html

Biologia não é destino, mas como explica a sociologia, o homem é essencialmente gregário e grupal, assim o meio em que ele vive pode influenciar o seu desenvolvimento e o seus comportamentos, tanto positivos como negativos.

Salmos 26:2
2 Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha a minha mente e o meu coração. (ARC)

Enquanto a ciência busca, pesquisa e procura compreender a totalidade do ser humano, ela ainda percorre o caminho da teoria, porém Deus quem formou o homem, o compreende muito bem, inclusive o seu âmago.

Provérbios 20:27
27 A alma do homem é a lâmpada do SENHOR, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do ventre. (ARC)

Salmos 139:1-4
1 SENHOR, tu me sondaste e me conheces.
2 Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
3 Cercas o meu andar e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
4 Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó SENHOR, tudo conheces. (ARC)

2 – DEUS GEROU GRAÇA EM MEIO À DESGRAÇA

As ciências humanas se esforçam por entender como o homem se desenvolve e funciona.

Porque uns tomam caminhos sombrios e outros não? Porque uns se perdem nos vícios e em atitudes condenáveis até mesmo pela regra de conduta moral e ética secular, enquanto outros buscam andar de acordo com tais regras?

Mesmo que em tese, será que os geneticistas têm uma ponta de razão quando afirmam que o DNA pode conter traços de condutas de meus antepassados? Ou mesmo os sociólogos, quando afirmam que o ambiente e as relações nas quais o homem está inserido podem provocar determinados comportamentos?

Independente da resposta, Deus não está alheio a absolutamente nada. Tudo passa pelo crivo do seu domínio e vontade; acrescenta-se ainda que nada pode escapar de tal gerência divina.

2.1 – Os patriarcas e a cultura da mentira

Encontramos na história dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó uma conduta extremamente repreensível – a prática da mentira.

Primeiramente precisamos classificar a mentira como um comportamento ou prática incompatíveis com uma vida dedicada a Deus, no entanto os patriarcas utilizaram-se dela em alguns momentos; e Abraão é quem inicia o ciclo da mentira em sua família.

Gênesis 12:11-13
11 E aconteceu que, chegando ele para entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher formosa à vista;
12 e será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é a sua mulher. E matar-me-ão a mim e a ti te guardarão em vida.
13 Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que viva a minha alma por amor de ti. (ARC)

Considerando que os valores morais e éticos podem variar de um grupo para outro, de uma cultura para outra e até mesmo de um indivíduo para outro; em uma cultura secular, mentir pode ser perfeitamente permitido sem que haja agravo a quem mente. Em alguns casos, ela é até “louvável”.

Norman Geisler, doutor em teologia e filosofia, em seu livro intitulado Ética Cristã, apresenta as seis condutas éticas mais praticadas e cita o exemplo da mentira para definir cada uma delas. Ele utiliza a seguinte pergunta para obter a resposta de cada pensamento ético: “É certo mentir para salvar uma vida?”.

Vamos usar essa pergunta para conhecermos as diferentes visões sobre a conduta ética no que se refere a mentira.

1. Mentir não é certo e nem errado – Não existem leis
Esta é a visão ética do antinominismo, onde asseveram que mentir para salvar vidas não é certo e nem errado. Afirmam que não existe princípio moral objetivo que possa julgar se essa questão é certa ou errada. A questão precisa ser decidida com base em princípios subjetivos, pessoais e usando a sensatez e nunca um princípio moral.

2. Mentir é normalmente errado – Não existem leis universais
Esta é a visão ética do generalismo que reivindica que mentir é normalmente errado. Como regra, mentir é errado, mas em casos específicos, essa regra pode ser quebrada. Por não existir leis universais, a mentira pode ser plausível, dependendo do resultado. Se os resultados forem bons, a mentira terá sido uma atitude certa. Os generalistas creem que mentir para salvar uma vida é uma atitude correta, visto que neste caso específico, o fim justifica o meio. No entanto, para eles, a mentira, de modo geral, é considerada errada.

