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Betel Adultos – 1º Trimestre de 2017 – 12/03/2017 – Lição 11: A igreja primitiva foi uma geração movida pela oração

09/03/2017

Este post é assinado por: Cláudio Roberto

TEXTO DE REFERÊNCIA

Atos 12:1-5
1 Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja para os maltratar;
2 e matou à espada Tiago, irmão de João.
3 E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos asmos.
4 E, havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
5 Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus. (ARC)

INTRODUÇÃO

Nesta lição iremos aperfeiçoar o nosso conhecimento sobre a igreja do primeiro século, mais especificamente a sua dedicação a oração. Veremos como a oração foi fundamental para o seu crescimento, comunhão e experiências miraculosas.

Atos 2:42
42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. (ARC)

Matthew Henry, afirma em seu comentário que os irmãos que compunham a primeira igreja, “não se atinham apenas a uma afeição mútua, mas também havia muita comunicação de uns com os outros. As reuniões eram frequentes e o amor entre eles era quase palpável, amor este demonstrado nas preocupações de uns para com os outros; os interesses eram comuns”.

Ainda afirma que a comunhão do partir do pão se refere ao ajuntamento dos irmãos nas casas para a celebração da ceia do Senhor, como sinal de que não se envergonhavam do seu relacionamento com o Cristo crucificado; E por último, a oração era constante entre eles.

1 – A GERAÇÃO QUE SABIA DOBRAR OS JOELHOS

Jesus foi morto sob a flâmula da perseguição. De um lado os judeus que o viram como um charlatão herético e do outro os romanos que mantinham a ordem social abafando os levantes, principalmente das insurreições de cunho político; entende-se aqui, que Jesus representava uma ameaça à ordem política, já que muitos o consideravam o rei dos Judeus; o que se caracterizava uma afronta ao governo romano liderado por César.

Antes de ascender ao céu, Jesus faz uma promessa interessante aos seus discípulos:

Atos 1:8
8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra. (ARC)

O Reverendo Hernandes Dias Lopes, em seu comentário expositivo do livro de Atos, afirma que uma testemunha é alguém que está pronto a dar a sua própria vida para testificar o que viu e ouviu. Ele continua e cita outro estudioso das escrituras chamado Mario Neves, que interpreta esse texto da seguinte forma: “A palavra testemunha, no grego corresponde a mártir, de sorte que ser testemunha implica na disposição íntima, não só de sofrer, mas até de sacrificar a própria vida pela Causa”.

Entendemos assim que Jesus antevia que a maioria de seus seguidores iriam padecer pelo viés do martírio.

Foi assim com Felipe, foi assim com Tiago irmão de João e depois com todos os apóstolos, exceto João.

Atos 7:59-60
59 E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
60 E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu. (ARC)

Atos 12:2
2 e matou à espada Tiago, irmão de João. (ARC)

Pedro estava preso com Tiago que acabara de ser morto, ele estava no átrio da morte, era o próximo da fila do sacrifício. A igreja do lado de fora das cadeias, sabendo o que acontecera com Tiago e que Pedro era a bola da vez, utiliza-se de um se seus principais recursos – a oração.

1.1 – Jesus deixou para seus liderados um modelo de oração

Desnecessário conceituar a oração, mas de forma sucinta, nada mais é que um diálogo entre o homem e o seu criador. Robert L. Brant e Zenas J. Bicket, declaram que a oração é a expressão mais íntima da vida cristã, o ponto alto de toda experiência religiosa genuinamente espiritual. O pastor Josué Gonçalves ainda a caracteriza como arma poderosa e profundo ato de devoção, adoração e comunhão com Deus.

Para o apóstolo Paulo, a oração era um empenho e esforço da alma, para Jacó uma luta e consequentemente uma vitória, para Jesus foi um grande clamor de lágrimas que permitiu ter forças para encarar a rude cruz. Todos os homens na Bíblia que se relacionaram com Deus, o fizeram através da oração.

Marcos 1:35
35 E, levantando-se de manhã muito cedo, estando ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava. (ARC)

Jesus deixou um legado poderoso nesse aspecto, pois como Deus, Ele não precisava orar, mas como homem sim e por isso não negligenciava essa atividade. Jesus sabia que a sua vitória durante o dia estava condicionada ao tempo que Ele desprendia em oração durante a noite.

Jesus deu a oração um lugar de primazia em sua vida terrena. Ele orava noites inteiras e houve ocasião que Jesus orou por um período de nove horas seguidas (do cair da tarde até a quarta vigília da noite).

Mateus 14:23-25
23 E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só.
24 E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário.
25 Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, caminhando por cima do mar. (ARC)

Lutero chegou a afirmar que se não empregasse ao menos duas horas de oração pelas manhãs, o diabo teria vitória em sua vida o dia inteiro.

Muitas vezes, Jesus se retirava a lugares secretos a fim de ficar a sós com o seu Pai em oração. Ali suas forças eram renovadas e o ânimo restabelecido, além de se abastecer de poder para realizar os tantos milagres registrados nos evangelhos. Foi orando que seu rosto se transfigurou.

Lucas 9:29
29 E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e as suas vestes ficaram brancas e mui resplandecentes. (ARC) 

Ele se preocupou não somente em ensinar aos seus discípulos o valor da oração, mas também a habituar-se com ela.

Lucas 22:40,46
40 E, quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação.

46 E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai para que não entreis em tentação. (ARC)

Lucas 18:1
1 E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer, (ARC)

Lucas 11:1
1 E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos. (ARC)

Note que os discípulos estavam com a oração impregnada em suas vidas devido o legado deixado por seu Mestre, Jesus.

Eles iniciaram orando no dia de Pentecostes e permaneceram com a mesma disposição.

Infelizmente os cultos de oração têm sido abolidos e extintos em muitos lugares sob a alegação de que não dá quórum, ou seja, não tem frequência. Vivemos um tempo onde há um povo ávido por poder e milagres, mas que não se aplicam a oração, ignorando a lição deixada por Cristo.

1.2 – A oração era uma prática indispensável para aquela geração

Existe um ditado falado exaustivamente em nossos púlpitos: “Pouca oração, pouco poder; muita oração, muito poder”. Os mais antigos gostam dessa frase que retrata uma grande realidade. A igreja primitiva estava imbuída de estrondoso poder porque orava muito e a igreja hodierna está desprovida de poder porque oramos pouco.

Aquela geração primitiva do evangelho, não tinham recursos tecnológicos que temos hoje e sequer possuíam a riqueza que a igreja possui hoje, no entanto nada pôde detê-los na pregação do evangelho. Eles não dependiam de dinheiro ou tecnologia, mas a oração a Deus lhes supria todas as necessidades e o reino avançava.

Marcos 11:23-24
23 porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

24 Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis. (ARC) 

Quando uma vida está coberta pelo manto da oração, ela caminha sobre as impossibilidades e marcha em direção ao extraordinário.

Enquanto Herodes Agripa I esforçava-se por aniquilar os principais líderes da igreja primitiva, esta igreja investia em oração.

Atos 12:5
5 Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus. (ARC)

Pedro seria levado a morte no outro dia, porém a igreja fazia contínua oração por ele a Deus.

O relato é breve, mas nenhum pouco débil. A oração pode ser desprezada por muitos, mas quem ora vê o céu se abrir e tem testemunhos para contar.

Herodes Agripa I estava movido e entorpecido pelo brado favorável do povo quando ele matou a Tiago a fio de espada e pretendia fazer o mesmo com Pedro, só não contava com uma igreja que estava orando para que Deus reverte-se a situação.