3. Mentir e certo algumas vezes – Existe somente uma lei universal
Esta é a visão ética denominada situacionismo que reivindica a existência de uma única lei universal, e que falar a verdade não é essa lei. O amor é a única lei absoluta, e mentir pode ser a atitude de amor que tem que ser tomada. Salvar uma vida é o ato de amor a ser feito. Neste caso, a mentira, em algumas situações é um procedimento correto. A regra moral pode então ser infligida em nome do amor. Assim o situacionismo acredita que mentir para salvar vidas é um ato moralmente justificável.

4. Mentir é sempre errado – Existem muitas leis não conflitantes
Aqui temos a ética denominada absolutismo não qualificado que acredita existir muitas leis morais absolutas e que nunca nenhuma delas deveria ser quebrada. A verdade é uma dessas leis inquebráveis. Desse modo, a pessoa precisa falar a verdade sempre, mesmo que alguém venha morrer como resultado disso. A verdade é absoluta, e absolutos não podem ser violados ou negociados. Os resultados nunca podem ser usados como meio racional para se quebrar regras, mesmo que eles sejam desejáveis.

5. Mentir é perdoável – Existem muitas leis conflitantes
Esta é a visão ética do absolutismo conflitante. Ele reconhece que nós vivemos em um mundo mau, em que leis morais absolutas, algumas vezes, entram em conflitos inevitáveis. Nesses caso, é nosso dever moral escolher fazer o mal menor. Assim, precisamos quebrar a lei menor e implorar por misericórdia. Neste pensamento, devemos mentir para salvar uma vida e, em seguida, pedir perdão por termos quebrado uma lei moral absoluta de Deus. Nossos dilemas morais, em alguns momentos estarão em conflito, mas mesmo assim somos culpados diante de Deus. Deus não pode mudar suas prescrições morais absolutas por causa da nossa fraqueza de princípios.

6. Mentir é certo algumas vezes – Existem leis maiores
Temos a visão da ética conhecida como absolutismo graduado que entende que existem muitas leis morais absolutas e que, algumas vezes, elas conflitam. Entretanto, algumas leis morais são maiores que outras. Nesse caso, quando há um conflito inevitável, é nosso dever seguir a lei moral mais elevada. Eles acreditam que Deus não nos acusa por aquilo que nós não podemos evitar. Dessa forma, Ele os exime da responsabilidade de seguir a lei inferior, tendo em vista a obrigação prioritária de se obedecer a lei maior. Muitos absolutistas graduados acreditam que a misericórdia para com os inocentes é um dever moral maior do que falar a verdade para os culpados. Assim, eles também acreditam que é certo, em casos específicos, mentir para salvar uma vida.

Há correntes cristãs que adotam os itens 4,5 e 6, no entanto somente o item 4 (absolutismo não qualificado), possui argumentos convincentes e que estão em melhor conformidade com a ética cristã, fundamentada pela Palavra de Deus.

No caso da família patriarcal, estavam cientes que a mentira não era uma boa conduta, mas visaram a preservação da vida quando a verdade absoluta conflitou com o dilema exposto em cada ocasião que se viram em perigo de morte.

A ética cristã é absoluta e não relativa. Não compactua e não aceita a mentira, independente se a ocasião for extrema. Ela é mais fácil na teoria do que na prática, porém o cristão precisa se esforçar por confiar em Deus; e se o destino parecer incerto, ainda assim, é essencial continuar marchando em direção ao que está proposto, levantando sempre a bandeira da verdade.

João 8:44
44 Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. (ARC)

Jesus não contemporizou a mentira e nem a herdou de seus ancestrais, antes fez uma declaração dura acerca da paternidade da mesma. Enquanto Cristo se destaca por ser a verdade, o Diabo é o pai da mentira e quem mente o tem por pai também. Quando o homem mente, toma emprestado do Diabo esta prática.