A grande verdade é que a nossa geração é cômoda e não sabe orar, não tem vontade de orar, muitos não têm prazer na oração e a têm como uma penitência ou um fardo pesado, difícil de carregar. Ainda não compreendemos que milagres e oração andam juntos. Ainda não entendemos que comunhão com Deus se dá através da oração.

Precisamos acender a faísca da oração e então será revelado o incêndio do avivamento que está por vir.

1.3 – A persistência da oração

Ninguém perdeu porque orou, ninguém fracassou porque estava orando, ninguém sofre agravo quando ora.

Atos 12:12
12 E, considerando ele nisso, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam. (ARC) 

Enquanto muitos contavam os minutos da execução de Pedro, a igreja insistia com Deus em oração pela libertação do seu pastor e a perseverança permitiu que desfrutassem de um belo milagre.

A oração era unânime, a oração era específica; todos abarcaram em prol de um propósito definido – a libertação de Pedro da prisão. Essa oração foi feita de forma coletiva e intensa. Eles somente pararam quando Pedro bateu a porta e entrou.

Quanto somos perseverantes na oração? Quantos somos específicos em nossas orações? Quantos de nós deixa o egoísmo de lado e ora pelas necessidades do seu irmão? São perguntas que precisam de respostas sérias de cada um de nós, pois elas definem o quão distante estamos do caráter genuinamente cristão.

Conhecer a vontade de Deus é fundamental para o sucesso da obra como um todo e do sucesso pessoal nessa obra. A oração nos aproxima de Deus e de sua vontade. Através da oração persistente descobrimos essa vontade e Deus nos ensina a caminhar em direção a ela.

2 – OS EFEITOS DE UMA ORAÇÃO EFICAZ

A política mata desde tempos remotos. Ela foi um “braço” que matou Jesus. Pôncio Pilatos, foi posto como governador de Roma na Judeia com fins de trazer a lei e a ordem, pois os diversos conflitos e rebeliões estavam causando anarquia na região. Sua jurisdição ainda abrangia os territórios de Samaria e a Iduméia.

A aliança entre o governo de Pilatos e os líderes religiosos de Israel, traziam o tão desejado equilíbrio social, político e religioso àquela região. Desta forma, Pilatos atendeu ao pedido do Sinédrio para matar a Jesus, mesmo não sendo convencido por eles e mesmo não tendo provas contra o Filho de Deus. Um ato puramente político.

Atos 12:3
3 E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos asmos. (ARC)

Herodes Agripa I, agiu de mesmo modo. Ao perceber a aceitação do povo judeu quando a morte de Tiago, decidiu ir adiante para ganhar ainda mais popularidade política na região e assim coloca também a Pedro na fila da morte.

A oração, no entanto, foi o recurso competente utilizado pela igreja primitiva que não somente deteve a intenção de Herodes Agripa I, mas que trouxe sobre ele duro juízo de Deus, vindo a morrer e ser comido de bichos, ainda no final deste capítulo (At. 12.23).

2.1 – Resplandeceu uma luz na prisão

Dezesseis soldados guardavam a Pedro na prisão e este ainda estava preso a correntes pelas mãos. Alguns comentaristas acreditam que Pedro estivera preso na torre situada na fortaleza de Antônia, localizada a noroeste do Templo. A fortaleza que Paulo também ficou preso posteriormente (At. 21.34).

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https://www.google.com.br/search?q=fortaleza+de+antonia+jerusalem&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiTmMKEq8zSAhUDgJAKHYISCKoQ_AUIBigB&biw=1600&bih=750

Como podemos constatar pela imagem, o lugar pode ser considerado de segurança máxima, portanto inescapável. Herodes Agripa I, sabia que Pedro já havia se livrado da prisão do Sinédrio por duas vezes (At. 4.3; 5.18). Colocá-lo na fortaleza de Antônia era uma forma de garantir que Pedro não iria escapar desta vez.

A medida que a igreja intensificava suas orações, Deus desde a eternidade já tinha o programa de resgate de Pedro da fortaleza de Antônia traçado.

Atos 12:7
7 E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro no lado, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! E caíram-lhe das mãos as cadeias. (ARC)

A Bíblia afirma que os anjos são espíritos ministradores a serviço daqueles que hão de herdar a salvação.

Hebreus 1:13-14
13 E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?

14 Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação? (ARC)

A Bíblia não revela as palavras utilizadas pelos irmãos enquanto oravam por Pedro, mas temos a certeza que clamavam a Deus por sua libertação. Eram conhecedores de que Pedro tinha uma promessa de envelhecer.

João 21:18
18 Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. (ARC)

Perceba como é importante conhecermos o plano de Deus em nossas vidas. Mesmo com toda a evidência de morte eminente e toda a sorte concorrendo ao contrário de Pedro, a igreja foi respondida em suas orações e o Senhor enviou o seu ministro para pôr em liberdade aquele a quem ainda tinha muitos programas a ser realizado.

Pedro, em um instante está preso em cadeias e fortemente vigiado e em outro instante, está fora da fortaleza, pasmo e consciente que não se tratava de uma visão ou sonho, mas uma realidade miraculosa de que de fato, estava livre.

O autor da revista destaca dois pontos interessantes nesta passagem, são eles:

  1. A entrada sobrenatural do anjo: A Bíblia assegura que o anjo veio acompanhado de uma resplandecente luz, no entanto ninguém o viu. As sentinelas a postos não perceberam a sua entrada e sequer viram a tal luz, porque Deus tem o controle e o domínio de todas as coisas. Mesmo o resplendor de uma luz, pode não chamar a atenção e nem mesmo alumiar quando Deus assim deseja. Não podemos explicar como uma luz resplandece no cárcere escuro e ninguém vê, nem mesmo Pedro. O mesmo anjo adormeceu os guardas, mas despertou a Pedro. Existe a máxima que diz: “milagre não se explica!”; que aqui se aplica muito bem. O fato relevante é o poder manifesto de Deus em fazer tudo como lhe apraz.
  2. A tranquilidade de Pedro: Pedro tinha consciência do que havia acontecido com Tiago, Pedro tinha consciência do que aconteceria com ele mesmo, no entanto o relato bíblico de que Pedro dormia profundamente é notável. Ele estava diante do futuro mais sombrio que o homem pode esperar – a morte, porém mesmo assim, descansava.
    Uma alma que se acha abrigada em Deus, pode repousar mesmo diante das piores sentenças, mesmo diante das maiores tempestades, mesmo estando no olho do furacão. O verdadeiro significado de paz, é tranquilidade da alma, logo uma alma tranquila e aquela que está em paz com Deus, ela descansa, ela dorme profundamente, mesmo que o seu executor esteja esperando na sala ao lado. Não há desespero aqui, apenas serenidade. Pedro tinha a certeza de que em Cristo tempos paz com Deus (Rm. 5.1).
    Crisóstomo, ilustre pai da igreja primitiva declara: “É lindo o fato de Paulo cantar hinos, enquanto Pedro, aqui, dorme. Pedro e Paulo revelam-se corajosos diante da morte.”

Não temos uma explicação do porque Deus ter permitido Tiago morrer decapitado e por outro lado, ter libertado a Pedro. Ambos eram servos dedicados e importantes expoentes para a igreja que se desenvolvia na época.

O Reverendo Hernandes Dias Lopes comentando o livro de Atos esclarece: “Uns foram poupados do fogo e da boca de leões, outros pela mesma fé foram serrados ao meio; alguns foram mortos pela fé, enquanto outros pela mesma fé, alcançaram o livramento. Deus é Deus quando nos livra da morte e quando nos leva para a sua presença”.

A reposta mais plausível certamente é a soberana vontade de Deus que muitas vezes não pode ser desvendada.