Efésios 4:25
25 Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. (ARC)

Quem está em Cristo, deve abandonar a prática da mentira, mesmo que tenhamos uma história familiar semelhante à dos patriarcas.

Apocalipse 21:8
8 Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte. (ARC)

Lembremos que na relação daqueles que não herdarão o reino de Deus, estão os mentirosos, conforme o relato de Apocalipse 21.8. A parte reservada para este é o lago de fogo!

2.2 – O poder de uma decisão

A genealogia de Jesus pode surpreender aqueles que não conhecem ou experimentaram o poder da graça de Deus.

Podem questionar como Jesus poderia descender de Judá e Tamar, tendo estes, cometido pecado tão terrível de incesto (o sogro se relacionar sexualmente com a nora).
Como poderia Jesus descender de uma mulher chamada Raabe, cuja profissão, era a prostituição?
Ou ainda descender de Rute que era moabita, cujo povo tinha uma relação completamente hostil e conflitante com os judeus; tanto que os moabitas eram proibidos de entrar no templo conforme o relato de Deuteronômio 23.3.

Deuteronômio 23:3
3 Nenhum amonita ou moabita entrará na congregação do SENHOR; nem ainda a sua décima geração entrará na congregação do SENHOR, eternamente. (ARC)

A decisão de cada um desses exemplos, revela que devemos levar a sério nossas deliberações.
Enquanto Tamar se disfarçou de prostituta para ter descendentes, Raabe deixou a prostituição para servir ao Senhor.
Uma decisão teve consequências desastrosas e causou vexame, enquanto a outra teve consequências ditosas e causou uma reforma de vida.

Essas pessoas, cheias de imperfeições estão registradas na genealogia de Jesus com o propósito de revelar que desde a antiguidade e mesmo debaixo da lei, a graça de Deus já estava atuante e estava sendo pincelada em cada uma dessas histórias.

2.3 – Raízes de problemas

A genealogia de Jesus ainda registra as imperfeições daqueles que foram os reis mais expressivos de Israel, Davi e Salomão, pai e filho.

Mateus 1:6
6 Jessé gerou ao rei Davi, e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias. (ARC)

O rei Davi, apesar de todo o prestígio que possuía, sua biografia aponta que foi assassino e adúltero; traiu seu amigo Urias, um dos seus valentes. Nem mesmo a condição de homem segundo o coração de Deus, lhe privou de errar tão feio.

O seu filho, o rei Salomão, apesar de toda a sabedoria adquirida de Deus, se perdeu nos prazeres da carne e do mundo, trazendo não somente prejuízos pessoais, mas também para todo o povo de Israel, pois os diversos matrimônios contraídos, trouxeram também novos pactos, com os velhos deuses cananeus.

As consequências avançaram até o filho de Salomão, Roboão que por negligenciar a voz dos experientes conselheiros, levou a nação de Israel a sua divisão.

Mesmo os problemas mais profundos deixados na família, encontram correção em Cristo.

Romanos 5:20
20 Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; (ARC)

Onde a transgressão encontrou terreno fértil, a graça de Jesus Cristo, transbordou em favores, benefícios, virtudes e bênçãos àqueles que a Ele se achegam.

3 – A VONTADE SOBERANA DE DEUS

Nem mesmo a família do Salvador Jesus, foi perfeita, ao contrário, nela encontramos falhas vergonhosas. Até podemos admirar diferenças positivas entre uma família e outra, entre uma família e a nossa, no entanto, ela também possui as suas falhas, pois habitamos em um mundo imperfeito e povoado por pessoas imperfeitas.

Impressionante como Deus tem a capacidade de trabalhar com uma mão de obra tão deformada e defeituosa que somos nós, e mesmo assim, cumprir com os propósitos que Ele estabelece a nosso respeito.

Não raro, olhamos no espelho e sentimos vergonha do que somos ou fazemos, contudo, Deus tem a condução de nossas vidas e nos dirige até que a sua soberana vontade se cumpra em nós, mesmo sendo tão deficientes.