2.2 – Compreendendo o efeito da oração

Orlando Boyer, no livro Heróis da fé, descreve o testemunho de John Knox, pastor escocês que se notabilizou por sua vida de oração. Orlando descreve um fato curioso de sua biografia. No ano de 1959, Knox liderou o movimento de reforma religiosa na Escócia, nesse mesmo período a Escócia estava em guerra contra a Inglaterra e a rainha da Inglaterra escreveu dizendo: “Eu temo mais as orações de John Knox do que os exércitos de 10 mil homens contra nós”.

A tática sórdida de Herodes era minar a liderança cristã, era eliminar as colunas da igreja. Tiago era morto, Pedro estava na fila, só restava então a João – o plano parecia infalível, pois além de acabar com o cristianismo emergente, ganharia o apoio do povo ao seu governo.

Enquanto Herodes Agripa I, representava o poder e a força natural na terra, a igreja de joelhos representava o próprio céu e o sobrenatural de Deus na mesma terra.

2 Crônicas 20:12
12 Ah! Deus nosso, porventura, não os julgarás? Porque em nós não há força perante esta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que faremos; porém os nossos olhos estão postos em ti. (ARC)

Qualquer ser humano diante de uma causa perdida, entra em desespero ou se entrega, porém, o cristão ainda possui nessas horas uma alternativa capaz de mudar o quadro. O cristão pode orar a Deus. Quando oramos, o céu pára para nos ouvir.

O exemplo do rei Josafá é uma evidência claríssima que diante de um poder ou uma força maior do que aquela que possamos suportar, a oração se torna imprescindível para alcançarmos o resultado esperado, mesmo que tudo conspire contra.

Tiago 5:16
16 Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (ARC)

Aquele que é justificado por Deus, se torna seu amigo e assim, sua oração, o seu diálogo com o Criador torna-se proveitoso, frutífero e eficaz.

2.3 – A experiência de Pedro

Pedro adormecido é despertado pelo anjo do Senhor. As algemas que limitavam seu deslocamento caíram milagrosamente, os soldados fortemente armados que estavam ao seu lado o vigiando, nada veem.

As portas e portões vão espantosamente sendo abertos sem toque de mãos humanas, os outros soldados que guardavam cada passagem, estão paralisados, entorpecidos pelo toque do anjo do Senhor; e Pedro? Como está?

Atos 12:9
E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão. (ARC)

Durante a experiência de sua libertação da fortaleza de Antônia, Pedro conjecturava consigo mesmo ser tudo aquilo uma visão e nada era de fato real, até que se viu solto no meio da rua de onde avistava a certa distância o lugar que antes estava preso. A sua experiência era concreta, era real e legítima. Pedro estava livre novamente.

Interessante a citação do Pastor Manoel Luiz Prates, comentarista dessa revista, quando diz sobre a realidade de Pedro ter tido outras experiências como por exemplo, ter andado sobre as águas, aliás, apenas duas pessoas na história da humanidade fez isso; Jesus e Pedro.

Mateus 14:29
29 E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. (ARC)

Mesmo tendo uma experiência poderosa com Deus, Pedro demonstra perplexidade com o que acabara de acontecer. Nossas experiências anteriores, não anulam nosso espanto das que experimentamos hoje e experimentaremos amanhã. Deus sempre é surpreendente.

A experiência de Pedro foi resultado ou fruto da oração de irmãos simples, mas que conheciam o poder da oração.

Mais uma vez recorremos ao Reverendo Hernandes Dias Lopes em seu comentário de Atos. Ele diz haver uma forte relação entre os joelhos dobrados da igreja e a mão estendida de Deus.

As orações na terra, deliberam intervenções no céu. Tais intervenções podem ser verdadeiramente inacreditáveis, porém autênticas.

3 – OS IMPACTOS POSITIVOS DA ORAÇÃO

Uma vez livre, Pedro delibera ir até a casa da irmã Maria, mãe de João Marcos e tia de Barnabé (Cl 4.10), onde a igreja permanecia orando a seu favor.

A oração foi eficaz pela comunhão que havia entre os irmãos, aliada a vontade de Deus, mas é surpreendente a reação dos irmãos ao saber que Pedro estava lá em resposta as orações.

3.1 – Pedro bate à porta

O apóstolo Pedro está a porta da casa e bate. A menina chamada Rode, o atende, reconhece a sua voz, mas não abre a porta. Talvez por não acreditar que pudesse ser ele de fato. Ela então vai comunicar os irmãos que Pedro estava lá fora.

Atos 12:13-14
13 E, batendo Pedro à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu a escutar.

14 E, conhecendo a voz de Pedro, de alegria não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta. (ARC) 

Deus é real e responde as orações. Muitos entre nós podem captar intelectualmente esse conceito, mas quando a evidência está batendo na porta, achamos difícil acreditar.

Atos 12:15
15 E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo. (ARC) 

Chega a ser sarcástica a reação dos irmãos dentro da casa ao receber a notícia de que Pedro estava a porta. A resposta as orações estava lá fora esperando entrar e se alegrar com eles, mas os irmãos duvidaram. Por isso a ironia do fato. Não estavam eles orando pela libertação de Pedro? Não era esse o objetivo da oração?

A expressão “é o anjo dele” chama a atenção no versículo 15, pois segundo o teólogo judeu, David H. Stern, autor do livro Comentário Judaico do Novo Testamento, e da Bíblia Judaica Completa, tal expressão retrata a crença do povo judeu que cada homem (gênero humano), possui um anjo da guarda que possui a mesma aparência daquele que ele protege. Aqui temos o conceito que eles chamam de anjos guardiães ou ministradores. Esta não era uma ideia apenas no Novo Testamento, mas na velha aliança já criam assim conforme o Salmos 91.11.

Salmos 91:11
11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. (ARC) 

Em Cremona na Itália, existe uma comunidade judaica chamada de Soncino; afirmam que um judeu ao entrar no banheiro dirige as seguintes palavras ao seu anjo: “Recebam honra, ó honrados e santos que ministram ao Altíssimo… Espere por mim até que entre, cuide das minhas necessidades e retorne a vocês”. Eles pensavam que os anjos acompanhavam um homem até a latrina, que era por eles, considerada, o abrigo de espíritos malignos (Talmud).

Não é surpreendente que os primeiros cristãos, oriundos do judaísmo pudessem pensar que naquela ocasião tratava-se apenas do anjo da guarda de Pedro e não ele propriamente dito. Vale ressaltar que tal crença não acha espaço na teologia cristã.

Para termos surpresas tão agradáveis como os irmãos primitivos tiveram, precisamos entrar pelo caminho da oração. Vivemos em uma época em que os indivíduos evitam a intimidade e os relacionamentos pessoais. Tudo é muito superficial e estamos inclinados a um convívio moderno e virtual. Isto posto, percebemos que os cristãos abarcados nesta filosofia de vida, estendem a falta de intimidade com seu semelhante até Deus. Ocorre que o homem não pode se relacionar com Deus de modo virtual. Um dos atributos de Deus é que Ele é um ser pessoal, logo o nosso relacionamento com ele exige propriedades pessoais.

3.2 – Quando a resposta está à porta

Quando oramos a Deus, precisamos ter lucidez de raciocínio que a partir do momento que apresentamos uma causa ao Senhor, segundo a sua vontade, Ele pode sim, nos conceder o seu favor. Não interessa se o problema é pequeno ou é gigante, ele foi posto nas mãos de um Deus que tudo pode.

Lucas 1:37
37 Porque para Deus nada é impossível. (ARC)

Aquele grupo de irmãos pediam por algo de fato impossível devido aos diversos fatores já apresentados até aqui, no entanto, a despeito da probabilidade de serem atendidos ou não, Deus agiu e a operação de Deus, revelou uma ponta de descrença no coração deles.