3.1 – Um projeto mais excelente

José e Maria estavam noivos; como qualquer outra pessoa, eles tinham planos. Em primeira mão, planejavam casar.

O que diz tradição judaica
A tradição judaica especifica que, antes da cerimônia do casamento, haviam contratos de noivado e casamento.

O contrato de noivado
Os contratos, eram feitos num texto padrão, elaborados num documento escrito e assinado por duas testemunhas e pelos noivos. As testemunhas devem ser homens adultos, seguidores das mitsvot (preceitos da Torá), sem serem parentes dos noivos e entre si.

O contrato de noivado pode ser feito com antecedência, mas há um costume de realizá-lo logo antes da chupá (tenda onde é realizado o casamento judaico), são lidos e assinados na Cabalat Panim (recepção para que os parentes e amigos cumprimentem os noivos), antes da cerimônia de casamento. Após a leitura do documento, as mães dos noivos quebram um prato de porcelana. O prato de porcelana é quebrado para indicar que como a porcelana nunca pode ser consertada, um contrato de noivado quebrado é muito grave.

O contrato de casamento
O contrato matrimonial especifica as responsabilidades do marido para com sua esposa, como provê-la com alimento, roupa e direitos conjugais.

A assinatura da Ketubá (contrato judaico de casamento), demonstra que os noivos não vêem o casamento apenas como uma união física e emocional, mas também como um compromisso legal e moral. Dois homens seguidores das mitsvot servem de testemunhas no ato da assinatura da Ketubá, assegurando que tudo seja feito de acordo com a prática legal e tradicional judaica.
http://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/618841/jewish/O-Casamento-Judaico.htm

O plano de José e Maria seguiam as tradições judaicas conforme descritas acima, no entanto a aparição do anjo Gabriel, viria manifestar um plano mais alto, mais sublime, um plano mais excelente que traria a redenção a toda a humanidade.

1T2017L12a

Isaías 55:8-9
8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR.
9 Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos. (ARC)

É inteligente da parte do homem confiar nos propósitos divinos. Deus tem a melhor perspectiva dos acontecimentos, pois enquanto vemos o que está diante de nós, o Senhor enxerga o plano como um todo, contendo começo, meio e fim.

Provérbios 19.21
21 Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.

Existe uma vida verdadeira a ser vivida por cada um de nós e essa vida se restringe a estarmos debaixo dos propósitos divinos. Nunca é tarde para descobrimos a vontade de Deus em nossa existência.

Maria recebeu a visita de um anjo que trouxe a revelação maior – gerar o Filho de Deus.

Lucas 1:38
38 Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela. (RA)

Tratava-se de um momento decisivo, determinante e crucial na vida de Maria. Chegou o momento que a perfeita vontade de Deus a alcançou. A delicadeza de Maria em responder ao anjo, é extraordinária. Sua resposta é amável, gentil e obediente.

Mesmo diante do possível desentendimento com José ou das acusações de familiares por se achar virgem e mesmo assim aparecer grávida, faz da atitude de Maria algo impressionantemente corajosa!

O gesto de conformação e submissão a vontade Deus caracteriza um coração completamente servil e flexível a voz do Altíssimo. Ela não levou em consideração a sua própria vergonha, mas simplesmente se lançou a vontade de Deus sem reserva alguma.

Jeremias 29:11
11 Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. (RA)

Muitos olham para o passado familiar e se restringem a pensar que a sua vida está fadada aos infortúnios até então registrados; esquecendo-se que Deus tem poder para modificar as coisas.

O que ocorreu no passado, não defini o que acontecerá no futuro. Muitos estacionaram os seus planos no acostamento da vida, concluindo que aquilo que não deu certo com seus pais, também não dará certo com eles. Ledo engano, pois os filhos de Deus sempre terão bons planos traçados pelo próprio Deus; Estes só precisam se desvencilharem das amarras do passado a fim de se deitarem nas promessas do Senhor.

3.2 – Uma atitude obediente

O quanto confiamos nos planos de Deus para conosco? O quanto estamos dispostos a cumprir a sua vontade por completo? A verdade é que muitos de nós relutamos contra a vontade de Deus. Limitamos o seu plano e queremos definir o campo de ação da sua vontade. Nos colocamos na posição de Deus e queremos ensiná-lo como operar em nós e através de nós, esquecendo que Ele é o oleiro e nós os vasos a mercê dos seus interesses.

Isaías 64:8
8 Mas, agora, ó SENHOR, tu és o nosso Pai; nós, o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos. (ARC)

Não houve resistência de Maria, apenas aceitou e creu que a vontade do Senhor é perfeita.
Quanto a nós, precisamos apenas seguir o seu exemplo e nos render a sua perfeita vontade.

Salmos 18:30
30 O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam. (ARC)

Deus coloca diante de nós um caminho que em determinados momentos se apresentará difícil de percorrer, mas ainda assim é perfeito e ainda assim precisamos continuar crendo.

O comentarista da revista apresenta neste tópico uma situação em que alguns podem possuir familiares adeptos de práticas ocultistas; e que estão constantemente renovando seus trabalhos contra a vida de seus parentes cristãos. Será que seremos derrotados ou estaremos debaixo das pragas lançadas por eles? Claro que não! Isso seria diminuir o Deus que servimos. Apenas intercedemos para a salvação daqueles. Não devemos sequer ocupar as nossas mentes ou inquietar a nossa alma com tais coisas.

Números 23:23
23 Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de Israel: Que coisas Deus tem feito! (ARC)

A Palavra de Deus nos traz segurança e nela podemos confiar. A nossa esperança não pode ser frustrada por absolutamente nada, pois agora pertencemos a Jesus, estamos nele, somos guardados por Ele e suas promessas se cumprirão em nossas vidas.

3.3 – Quebrando os paradigmas 

Não importa a nossa história regressa ou o que escreveu os nossos antepassados. Ainda somos imperfeitos e carecemos da graça de Deus, porém em Cristo fomos refeitos em outro modelo, a sua semelhança. Somos nova criatura em Jesus, reconstruídos no mais alto padrão de excelência de qualidade moral e espiritual.

2 Coríntios 5:17
17 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (RA)

Cristo cria em nós uma nova natureza, tanto que os velhos pensamentos, os velhos princípios, as velhas práticas se passaram e foram substituídas por aquelas que satisfazem a Deus e são encontradas em sua Palavra.

A vida anterior era vivida na carne e sob a batuta do pecado original cometido por Adão, entretanto, a obra do calvário nos redimiu e nos justificou diante de Deus. Desta forma, crescemos em direção a Ele, crescemos com o intuito de sermos semelhantes a Ele em seus atributos morais, tais como: Bondade, amor, misericórdia, paciência, verdade, fidelidade, justiça, paz, longanimidade, alegria, mansidão e outros.

CONCLUSÃO

Não devemos viver preocupados ou assombrados com memórias e lembranças do passado. Sejam praticados por nós mesmos ou por nossos familiares. Lembre-se que agora estamos em Deus e que Ele é quem determina a história de nossas vidas.

Jó 42:2
2  Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. (RA)

Caminhamos confiados nele e em sua misericórdia. Acreditamos que os seus planos são maravilhosos e não podem ser anulados ou impedidos.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada
Bíblia de Estudo Matthew Henry – Versão Revista e Corrigida – Central Gospel
Dicionário online da língua portuguesa
Dicionário Bíblico Universal – Augustus Robert Buckland – Editora Vida
Mateus – Série Cultura Bíblica – R.V.G Tasker – Editora Vida Nova
Ética Cristã – Norman L. Geisler – Editora Vida Nova
Site da internet mencionado quando citado no texto 

Por: Cláudio Roberto


Comentários

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado


Copyright Março 2017 © EBD Comentada