Atos 12:16
16 Mas Pedro perseverava em bater, e, quando abriram, viram-no e se espantaram. (ARC) 

Pedro era o retorno de suas orações e teve que perseverar em bater para que a porta fosse aberta.

Precisamos ter convicções absolutas que as respostas de tudo quanto levamos até Deus em oração, pode ser respondida ao seu tempo. O que não pode acontecer, é estarmos inaptos a abrir a porta da resposta de Deus quando esta golpear os umbrais.

3.3 – Vem e segue-me

Retornemos a ocasião que o anjo estava trazendo a liberdade a Pedro…

Atos 12:7-8
7 E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro no lado, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! E caíram-lhe das mãos as cadeias.
8 E disse-lhe o anjo: Cinge-te e ata as tuas sandálias. E ele o fez assim. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa e segue-me. (ARC) 

O anjo o despertou do sono, deu-lhe algumas ordens e o intimou a segui-lo.

Resumidamente podemos relacionar alguns pontos importantes deste ato:

  1. Levanta-te: O cristão é chamado para o serviço e Pedro ainda tinha um longo caminho a percorrer na seara do Senhor;
  2. Depressa: Existe uma urgência missionária que muitos ainda não atentaram e vivem postergando o trabalho do Senhor. Deus tem pressa em sua obra;
  3. Cinge-te: Cingir significa colocar o cinto. No oriente, o cinto era um acessório de suma importância para um trabalhador, pois ele garantiria que as vestes estariam firmes e ele teria mobilidade suficiente para executar o seu serviço. Cingir os lombos representa uma preparação para o trabalho;
  4. Ata as sandálias: Sandálias fazem referência a preparação para a pregação das boas novas (Ef. 6.15). O terreno é espinhoso e cheio de pedras e a pés descalços não iremos muito longe, mas calçados do evangelho, chegaremos ao ponto final;
  5. Capa: Fala-nos de proteção e cuidado que devemos ter no exercício da obra de Deus; capa protege da chuva, do granizo, do sol e ainda aquece. Só pode usar a capa ministerial quem está disposto a sair;
  6. Segue-me: Deus é quem nos chamou e Ele quem vai diante de nós realizando os milagres necessários.

Perceba que toda a ação e as palavras daquele anjo visavam um propósito de trabalho e serviço. A oração da igreja estava em conformidade a vocação da mesma; que era é ainda é a pregação do evangelho para a salvação dos perdidos.

Uma oração feita neste sentido, sempre terá resultados positivos.

CONCLUSÃO

Se a igreja primitiva é exemplo de como expandir o reino de Deus, não devemos ignorar a sua vida de oração.

Essa lição relatou uma centelha daquilo que movia aqueles irmãos; e os fizera desbravar o mundo de sua época com a pregação poderosa do evangelho de Jesus Cristo, permeado de milagres e testemunhos inequívocos de que o Senhor era com eles.

O exemplo do Senhor operar o sobrenatural na vida de Pedro através da oração da igreja, deveria nos empolgar a buscá-lo com mais afinco, afinal eles já escreveram a sua história… e que história… E quanto a nós? Como estamos escrevendo a nossa?

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Eletrônica Olive Tree – Versão Revista e Corrigida / Revista e Atualizada;
Dicionário da língua portuguesa;
Bíblia de Estudo Matthew Henry – Versão Revista e Corrigida – Central Gospel;
Bíblia de Estudo Arqueológica – NVI – Editora Vida;
Comentário Expositivo Hagnos – Atos – Hernandes Dias Lopes – Editora Hagnos;
Oração – A respiração da Alma – Josué Gonçalves – Editora Mensagem para Todos;
O Espírito nos ajuda a orar – Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket – CPAD;
Comentário Judaico do Novo Testamento – David H. Stern – Editora Atos;
Heróis da fé – Orlando Boyer – CPAD.

Por Cláudio Roberto



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